Cidades

Entrevista

"As operadoras enxergam o sistema penitenciário como nicho de mercado"

Para secretário Antônio Carlos Videira, combate ao crime organizado exige inteligência, tecnologia e descapitalização das facções; MS tem queda histórica nos roubos e amplia sensação de segurança

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"As operadoras de telefonia celular enxergam o sistema penitenciário como um nicho de mercado". A afirmação do secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, Antônio Carlos Videira, resume um dos principais desafios enfrentados atualmente no combate ao crime organizado: impedir que facções continuem operando de dentro dos presídios por meio de golpes aplicados via telefone celular.

Em entrevista, o secretário detalha como o avanço da tecnologia ampliou o poder de atuação dos criminosos e defende investimentos em bloqueadores de sinal, inteligência policial e integração entre os órgãos de fiscalização para combater não apenas o tráfico de drogas, mas também a lavagem de dinheiro das organizações criminosas.

Ao longo da conversa, Videira também aponta os fatores que colocam Mato Grosso do Sul entre os estados com maior sensação de segurança do País, com redução histórica nos índices de roubos e ausência de latrocínios este ano.

O secretário atribui os resultados ao investimento contínuo em segurança pública, à transparência na divulgação dos dados, ao uso de tecnologia nos presídios e às políticas de prevenção e combate à violência doméstica, área em que o Estado se tornou referência nacional pela rapidez na concessão de medidas protetivas.

 
Mato Grosso do Sul é um estado onde a sensação de segurança pode ser percebida para além do noticiário. Ao contrário de grandes capitais, em Campo Grande ainda é possível circular com os vidros dos veículos abaixados e usar telefone celular nas ruas. A que se deve isso?

O que cria o clamor público é a sensação de insegurança. Os roubos em Mato Grosso do Sul estão em queda desde 2019. De 2.565 casos registrados em 2019, no ano passado tivemos 741 ocorrências.

Os registros vêm caindo ano após ano. Estamos falando de um estado que tem 2,9 milhões de habitantes. Neste ano, já estamos em maio, caminhando para junho, e registramos os melhores números da série histórica.

Quando falamos de latrocínio, temos um fato que vale o registro: felizmente, ainda não tivemos nenhum caso neste ano.
Mesmo em Campo Grande, quando falamos de roubos no comércio, os casos caíram de 400 para 132.

Então, quando você fala em sensação de segurança, ela se explica por meio desses dados que estou te mostrando. E a origem dessa sensação de segurança necessariamente passa por investimento e capacitação.

E tenho um lado positivo a destacar: o governador Eduardo Riedel e o ex-governador Reinaldo Azambuja enxergam os custos da segurança não como despesa, mas como investimento. Porque segurança pública não é barata, de jeito nenhum.

E na região de fronteira também há a sensação de segurança que existe em outras regiões do Estado?

Sim. Temos números que mostram que, na fronteira, quase não há furtos. O volume de furtos de veículos na região é o menor da série histórica. Foram 189 casos neste ano. Em 2020, por exemplo, tivemos 300. Os roubos de veículos, que já foram muito temidos pela população local, também estão em um patamar baixíssimo.

Mas eu te digo uma coisa: também oferecemos essa sensação de segurança porque fazemos segurança pública com muita transparência. Muita gente sabe como eu trabalho.

Aqui na Secretaria de Justiça e Segurança Pública, e em todo o Mato Grosso do Sul, nós não maquiamos números. Enfrentamos a realidade para transformá-la e buscar resultados satisfatórios. Para isso, preciso saber exatamente o que está acontecendo.

O combate a quais crimes contribui para o aumento da sensação de segurança?

O combate aos crimes que ocorrem nas ruas, como roubos à mão armada e furtos, é essencial para aumentar a sensação de segurança.

Como disse anteriormente, o enfrentamento dessa quadrilha que vem roubando caminhonetes é um exemplo de atuação com inteligência contra o crime organizado, o que também contribui para essa percepção.

