Cidades

o que diz a lei

Ataque a Venezuela e captura de Maduro é legal? Especialista em Direito Penal Internacional explica

Tribunal Penal Internacional e Estatuto de Roma determinam que captura é ilegal quando não há guerra declarada, mas legalidade ou não pode esbarrar em alguns atos e artigos; entenda

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O ataque militar dos Estado Unidos contra a Venezuela neste sábado (3), que resultou na captura do presidente venezuelano Nicólas Maduro, levantou debates nas redes sociais, com parlamentares e civis se manifestando contra ou a favor da ação, e também suscitou o questionamento sobre a legalidade da intervenção norte-americana.

O professor e advogado especialista em Direito Penal e Direito Penal Internacional, Jodascil Gonçalves Lopes, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e Unigran, afirma que é necessário entender o contexto da captura dentro do que dispõe o Estatuto de Roma, que rege o Tribunal Penal Internacional (TPI).

"Em tempos de paz essa captura não seria permitida e configuraria um ato de abdução proibido pelo direito internacional", explicou o professor.

Ele cita como exemplo o caso de Adolf Eichmann, que foi capturado na Argentina em 1960 e levado para Jerusalém, onde foi julgado por crimes cometidos contra a humanidade.

"Nesse ato, um governo estrangeiro adentrou no território argentino sem a autorização do governo argentino, capturou uma pessoa e levou para que essa pessoa fosse julgada em outro território, isso é um ilícito internacional, não é permitido", diz Lopes.

A proibição não é válida, no entanto, quando se trata de cenários de guerra.

"Quando nós temos cenário de guerra, essa captura deixa de ter a natureza de abdução e passa a ter a natureza própria de captura, que é permitida pelo direito internacional da guerra. Então, um presidente de um país em guerra pode ser capturado quando tenha contra ele um mandado de prisão emitido, por exemplo, pelo TPI, ou quando ele tome parte da guerra, da beligerância, então ele pode ser capturado como um soldado, alguém que faça parte realmente dos atos de guerra", explica.

O advogado especialista afirma que o questionamento se dá no fato de não haver guerra declarada entre os Estados Unidos e a Venezuela que justifiquem de forma direta a captura do presidente, mas que pode haver alguns entendimentos que legalizem o ato.

"Parece que não há um ato formal do Congresso Nacional Aamericano declarando guerra, entretanto, entende-se que aplica-se as normas de guerra a uma guerra de fato, não sendo necessária a declaração formal de guerra, então parece que ali há sim um cenário de guerra internacional a permitir a captura de um presidente de um país sem que se cometa um ilítico internacional."

Outro ponto levantado pelo professor é que há uma definição ou consideração, pelo governo norte-americano, de que haveria grupos terrotistas em operação na Venezuela, que pode ser um "fundo de discurso para legitimar os atos de guerra" perpetrados.

Trump pode ser punido?

Também segundo o TPI, há pontos na ação que poderiam configurar delitos cometidos pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

"Nós poderíamos pensar no delito de agressão, que é o ato de iniciar uma guerra com uma potência estrangeira. é o único tipo penal próprio do Estatuto de Roma, definido no artigo 8. Me parece que o ato do Trump poderia ser um ato de agressão e ele poderia ser, diante da definição do delito de agressão, punido pelo crime de agressão", diz.

Lopes acrescenta que essa tipificação pode esbarrar em dois obstantes, sendo o primeiro o fato que os Estados Unidos não é signitário do TPI, enquanto a Venezuela sim, desde o ano 2000.

"Entretando, em dezembro de 2025, a Venezuela aprovou no seu Congresso Nacional a retirada do país do Estatuto de Roma, ou seja, a denúncia do tratato, entretando essa denúncia já aprovada internamente não foi comunicada ao TPI, portanto, o TPI continua válido e vigorando para a Venezuela, assim nós teríamos a competencia do TPI para um delito cometido em território da Venezuela".

O segundo ponto é considerado mais resolutivo que é o fato da Venezuela ser signatária do Estatuto de Roma, que assinou no ano de 2000, enquanto o crime de agressão foi tipificado somente em 2010 na Convenção de Kampala.

Assim, srgundo o especialista, para que o delito de agressão seja válidos para os países partes do TPI, é necessário que eles tenham ratificado a convenção de Kampala, e a Venezuela não ratificou e, por isso, não haveria competência do TPI para julgar os atos de agressão do Trump.

