Artigos e Opinião

Editorial

Equilíbrio fiscal exige atenção no Estado

Os números apresentados no primeiro quadrimestre servem como aviso claro de que a boa gestão fiscal continua sendo condição indispensável para preservar investimentos

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O relatório de gestão fiscal apresentado pelo governo de Mato Grosso do Sul neste primeiro quadrimestre merece atenção.

Nesta edição mostramos alguns dos principais números divulgados pela administração estadual, e eles indicam que a situação financeira do Estado, embora controlada, talvez precise ser melhor explicada à sociedade.

Os dados revelam um desequilíbrio importante entre receitas e despesas. Enquanto a arrecadação cresceu 7,65% em relação ao mesmo período do ano passado, as despesas avançaram 19,3%, quase três vezes mais.

Os números detalhados estão apresentados adiante nesta edição, mas o que chama a atenção desde já é a velocidade com que os gastos públicos aumentam em comparação à capacidade de arrecadação do Estado.

Parte desse crescimento é explicada pelo aumento das despesas com pessoal. Não por acaso, quando observados os parâmetros estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal, Mato Grosso do Sul já aparece acima do limite prudencial da folha de pagamento.

Esse dado, por si só, exige cautela. A legislação criou mecanismos justamente para evitar que o peso da máquina pública comprometa investimentos e reduza a capacidade do Estado de responder às demandas da população.

Quando a folha cresce em ritmo acelerado, o orçamento perde flexibilidade. Recursos que poderiam ser destinados à infraestrutura, saúde, educação ou segurança acabam consumidos por despesas permanentes.

É um problema que não surge de uma hora para outra, mas que precisa ser enfrentado antes de se transformar em uma crise mais grave.

A grande salvação para este ano certamente foi a adesão de Mato Grosso do Sul ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), iniciativa federal de renegociação das dívidas estaduais.

Ao aderir ao programa no ano passado e aceitar as condições impostas pela União, o governo estadual ganhou fôlego financeiro importante.

Na prática, a renegociação permite que parte significativa dos recursos que antes seriam destinados ao pagamento da dívida pública – especialmente juros e amortizações – permaneça no caixa estadual para outras despesas orçamentárias.

Sem esse alívio temporário, o cenário fiscal provavelmente seria ainda mais apertado.

Governar também significa fazer escolhas difíceis. Ajustar as contas públicas nem sempre rende popularidade, mas é essencial para garantir estabilidade financeira no médio e longo prazo.

Quando o equilíbrio fiscal se deteriora, quem mais sofre é justamente a população que depende dos serviços públicos na ponta.

Mato Grosso do Sul ainda tem indicadores econômicos relevantes e capacidade de reação. Porém, os números apresentados neste quadrimestre servem como aviso claro de que a boa gestão fiscal continua sendo condição indispensável para preservar investimentos, manter serviços essenciais e evitar problemas maiores no futuro.

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EDITORIAL

Malha Oeste: de volta à cena do "crime"

Não se trata de atribuir crime, mas permitir a participação na licitação de quem deixou a ferrovia chegar ao atual estado de degradação enfraquece a lógica da responsabilização

14/07/2026 07h15

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A Rumo quer participar da licitação da nova concessão da Malha Oeste. A notícia, por si só, não seria motivo de espanto: o problema é a memória curta com que a empresa tenta se apresentar como candidata “nova” a um contrato que ela mesma abandonou.

Foi a própria Rumo quem solicitou, em 2020, a devolução da concessão da Malha Oeste, alegando desequilíbrio econômico do contrato e a necessidade de uma nova modelagem capaz de atrair investimentos privados.

A concessionária já havia sido autuada em R$ 105,3 milhões por abandonar a linha férrea ao longo dos anos, segundo avaliação do próprio Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit): anos de descaso, de infraestrutura deteriorada, de trens que praticamente pararam de circular numa via que liga Corumbá a São Paulo e é vital para o escoamento de minério, celulose e grãos de MS.

