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Pesquisa, diagnóstico e dignidade: o compromisso do MCTI com a saúde da mulher

Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação destinou investimento de R$ 60 milhões para pesquisas e inovações no diagnóstico e tratamento da endometriose, dor pélvica crônica e saúde menstrual

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Governar com sensibilidade é transformar o conhecimento científico em dignidade e qualidade de vida para as pessoas. Por muito tempo, as dores e os desafios da saúde menstrual e da endometriose foram tratados sob o manto da invisibilidade, relegados a um silêncio que penaliza milhões de mulheres, trabalhadoras e estudantes brasileiras.

No dia 9 de junho, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em um esforço conjunto com o Instituto Alana, deu um passo histórico para mudar essa realidade.

Anunciamos um investimento expressivo de R$ 60 milhões dedicado integralmente ao desenvolvimento de pesquisas e inovações para agilizar o diagnóstico e dar maior eficácia ao tratamento da endometriose, dor pélvica crônica e saúde menstrual.

Colocamos, assim, a ciência brasileira no centro da solução de um gargalo histórico do nosso Sistema Único de Saúde (SUS).

Este é o maior aporte da história do Ministério voltado para a saúde da mulher e a saúde menstrual. Estamos disponibilizando R$ 50 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), por meio de uma chamada pública nacional, para apoiar pesquisas científicas de ponta e o desenvolvimento de tecnologias e produtos inovadores que mudem a realidade do enfrentamento da endometriose no Brasil.

Essa iniciativa ganha ainda mais força com a parceria estratégica do Instituto Alana, que aportará outros R$ 10 milhões para a criação de uma rede nacional estruturante de pesquisa nessa área.

Juntos, esses investimentos permitirão ampliar o conhecimento científico sobre a origem dessas doenças, fortalecer grupos de pesquisa em todo o País, desenvolver novos métodos de diagnóstico, aperfeiçoar tratamentos, estruturar biorrepositórios e compreender os impactos sociais e econômicos dessas condições.

A endometriose é uma doença que penaliza profundamente quem convive com ela. Além das dores físicas incapacitantes, impacta a saúde mental e a trajetória educacional e profissional das mulheres.

Hoje, elas ainda enfrentam anos de espera para obter um diagnóstico correto, convivendo com estigmas e limitações que a ciência e a inovação brasileiras podem ajudar a enfrentar.

Com essa nova iniciativa, o MCTI reafirma a convicção de que a ciência deve estar a serviço da vida, do cuidado e da promoção da igualdade.

Queremos promover a dignidade menstrual e garantir vida plena para milhões de brasileiras, produzindo soluções alinhadas às demandas do SUS e fortalecendo o complexo econômico-industrial da Saúde.

No governo do presidente Lula, ciência e saúde andam de mão dadas. Desde o início da nossa gestão, já investimos mais de R$ 6 bilhões em projetos na área de saúde, apoiando pesquisa, inovação e produção nacional de medicamentos, vacinas, equipamentos e insumos estratégicos para o SUS e reforçando a política industrial brasileira.

É a ciência brasileira mostrando sua face mais humana, mobilizada para responder às necessidades reais do nosso povo e para construir um país mais justo, inclusivo e soberano. Cuidar das mulheres é também cuidar do futuro e do desenvolvimento do Brasil.

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Crise de realidade e o novo papel da ficção

A realidade, antes entendida como um pacto social mínimo, fragmentou-se em milhões de feeds personalizados que raramente dialogam entre si

23/06/2026 07h45

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Como escritor e artista autodidata, meu método de trabalho parte, principalmente, da observação. Registro na memória falas alheias, maneirismos, sons, fatos e pequenos causos do cotidiano.

Minha matéria-prima é a realidade, aquilo que acontece de fato. Toda a minha ficção fala sobre o real, ainda que atravessado pelo fantástico.

Mas o que acontece quando perdemos nossa capacidade de consenso? Quando já não conseguimos concordar nem sobre o que é a própria realidade?

Entre o avanço das inteligências artificiais (capazes de mimetizar a vida com uma precisão cada vez mais inquietante) e o tsunami de notícias falsas que sequestra a percepção pública, parece que estamos abrindo mão da capacidade coletiva de reconhecer o que é verdadeiro.

A realidade, antes entendida como um pacto social mínimo, fragmentou-se em milhões de feeds personalizados que raramente dialogam entre si. São pacotes de realidade customizada, moldados por algoritmos, interesses e emoções.

