Já não se ouve mais pelos brasis afora, os arpejos da harpa paraguaia nos meses de novembro e dezembro, a brindar o povo brasileiro com a comovente música natalina. O grande intérprete, o brasiguaio Luiz Bordon, já não está mais entre nós. Nosso Senhor o chamou para participar da grande orquestra de harpas paraguaias no reino celestial. E assim, como num passe de mágica, as cortinas do grande palco verde-amarelo se fecharam, e a harpa paraguaia emudeceu, tornando o nosso amado Brasil mais triste do que é nestes dias de tanta corrupção e insegurança pública.
Nos tempos idos, logo nos primeiros dias de novembro de cada ano, a harpa paraguaia invadia o Brasil de norte a sul com seus dolentes acordes natalinos. A tradicional “Noite Feliz”, interpretada pelo virtuoso harpista guarani radicado no Brasil, envolvia os ares brasileiros como num belo e misterioso fundo musical, em louvor ao nascimento do Menino Jesus na humílima manjedoura de Belém.
Stille Nacht – Noite Feliz em português -, composta em 1818 por Franz Gruber, pároco de Obemdorf, cidade situada nos Alpes austríacos, ganhava maior expressão humana executada na harpa paraguaia de Luiz Bordon. Seus acordes metálicos estimulavam os preparativos para a comemoração do acontecimento maior do calendário cristão – o nascimento do Menino Jesus, o Messias Prometido -. Começava então a efusiva movimentação das famílias no preparo da festa, tendo como primeiro ato a decoração da árvore de Natal, com cintilantes luzes multicoloridas, guirlandas e mimos especiais pendurados nos galhos do pinheirinho agreste, trazido da mata para ostentar a magia natalina.
Momento sublime, é contemplar tão bela arvorezinha repleta de adereços típicos natalinos. Como complemento, na época, era ouvir os arpejos dolentes de Noite Feliz, movimentados na harpa paraguaia pelos dedos ágeis de Bordon. Muitos anos passados em minha casa, no aconchego de minha família, tive o privilégio de participar da felicidade provocada por tão simples e comovente espetáculo, promovido pela verve clássica de um músico exímio, e um rústico galho de árvore trazido da mata – árvore de Natal e harpa natalina de Luiz Bordon, emolduravam obrigatoriamente, todos os anos, o cenário natalino de milhões de lares brasileiros.
Lamentavelmente, com a morte de Luiz Bordon em 2006, não se ouvem mais os arpejos de Noite Feliz, que já haviam se enraizado nas festas natalinas brasileiras. Já não ouvimos mais as várias relíquias musicais do Natal, nacionais e internacionais, condensadas no antigo LP “A harpa e cristandade”, gravado magistralmente pelo épico harpista guarani, dentre as quais algumas páginas populares brasileiras alusivas à festa natalina. Não se ouviram mais os acordes da harpa paraguaia nas lojas, nas ruas e nas residências. Perdeu o Natal um dos mais comoventes motivos natalinos: A harpa e a cristandade.
Parece que a maior festa cristã vai perdendo no Brasil o seu encanto de ano para ano, o que é de lamentar, pois Natal é confraternização entre os homens de boa vontade. É tolerância e perdão. É festa das crianças, que se alegram inocentemente com a chegada do Papai Noel. A crise econômica, provocada pelo governo afastado - incompetente e corrupto -, que ameaça a estabilidade do povo brasileiro, não pode ser motivo de descrença no porvir, pois os brasileiros unidos e coesos terão força para expulsar da Pátria os corruptos.
E assim, brevemente, voltaremos a ter felicidade e prosperidade. Sem perder de vista que a Noite do Natal tem a magia dos sonhos e a quimera da esperança. Nesse dia tão especial, o Menino Jesus trouxe ao mundo a esperança de paz e felicidade, e a luz proveniente da estrela de Belém continuará a iluminar o mundo, e fará surgir uma nova era de benevolência para o Brasil.