Mesmo assim, quando o contrato de 30 anos finalmente chegou ao fim, a Rumo não saiu de cena.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) já havia dado um passo controverso ao conceder à empresa o direito de administrar a malha por tempo indeterminado, mesmo após o fim do contrato, sem exigir novos investimentos, decisão que os próprios técnicos da agência reguladora apontaram como juridicamente frágil.

Na sequência, um acordo assinado horas antes do vencimento prorrogou a concessão por mais 180 dias, com a empresa recebendo R$ 26,9 milhões só para cuidar da vigilância patrimonial, sem retomada de operação ferroviária.

Agora, no processo de relicitação, a história se repete em nova roupagem. A RumoLog e a MRS solicitaram acesso ao processo na ANTT dias depois da aprovação do plano de outorga, obtendo as minutas do certame.

Ou seja: a empresa que devolveu a ferrovia por não conseguir – ou não querer – operá-la lucrativamente é a mesma que hoje larga na frente para disputar o mesmo ativo, podendo ter informação privilegiada sobre ele.

Diante desse histórico, cabe à bancada federal de MS e ao governo estadual cobrar explicações formais da ANTT sobre a participação da Rumo no certame. O silêncio dos representantes só vai favorecer quem já demonstrou, na prática, o custo de administrar a ferrovia sem compromisso com o Estado.

Não se trata de questionar o direito da Rumo de participar da licitação, trata-se de cobrar coerência regulatória.

Uma empresa que abandonou trilhos, acumulou multas, devolveu a concessão alegando prejuízo e, ainda assim, seguiu sendo beneficiada com prazo indeterminado e prorrogações sob medida não deveria ter vantagem de largada num processo que, em tese, deveria abrir espaço para novos operadores comprometidos com investimento real.

MS já pagou caro pela inércia na Malha Oeste. Se a Rumo volta à disputa, que volte com os investimentos e sob escrutínio redobrado da ANTT e do Tribunal de Contas da União.

Cabe à bancada sul-mato-grossense fazer essa exigência ainda nesta fase do processo. O Estado não pode se dar ao luxo de repetir o mesmo erro com a mesma empresa.

ARTIGOS

A rigidez religiosa e a busca da felicidade

O homem vive na expectativa de felicidade plena em outra dimensão na companhia de Deus

13/07/2026 07h45

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As religiões, cada uma a seu modo, prometem felicidade ao homem. Entretanto, esta felicidade ele não a alcançará aqui na Terra, pois aqui, neste plano da existência, ela é inatingível. Para alcançá-la, o homem deve conduzir sua vida dentro de certos preceitos e normas rígidas.

A felicidade plena, ele só a terá em outra dimensão, na companhia de Deus, o seu criador. O homem, assim, aqui vive na expectativa desta outra vida, preparando-se, controlando desejos, reprimindo impulsos, esmagando vontades.

Nesta linha doutrinária, o homem busca satisfazer a sua sede pelo divino, acreditando ser o caminho possível para a comunhão com Deus, quando, por meio da fé, ele terá respostas às suas indagações angustiantes sobre a razão da existência.

Aqui, neste plano de compreensão finita, ele se vê impotente diante da absoluta grandeza do universo, no embate entre a sua pequenez, frente à plenitude do infinito.

Neste apregoado “vale de lágrimas”, imerso na rigidez das crenças, o homem se curva, ele mais se entrega, ele mais procura se conter aqui na Terra, para merecer a glória da eternidade.

Conclui-se que a rigidez das normas religiosas de conduta oprime a liberdade do homem, inibe a satisfação de sua vontade, impõe limites aos seus desejos, enfim, leva-o a uma espécie de aniquilamento de si mesmo, de sua existência.

A religiosidade exacerbada é um instrumento de dominação poderoso, que encarcera o homem dentro de si mesmo, extraindo quase sempre, senão a expectativa da felicidade terrena, a simples possibilidade de fugazes momentos felizes. 

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