Artigos e Opinião

ARTIGO

Paulo Corrêa: "PEC paralela mobilizou parlamentares estaduais"

Presidente da Assembleia Legislativa de MS

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A presença em Brasília, no dia 11 deste mês, de presidentes do Poder Legislativo de vinte unidades federadas para expressar apoio à Proposta de Emenda Constitucional 133/2019, a PEC paralela que tramita no Senado e permite a adesão de estados, municípios e Distrito Federal à Reforma da Previdência, representou momento de expressiva coesão na cena política brasileira.

A perspectiva real de agravamento do deficit dos regimes previdenciários de estados e municípios, caso fiquem de fora da Reforma já aprovada na Câmara Federal, inspirou-nos a mobilizar os pares para o que denominamos “Fórum de Presidentes de Assembleias Legislativas” em apoio à PEC, que, relatada pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), faculta a incorporação dos demais entes federativos à iniciativa da União.

Ao respeitar os princípios de autonomia federativa, a PEC 133 permite que o Legislativo de cada ente federado – Estado, Município e Distrito Federal – aprove a sua inclusão na Reforma da Previdência, o que certamente reduzirá os enormes percalços jurídico-legais e burocráticos enfrentados por eventuais reformas domésticas.

Crescimento persistente da dívida pública, deficits financeiros e atuariais de regimes previdenciários estruturalmente insustentáveis, dificuldades crescentes para cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal, redução dramática da capacidade de investimento em obras e serviços públicos de qualidade – todos esses são fatores que afligem a quase totalidade de estados e municípios brasileiros.

Cálculos aproximados apontam que o rombo com as aposentadorias dos regimes próprios estaduais deve chegar este ano a R$ 144,6 bilhões, o que representa crescimento de 137% em relação a 2015, segundo o economista Paulo Tafner.

No caso de Mato Grosso do Sul, esse panorama sombrio é agravado por arrecadação muito aquém de sua produção econômica, por conta de imunidade tributária promovida pela União à custa do Estado. Caso específico e emblemático da Lei Kandir, de que trataremos em outro artigo.

O compromisso da Assembleia Legislativa é consignar a adesão de nosso estado à Reforma da Previdência por meio de uma lei que garanta direitos constitucionalmente assegurados e consolide como legislação permanente aspectos sociais, econômicos e humanos que compõem a nossa realidade. 

Não podemos perder de vista a Previdência Estadual como política pública de renda, além de sua condição de instrumento de justiça social, garantidor da devida retribuição a aposentados e pensionistas.

Para tanto, a PEC Paralela é o caminho mais seguro e sensato.

Daí a nossa emocionada satisfação ao constatar que a entusiasmada acolhida do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ratificou a importância de nosso apoio, fruto de uma engenharia política que situa o interesse social muito acima de distinções partidárias.

Enquanto governador Reinaldo Azambuja foi decisivo na articulação com o senador Tasso Jereissati, seu colega de partido, a senadora Simone Tebet (MDB-MS), presidente da estratégica Comissão de Constituição e Justiça, e o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que preside a Comissão de Relações Exteriores, respaldaram a grandeza institucional da iniciativa dos Parlamentos estaduais. 

Merece reconhecimento a atuação do vice-presidente da Assembleia Sul-Mato-Grossense, deputado Eduardo Rocha (MDB), decisiva para a mobilização que empreendemos.  

Com essa convergência generosa de vontades políticas lúcidas, tivemos o emocionante privilégio de mobilizar a grande maioria dos legislativos estaduais. 

Editorial

Pedágio caro exige contrapartida

O que os usuários esperam não é favor, mas respeito. E respeito, neste caso, significa oferecer uma rodovia segura, bem conservada e com preço justo

27/06/2026 07h15

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Chegou o momento de a Motiva Pantanal, antiga CCR MSVia, demonstrar que é capaz de oferecer aos usuários da BR-163 um serviço compatível com o valor que cobra.

A recente autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para um reajuste superior a 40% nas tarifas de pedágio aumenta a responsabilidade da concessionária perante quem utiliza diariamente a principal rodovia de Mato Grosso do Sul.

É natural que contratos de concessão prevejam atualizações tarifárias. O que não é razoável é que aumentos tão expressivos ocorram sem que os usuários percebam melhorias igualmente expressivas na qualidade da infraestrutura. Quem percorre a BR-163 ainda encontra problemas que deveriam ter sido solucionados há muito tempo.

Em diferentes trechos da rodovia, as faixas de sinalização horizontal apresentam desgaste visível e baixa refletividade, dificultando a condução noturna e em períodos de chuva.

Também há escassez de sinalizadores em alguns pontos e, mais preocupante, trechos em que remendos mal-executados comprometem o conforto e a segurança da viagem.

