Artigos e Opinião

ARTIGO

Mansour Karmouche: "Brasil polarizado"

Advogado, presidente da OAB-MS

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As palavras podem influenciar as pessoas a se posicionarem diante dos fatos e dos acontecimentos. Mas o que realmente transforma são as atitudes. Existem muitos com filosofias e ideologias abundantes e sugestivas. Faltam os mestres que, com suas atitudes, transformem os ambientes e as mentes.

É fácil constatar que nesse mundo há lugar para todos os pensantes. Há especialmente lugar para quem acredita na força das atitudes que podem influenciar mudanças de comportamentos e transformações  de mentalidades. Tudo pode acontecer. Em tudo podemos influenciar e sugerir comportamentos os mais diversos.

Sabemos que existem atitudes positivas e atitudes negativas. E o ser humano convive com essa realidade. Pode usar seus talentos criando atitudes de acolhida, de amor, de misericórdia e de esperança. Pode, por outro lado,  tomar atitudes contrárias a tudo isso. Poderá influenciar para a solidão, para o fechamento em si mesmo e criar um mundo próprio no pensar e no agir. Tudo depende da consciência pessoal.

Mas, como seres pensantes que somos, olhamos para a sociedade em que estamos inseridos e constatamos que recebemos de Deus uma missão. Somos enviados a usar os dons pessoais em proveito do bem comum. Somos chamados a sair de nós mesmos e irmos ao encontro de tantos homens e mulheres que se encontram à beira do caminho da paz e da alegria, do perdão e da comunhão.

Somos enviados como mensageiros e missionários convictos na fé, sorridentes na esperança e privilegiados no amor. Somos enviados a testemunhar as convicções assimiladas na meditação da palavra de Deus e na convivência entre irmãos.

Somos desafiados em nossa fé. Somos provocados em nossa disponibilidade em deixar o comodismo e abraçar o heroísmo, fazendo-nos semeadores da sabedoria de nosso Deus e Pai. E nele depositar nossa confiança e nossa fidelidade.

Assim sendo, o comodismo desaparecerá e o medo será superado. A fé crescerá e as atitudes se clarearão. E iremos de casa em casa anunciando o amor acompanhado da paz. E, onde houver acolhida, haverá comunhão. E, onde não houver acolhida, haverá o respeito e buscar-se-á outra solução. Isso porque o Reino de Deus não pode morrer. Precisa acontecer.

Esse Reino acontecerá na medida em que seus participantes se sentirem conscientes de sua missão e o expressem por suas atitudes. Atitudes que revelem comunhão íntima com a verdade que brota de um coração feliz.

Felizes serão aqueles e aquelas que, em qualquer lugar, em cada momento, assumirem atitudes que revelem grandeza de coração e profundidade de testemunho. Sejam pessoas simples e humildes, alegres e contentes e apaixonadas pelo Reino.

Concluímos afirmando que as palavras comovem, mas só as atitudes transformam. As palavras mostram possibilidades, mas só as atitudes revelam convicções nobres e sentimentos divinos. E o mundo será mais humano quando os humanos divinizarem suas atitudes.

EDITORIAL

A nova chance da Malha Oeste

O que Mato Grosso do Sul espera é que o próximo operador transforme esse potencial em realidade, devolvendo ao Estado uma ferrovia moderna

13/07/2026 07h15

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A possibilidade de que a Malha Oeste desperte o interesse de grandes operadores ferroviários representa uma das notícias mais animadoras para a logística de Mato Grosso do Sul nos últimos anos.

Como mostra o Correio do Estado nesta edição, tanto a Rumo quanto a MRS Logística poderão disputar a concessão da ferrovia no leilão previsto para este ano.

O simples fato de haver concorrência por um ativo que durante muito tempo foi tratado como secundário demonstra que a ferrovia voltou a ser vista como estratégica.

Essa constatação merece ser destacada. Afinal, a Rumo, que administrou a Malha Oeste por décadas e que permitiu sua deterioração, manifesta interesse em permanecer na disputa.

A empresa já concentra seus investimentos na Malha Norte, economicamente mais atraente, e durante anos a ferrovia que corta Mato Grosso do Sul ficou relegada a um plano secundário, com baixa capacidade operacional, trechos abandonados e perda contínua de competitividade.

O resultado desse longo período de abandono é conhecido pelos sul-mato-grossenses. Uma ferrovia que já transportou combustíveis, grãos, carnes, produtos industrializados e cargas refrigeradas praticamente desapareceu da rotina econômica do Estado.

Enquanto outras regiões ampliavam sua infraestrutura logística, Mato Grosso do Sul assistia à degradação de um patrimônio fundamental para seu desenvolvimento.

