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Venildo Trevizan: "Palavras e atitudes"

Venildo Trevizan: "Palavras e atitudes"

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As palavras podem influenciar as pessoas a se posicionarem diante dos fatos e dos acontecimentos. Mas o que realmente transforma são as atitudes. Existem muitos com filosofias e ideologias abundantes e sugestivas. Faltam os mestres que, com suas atitudes, transformem os ambientes e as mentes.

É fácil constatar que nesse mundo há lugar para todos os pensantes. Há especialmente lugar para quem acredita na força das atitudes que podem influenciar mudanças de comportamentos e transformações  de mentalidades. Tudo pode acontecer. Tudo podemos influenciar e sugerir os mais diversos comportamentos.

Sabemos que existem atitudes positivas e atitudes negativas. E o ser humano convive com essa realidade. Pode usar seus talentos criando atitudes de acolhida, de amor, de misericórdia e de esperança. Pode, por outro lado,  tomar atitudes contrárias a tudo isso. Poderá influenciar para a solidão, para o fechamento em si mesmo e criar um mundo próprio no pensar e no agir. Tudo depende da consciência pessoal.

Mas, como seres pensantes que somos, olhamos para a sociedade em que estamos inseridos e constatamos que recebemos de Deus uma missão. Somos enviados a usar os dons pessoais em proveito do bem comum. Somos chamados a sair de nós mesmos e irmos ao encontro de tantos homens e mulheres que se encontram à beira do caminho da paz e da alegria, do perdão e da comunhão.

Somos enviados como mensageiros e missionários convictos na fé, sorridentes na esperança e privilegiados no amor. Somos enviados a testemunhar as convicções assimiladas na meditação da palavra de Deus e na convivência entre irmãos.

Somos desafiados em nossa fé. Somos provocados em nossa disponibilidade em deixar o comodismo e abraçar o heroísmo, fazendo-nos semeadores da sabedoria de nosso Deus e Pai. E nele depositar nossa confiança e nossa fidelidade.

Assim sendo, o comodismo desaparecerá e o medo será superado. A fé crescerá e as atitudes se clarearão. E iremos de casa em casa anunciando o amor acompanhado da paz. E, onde houver acolhida, haverá comunhão. E, onde não houver acolhida, haverá o respeito e se buscará outra solução. Isso porque o reino de Deus não pode morrer. Precisa acontecer.

Esse reino acontecerá na medida em que seus participantes se sentirem conscientes de sua missão e o expressarem por suas atitudes. Atitudes que revelem comunhão íntima com a verdade que brota de um coração feliz.

Felizes serão aqueles e aquelas que, em qualquer lugar, em cada momento, assumirem atitudes que revelem grandeza de coração e profundidade de testemunho. Sejam pessoas simples e humildes, alegres e contentes e apaixonadas pelo reino.

Concluímos afirmando que as palavras comovem, mas só as atitudes transformam. As palavras mostram possibilidades, mas só as atitudes revelam convicções nobres e sentimentos divinos. E o mundo será mais humano quando os humanos divinizarem suas atitudes.

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Wokeísmo: o que ele revela sobre a sociedade contemporânea

Em sua essência, o wokeísmo se ancora na ideia de interseccionalidade

15/05/2026 07h45

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Nas últimas décadas, poucos fenômenos socioculturais provocaram debates tão intensos quanto o chamado wokeísmo. Frequentemente associado à defesa da justiça social, da igualdade e da valorização da diversidade, esse movimento emergiu como uma força significativa na arena pública, influenciando não apenas o discurso político, mas também a cultura, as instituições e o mundo corporativo.

Em sua essência, o wokeísmo se ancora na ideia de interseccionalidade (estrutura analítica cunhada pela jurista norte-americana Kimberlé Williams Crenshaw), isto é, a compreensão de que diferentes formas de desigualdade, como raça, gênero e classe social, não operam de maneira isolada, mas interligada.

Essa perspectiva permitiu ampliar o olhar sobre injustiças estruturais historicamente negligenciadas, promovendo maior sensibilidade coletiva em relação às experiências de grupos marginalizados.

No entanto, à medida que ganhou visibilidade e influência, o movimento também passou a ser alvo de críticas consistentes.

Para seus defensores, trata-se de um avanço moral necessário, capaz de estimular empatia, corrigir desigualdades e dar voz a quem por muito tempo foi silenciado.

Já para seus críticos o wokeísmo pode, paradoxalmente, restringir o próprio diálogo que pretende promover, ao criar ambientes em que opiniões divergentes são desencorajadas ou até mesmo punidas.

Um dos pontos centrais dessa crítica reside na dificuldade crescente de se estabelecer um debate aberto e plural.

Em contextos marcados pelo receio de reprovação social, indivíduos tendem a evitar posicionamentos que possam ser interpretados como inadequados.

O resultado, muitas vezes, é um empobrecimento do debate público, no qual a complexidade das questões sociais cede espaço à polarização e à autocensura.

Outro aspecto frequentemente discutido é o foco acentuado nas experiências individuais. Embora reconhecer vivências pessoais de discriminação seja fundamental, há o risco de que a ênfase excessiva no indivíduo dificulte a construção de soluções coletivas e estruturais.

A transformação social duradoura exige, afinal, não apenas o reconhecimento de injustiças, mas também a articulação de respostas amplas e sistêmicas.

Ainda assim, seria reducionista ignorar os impactos positivos associados ao wokeísmo. Movimentos como o #MeToo e o Black Lives Matter exemplificam como a amplificação de vozes historicamente marginalizadas pode gerar mudanças concretas.

