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Mercosul, União Europeia e a dupla vulnerabilidade da economia brasileira

Apesar de apresentar algum dinamismo nos últimos anos, a economia brasileira convive com uma dupla vulnerabilidade estrutural: a forte reprimarização da pauta de exportações e a elevada dependência de poucos países como destino de seus produtos

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Ainda existem questões pendentes para que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE) entre efetivamente em vigor. Entretanto, trata-se de um arranjo econômico de grande magnitude: um mercado conjunto de aproximadamente 720 milhões de pessoas, responsável por cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

Estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que o Brasil poderia elevar seu PIB em 0,46%, um crescimento superior ao projetado para a própria União Europeia e para os demais países do Mercosul.

Apesar de apresentar algum dinamismo nos últimos anos, a economia brasileira convive com uma dupla vulnerabilidade estrutural: a forte reprimarização da pauta de exportações e a elevada dependência de poucos países como destino de seus produtos. Será que esse acordo tem potencial para alterar esse quadro?

Nas últimas décadas, o Brasil vem passando por um processo intenso de reprimarização da pauta exportadora, caracterizado pela predominância de produtos de baixo valor agregado. Soma-se a isso a elevada concentração de parceiros comerciais nas exportações.

Para se ter uma dimensão do problema, em 2025, segundo dados do Comexstat, quase 30% das exportações brasileiras tiveram como destino a China, enquanto outros 11% foram direcionados aos Estados Unidos. Ou seja, praticamente metade das exportações depende de apenas dois mercados.

Eventuais crises econômicas, tensões políticas ou mudanças estratégicas nesses países podem expor a economia brasileira a elevados riscos. Do ponto de vista setorial e produtivo, a concentração também é evidente, com destaque para petróleo, minério de ferro, soja, açúcar e carnes, representando em torno de metade das exportações.

Diante desse cenário, o acordo entre Mercosul e União Europeia tende a alterar a estrutura da economia brasileira? A resposta, ao menos no curto e médio prazo, é: apenas parcialmente. O acordo é gradual e relativamente modesto em termos de abertura comercial, distante de uma liberalização ampla e imediata.

A expectativa é de reduções progressivas de tarifas sobre cerca de 91% a 95% dos itens comercializados, em prazos que variam entre 12 anos e 15 anos.

E quanto à dupla vulnerabilidade da economia brasileira, o que se pode esperar? Por um lado, abre-se a oportunidade para o estabelecimento de parcerias estratégicas e tecnológicas capazes de elevar a produtividade de setores industriais.

No entanto, a experiência internacional mostra que países tendem a ampliar os ganhos justamente nos setores em que já são mais competitivos.

Assim, no que se refere à reprimarização da pauta exportadora, esse gargalo pode até se aprofundar, à medida que empresas europeias, sobretudo da Alemanha, passem a concorrer de forma mais intensa no mercado brasileiro.

Por outro lado, no que diz respeito à dependência de parceiros comerciais, o acordo pode gerar benefícios relevantes. A ampliação do acesso ao mercado europeu tende a reduzir a excessiva concentração das exportações brasileiras na China e nos Estados Unidos.

Ainda é cedo para mensurar com precisão os impactos desse acordo, mas pode-se ter uma tendência: a reprimarização da pauta exportadora deve persistir, enquanto a diversidade de parceiros comerciais tende a aumentar.

Para que o acordo entre Mercosul e União Europeia contribua, de fato, para reduzir a vulnerabilidade estrutural da economia brasileira, será indispensável uma estratégia doméstica clara e coordenada.

Isso passa por políticas industriais modernas, investimentos consistentes em inovação, qualificação da mão de obra e integração entre universidades, centros de pesquisa e setor produtivo.

Sem esse esforço interno, o Brasil corre o risco de apenas ampliar mercados para seus produtos primários, reforçando uma inserção internacional pouco sofisticada.O acordo pode ser uma alavanca para o desenvolvimento, mas somente se for acompanhado de políticas públicas que transformem acesso a mercados em ganhos sustentáveis de produtividade, diversificação exportadora e crescimento de longo prazo.

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Quando a busca por saúde coloca a vida em risco

O rótulo "100% natural" muitas vezes mascara riscos graves e cria a ilusão de um tratamento inofensivo

05/10/2026 07h25

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Minha avó sempre dizia que não existem soluções simples para problemas difíceis, e levei anos para entender o quanto ela tinha razão. Hoje, como endocrinologista, vejo essa verdade se repetir todos os dias.

No consultório, acompanho principalmente pacientes com obesidade e mulheres na menopausa. Quanto mais estudo essas condições, mais percebo que ambas envolvem uma fisiologia profundamente complexa.

Na obesidade, ocorre uma desregulação dos hormônios responsáveis pelo controle da fome e da saciedade. Já na menopausa, há uma queda significativa na produção dos hormônios femininos. Em comum, as duas deixam as pessoas mais vulneráveis a promessas de soluções rápidas.

Nas redes sociais, porém, essa complexidade vira mercadoria e é reduzida a fórmulas simplistas. Surgem o “chá seca-barriga” para emagrecer e a “fórmula mágica” para aliviar o cansaço e os fogachos da menopausa.

Afinal, quem não gostaria de uma solução rápida?

O problema é que o rótulo “100% natural” muitas vezes mascara riscos graves e cria a ilusão de um tratamento inofensivo. Natural, porém, não é sinônimo de seguro. A cocaína é derivada de uma planta e nem por isso seu uso é recomendado.