Mas pequenas situações podem abalar a sensação de segurança. Todo esforço de redução da criminalidade pode ir por água abaixo se ocorrer um crime que choque a sociedade. Por exemplo, um latrocínio pode causar grande comoção popular.

Recentemente, recebi representantes do alto escalão da XP Investimentos, e eles ficaram encantados com Campo Grande, sobretudo porque vivem em São Paulo e já testemunharam assaltos e latrocínios em regiões nobres da capital paulista.

Por isso, ainda que tenhamos bons índices e baixo volume de crimes, a ocorrência de um caso grave pode abalar a sensação de segurança do cidadão, mesmo que os números indiquem um cenário positivo.

E sobre os crimes digitais, aqueles golpes aplicados via telefone celular, como as polícias de Mato Grosso do Sul estão trabalhando para combatê-los?

Parte disso se deve à inclusão digital. A inclusão digital é para todos, inclusive para o crime. O que precisamos fazer para combater esse tipo de delito é reforçar as ações dentro dos presídios.

O governo federal despertou para isso com o pacote Brasil contra o Crime Organizado, que prevê financiamento para ampliar a segurança nas penitenciárias, algo que comemoramos, já que temos uma das maiores populações carcerárias do mundo.

No momento em que o governo federal instala bloqueadores de sinal de celular nas unidades prisionais, ele corta o principal meio de comunicação desses criminosos com o mundo externo.

Hoje, muitos presos continuam aplicando golpes o dia inteiro, mesmo encarcerados. E sabe por quê? Porque as operadoras de telefonia enxergam o sistema penitenciário como um nicho de mercado.

Hoje, se houver uma área de sombra, um município com sinal ruim, basta anunciar a instalação de um grande presídio para o sinal melhorar. Afinal, haverá muita gente falando ao telefone o dia inteiro.

Além disso, há o avanço constante da tecnologia. O Estado compra bloqueadores para sinal 4G, mas logo surge o 4.5G. Depois vem o 5G.

Agora o governo federal finalmente despertou para a necessidade de uma política nacional de enfrentamento ao crime organizado de forma ampla. Não é apenas prendendo pessoas e apreendendo drogas que se combate o crime organizado.

A maior dificuldade dessas organizações não é levar o produto ilícito até o grande centro consumidor, nem até portos e aeroportos. O grande desafio é lavar o dinheiro obtido com o lucro do crime.

Por isso, hoje as organizações criminosas investem em produtos e serviços, como transporte urbano, internet, televisão clandestina e venda de combustível.

O que é mais caro: construir ou manter um presídio?

O caro não é construir. O caro é manter. Só a conta de água e tratamento de esgoto da Agepen custa cerca de R$ 9 milhões por mês.

Por isso, digo que a prevenção é a melhor forma de promover segurança pública. Quem pratica furto ou roubo não faz isso uma vez só, faz reiteradamente. Então, a repressão também é uma forma de prevenção, mas tem um custo muito alto.

Como funciona o combate financeiro ao crime organizado?

Não é só prender e apreender droga. É descapitalizar as organizações criminosas. A droga gera dinheiro, e esse dinheiro precisa ser lavado.

Por isso, essas facções entram em áreas aparentemente lícitas, como internet, transporte, televisão clandestina e prestação de serviços. A atividade final pode ser lícita, mas o capital é ilícito.

O governo federal anunciou investimentos em tecnologia nos presídios. Mato Grosso do Sul aderiu?

Já aderimos. Vamos receber mais de R$ 10 milhões para custeio. O governo federal vai implantar tecnologias semelhantes às dos presídios federais, como bloqueadores de celular, raios X e bloqueadores de drones.
Hoje é preciso usar tecnologia para impedir que presos continuem aplicando golpes de dentro da cadeia e estimular estudo e trabalho para remição de pena. Mato Grosso do Sul se destaca nisso.

Mato Grosso do Sul também virou referência no enfrentamento à violência contra a mulher. O que mudou?

O grande avanço foi a celeridade. Hoje, em poucas horas, a mulher consegue medida protetiva e o agressor pode ser intimado pela própria polícia. Esse modelo [de enfrentamento à violência contra a mulher] chamou a atenção do CNJ [Conselho Nacional de Justiça] e deve ser expandido nacionalmente.