No entanto, também há possibilidade do julgamento ocorrer caso sejam usadas brechas previstas nos estatudo internacional.

"Entretanto, há talvez uma hipótese, o artigo 12, parágrafo 3 do Estatudo de Roma, prevê que um Estado que não seja parte do TPI possa reconhecer sua jurisdição para que ele investigue um dos crimes de sua competência, então assim, também um Estado parte poderia reconhecer a convenção de Kampala para que o TPI possa fazer a investigação e levar a julgamento. Talvez nesse sentido temos a possibilidade do TPI julgar esses atos de agressão", concluiu Lopes.

Ataque a Venezuela

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (3) um ataque em larga escala à Venezuela. A capital Caracas e outras cidades teriam sido atingidas por vias aérea e terrestre.

Em manifestação nas redes sociais, Trump afirmou que houve sucesso e o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e retirados do país. 

Trump acusa Maduro de liderar uma organização criminosa voltada para o tráfico internacional de drogas. Bombardeios norte-americanos a barcos nas águas do Caribe ocorreram nos últimos meses.

No entanto, por diversas vezes, o presidente da Venezuela negou envolvimento com o tráfico e também pediu apoio de organismos internacionais.

Na primeira manifestação oficial após a invasão militar, Trump disse que o governo norte-americano vai administrar o país latino-americano, a partir de agora, até que se possa fazer uma transição de poder.  

"Vamos administrar o país até que possamos realizar uma transição segura, adequada e criteriosa. Não queremos nos envolver em colocar outra pessoa no poder e acabar na mesma situação que tivemos por um longo período de anos", disse em uma coletiva de imprensa transmitida de sua residência particular no resort de Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida.

Pouco antes de iniciar a declaração à imprensa, Trump publicou uma suposta foto de Nicolás Maduro em que o venezuelano aparece com os olhos cobertos por óculos escuros. A foto foi postada por Trump em sua rede Truth Social, com a descrição de que Maduro estaria a bordo do USS Iwo Jima, em referência ao navio militar norte-americano para o qual teria sido transferido.

Prevenção a Incêndios

Pantanal integra fundo de US$ 35 milhões para prevenir incêndios

Iniciativa reúne cerca de 100 organizações de Brasil, Bolívia e Peru e prevê uso de inteligência artificial, brigada permanente e integração entre países para prevenir grandes queimadas

25/09/2026 19h34

Lançamento do South America Fire Fund reúne organizações que atuarão na prevenção de incêndios florestais na América do Sul.

Lançamento do South America Fire Fund reúne organizações que atuarão na prevenção de incêndios florestais na América do Sul. Foto: Divulgação/IHP.

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O Pantanal passou a integrar uma iniciativa internacional criada para desenvolver e testar estratégias de prevenção aos grandes incêndios florestais na América do Sul. O projeto reúne cerca de 100 organizações e conta com compromissos financeiros que somam US$ 35 milhões, destinados ao enfrentamento do fogo e à busca de soluções capazes de reduzir os impactos dos extremos climáticos sobre diferentes biomas do continente.

O Instituto Homem Pantaneiro (IHP), com sede em Corumbá, anunciou nesta sexta-feira (25) sua participação no South America Fire Fund, iniciativa filantrópica que pretende fortalecer a prevenção de incêndios no Brasil, Bolívia e Peru.

No Pantanal, o instituto será uma das organizações responsáveis pela execução das estratégias do projeto.

Entre as ações previstas estão a manutenção de uma brigada ambiental permanente, o monitoramento de áreas por meio de sistemas digitais e inteligência artificial e a integração de instituições dos dois lados da fronteira entre Brasil e Bolívia.

A iniciativa ganha importância diante da dimensão alcançada pelo fogo nos últimos anos. Segundo dados apresentados pelo projeto, entre 28 milhões e 34 milhões de hectares foram atingidos por incêndios em 2024 na Amazônia, na Floresta Seca Chiquitana e no Pantanal.

Na estimativa apresentada pelos responsáveis pelo fundo, a extensão corresponde aproximadamente à área do estado norte-americano do Arizona e a pelo menos 39,2 milhões de campos de futebol.

