Artigos e Opinião

OPINIÃO

Gilson Cavalcanti: "A harpa e a cristandade"

Advogado

Redação

20/12/2016 - 01h00
Continue lendo...

Já não se ouve mais pelos brasis afora, os arpejos da harpa paraguaia nos meses de novembro e dezembro, a brindar o povo brasileiro com a comovente música natalina. O grande intérprete, o brasiguaio Luiz Bordon, já não está mais entre nós. Nosso Senhor o chamou para participar da grande orquestra de harpas paraguaias no reino celestial. E assim, como num passe de mágica, as cortinas do grande palco verde-amarelo se fecharam, e a harpa paraguaia emudeceu, tornando o nosso amado Brasil mais triste do que é nestes dias de tanta corrupção e insegurança pública.

Nos tempos idos, logo nos primeiros dias de novembro de cada ano, a harpa paraguaia invadia o Brasil de norte a sul com seus dolentes acordes natalinos. A tradicional “Noite Feliz”, interpretada pelo virtuoso harpista guarani radicado no Brasil, envolvia os ares brasileiros como num belo e misterioso fundo musical, em louvor ao nascimento do Menino Jesus na humílima manjedoura de Belém.   

     Stille Nacht – Noite Feliz em português -, composta em 1818 por Franz Gruber, pároco de Obemdorf, cidade situada nos Alpes austríacos, ganhava maior expressão humana executada na harpa paraguaia de Luiz Bordon. Seus acordes metálicos estimulavam os preparativos para a comemoração do acontecimento maior do calendário cristão – o nascimento do Menino Jesus, o Messias Prometido -. Começava então a efusiva movimentação das famílias no preparo da festa, tendo como primeiro ato a decoração da árvore de Natal, com cintilantes luzes multicoloridas, guirlandas e mimos especiais pendurados nos galhos do pinheirinho agreste, trazido da mata para ostentar a magia natalina. 

     Momento sublime, é contemplar tão bela arvorezinha repleta de adereços típicos natalinos. Como complemento, na época, era ouvir os arpejos dolentes de Noite Feliz, movimentados na harpa paraguaia pelos dedos ágeis de Bordon. Muitos anos passados em minha casa, no aconchego de minha família, tive o privilégio de participar da felicidade provocada por tão simples e comovente espetáculo, promovido pela verve clássica de um músico exímio, e um rústico galho de árvore trazido da mata – árvore de Natal e harpa natalina de Luiz Bordon,  emolduravam obrigatoriamente, todos os anos, o cenário natalino de milhões de lares brasileiros.

     Lamentavelmente, com a morte de Luiz Bordon em 2006, não se ouvem mais os arpejos de Noite Feliz, que já haviam se enraizado nas festas natalinas brasileiras. Já não ouvimos mais as várias relíquias musicais do Natal, nacionais e internacionais, condensadas no antigo LP “A harpa e cristandade”, gravado magistralmente pelo épico harpista guarani, dentre as quais algumas páginas populares brasileiras alusivas à festa natalina. Não se ouviram mais os acordes da harpa paraguaia nas lojas, nas ruas e nas residências. Perdeu o Natal um dos mais comoventes motivos natalinos: A harpa e a cristandade.

     Parece que a maior festa cristã vai perdendo no Brasil o seu encanto de ano para ano, o que é de lamentar, pois Natal é confraternização entre os homens de boa vontade. É tolerância e perdão. É festa das crianças, que se alegram inocentemente com a chegada do Papai Noel. A crise econômica, provocada pelo governo afastado - incompetente e corrupto -, que ameaça a estabilidade do povo brasileiro, não pode ser motivo de descrença no porvir, pois os brasileiros unidos e coesos terão força para expulsar da  Pátria os corruptos.

E assim, brevemente, voltaremos a ter felicidade e prosperidade. Sem perder de vista que a Noite do Natal tem a magia dos sonhos e a quimera da esperança. Nesse dia tão especial, o Menino Jesus trouxe ao mundo a esperança de paz e felicidade, e a luz proveniente da estrela de Belém continuará a iluminar o mundo, e fará surgir uma nova era de benevolência para o Brasil.

EDITORIAL

Os fantasmas e o dever de controle

Investigações dessa natureza são essenciais para preservar o interesse público e reforçar a ideia de que o serviço público não é território livre para desvios, acomodações ou fraudes

20/01/2026 07h15

Continue Lendo...

Governar e administrar recursos públicos impõe responsabilidades que vão muito além da assinatura de atos e da ocupação de cargos. O dinheiro que sustenta a máquina pública não pertence a governos, gestores ou servidores.

Ele é resultado do esforço coletivo da sociedade e, por isso mesmo, exige vigilância permanente, regras claras e fiscalização constante.