O cenário, porém, começa a mudar. Se empresas do porte da Rumo e da MRS Logística demonstram interesse na concessão, é porque enxergam potencial econômico na Malha Oeste. Não faltam cargas para justificar esse investimento.

A expansão da indústria de celulose, o transporte de minério e o crescimento da produção agropecuária criaram uma demanda que dificilmente poderá ser atendida apenas pelas rodovias.

Mais do que atender às necessidades atuais, a ferrovia reúne condições para recuperar sua vocação histórica de integrar diferentes cadeias produtivas.

Além da celulose e do minério, poderá voltar a transportar combustíveis, cereais, carnes e produtos refrigerados, reduzindo custos logísticos, aumentando a competitividade das empresas e diminuindo a pressão sobre as estradas.

Há ainda um aspecto estratégico frequentemente subestimado. A Malha Oeste constitui uma rota bioceânica ferroviária natural. Sua conexão com a Bolívia abre caminho para o acesso aos portos do Pacífico, oferecendo uma alternativa importante para o comércio exterior brasileiro, especialmente com os mercados asiáticos.

Em um momento em que Mato Grosso do Sul amplia sua inserção internacional, essa característica torna a ferrovia ainda mais relevante.

Por isso, a concorrência pela concessão deve ser recebida como uma excelente notícia. A Malha Oeste pode não ter tido um presente à altura de sua importância, em grande parte pela condução insatisfatória de sua atual concessionária. Mas tudo indica que seu futuro continua promissor.

O que Mato Grosso do Sul espera é que o próximo operador transforme esse potencial em realidade, devolvendo ao Estado uma ferrovia moderna, eficiente e capaz de impulsionar o desenvolvimento econômico pelas próximas décadas.

ARTIGOS

O falso conflito entre ciência e religião

Para Teilhard de Chardin, o cosmos está se dirigindo ao encontro com Deus no fim dos tempos

11/07/2026 07h45

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Já dizia Albert Einstein: “A ciência sem a religião é paralítica. A religião sem a ciência é cega”. O que motivava os cientistas de outrora? O que desejavam? Queriam, na verdade, desvendar o universo de Deus!

Cientistas como Isaac Newton, Johannes Kepler e G. W. Leibniz viam na pesquisa uma maneira de entender o divino. O paleontólogo e jesuíta Teilhard de Chardin procurou a vida toda unir ciência e religião.

Em suas palavras: “O Universo, considerado em seu conjunto, tem um fim e não pode errar de direção, nem parar no caminho”. Para ele, o cosmos está se dirigindo ao encontro com Deus no fim dos tempos. Não vivemos num universo dominado pelo acaso.

Segundo a mecânica quântica, todas as partículas estão interligadas, formando uma unidade. Aqui temos o acaso científico sendo desafiado! Essa é uma visão mística e religiosa.

“Quer queiramos, quer não, estamos todos ligados a tudo o que nos circunda, com todas as fibras de nosso ser”. Palavras do jesuíta que queria unir, e não separar.

Atualmente, físicos como Amit Goswami e Menas Kafatos procuram unir ciência e espiritualidade e até mesmo o físico brasileiro Marcelo Gleiser está caminhando nesse sentido. C. G. Jung, ao contrário de Freud, legitimava o impulso religioso do homem.

Para Jung, existe dentro de nós uma imagem de Deus e Santo Agostinho dizia algo parecido. “O Reino de Deus está dentro de vós”, falava Jesus.

O Papa João Paulo II, uma vez por ano, reunia no Vaticano os maiores astrofísicos e filósofos do mundo com o objetivo de discutir questões como a origem do universo.

Jung conversou muito com o Prêmio Nobel de Física Wolfgang Pauli. Eles aproximaram a psicologia e a física quântica que nos mostra a nossa espiritualidade.

Segundo a mesma física, a consciência humana tem participação ativa na construção da própria realidade. Ao olharmos para uma partícula como o elétron, mudamos o seu comportamento.

Joseph Campbell dizia que os mitos universais apontam para aquilo que vai além: apontam para o transcendente. Outrora, os homens elaboravam histórias para poder entender e explicar esse universo maravilhoso e aterrador.

Então surgiu a ciência empírica. Gradualmente os cientistas foram deixando de lado a religião até banirem completamente Deus. Mas agora muitos deles já estão percebendo que não é possível explicar o universo abandonando completamente a hipótese Deus.

Toda disputa entre ciência e religião não terá futuro se dependermos da nova ciência espiritualista que está surgindo. Precisamos urgentemente unir os conhecimentos humanos.

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