O South America Fire Fund é ligado à Renaissance Philanthropy e liderado pela Conservation X Labs. O fundo tem compromisso inicial de US$ 30 milhões da Gordon and Betty Moore Foundation e outros US$ 5 milhões da The David and Lucile Packard Foundation.

A iniciativa foi estruturada em conjunto com aproximadamente 100 organizações que atuam nos três países e pretende, além de financiar ações, identificar quais estratégias apresentam melhores resultados para que possam ser reproduzidas em outras regiões vulneráveis ao fogo.

Inteligência artificial contra o fogo

Uma das principais frentes previstas para o Pantanal é o fortalecimento do monitoramento ambiental. O sistema utilizado pelo IHP funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, e emprega recursos digitais e inteligência artificial para identificar focos de incêndio e emitir alertas em poucos minutos.

A tecnologia busca diminuir o intervalo entre o surgimento de um foco e a chegada das equipes de combate, especialmente em áreas remotas do bioma, onde as distâncias e as dificuldades de acesso podem permitir que pequenos focos se transformem rapidamente em incêndios de grandes proporções.

O projeto também dará continuidade à atuação da brigada ambiental permanente mantida pelo instituto desde 2021.

Diferentemente de estruturas mobilizadas somente durante grandes ocorrências, a equipe trabalha durante todo o ano, inclusive em períodos sem incêndios, com ações preventivas e preparação para a temporada de fogo.

Lançamento do South America Fire Fund reúne organizações que atuarão na prevenção de incêndios florestais na América do Sul.Brigada ambiental permanente do IHP atua durante todo o ano em ações de prevenção e resposta a incêndios no Pantanal. Foto: Divulgação/IHP.

Outra frente será a articulação entre instituições brasileiras e bolivianas para ampliar a proteção de áreas consideradas prioritárias para conservação. Entre elas estão a Rede de Proteção e Conservação da Serra do Amolar (Rede Amolar) e a Área Natural de Manejo Integrado San Matías, na Bolívia.

A integração transfronteiriça é considerada estratégica porque os incêndios que atingem o Pantanal podem atravessar limites territoriais e administrativos, exigindo monitoramento e respostas coordenadas.

“O fogo que atinge o Pantanal não respeita fronteiras, e a resposta também não pode respeitar. Fazer parte de um esforço internacional como o South America Fire Fund permite somar a experiência acumulada pelo IHP em campo, com brigadistas, tecnologia de monitoramento e o conhecimento das comunidades pantaneiras, a uma rede capaz de mostrar, com evidências, quais soluções funcionam”, afirma Ângelo Rabelo, presidente do Instituto Homem Pantaneiro

Segundo Rabelo, a prevenção ganha ainda mais relevância diante da possibilidade de eventos climáticos extremos.

“Diante de um cenário de Super El Niño e de extremos climáticos cada vez mais frequentes, prevenir é o caminho mais eficaz para proteger o bioma”, completa.

Comunidades entram na estratégia

O projeto também prevê a participação de comunidades tradicionais e indígenas. A proposta é fortalecer práticas de uso racional e controlado do fogo, principalmente em regiões remotas, combinando conhecimentos locais com sistemas de monitoramento e estratégias de prevenção.

A gestão territorial voltada ao desenvolvimento sustentável completa o conjunto de ações previstas para o Pantanal.

A proteção contra incêndios tem impacto direto sobre a biodiversidade do bioma. Conforme estudos citados pelo IHP e atribuídos à Embrapa Pantanal, a região abriga uma das maiores concentrações de mamíferos do planeta.

A estratégia do fundo, porém, vai além do combate imediato às chamas. Durante os próximos três anos, as organizações participantes deverão reunir dados e avaliar as intervenções adotadas para identificar quais medidas funcionam, em quais condições e por quais motivos.

A intenção é transformar essas experiências em evidências que possam orientar políticas e projetos de prevenção em escala maior na América do Sul, sobretudo em áreas que enfrentam secas prolongadas, temperaturas elevadas e aumento do risco de grandes incêndios.

Fundado em 2002, em Corumbá, o Instituto Homem Pantaneiro é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos dedicada à conservação e restauração do Pantanal.

A entidade atua na gestão de áreas protegidas, apoio a pesquisas científicas e articulação com comunidades e instituições ligadas ao bioma.

