Artigos e Opinião

Editorial

Quando a informação gera consequência

Quando a informação circula com rigor, a omissão deixa de ser uma opção e o poder é obrigado a reagir

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Em um ambiente saturado por desinformação, versões interessadas e ruído permanente, a utilidade do jornalismo profissional deixou de ser uma abstração. Ela se mede pela sua capacidade de produzir efeitos concretos. Não basta informar. É preciso gerar consequência.

Nos últimos dias, dois episódios deixam isso evidente para o leitor.

Após a publicação de reportagens que cobravam explicações técnicas e transparência na atuação da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg), o tema deixou de ser tratado como questão interna.

A pressão pública se consolidou – e, no dia seguinte, a prefeita de Campo Grande decidiu pela demissão do então presidente da autarquia. Não se trata de coincidência, mas de dinâmica institucional: quando a informação expõe fragilidades de gestão, a inércia se torna insustentável.

O mesmo se repete em outra escala. Questionamentos formais feitos à Polícia Federal sobre a morosidade no andamento da Operação Ultima Ratio contribuíram para trazer à esfera pública desdobramentos que até então permaneciam sem esclarecimento.

Quando a informação circula, o espaço para o silêncio institucional diminui.

Os dois casos têm um ponto em comum: respostas só surgiram após a exposição consistente dos fatos – como demonstraram as reportagens publicadas pelo Correio do Estado.

Esse é o papel central do jornalismo. Não o de protagonizar os acontecimentos, mas o de impedir que eles permaneçam ocultos ou sem resposta. Quando há transparência, há reação. Quando há reação, há correção de rumo – ainda que tardia.

A democracia não se sustenta apenas por normas e estruturas formais, mas pela tensão permanente entre quem exerce o poder e quem o fiscaliza. Sem essa tensão, prevalece a acomodação. E a acomodação, na gestão pública, quase sempre custa caro à sociedade.

Por isso, mais do que narrar fatos, o jornalismo cumpre sua função quando torna a omissão inviável.

Porque quando a informação circula com rigor, a consequência deixa de ser exceção – e passa a ser regra.

“O jornalismo é o que alguém não quer que seja publicado; todo o resto é publicidade”. A frase, frequentemente atribuída a George Orwell, nunca foi tão atual.

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Artigo

Saneamento nas eleições de 2026

É de extrema importância o eleitor saber o que os candidatos pensam a respeito e o que pretendem fazer para melhorar o acesso da população a serviços adequados

16/04/2026 07h45

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Estamos em mais um ano eleitoral e, ainda que as campanhas políticas não estejam ocorrendo de forma oficial, os pré-candidatos aos cargos de presidente da República, governador, senador e deputado federal, estadual e distrital (para o caso do Distrito Federal) já estão se posicionando sobre diversos temas considerados relevantes para o eleitorado.

No entanto, praticamente em todas as eleições, inclusive as municipais, um assunto de extrema importância para toda a população brasileira é frequentemente ignorado e fica de fora dos debates políticos: saneamento básico (ou a falta de).

Hoje, aproximadamente 43% dos brasileiros vivem sem coleta de esgoto e 16% ainda não têm acesso à água potável. Além disso, quase metade do esgoto gerado no País não é tratado. Isso significa que mais de 5 mil toneladas de dejetos são despejadas diariamente nos corpos de água pelo País.

A situação ilustra um problema com graves consequências para o nosso desenvolvimento econômico, ao meio ambiente e para a saúde da nossa população: em 2024, o Brasil registrou mais de 350 mil internações hospitalares por doenças relacionadas à falta de saneamento.

Ou seja, é de extrema importância o eleitor saber o que os candidatos pensam a respeito e o que pretendem fazer para melhorar o acesso da população a serviços adequados para o fornecimento de água limpa e para a coleta e tratamento de esgoto.

Desde que o Marco Legal do Saneamento passou a vigorar, os investimentos no setor cresceram consideravelmente, mas em alguns estados pouco se avançou, especialmente nas Regiões Norte e Nordeste.     

O Marco Legal do Saneamento estabelece como meta que 99% da população tenha acesso à água potável e 90% seja atendida com serviço de coleta e destinação correta do esgoto até o ano de 2033. Porém, pelo que se observa, os esforços até aqui não estão sendo suficientes.

