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Saneamento nas eleições de 2026

É de extrema importância o eleitor saber o que os candidatos pensam a respeito e o que pretendem fazer para melhorar o acesso da população a serviços adequados

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Estamos em mais um ano eleitoral e, ainda que as campanhas políticas não estejam ocorrendo de forma oficial, os pré-candidatos aos cargos de presidente da República, governador, senador e deputado federal, estadual e distrital (para o caso do Distrito Federal) já estão se posicionando sobre diversos temas considerados relevantes para o eleitorado.

No entanto, praticamente em todas as eleições, inclusive as municipais, um assunto de extrema importância para toda a população brasileira é frequentemente ignorado e fica de fora dos debates políticos: saneamento básico (ou a falta de).

Hoje, aproximadamente 43% dos brasileiros vivem sem coleta de esgoto e 16% ainda não têm acesso à água potável. Além disso, quase metade do esgoto gerado no País não é tratado. Isso significa que mais de 5 mil toneladas de dejetos são despejadas diariamente nos corpos de água pelo País.

A situação ilustra um problema com graves consequências para o nosso desenvolvimento econômico, ao meio ambiente e para a saúde da nossa população: em 2024, o Brasil registrou mais de 350 mil internações hospitalares por doenças relacionadas à falta de saneamento.

Ou seja, é de extrema importância o eleitor saber o que os candidatos pensam a respeito e o que pretendem fazer para melhorar o acesso da população a serviços adequados para o fornecimento de água limpa e para a coleta e tratamento de esgoto.

Desde que o Marco Legal do Saneamento passou a vigorar, os investimentos no setor cresceram consideravelmente, mas em alguns estados pouco se avançou, especialmente nas Regiões Norte e Nordeste.     

O Marco Legal do Saneamento estabelece como meta que 99% da população tenha acesso à água potável e 90% seja atendida com serviço de coleta e destinação correta do esgoto até o ano de 2033. Porém, pelo que se observa, os esforços até aqui não estão sendo suficientes.

Para alcançar esse objetivo, o País deveria investir, em média, R$ 225 por habitante. Mas levantamento realizado pelo Instituto Trata Brasil aponta que em localidades com os piores índices de saneamento a média de investimentos entre 2020 e 2024 foi de R$ 77,58, 66% abaixo do indicado.

Investir em saneamento é deixar o atraso no passado e acreditar em um Brasil mais moderno e com desenvolvimento social e econômico, permitindo à população mais pobre uma vida digna.

Portanto, neste ano de eleições, caberá a nós eleger quem de fato esteja comprometido com políticas públicas de saneamento que saiam do discurso e se convertam em programas, metas, orçamento, cronograma e entregas.

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Sobre a redução do salário da magistratura

Decidiu fazer um ataque onde dói mais: no bolso, com a redução dos salários da magistratura e por conseguinte de toda carreira pública da Justiça

15/04/2026 07h30

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É um verdadeiro show assistir aos microssistemas das instituições digladiarem-se internamente, como franca demonstração de força e poder, só para o vencedor desfilar ao lado do chefe máximo e ser alçado publicamente como o maioral.

De fato, isso invariavelmente acontece no mundo corporativo em que os péssimos líderes criam um verdadeiro inferno entre os seus, como forma de despertar a ira, a competitividade e, claro, terem mais poder.

A desgraça começa quando o assunto da competitividade de poder atinge a coisa pública, ou melhor, a res publica, em que os seus digladiadores, ou melhor, seus agentes são ludibriados, começam a competir entre si e se esquecem de que são apenas gerentes de um bem maior que não pertence a eles, mas sim ao povo. 

A etimologia da palavra graça ironicamente é engraçada, porque a sua origem é grega (charis) e significa “favor imerecido”, então, a desgraça acaba sendo a pena merecida a quem não teve capacidade de fazer por merecer o seu favor que lhe outorgaram.

Mas não quero parar por aqui, porque quando assistimos a medição de força entre os poderes da República, a cada dia que passa assistimos à República ir de mal ao péssimo. 

Dentro de cada poder da República existem as disputas internas como forma de sacudir os discursos e enaltecer quem vence a dialética, porém o único poder republicano que sempre funcionou como o seu bastião era a Justiça.

Não falo aqui apenas do Poder Judiciário, mas sim em todo o sistema que faz o seu funcionamento: advocacia, Ministério Público, Magistratura, defensorias públicas e procuradorias de autarquias.

Nunca se viu na história da República brasileira tamanha exposição da Justiça e de seus membros (propositalmente ou não), e agora a própria magistratura passa a ser um sensor dos seus membros e como forma de querer acalmar os ânimos do povo, o Supremo Tribunal Federal, em autossalvação (assim como Jesus foi tentado pelo diabo) decidiu fazer um ataque onde dói mais: no bolso, com a redução dos salários da magistratura e por conseguinte de toda carreira pública da Justiça.