EDUCAÇÃO MUNICIPAL

Prefeitura de Campo Grande sanciona reajuste de 5,4% para professores

Correção referente ao piso nacional de 2026 será paga em três parcelas; primeira fatia, de 2%, tem efeito retroativo a setembro, e reajuste integral só chega em janeiro de 2027

25/09/2026 19h00

Professores da rede municipal de Campo Grande terão reajuste de 5,4% dividido em três parcelas.

Professores da rede municipal de Campo Grande terão reajuste de 5,4% dividido em três parcelas. Foto: Prefeitura de Campo Grande.

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A Prefeitura de Campo Grande sancionou nesta sexta-feira (25), tornando oficialmente lei, o reajuste de 5,4% nos salários dos professores e demais profissionais do quadro permanente do magistério municipal. O percentual, referente à atualização do Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério de 2026, será incorporado de forma escalonada e só estará integralmente na folha de pagamento a partir de janeiro de 2027.

A primeira parcela corresponde a 2% e terá efeitos financeiros retroativos a 1º de setembro deste ano. Outros 1,4% serão incorporados em dezembro, enquanto os 2% restantes passarão a valer em 1º de janeiro de 2027.

Com o cronograma, os vencimentos chegarão a dezembro com atualização acumulada de 3,4% em relação aos valores pagos em agosto. A conclusão do reajuste ocorrerá no início do próximo ano, quando será incorporada a última parcela e alcançado o percentual total de 5,4%.

O reajuste sancionado nesta sexta-feira é resultado de uma negociação entre a Prefeitura e os profissionais da educação que se estendeu por meses.

Durante as discussões, a categoria cobrou o cumprimento da atualização de 5,4% do piso e chegou a discutir propostas para a incorporação do percentual aos salários. O acordo final estabeleceu o pagamento escalonado em três parcelas e foi aprovado em assembleia pelos profissionais da educação.

A medida altera a tabela de vencimentos dos profissionais do quadro permanente do magistério municipal e é resultado de uma negociação entre a administração municipal e o Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP).

A proposta foi submetida aos trabalhadores durante Assembleia Geral Extraordinária da entidade e, segundo a Prefeitura, recebeu aprovação de quase a totalidade dos participantes.

O presidente da ACP, Giovano Bronzoni, afirmou que o parcelamento foi a alternativa considerada mais adequada pela categoria neste momento. Segundo ele, o acordo foi aprovado por quase unanimidade durante Assembleia Geral da entidade.

Professores da rede municipal de Campo Grande terão reajuste de 5,4% dividido em três parcelas.Prefeita Adriane Lopes sancionou nesta sexta-feira (25) a lei que oficializa o reajuste de 5,4% para o magistério municipal. Foto: Divulgação Prefeitura de Campo Grande.

Reajuste em três etapas

Na prática, a atualização salarial ficará dividida entre 2026 e 2027. A primeira parcela, embora a lei tenha sido sancionada nesta sexta-feira, terá efeitos financeiros desde o começo de setembro.

O cronograma estabelecido prevê:

  • Setembro de 2026: 2%;

  • Dezembro de 2026: mais 1,4%, chegando a 3,4%;

  • Janeiro de 2027: mais 2%, completando os 5,4%.

A prefeita Adriane Lopes afirmou que o acordo representa um avanço nas negociações com o magistério e reforçou que a educação permanece entre as prioridades da administração municipal.

A secretária municipal de Administração e Inovação, Andrea Alves Ferreira, destacou que a proposta foi construída de forma conjunta entre diferentes setores da Prefeitura e representantes da categoria.

Já o secretário municipal de Educação, Lucas Henrique Bittencourt, ressaltou que o cronograma de pagamento foi definido a partir das negociações com os profissionais da educação, buscando adequar a atualização salarial às condições de execução do município.

Piso do magistério

Os 5,4% correspondem ao percentual de atualização do Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério considerado pela legislação sancionada pelo município para 2026.

Apesar de a correção estar relacionada ao piso deste ano, a incorporação integral aos vencimentos dos profissionais da rede municipal ficará para 2027 por causa do parcelamento negociado.

Com a sanção, a nova tabela passa a disciplinar os vencimentos dos integrantes do quadro permanente do magistério, respeitando as três etapas estabelecidas no acordo entre Prefeitura e categoria.

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