Artigos e Opinião

CORREIO DO ESTADO

Editorial deste domingo: "Divisão e crescimento"

Editorial deste domingo: "Divisão e crescimento"

Redação

11/10/2015 - 00h00
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Assim como o resto do País, o Estado foi impactado com a retração econômica e, hoje, a economia regional está se adequando ao cenário nacional

Mato Grosso do Sul completa 38 anos, com desafios que se assemelham – guardadas as devidas proporções – aos encontrados no período da divisão. Assim como o resto do País, o Estado foi impactado com a retração econômica e, hoje, a economia regional está se adequando ao cenário nacional, fazendo ajustes e corte de gastos. A administração estadual reduziu pessoal e está planejando pacote de tarifaços na tentativa de suprir, mesmo que parcialmente, a perspectiva de deficit nas contas em médio e longo prazo. Essa reengenharia precisa ser feita com cautela.

O Estado tem, historicamente, importante posição no cenário produtivo, já na época da divisão, sendo o terceiro maior produtor de soja, ficando atrás do Rio Grande do Sul e do Paraná,  e o quinto de rebanho bovino no País. Naquela época, década de 1970, o rebanho bovino somava 9,3 milhões de cabeças de gado, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mais recentemente, Mato Grosso do Sul desponta na produção de outros itens, como cana-de-açúcar, que teve crescimento de 94%, e florestas, o último, com aumento da área plantada em 116%, impulsionado pela instalação de grandes empresas de celulose, principalmente na região de Três Lagoas.

Passadas quase quatro décadas, ainda estamos no ranking de produtividade, apesar das oscilações, comuns na concorrência de mercado entre os estados, além da influência dos fatores econômicos, que estão comprometendo as contas internas. A alta do dólar tem efeito cascata, com consequências desde a gestão pública até o consumidor: apesar de ter efeito positivo para as exportações, pressiona o mercado interno e aumenta inflação e, no cenário familiar, inviabiliza os planos de quem pretendia viajar para o exterior. O aumento nos custos do setor empresarial obrigou a rever a planilha de gastos e a folha de funcionários. O desemprego atinge patamares recordes e é a explicação para a grande inadimplência no varejo. A bola de neve cresceu e ainda não atingiu o ápice.

É este o cenário atual, em que Mato Grosso do Sul está inserido. O desafio da administração estadual é passar pela turbulência, equilibrar as contas e evitar estragos em longo prazo. Estima-se aumento de receita de R$ 178 milhões com o pacote de tarifas, que prevê aumento de Imposto de Transmissão Causa Morte e Doação (ITCD), que é a taxação sobre herança; redução de 15 para 20 anos das isenções para veículos, ampliando o número de contribuintes de IPVA; e taxação de supérfluos, como cigarros e bebidas. Apesar desse aporte, a previsão é de que o Estado feche o ano com deficit de R$ 450 milhões, segundo cálculos do governador Reinaldo Azambuja, em entrevista, hoje, ao Correio do Estado. Segundo ele, a diferença pode ser coberta com fiscalização mais eficiente e entrada de maior arrecadação com comércio eletrônico a partir de 2016. A conta está longe de fechar, mas é importante destacar, quando se comemora a divisão do Estado, do potencial de desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. Resta aliar essa característica a ações econômicas e políticas que auxiliam no crescimento.

Editorial

Pedágio caro exige contrapartida

O que os usuários esperam não é favor, mas respeito. E respeito, neste caso, significa oferecer uma rodovia segura, bem conservada e com preço justo

27/06/2026 07h15

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Chegou o momento de a Motiva Pantanal, antiga CCR MSVia, demonstrar que é capaz de oferecer aos usuários da BR-163 um serviço compatível com o valor que cobra.

A recente autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para um reajuste superior a 40% nas tarifas de pedágio aumenta a responsabilidade da concessionária perante quem utiliza diariamente a principal rodovia de Mato Grosso do Sul.

É natural que contratos de concessão prevejam atualizações tarifárias. O que não é razoável é que aumentos tão expressivos ocorram sem que os usuários percebam melhorias igualmente expressivas na qualidade da infraestrutura. Quem percorre a BR-163 ainda encontra problemas que deveriam ter sido solucionados há muito tempo.

Em diferentes trechos da rodovia, as faixas de sinalização horizontal apresentam desgaste visível e baixa refletividade, dificultando a condução noturna e em períodos de chuva.

Também há escassez de sinalizadores em alguns pontos e, mais preocupante, trechos em que remendos mal-executados comprometem o conforto e a segurança da viagem.