O grande risco por trás dessas promessas reside na adulteração criminosa de chás e suplementos com potentes fármacos sintéticos.

E isso não é especulação: laudos da Polícia Científica de Santa Catarina já identificaram substâncias como anfetaminas, antidepressivos, ansiolíticos e até alucinógenos em pílulas emagrecedoras e outros produtos vendidos livremente na internet como “naturais”.

Nos Estados Unidos, o cenário se repete, com dezenas de suplementos para perda de peso recolhidos por conterem substâncias farmacológicas não declaradas no rótulo.

A exposição contínua a essas substâncias pode sobrecarregar órgãos vitais e o sistema cardiovascular, provocando reações adversas graves. Os usuários relatam desde sede excessiva e dores de cabeça até tonturas intensas e episódios de perda de consciência, que podem levar à internação em unidades de terapia intensiva.

Parte desse perigo decorre também da combinação de diferentes compostos farmacológicos, em dosagens desconhecidas e sem controle sanitário. Nessas condições, transformam-se em verdadeiras bombas-relógio para o organismo, capazes de causar complicações graves e até a morte.

Os dados mostram que não se trata de casos isolados. Entre 2020 e 2025, 63% dos processos de investigação instaurados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) envolveram suplementos alimentares irregulares, muitos deles associados a promessas de resultados estéticos milagrosos.

A agência mantém, inclusive, uma extensa lista de emagrecedores proibidos que, infelizmente, continuam circulando de forma clandestina.

Mas os danos não se limitam à saúde física. Quando a primeira “solução milagrosa” fracassa, surge a frustração.

O resultado não corresponde à promessa, e a culpa aparece: por que tanta gente conseguiu e eu não? Esse sentimento de fracasso aprofunda a vulnerabilidade e alimenta um ciclo perigoso. A pessoa continua buscando soluções rápidas, gastando dinheiro, perdendo tempo e colocando a saúde em risco.

O fato é que o verdadeiro tratamento da obesidade não cabe em uma cápsula comprada às escondidas na internet. Ele exige uma equipe multidisciplinar, mudanças progressivas no estilo de vida e, quando necessário, o uso de medicamentos prescritos com critério e monitoramento.

Vale, então, uma pergunta honesta: a busca é realmente por saúde ou por um padrão estético a ser atingido a qualquer custo? Enquanto não enfrentarmos essa pergunta com honestidade, continuaremos reféns de promessas fáceis e dispostos a arriscar a própria saúde por qualquer solução que prometa bem-estar imediato.

EDITORIAL

MS escolheu continuar avançando

A reeleição de Eduardo Riedel no primeiro turno confirma a aprovação ao modelo de gestão e abre caminho para mais investimentos e crescimento em MS

05/10/2026 07h15

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A população de Mato Grosso do Sul mostrou nas urnas que aprovou o projeto conduzido pelo governador Eduardo Riedel (PP). A votação expressiva que garantiu a reeleição no primeiro turno, de maneira muito mais tranquila do que há quatro anos, representa mais do que a escolha de um nome para comandar o Estado.

É também um reconhecimento ao modelo de gestão adotado nos últimos anos e uma sinalização de que a população deseja que esse caminho tenha continuidade.

Riedel recebeu das urnas uma demonstração de confiança. Em uma eleição marcada por diferentes projetos políticos, o eleitorado optou pela continuidade. O resultado não deixa dúvida de que a maioria aprovou o trabalho realizado e entende que o Estado está no caminho correto.

Somados os dois primeiros mandatos de Reinaldo Azambuja (PL), eleito senador ontem, serão 16 anos de administração conduzida pelo mesmo grupo político. É tempo suficiente para avaliar resultados. E, até aqui, os indicadores mostram avanços importantes para Mato Grosso do Sul.

Nesse período, o Estado recebeu mais de R$ 100 bilhões em investimentos. A indústria de celulose, a bioenergia e outras atividades produtivas ajudaram a transformar a economia sul-mato-grossense, atraindo capital, ampliando a produção e criando novas oportunidades de emprego e renda.

Investimentos dessa dimensão movimentam a construção civil, o comércio, os serviços, a logística e uma extensa cadeia de fornecedores, além de ampliar a arrecadação e a capacidade de investimento público.

Mato Grosso do Sul ainda precisa melhorar sua infraestrutura, ampliar a qualidade dos serviços públicos, reduzir desigualdades regionais e preparar suas cidades para o crescimento. O desenvolvimento precisa transformar os ganhos econômicos em melhoria concreta da qualidade de vida.

Mas é preciso reconhecer o que foi feito. A população reconheceu nas urnas os avanços registrados pelo Estado e decidiu dar continuidade ao projeto. Essa escolha traz uma responsabilidade ainda maior para o governo reeleito: entregar mais e fazer melhor.

O resultado eleitoral deve ser interpretado como uma oportunidade para aprofundar aquilo que deu certo e corrigir o que ainda precisa ser melhorado. A confiança recebida precisa ser transformada em trabalho, planejamento e responsabilidade fiscal.

Mato Grosso do Sul tem condições excepcionais para continuar crescendo. Que os próximos anos sejam marcados por mais investimentos, mais empregos, melhor infraestrutura e serviços públicos eficientes. A população reconheceu os avanços. Daqui, esperamos que Mato Grosso do Sul continue avançando.

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