Para alcançar esse objetivo, o País deveria investir, em média, R$ 225 por habitante. Mas levantamento realizado pelo Instituto Trata Brasil aponta que em localidades com os piores índices de saneamento a média de investimentos entre 2020 e 2024 foi de R$ 77,58, 66% abaixo do indicado.

Investir em saneamento é deixar o atraso no passado e acreditar em um Brasil mais moderno e com desenvolvimento social e econômico, permitindo à população mais pobre uma vida digna.

Portanto, neste ano de eleições, caberá a nós eleger quem de fato esteja comprometido com políticas públicas de saneamento que saiam do discurso e se convertam em programas, metas, orçamento, cronograma e entregas.

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Artigo

Dia Mundial da Voz reforça a importância dos cuidados com a saúde vocal

A voz acompanha o ser humano em todos os momentos da vida, tornando-se um elemento indispensável para a interação social

16/04/2026 07h30

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Celebrado em 16 de abril, o Dia Mundial da Voz é uma data dedicada à conscientização sobre a importância desse instrumento tão essencial à vida humana.

Muito mais do que um simples meio de comunicação, a voz é uma das expressões mais marcantes da identidade de cada pessoa, revelando emoções, intenções e até traços da personalidade.

A comunicação é vital para a convivência em sociedade, e a voz ocupa lugar central nesse processo. É por meio dela que compartilhamos conhecimentos, experiências, sentimentos e ensinamentos, construindo relações pessoais, profissionais e afetivas.

A voz acompanha o ser humano em todos os momentos da vida, tornando-se um elemento indispensável para a interação social.

Para muitas pessoas, a voz é também o principal instrumento de trabalho. São os chamados profissionais da voz, grupo que inclui professores, jornalistas, advogados, radialistas, dubladores, cantores, cerimonialistas, atendentes, palestrantes, entre outros.

Nesses casos, a preservação da saúde vocal é ainda mais importante, uma vez que alterações na voz podem comprometer diretamente o desempenho profissional e a qualidade de vida.

A voz, no entanto, não é sempre a mesma. Existe a voz do ambiente de trabalho, a voz utilizada em família, entre amigos, em situações formais ou descontraídas.

Ela também se modifica de acordo com o estado emocional: a voz da tristeza, da alegria, da euforia, do desânimo ou da irritação. Essas variações são naturais e refletem a flexibilidade vocal do ser humano.

Nesse contexto, a psicodinâmica vocal é a área que estuda a relação entre emoções, personalidade e produção vocal.

Essa análise observa como o estado emocional influencia características acústicas da voz, como timbre, intensidade, velocidade e entonação, além do impacto que a voz do profissional – seja narrador, repórter, professor ou cantor – exerce sobre quem a escuta.

O acompanhamento de profissionais especializados é fundamental para a manutenção da saúde vocal. Fonoaudiólogos atuam tanto na prevenção quanto no tratamento de alterações da voz, enquanto, para os cantores, o apoio de professores de canto também é essencial para o uso técnico e seguro da voz.

É importante estar atento a sinais de alerta como rouquidão persistente, voz soprosa, falhas na fala, dor ao falar ou sensação frequente de garganta irritada.

Nessas situações, a recomendação é procurar um profissional de saúde, como otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo, para avaliação adequada.

A prevenção, contudo, ainda é o melhor caminho. Pequenos hábitos diários, conhecidos como higiene vocal, ajudam a preservar a qualidade da voz.

Entre os principais cuidados estão a hidratação constante, com ingestão regular de água, evitar choques térmicos, especialmente com bebidas muito geladas ou exposição excessiva ao ar-condicionado, não falar em ambientes ruidosos, para evitar esforço vocal, evitar pigarrear, hábito que pode provocar lesões nas pregas vocais, manter alimentação equilibrada, reduzindo alimentos gordurosos, não fumar nem consumir bebidas alcoólicas em excesso e respeitar períodos de repouso vocal, evitando gritos, cochichos e falas prolongadas.

Cuidar da voz é cuidar da própria saúde, da comunicação e da forma como cada indivíduo se apresenta ao mundo. Neste Dia Mundial da Voz, a orientação é clara: ouvir os sinais do corpo e valorizar esse instrumento único e insubstituível.

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