Em determinadas áreas, os reparos parecem mais buracos do que soluções para os buracos que deveriam corrigir.

É verdade que existem obras em andamento. Alguns segmentos no norte do Estado e nas proximidades de Campo Grande recebem intervenções importantes, incluindo duplicações.

São investimentos necessários e aguardados há anos. No entanto, eles não podem servir de justificativa para ignorar problemas básicos de conservação e segurança ao longo de centenas de quilômetros da rodovia.

O usuário não avalia uma concessão apenas pelas promessas futuras. Ele a avalia pela experiência diária. E essa experiência ainda está longe de justificar tarifas cada vez mais elevadas.

Afinal, não faz sentido pagar um dos pedágios mais caros da região para trafegar em uma rodovia que, em parte considerável de sua extensão, sequer oferece acostamento adequado aos motoristas.

A cobrança de pedágio pressupõe uma relação de equilíbrio. O usuário paga para receber em troca segurança, conforto, fluidez e infraestrutura de qualidade.

Quando essa contrapartida não é percebida, surge a sensação legítima de que a conta está sendo paga apenas por um lado.

Mato Grosso do Sul depende da BR-163 para o transporte de pessoas e mercadorias. Trata-se de uma rodovia estratégica para a economia estadual e nacional.

Por isso, sua concessão precisa ser sinônimo de eficiência e qualidade, e não de insatisfação crescente entre os usuários.

Com um pedágio ainda mais caro, a Motiva Pantanal tem a obrigação de melhorar – e muito – os serviços prestados.

Mais do que obras pontuais, é preciso garantir pavimento de qualidade, sinalização adequada, manutenção permanente e condições compatíveis com o que é cobrado.

O que os usuários esperam não é favor, mas respeito. E respeito, neste caso, significa oferecer uma rodovia segura, bem conservada e com preço justo.

Hoje, infelizmente, o valor cobrado nas praças de pedágio está longe de transmitir essa sensação.

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Artigo

Etarismo: uma forma silenciosa de violência naturalizada

Existe, porém, uma forma mais silenciosa e igualmente corrosiva de violência que passa despercebida todos os dias: o etarismo corporativo

26/06/2026 07h45

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No mês do Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, celebrado em 15 de junho, é comum associarmos o tema a situações explícitas de negligência, abuso ou abandono.

Existe, porém, uma forma mais silenciosa e igualmente corrosiva de violência que passa despercebida todos os dias: o etarismo corporativo.

Dentro das empresas, ele se manifesta de maneira sutil. Está nas oportunidades negadas sem explicação, na preferência automática por perfis mais jovens, na desvalorização da experiência e no rótulo de obsolescência atribuído a profissionais mais maduros. Não grita, não escandaliza, mas exclui, limita e desumaniza.

Ser consciente no palco da vida e do trabalho é também um ato ético. Porque toda escolha comunica valores.

Quando líderes ignoram o etarismo, quando empresas não criam espaço para diferentes gerações coexistirem de forma respeitosa, elas estão, na prática, performando um papel de indiferença. E, no palco social, a omissão também é uma forma de violência.

A Inteligência Cênica nos convida a olhar para essas dinâmicas invisíveis. Ela nos lembra que toda organização é uma espécie de encenação coletiva e que a inclusão verdadeira começa quando todos têm o direito de estar em cena, sem precisar esconder partes de si para serem aceitos.

Isso inclui, necessariamente, a valorização da experiência, da trajetória e do repertório que só o tempo constrói.

O etarismo não é apenas uma falha de diversidade. É uma falha de percepção. Revela um ambiente que privilegia velocidade em detrimento de profundidade, novidade em detrimento de consistência, aparência em detrimento de conteúdo.

E isso não empobrece apenas quem é excluído, pois empobrece a própria organização.

Combater o etarismo exige mais do que políticas formais. Exige uma reeducação emocional e cultural. Exige líderes capazes de pausar antes de reproduzir vieses automáticos, de substituir julgamento por escuta e de transformar a diferença em ativo e não em obstáculo.

O futuro do trabalho não será sustentável se não for intergeracional. Ambientes saudáveis são aqueles onde experiências se encontram, onde saberes se complementam e onde ninguém precisa disputar legitimidade por idade.

Nesse cenário, o papel do líder é claro: ser guardião de uma cultura em que todos tenham espaço para contribuir e existir com dignidade.

A Inteligência Cênica nos lembra que cada profissional tem direito a ser protagonista da própria história. E que o papel mais nobre que podemos desempenhar, nas empresas e na sociedade, é garantir que ninguém seja empurrado para fora de cena por causa de sua idade.

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