Questões antes invisibilizadas, ou seja, pautas sociais negligenciadas pelo debate público, como assédio sexual, violência policial e desigualdade racial, passaram a ocupar o centro do debate público, pressionando instituições e governos a agir.

Além disso, o movimento contribuiu para avanços em transparência e responsabilidade, como no caso da divulgação de disparidades salariais entre homens e mulheres em diversos países.

Tais iniciativas demonstram que a conscientização social pode, de fato, traduzir-se em políticas e práticas mais equitativas.

Por outro lado, o crescimento do wokeísmo também trouxe à tona um fenômeno peculiar: o chamado “capitalismo woke”.

Nesse contexto, empresas passaram a adotar posicionamentos públicos sobre questões sociais, incorporando pautas como diversidade, inclusão e sustentabilidade em suas estratégias de marca.

Embora, à primeira vista, isso represente um avanço na responsabilidade corporativa, não faltam questionamentos sobre a autenticidade dessas ações.

Campanhas publicitárias e iniciativas empresariais frequentemente oscilam entre o compromisso genuíno e o oportunismo estratégico.

Quando o engajamento social se torna um ativo de marketing, surge a dúvida inevitável: trata-se de transformação real ou apenas de adaptação às expectativas do consumidor contemporâneo?

Diante desse cenário, o wokeísmo revela-se como um fenômeno complexo, repleto de tensões e ambiguidades. Sua capacidade de promover conscientização e mobilização social é inegável, mas seus efeitos colaterais, como a polarização e a limitação do debate, não podem ser ignorados.

Talvez o caminho mais produtivo não seja a adesão irrestrita nem a rejeição absoluta, mas sim uma abordagem crítica e equilibrada. Isso implica reconhecer tanto suas contribuições quanto suas limitações, preservando o espaço para o diálogo aberto, a diversidade de pensamento e a construção coletiva de soluções.

Em última instância, o desafio não está apenas no wokeísmo em si, mas na forma como a sociedade escolhe lidar com ele. Se conduzido com maturidade e espírito crítico, pode servir como instrumento de progresso.

Caso contrário, corre o risco de se tornar mais um elemento de divisão em um mundo já profundamente fragmentado.
 

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Editorial

Contrabando, crime, saúde e arrecadação

Avanço do cigarro clandestino fortalece organizações criminosas, alimenta outras rotas do tráfico, reduz a arrecadação pública e amplia os prejuízos à saúde da população

15/05/2026 07h15

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O aumento das apreensões de cigarros contrabandeados em Mato Grosso do Sul, mostrado em reportagem publicada nesta edição, revela duas realidades que caminham lado a lado.

A primeira é positiva: as forças de segurança seguem atuando e conseguindo interceptar cargas ilegais que atravessam as fronteiras do Estado.

A segunda, no entanto, é preocupante: o volume crescente de apreensões também evidencia a força, a organização e a capacidade financeira das redes criminosas que operam no contrabando de cigarros.

É justamente por isso que MS precisa avançar para uma nova etapa no combate a esse tipo de crime. Não basta apenas apreender caminhões, fechar depósitos ou prender pequenos transportadores, é preciso atingir o coração financeiro da engrenagem clandestina que sustenta o contrabando e que conecta organizações criminosas no Brasil e no Paraguai, país que se consolidou como um dos principais polos produtores de cigarros ilegais destinados ao mercado brasileiro.

O enfrentamento precisa ser mais incisivo e profundo, e isso inclui investigar toda a cadeia criminosa que dá suporte ao contrabando.

O histórico de operações policiais e investigações já demonstrou que essas redes não sobrevivem apenas da ousadia dos criminosos.

Em muitos casos, contam também com proteção e colaboração de agentes públicos, inclusive integrantes das próprias forças de segurança estaduais. 

Combater o contrabando de cigarros também significa combater o tráfico de drogas. Nas rotas clandestinas da fronteira, a lógica é simples e conhecida por qualquer autoridade policial: onde passa uma mercadoria ilegal, passam outras.

As mesmas estradas vicinais, os mesmos atravessadores, os mesmos esquemas de corrupção e logística utilizados para transportar cigarros também servem para abastecer o narcotráfico, o tráfico de armas e outros crimes transnacionais.

Portanto, sufocar financeiramente as quadrilhas de cigarro clandestino representa um golpe em toda a estrutura do crime organizado que atua na região de fronteira.

Não se trata apenas de uma questão tributária ou comercial, trata-se de segurança pública e de fortalecimento institucional.

Há ainda um impacto direto sobre as contas públicas e sobre a saúde da população. A política tributária aplicada aos cigarros no Brasil existe justamente para desencorajar o consumo de produtos que comprovadamente causam doenças graves e elevam os gastos do sistema público de saúde.

Quando o contrabando coloca no mercado cigarros mais baratos, livres de impostos e sem controle adequado, cria-se um ambiente propício para o aumento do consumo, especialmente entre a população mais pobre.

O resultado é perverso: reduz-se a arrecadação do Estado ao mesmo tempo em que aumentam os custos futuros com tratamentos médicos, internações e doenças relacionadas ao tabagismo. O cigarro clandestino enfraquece as instituições em diversas frentes.

Por isso, combater o contrabando não pode ser tratado apenas como uma ação de rotina nas fronteiras, é uma estratégia essencial para proteger a economia formal, fortalecer as forças de segurança, reduzir o poder do crime organizado e preservar a saúde pública.

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