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Alfabetização no tempo certo faz a diferença no desenvolvimento infantil

Desde muito cedo, a criança vive em um mundo permeado pela linguagem. Antes mesmo do ensino formal, ela observa, escuta, comunica-se e constrói sentidos sobre a escrita a partir das interações que estabelece com o meio

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Aprender a ler e escrever é um direito fundamental da criança e uma responsabilidade da escola, em parceria com a família.

Para que esse processo aconteça de forma consistente e significativa, é essencial respeitar o desenvolvimento cognitivo, emocional e social da infância, evitando tanto a antecipação indevida quanto a negligência pedagógica. A alfabetização exige cuidado, intencionalidade e compromisso com o tempo certo de aprender.

Desde muito cedo, a criança vive em um mundo permeado pela linguagem. Antes mesmo do ensino formal, ela observa, escuta, comunica-se e constrói sentidos sobre a escrita a partir das interações que estabelece com o meio.

Ela não é um ser vazio a ser preenchido, mas um sujeito ativo, que pensa, investiga e elabora hipóteses sobre a linguagem escrita.

A Educação Infantil tem papel fundamental no processo de alfabetização. É nesse período que a criança vive experiências essenciais que dão a base para aprender a ler e escrever.

Brincar, ouvir e contar histórias, desenvolver a oralidade, explorar diferentes linguagens, fortalecer a coordenação motora, a atenção, a memória, o pensamento simbólico e as relações sociais são vivências indispensáveis.

De forma lúdica, as crianças brincam com rimas e aliterações, participam de jogos sonoros e desenvolvem a consciência fonológica por meio de parlendas, músicas, poesias, histórias e rodas de conversa.

Essas experiências ajudam a criança a perceber os sons da fala, ampliar o vocabulário e compreender como a linguagem funciona, impactando diretamente as habilidades que sustentam a construção de hipóteses sobre a escrita e a leitura.

É comum que algumas crianças, ao final da Educação Infantil, já realizem registros de escrita com transcrição fonética. Esse movimento faz parte do desenvolvimento e deve ser acolhido como expressão da curiosidade e da investigação infantil.

No entanto, a alfabetização se consolida, de forma sistematizada, no primeiro e/ou no 2º ano do Ensino Fundamental, quando a criança, com maior maturidade cognitiva e emocional, compreende o funcionamento do sistema de escrita, amplia suas estratégias de leitura e passa a produzir textos com mais autonomia.

Durante muitos anos, a alfabetização esteve associada a práticas centradas na memorização e na repetição. Esse modelo formou crianças capazes de decodificar letras e palavras, mas com dificuldades para compreender textos, estabelecer relações e utilizar a leitura e a escrita em situações reais.

Hoje, sabemos que alfabetizar vai além de decodificar um código linguístico. Envolve compreender, interpretar, criar, comunicar e utilizar a linguagem escrita em diferentes contextos sociais.

Por isso, a antecipação da alfabetização não traz benefícios para as crianças pequenas. Elas precisam de tempo para viver experiências significativas que fortaleçam as bases do aprendizado.

Respeitar o tempo da infância não significa adiar ou abrir mão da alfabetização, mas garantir que ela aconteça no momento adequado, com acompanhamento, intervenções pedagógicas consistentes e responsabilidade institucional.

Como princípio, entendemos que “respeitar o tempo da infância não significa abrir mão da alfabetização, mas garantir que ela aconteça no momento adequado, com intencionalidade pedagógica, acompanhamento e responsabilidade”.

A alfabetização acontece a partir de marcos do desenvolvimento considerados típicos; é papel da escola oferecer mediações e estratégias pedagógicas personalizadas para quem precisa.

A atenção conjunta da escola e da família torna-se ainda mais importante quando, ao final do 2º ano do Ensino Fundamental, a criança não concluiu o processo de alfabetização, o que indica a necessidade de intervenções mais específicas.

Garantir a alfabetização no tempo certo é assegurar que aprender a ler e a escrever seja uma experiência significativa, respeitosa e formadora.

Trata-se de um direito da criança, de uma responsabilidade da escola, construída em parceria com a família, e de um processo que exige intencionalidade pedagógica, acompanhamento contínuo e compromisso com o desenvolvimento integral da infância. Alfabetizar é um direito porque abre portas ao mundo.

Artigo

CIB e planejamento tributário: A era da rastreabilidade imobiliária.

A fragmentação informacional, que historicamente dificultava o cruzamento entre propriedade, contratos e rendimentos declarados, tende a ser progressivamente superada

14/04/2026 07h30

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A criação do Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB), no âmbito da reforma tributária, foi apresentada como medida de modernização administrativa e integração de dados.

De fato, não se trata da instituição de novo tributo, nem da alteração formal de alíquotas. Contudo, seus efeitos práticos ultrapassam o campo meramente cadastral e atingem, de forma sensível, a tributação dos aluguéis no Brasil.

Ao conferir a cada imóvel um identificador único nacional e integrar informações oriundas de cartórios, municípios, Receita Federal e órgãos fundiários, o CIB inaugura um novo patamar de transparência patrimonial.

A fragmentação informacional, que historicamente dificultava o cruzamento entre propriedade, contratos e rendimentos declarados, tende a ser progressivamente superada. O resultado é inequívoco: a capacidade de fiscalização sobre receitas locatícias será substancialmente ampliada.