Em determinadas áreas, os reparos parecem mais buracos do que soluções para os buracos que deveriam corrigir.

É verdade que existem obras em andamento. Alguns segmentos no norte do Estado e nas proximidades de Campo Grande recebem intervenções importantes, incluindo duplicações.

São investimentos necessários e aguardados há anos. No entanto, eles não podem servir de justificativa para ignorar problemas básicos de conservação e segurança ao longo de centenas de quilômetros da rodovia.

O usuário não avalia uma concessão apenas pelas promessas futuras. Ele a avalia pela experiência diária. E essa experiência ainda está longe de justificar tarifas cada vez mais elevadas.

Afinal, não faz sentido pagar um dos pedágios mais caros da região para trafegar em uma rodovia que, em parte considerável de sua extensão, sequer oferece acostamento adequado aos motoristas.

A cobrança de pedágio pressupõe uma relação de equilíbrio. O usuário paga para receber em troca segurança, conforto, fluidez e infraestrutura de qualidade.

Quando essa contrapartida não é percebida, surge a sensação legítima de que a conta está sendo paga apenas por um lado.

Mato Grosso do Sul depende da BR-163 para o transporte de pessoas e mercadorias. Trata-se de uma rodovia estratégica para a economia estadual e nacional.

Por isso, sua concessão precisa ser sinônimo de eficiência e qualidade, e não de insatisfação crescente entre os usuários.

Com um pedágio ainda mais caro, a Motiva Pantanal tem a obrigação de melhorar – e muito – os serviços prestados.

Mais do que obras pontuais, é preciso garantir pavimento de qualidade, sinalização adequada, manutenção permanente e condições compatíveis com o que é cobrado.

O que os usuários esperam não é favor, mas respeito. E respeito, neste caso, significa oferecer uma rodovia segura, bem conservada e com preço justo.

Hoje, infelizmente, o valor cobrado nas praças de pedágio está longe de transmitir essa sensação.

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Artigo

Etarismo: uma forma silenciosa de violência naturalizada

Existe, porém, uma forma mais silenciosa e igualmente corrosiva de violência que passa despercebida todos os dias: o etarismo corporativo

26/06/2026 07h45

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No mês do Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, celebrado em 15 de junho, é comum associarmos o tema a situações explícitas de negligência, abuso ou abandono.

Existe, porém, uma forma mais silenciosa e igualmente corrosiva de violência que passa despercebida todos os dias: o etarismo corporativo.

Dentro das empresas, ele se manifesta de maneira sutil. Está nas oportunidades negadas sem explicação, na preferência automática por perfis mais jovens, na desvalorização da experiência e no rótulo de obsolescência atribuído a profissionais mais maduros. Não grita, não escandaliza, mas exclui, limita e desumaniza.

Ser consciente no palco da vida e do trabalho é também um ato ético. Porque toda escolha comunica valores.

Quando líderes ignoram o etarismo, quando empresas não criam espaço para diferentes gerações coexistirem de forma respeitosa, elas estão, na prática, performando um papel de indiferença. E, no palco social, a omissão também é uma forma de violência.

A Inteligência Cênica nos convida a olhar para essas dinâmicas invisíveis. Ela nos lembra que toda organização é uma espécie de encenação coletiva e que a inclusão verdadeira começa quando todos têm o direito de estar em cena, sem precisar esconder partes de si para serem aceitos.

Isso inclui, necessariamente, a valorização da experiência, da trajetória e do repertório que só o tempo constrói.

O etarismo não é apenas uma falha de diversidade. É uma falha de percepção. Revela um ambiente que privilegia velocidade em detrimento de profundidade, novidade em detrimento de consistência, aparência em detrimento de conteúdo.

E isso não empobrece apenas quem é excluído, pois empobrece a própria organização.

Combater o etarismo exige mais do que políticas formais. Exige uma reeducação emocional e cultural. Exige líderes capazes de pausar antes de reproduzir vieses automáticos, de substituir julgamento por escuta e de transformar a diferença em ativo e não em obstáculo.

O futuro do trabalho não será sustentável se não for intergeracional. Ambientes saudáveis são aqueles onde experiências se encontram, onde saberes se complementam e onde ninguém precisa disputar legitimidade por idade.

Nesse cenário, o papel do líder é claro: ser guardião de uma cultura em que todos tenham espaço para contribuir e existir com dignidade.

A Inteligência Cênica nos lembra que cada profissional tem direito a ser protagonista da própria história. E que o papel mais nobre que podemos desempenhar, nas empresas e na sociedade, é garantir que ninguém seja empurrado para fora de cena por causa de sua idade.

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