Nesse cenário, criar histórias fantásticas deixa de ser apenas um exercício de imaginação ou uma fuga baseada no “e se?” A ficção passa a funcionar também como um espaço de investigação. Um convite para recuperar o espanto, a dúvida e a curiosidade diante do mundo.

Em tempos de excesso de informação e escassez de reflexão, imaginar talvez seja uma das últimas formas de observar com profundidade.

Para mentes bombardeadas por versões conflitantes da verdade, a ficção precisa assumir um novo papel social.

Se já não conseguimos concordar sobre o que acontece no noticiário, se a desconfiança atravessa instituições, discursos e imagens, talvez sejam as histórias que nos ajudam a reconstruir alguma experiência de identificação coletiva.

Afinal, ainda conseguimos reconhecer a injustiça, a perda, o medo e a esperança quando eles aparecem diante de nós em forma de narrativa. Contar histórias, hoje, talvez seja menos sobre escapar da realidade e mais sobre reaprender a enxergá-la.

Num mundo em que cada pessoa parece confinada à própria versão dos fatos, a ficção ainda pode abrir janelas, criar pontes e provocar perguntas difíceis.

A fantasia, quando nasce da observação honesta do mundo, não nos afasta do real. Pelo contrário: ela funciona como um espelho. E nos enxergar talvez seja exatamente o que precisamos nestes tempos.
 

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Algumas reflexões sobre direita e esquerda

O foco final é a sociedade, o ser humano como seu destinatário, o problema está no radicalismo exacerbado ou exagerado desses enfoques, ou seja, na sua intransigência

23/06/2026 07h30

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Os vieses ideológicos de direita e de esquerda, com conceitos enraizados na Revolução Francesa de 1789, em si, são salutares.

Um faz contraponto ao outro. São abordagens valorativas diferentes de ver a mesma coisa. São enfoques diversos de como as pessoas enxergam, entendem e sentem o mundo e a sociedade. Nesse diapasão, longe de se repelirem, complementam-se!

O foco final é a sociedade, o ser humano como seu destinatário. O problema está no radicalismo exacerbado ou exagerado desses enfoques, ou seja, na sua intransigência. Neste viés, ambos se julgam donos absolutos da verdade.

O “nós e os outros” ou “nós e eles”, utilizado tanto por um lado como pelo outro, é bem revelador dessa assertiva fora da curva.

O extremismo, seja de que lado for, não acrescenta nada, ao contrário, incentiva a discórdia, acirra os ânimos entre as pessoas, como se estivesse falando de dois mundos diferentes. Um diálogo de dois inimigos!

O radical vê o mundo conforme as suas conveniências.

Prioriza-se a parte que lhe convém, em detrimento do todo. Um olhar vesgo! Aliás, mesmo que se esforce, nem mesmo o princípio da pluralidade explica ou justifica esse olhar torto!

A propósito, é pertinente o recente artigo do cientista e economista da USP Michael França, publicado na Folha de São Paulo, no dia 9/6/2026, p. A17, quando afirma que “esquerda vs. direita virou disputa de cego com cego”.

Segundo esse articulista: “Uma pessoa madura deveria ser capaz de dizer: a esquerda tem algo importante a ensinar sobre proteção social e concentração de riqueza. A direita tem algo importante a lembrar sobre liberdade individual e os limites do Estado. O erro começa quando cada campo transforma suas verdades parciais em dogmas. A maturidade política começa quando aceitamos que ninguém está certo o tempo todo. Nem a esquerda. Nem a direita”.

Sem essa compreensão, o caráter pedagógico do diálogo cai por terra!

O radical se esquece de que o razoável seria buscar, em uma visão atual, pragmática e humanitária, encontrar um ponto de equilíbrio para se ver o mundo e a sociedade e, com isso, conciliar o interesse individual com o interesse social, sem se afastar das premissas filosóficas apregoadas por Hobbes e Rousseau há séculos.

Aliás, a nossa Constituição Federal, em vários dispositivos, busca dar voz ao equilíbrio individual e social, a exemplo da contemplação do direito de propriedade e da sua função social. Igualmente, nas chamadas ações afirmativas, entre outras.

As ditaduras, sejam de direita, sejam de esquerda, são resultantes do embate radical. Elas (ditaduras) não visam ao bem comum, ao interesse da sociedade, do ser humano, e sim à manutenção do status quo por interesses próprios e de grupos dominantes. Um autêntico maquiavelismo!

Portanto, nenhum pecado há em ser de direita ou de esquerda. O pecado capital está na irracionalidade do radicalismo. O caminho racional, menos tortuoso e espinhoso, é, sem dúvida, a maturidade política do ser humano!

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