Todos os anos, campanhas como o Maio Amarelo ocupam espaços na mídia, nas redes sociais e em repartições públicas com mensagens de conscientização sobre segurança no trânsito. A intenção é válida.
Afinal, discutir educação no trânsito e preservar vidas jamais será algo desnecessário.
O problema é que, lamentavelmente, o efeito prático dessas campanhas continua sendo muito pequeno diante da realidade violenta enfrentada diariamente nas ruas e avenidas brasileiras.
Este baixo resultado não pode ser atribuído apenas à população. Evidentemente, há motoristas imprudentes, motociclistas irresponsáveis e pedestres desatentos.
Mas a impressão cada vez mais clara é de que o poder público também não consegue fazer sua parte de maneira eficiente.
Enquanto campanhas educativas se repetem ano após ano, os acidentes continuam aumentando e o trânsito segue produzindo mortes, sequelas e insegurança.
O número de multas aplicadas cresce de forma constante, e a arrecadação com elas, também. Ainda assim, os indicadores de violência no trânsito não melhoram na mesma proporção. Em muitos casos, pioram.
Surge então uma pergunta inevitável: o que está acontecendo? Se as multas aumentam, se as campanhas educativas continuam existindo e se o discurso oficial insiste na fiscalização, por que os resultados concretos não aparecem?
O poder público precisa responder a esta pergunta. E a resposta talvez seja desconfortável. Em muitas cidades, inclusive em Mato Grosso do Sul, a fiscalização parece priorizar a arrecadação, em vez da organização do trânsito.
Multa-se muito, mas planeja-se pouco. Há vias esburacadas, sinalização deficiente, cruzamentos perigosos e avenidas sem estrutura adequada para suportar o crescimento da frota.
Não é razoável exigir comportamento exemplar dos condutores quando o próprio Estado falha em garantir condições mínimas de segurança.
O asfalto ruim obriga a desvios perigosos, a sinalização precária confunde motoristas e a ausência de manutenção transforma ruas em armadilhas.
Neste cenário, a sensação da população é de que se cobra muito, mas se entrega pouco.
Além disso, há um problema que frequentemente recebe menos atenção do que deveria: a circulação de veículos irregulares e condutores sem documentação.
Motocicletas sem placas, carros com licenciamento atrasado e motoristas não habilitados seguem circulando livremente em diversas regiões urbanas.
O enfrentamento mais rigoroso desta realidade poderia trazer mais ordem ao trânsito e reduzir parte da sensação de impunidade.
É evidente que multas têm papel importante no processo de organização viária, mas, sozinhas, não resolvem o problema.
Segurança no trânsito exige planejamento, engenharia adequada, fiscalização inteligente, manutenção das vias e foco real na prevenção.
Campanhas educativas continuam sendo necessárias. O que não é mais aceitável é que elas sirvam apenas como peça publicitária anual enquanto o trânsito permanece caótico e violento.
A população precisa de resultados concretos, não apenas de slogans repetidos todos os meses de maio.

