A retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), em Três Lagoas, representa uma notícia que há muito tempo o Brasil aguardava. Depois de mais de uma década de atrasos, paralisações, incertezas e mudanças de rumo, o empreendimento finalmente volta a sair do papel.
O tema ganha ainda mais relevância nesta semana com a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao município, marcada para hoje, em um gesto que simboliza a importância estratégica do projeto para o País.
Não se trata apenas de mais uma grande obra industrial. A UFN3 é um investimento bilionário da Petrobras com potencial para fortalecer um dos setores mais importantes da economia nacional: o agronegócio.
Em um país que figura entre os maiores produtores de alimentos do mundo, a dependência de fertilizantes importados sempre representou um ponto vulnerável da cadeia produtiva.
A fábrica de Três Lagoas surge justamente como uma oportunidade concreta para reduzir essa fragilidade.
O atraso na conclusão da unidade, entretanto, cobrou um preço elevado. Nos últimos anos, o Brasil assistiu à escalada de tensões geopolíticas que afetaram diretamente o mercado internacional de fertilizantes.
A guerra entre Rússia e Ucrânia expôs, de forma contundente, os riscos de depender excessivamente de fornecedores externos para um insumo essencial à produção agrícola.
O conflito trouxe instabilidade, encareceu produtos e gerou preocupação quanto à segurança do abastecimento em diversos países, incluindo o Brasil.
Caso a UFN3 já estivesse em operação, parte dessa vulnerabilidade poderia ter sido amenizada. O País teria contado com maior capacidade própria de produção justamente em um momento de incerteza global.
Não é exagero afirmar que os anos perdidos na construção da fábrica representaram também oportunidades desperdiçadas para ampliar a autonomia nacional em um setor estratégico.
A expectativa agora é que a nova fase do empreendimento avance sem interrupções. Quando concluída, a unidade deverá ser capaz de atender a uma parcela significativa da demanda brasileira por fertilizantes nitrogenados, chegando perto de metade do consumo nacional desse tipo de produto.
Isso significa menos exposição às oscilações do mercado internacional e mais previsibilidade para produtores rurais, além da geração de empregos, renda e desenvolvimento para Mato Grosso do Sul e para o Brasil.
O desafio, portanto, não é mais discutir a importância da obra, mas garantir sua execução. O País já perdeu tempo demais.
A retomada da UFN3 precisa marcar o início de uma nova etapa, na qual planejamento, eficiência e compromisso permitam recuperar parte dos prejuízos acumulados ao longo dos anos.
Que a fábrica fique pronta o quanto antes. O Brasil, o agronegócio e a própria segurança produtiva nacional não podem mais esperar.