Há algumas décadas a advocacia privada vem reclamando daquilo que se chama de uniformização das decisões e o Poder Judiciário acaba não distinguindo, ou melhor, confunde aquelas ações chamadas de demandas de massa, das ações propriamente particulares e individualizadas que merecem a análise caso a caso, isto por uma criação do Poder Legislativo, como forte atuação do Executivo, do Conselho Nacional de Justiça, pela Emenda nº 45, no ano de 2004, que visava dar transparência ao Poder Judiciário, mas que duas décadas depois de sua criação o que se vê é a diminuição da livre consciência das decisões da magistratura, justamente por receio de alguma advertência ou punição de seus membros por não seguirem uma orientação já (pré) concebida.

De fato, a Justiça é um organismo vivo e essa diminuição da livre consciência para uniformizar as decisões que era considerada um remédio, já era um veneno anunciado pela advocacia privada.

Hoje, o efeito colateral bateu no bolso e está doendo na alma das carreiras do funcionarismo público da Justiça, e como consequência o afugentamento de profissionais com excelência.

Quem perde com tudo isso? O povo. 

Realmente, por um discurso maniqueísta lá nos anos de 2004 em que Legislativo e Executivo diziam que precisavam dar transparência ao Poder Judiciário, acabaram colocando “fogo no parquinho” e conseguiram enfraquecer o único poder da República que tinha função precípua de julgar e eventualmente de legislar. E hoje parece que essas funções do Poder Judiciário se inverteram com a quase obrigação da uniformização jurisprudencial.

Resumo da ópera: com a redução do salário da magistratura ou se devolve a livre consciência plena às decisões dos membros do Poder Judiciário, sem nenhuma interferência da opinião pública, ou além de termos a debandada dos profissionais com excelência da magistratura, teremos o nivelamento por baixo das carreiras do funcionarismo público da Justiça que estão por vir.

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Editorial

Infraestrutura, crédito e responsabilidade

O desafio, portanto, não está apenas em contratar crédito, mas em garantir capacidade de pagamento sem comprometer áreas essenciais como saúde, educação e segurança

15/04/2026 07h15

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A decisão do governo de Mato Grosso do Sul de recorrer a um novo empréstimo internacional para financiar a manutenção de estradas recoloca no centro do debate um tema recorrente na gestão pública: o delicado equilíbrio entre investimento e responsabilidade fiscal.

Desta vez, o financiamento de R$ 1,2 bilhão com o Banco Mundial se soma a um conjunto já expressivo de operações de crédito voltadas à infraestrutura rodoviária, incluindo mais de R$ 3 bilhões contratados com o BNDES e quase R$ 1 bilhão com o Banco do Brasil.

Sob a ótica econômica, a estratégia não deve ser descartada. Em cenários de restrição orçamentária, recorrer ao crédito pode ser um caminho legítimo para manter o ritmo de investimentos, especialmente em áreas estruturantes.

A manutenção adequada das rodovias, por exemplo, tende a reduzir custos logísticos, melhorar a segurança viária e ampliar a competitividade da produção local.

Em um estado com forte vocação agropecuária e dependente do transporte rodoviário, esses efeitos não são marginais – eles impactam diretamente o preço final dos produtos, o escoamento da produção e a integração regional.

Além disso, há um argumento técnico relevante: investir na conservação pode ser mais barato do que arcar com os custos de reconstrução no futuro.

Estradas bem mantidas exigem menos intervenções emergenciais, o que, em tese, racionaliza o gasto público ao longo do tempo.

Nesse sentido, o novo empréstimo pode representar não apenas uma solução imediata, mas também uma tentativa de planejamento mais eficiente.

Ainda assim, é preciso cautela. O cenário fiscal atual está longe de ser confortável. Com sinais de desaceleração na arrecadação e aumento das despesas, a ampliação do endividamento exige critérios rigorosos.

Empréstimos são instrumentos úteis, mas não neutros: implicam compromissos de longo prazo que pressionam o caixa do Estado nos anos seguintes.

O desafio, portanto, não está apenas em contratar crédito, mas em garantir capacidade de pagamento sem comprometer áreas essenciais como saúde, educação e segurança.

Outro ponto central é o impacto concreto dessas obras no cotidiano da população. Infraestrutura de qualidade precisa se traduzir em ganhos perceptíveis – seja na redução do tempo de deslocamento, na diminuição de custos ou na melhoria das condições de tráfego.

Sem essa conexão direta com a vida real, o investimento corre o risco de se tornar apenas um dado contábil positivo, sem reflexo efetivo no bem-estar coletivo.

Há ainda o componente político, inevitável em um ano eleitoral. Obras públicas ganham visibilidade e passam a ser disputadas como ativos de imagem por diferentes atores. A paternidade dos projetos será reivindicada, direta ou indiretamente, em discursos e campanhas.

Nesse ambiente, cabe ao cidadão ir além da superfície: mais importante do que saber quem inaugura ou anuncia uma obra é compreender como ela foi financiada e quais benefícios concretos ela entrega.

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