Fundada em 1988, a MSGás é, sem dúvida, uma empresa importante para o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. Só que ela precisa dar passos mais largos, ser mais abrangente, para cumprir o propósito estabelecido à época de sua fundação.
Atualmente, a MSGás, uma das empresas estatais de Mato Grosso do Sul, com a Sanesul, é uma distribuidora de gás natural que parece estar blindada dos desafios de seu controlador, o governo do Estado. Temos uma gestão que foca muito em conexões, seminários e debates, e muito pouco em resultados concretos.
Desde o ano passado, por exemplo, mostramos que sua presidente, Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt, que passou a ganhar quase o dobro e ajustou seu salário aos de CEOs do eixo Rio-São Paulo, entrega muitas viagens, bastante discussão sobre processos, muitos eventos, mas poucos resultados concretos.
Aliás, os ganhos do alto escalão da empresa estatal não coadunam com os desafios fiscais pelos quais passa o Estado.
Sim, é claro, trata-se de uma empresa – ainda que estatal – cuja gestão e contabilidade independem da situação do caixa do governo, mas é curioso que uma empresa controlada por um ente que enfrenta dificuldades de caixa esbanje mordomias e altos rendimentos.
Enquanto a MSGás vive este mundo paralelo, quase um mundo perfeito, a empresa peca em expandir-se.
Atualmente, está construindo um duto para ligar a megafábrica da Arauco ao gasoduto Bolívia-Brasil. Mas, ao mesmo tempo, investe muito pouco na expansão da rede de gás natural por Mato Grosso do Sul, para atender os cidadãos na ponta.
Em Campo Grande, os domicílios atendidos pela estatal são praticamente os mesmos de anos atrás. Em cidades por onde o gasoduto passa, como Corumbá, os serviços da MSGás praticamente inexistem. Ainda nem falamos da cidade de Dourados, uma promessa não cumprida há anos.
A gestão atual fala em investir em gás biometano. Mas não há projeção clara de ganho de escala; tudo é muito incipiente, parecendo mais um produto de marketing, com aposta quase exclusiva no conceito e na propaganda, e não na efetividade.
Evidentemente, o biometano pode representar uma alternativa importante para o futuro energético. Porém, entre anunciar projetos em eventos e transformá-los em realidade concreta existe uma distância enorme.
É claro que, para expandir, é preciso aprovação do Conselho de Administração e concordância dos sócios – inclusive do sócio privado, que detém 49% da empresa.
Nem sempre o sócio privado quer investir em expansão; ele pode se satisfazer com os resultados cotidianos obtidos a partir do que já existe.
O problema é que uma empresa estatal não deveria pensar apenas na lógica da acomodação financeira, mas também no interesse público e na indução do desenvolvimento.
E, por falar em expansão, o sócio privado foi contra o fato de a atual CEO quase ter dobrado o salário no ano passado. Foi voto vencido.