Hoje, os aluguéis percebidos por pessoas físicas submetem-se à tributação progressiva do Imposto de Renda, podendo alcançar as alíquotas mais elevadas da tabela.

Já na pessoa jurídica, especialmente em estruturas de administração patrimonial, é possível, a depender do regime adotado, alcançar carga efetiva inferior e maior previsibilidade tributária. Essa diferença sempre estimulou debates sobre reorganização patrimonial e eficiência fiscal.

O CIB não altera essa estrutura normativa. O que ele modifica é o ambiente de controle. A partir da consolidação nacional de dados imobiliários, torna-se mais simples para o Fisco confrontar titularidade do bem, existência de contratos, valores de mercado e rendimentos efetivamente declarados.

A informalidade, que antes se beneficiava de lacunas cadastrais e da dispersão de informações, passa a conviver com risco fiscal significativamente maior.

Nesse contexto, ganha centralidade o planejamento tributário lícito e estruturado. Não se trata de evasão, mas de organização patrimonial racional. A definição entre manter imóveis na pessoa física ou integralizá-los em sociedade patrimonial, a escolha do regime tributário mais adequado, a formalização contratual compatível com a realidade econômica e a adequada escrituração dos recebíveis deixam de ser decisões secundárias e passam a integrar a estratégia essencial do investidor imobiliário.

A nova lógica é clara, quanto maior a integração informacional, menor a margem para improviso. O contribuinte que aufere renda de aluguéis precisa antecipar-se ao ambiente de rastreabilidade ampliada, ajustando sua estrutura jurídica à legislação vigente e avaliando impactos de curto e longo prazo.

Em síntese, o CIB não cria o imposto sobre aluguéis, mas fortalece o sistema que o fiscaliza. Se antes a desorganização patrimonial era tolerada pela dificuldade operacional de controle, agora a transparência estrutural impõe profissionalização. A tributação permanece a mesma; o grau de exposição, não.

Em razão do novo panorama, é impositivo que o investidor organizado possua não só imóveis sólidos e bem construídos materialmente mas, igualmente, no campo formal, é necessário um planejamento patrimonial estruturado sob pilares consistentes e construído com inteligência.

Em razão desse novo panorama, impõe-se ao investidor organizado não apenas a constituição de um portfólio imobiliário sólido sob o aspecto material, mas, sobretudo, a estruturação formal de seu patrimônio com rigor técnico.

A solidez física do ativo já não é suficiente; exige-se, igualmente, arquitetura jurídica consistente, planejamento tributário racional e governança patrimonial construída com inteligência estratégica.

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Editorial

Feminicídio: um desafio coletivo?

As igrejas, por exemplo, poderiam contribuir de forma mais incisiva para a promoção do respeito à mulher e de sua autonomia. No entanto, esse é um terreno sensível

14/04/2026 07h15

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Se soubéssemos as respostas, provavelmente não começaríamos este texto com uma pergunta. Mas é justamente a ausência de soluções definitivas que impõe à sociedade o dever de buscá-las de forma permanente e responsável.

Diante de um problema tão grave quanto o feminicídio, insistir apenas em velhas fórmulas, baseadas na tentativa e erro, revela-se não apenas insuficiente, mas perigoso.

É preciso ciência. Compreender o fenômeno exige dados consistentes, estudos aprofundados e análises que revelem suas causas, padrões e fatores de risco.

O feminicídio não é um ato isolado, mas o resultado de uma cadeia de violências que se acumulam ao longo do tempo, muitas vezes ignoradas ou naturalizadas.

Combater esse crime sem viés – seja ideológico, político ou institucional – é condição essencial para que políticas públicas sejam efetivas e duradouras.

Também é necessário adotar a transversalidade. O enfrentamento não pode ficar restrito às forças de segurança ou ao sistema de Justiça, que, em geral, atuam quando a violência já atingiu seu estágio mais extremo.

É preciso agir antes, nos espaços em que comportamentos são formados e reproduzidos, como a escola, a família, os ambientes de trabalho e a convivência social.

Prevenção exige presença contínua e ação coordenada.

O combate ao feminicídio envolve toda a sociedade. Não se trata de uma responsabilidade exclusiva do Estado, embora o poder público tenha papel central na formulação e execução de políticas.

Trata-se de uma transformação cultural profunda, que exige revisão de valores, práticas e discursos que ainda hoje relativizam ou silenciam a violência contra a mulher.

Nesse contexto, é inevitável discutir o papel das instituições que influenciam diretamente a formação desses valores. As igrejas, por exemplo, poderiam contribuir de forma mais incisiva para a promoção do respeito à mulher e de sua autonomia. No entanto, esse é um terreno sensível.

Ao mesmo tempo em que preservam valores associados à família, muitas dessas instituições acabam, ainda que indiretamente, reforçando padrões que mantêm a mulher em posição de subordinação, insistindo em valores que mantém as mulheres em posição de subjugação perante a sociedade.

Esse é apenas um dos muitos desafios que precisam ser enfrentados com seriedade. Frear os índices de feminicídio exige reconhecer a complexidade do problema e abandonar respostas simplistas.

Não haverá solução única ou imediata. Mas há um caminho possível: investir em conhecimento, integrar esforços e assumir, como sociedade, a responsabilidade de enfrentar uma realidade que já não pode ser ignorada nem tolerada.

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