Nesta edição, mostramos que o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) abriu ao menos duas investigações para apurar a existência de funcionários fantasmas na administração pública. O fato, por si só, merece atenção.

De saída, é justo registrar o reconhecimento ao promotor responsável pelas apurações. Ainda que se trate de atribuição de ofício, investigações dessa natureza são essenciais para preservar o interesse público e reforçar a ideia de que o serviço público não é território livre para desvios, acomodações ou fraudes.

O simples anúncio de apurações já cumpre um papel pedagógico relevante: sinaliza que há controle e que irregularidades, quando detectadas, não serão ignoradas.

Casos de funcionários fantasmas são mais do que meras irregularidades administrativas. Representam uma afronta direta ao princípio da moralidade, um prejuízo concreto aos cofres públicos e um desrespeito com os servidores que cumprem jornada, funções e responsabilidades.

Cada salário pago indevidamente corrói recursos que poderiam ser destinados à saúde, à educação, à infraestrutura ou a políticas públicas essenciais. Não se trata de detalhe burocrático, mas de uma distorção grave do uso do dinheiro público.

Chama atenção, entre os casos citados, a situação curiosa – para não dizer absurda – de um servidor que, ao menos no papel, consegue desafiar as leis da física.

Como alguém pode exercer funções em dois locais distintos ao mesmo tempo, com jornadas incompatíveis, e ainda assim receber salários de ambas as fontes? A resposta não está na ciência, mas na fragilidade dos mecanismos de controle e, eventualmente, na conivência de quem deveria fiscalizar.

Investigações como essas precisam ocorrer com regularidade. O patrimônio público não pode ficar à mercê da vontade de quem ordena despesas ou de brechas administrativas convenientes.

Há normas, há limites legais e há princípios constitucionais que precisam ser respeitados. Quando isso não acontece, cabe aos órgãos de controle agirem.

O combate a funcionários fantasmas não é caça às bruxas, nem perseguição política. É uma medida básica de boa gestão. Transparência, controle e responsabilização não são obstáculos à administração pública – são condições mínimas para que ela funcione de forma correta e justa.

Que as investigações avancem, produzam resultados e sirvam de alerta: o dinheiro público precisa ser tratado com seriedade, porque não é de ninguém em particular, mas de todos.

ARTIGOS

Genética a serviço da vida: o Brasil na vanguarda da conservação da biodiversidade

Em apenas dois anos, mais de 800 genomas de 413 espécies da fauna brasileira foram sequenciados

19/01/2026 07h45

Continue Lendo...

O Brasil é o país mais Biodiverso do planeta, e também um dos que mais sofrem com a perda acelerada de espécies. Diante desse paradoxo, surge uma boa notícia: a ciência brasileira está abrindo um novo capítulo na história da conservação.

O projeto Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB), uma parceria entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto Tecnológico Vale (ITV), apresenta resultados que colocam o País na fronteira do conhecimento genético aplicado à natureza.

Em apenas dois anos, mais de 800 genomas de 413 espécies da fauna brasileira foram sequenciados, incluindo animais emblemáticos e ameaçados, como a onça-pintada, a ararajuba e o peixe-boi da Amazônia.

O projeto também já gerou 30 genomas de referência de altíssima qualidade, algo inédito em escala nacional. Esses “mapas genéticos” permitem compreender como as espécies vivem, se adaptam e respondem a desafios como doenças e mudanças climáticas.

Mas o GBB vai além do laboratório. As informações genéticas estão sendo usadas para aprimorar estratégias de manejo, apoiar planos de ação para espécies ameaçadas e ampliar o monitoramento em unidades de conservação.

Um exemplo é o uso do DNA ambiental, técnica que identifica vestígios genéticos deixados por animais e plantas em amostras de solo e água. Essa inovação permite detectar a presença de espécies sem precisar capturá-las, tornando o monitoramento mais eficiente e menos invasivo, uma revolução silenciosa, mas transformadora.

O impacto é tanto científico quanto social. O projeto já colabora com cerca de 290 pesquisadores de 107 instituições e concedeu 75 bolsas de pesquisa, formando uma nova geração de profissionais capazes de unir biotecnologia e conservação.

Além disso, o investimento previsto, US$ 25 milhões até 2028, mostra que apostar em ciência é também apostar em soberania e futuro.

A genômica da biodiversidade não é um luxo acadêmico: é uma necessidade estratégica. Em um mundo em que a perda de espécies ameaça a estabilidade dos ecossistemas e a própria sobrevivência humana, compreender o DNA da vida é compreender o DNA do nosso futuro.

O Brasil, com sua imensidão biológica, tem o dever, e a oportunidade, de liderar essa nova fronteira do conhecimento. O GBB é a prova de que, quando parcerias estratégicas, ciência, tecnologia e conservação se unem, o País pode oferecer ao mundo não apenas dados, mas esperança.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).