Também investimos em acolhimento, tecnologia e produção de provas. O depoimento em áudio e vídeo transmite muito mais do que um relato escrito.

Houve mudança cultural em relação à violência doméstica?

Ainda há muito a avançar. Tivemos casos de homens que cresceram numa cultura machista e não aceitaram quando a mulher passou a contestá-los. Um homem chegou a matar a companheira de mais de 50 anos porque ela "passou a retrucar". Isso mostra como a cultura de submissão ainda existe.

{ PERFIL }

Antônio Carlos Videira

Dr. Antônio Carlos Videira é formado em Direito e tem mais de três décadas de carreira na Polícia Civil. Começou como escrivão e passou a delegado, atuando na Delegacia de Polícia de Jateí, no Departamento de Operações de Fronteira (DOF), na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron) e na Delegacia Regional de Dourados.

ACIDENTE

Médica desvia de cachorro e derruba poste de energia em Maracaju

Com o impacto da batida, o poste caiu em cima do carro e destruiu a parte frontal

13/09/2026 09h15

Equipe da Energisa trabalhou durante todo o sábado para trocar a estrutura

Equipe da Energisa trabalhou durante todo o sábado para trocar a estrutura Reprodução

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Uma médica, que retornava de Campo Grande, bateu e derrubou um poste de energia elétrica após desviar de um cachorro, na Avenida Marechal Floriano Peixoto, no município de Maracaju. A estrutura caiu sobre o carro e destruiu a frente do veículo. Após o acidente, equipes do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Energisa foram acionadas.

O caso ocorreu na manhã de sábado, por volta das 6h50, quando a motorista trafegava pela avenida no seu carro, modelo Chevrolet Cruze. O poste de energia ficou inclinado sobre a parte frontal do veículo.

Apesar da gravidade do acidente e dos danos materiais, a médica não sofreu ferimentos. As equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar isolaram a área para organizar o fluxo de veículos e resguardar a segurança dos pedestres devido ao risco com os cabos elétricos.

Técnicos da concessionária Energisa e de uma empresa terceirizada deslocaram-se até o ponto do acidente para realizar o desligamento preventivo da rede de alta tensão, viabilizando a remoção segura do veículo. O trabalho de substituição do poste e restauração da rede elétrica foi finalizado apenas por volta das 20h.

HOMICÍDIO

Homem é encontrado morto perto de tabacaria em Campo Grande

Crime ocorreu na madrugada deste domingo e, até o momento, ninguém foi preso

13/09/2026 08h30

O caso foi registrado na Depac-Cepol

O caso foi registrado na Depac-Cepol Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Um homem, de 55 anos, foi morto a tiros próximo a uma tabacaria, no Jardim Leblon, em Campo Grande, na madrugada deste domingo (13). Os policiais foram até o local da ocorrência e encontraram a vítima caída no chão, com ferimentos de arma de fogo nas regiões do abdômen e tórax.

Uma testemunha relatou aos policiais que ouviu os disparos e, na sequência, saiu para verificar o que havia acontecido. De acordo com seu relato, ela viu um carro do modelo Chevrolet Onix, na cor branca, nas proximidades do local. Com medo, a mulher retornou ao estabelecimento comercial onde estava e não conseguiu obter mais informações sobre o fato.

O crime ocorreu por volta das 2h30min, na Rua Clineu da Costa Moraes, no bairro Jardim Leblon. Durante a inspeção preliminar da cena, os militares encontraram um projétil. A vítima estava com uma lata de cerveja em uma das mãos, o que levanta a suspeita das autoridades de que ele estava em algum bar nas imediações.

Apesar da testemunha ter relatado que viu um Chevrolet Onix de cor branca, outra pessoa contou às autoridades que se tratava de uma caminhonete, mas não especificou o modelo. Até o momento, ninguém foi preso.

O caso foi registrado como homicídio simples, na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário da Cepol

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