Cidades

MATO GROSSO DO SUL

Ministério assina R$1 milhão contra agrotóxicos após morte de bebês em MS

Acordo assinado neste sábado para combater a contaminação terá duração de um ano três áreas já aparecem como candidatas naturais graças à gravidade dos casos locais

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Durante agenda na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), o chefe do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Luiz Henrique Eloy Amado, assinou hoje (16) um Termo de Execução Descentralizada (TED) com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em uma investida contra agrotóxicos após serem constatadas mortes de bebês por contaminação em Mato Grosso do Sul.

Essa parceria em acordo de cerca de um milhão de reais é voltada para combater a contaminação por agrotóxicos em terras Guarani e Kaiowá, institucionalizando um monitoramento técnico e vigilância popular no Estado. 

Com a terceira maior população indígena do Brasil, Mato Grosso do Sul é lar de oito etnias principais: 

  • Guarani Kaiowá,
  • Guarani Ñandeva,
  • Terena,
  • Kadiwéu,
  • Kinikinau,
  • Guató,
  • Ofaié e
  • Atikum.

Somando um valor total de R$1.146.880, o acordo assinado neste sábado na Faculdade Intercultural Indígena (FAIND) terá duração de um ano e deve ser encerrado apenas em maio de 2027. 

O objetivo da parceria é justamente focar no apoio técnico-científico e operacional para enfrentar os danos ambientais que já são considerados graves em Terras Indígenas (TIs, ou "tekohas") do MS, bem como os agravos de saúde que são decorrentes da contaminação por agrotóxicos. 

Esses cenários estão sendo observados em territórios Guarani e Kaiowá, mais ao sul do Estado, com os óbitos de bebês de três meses registrados na tekoha Jopara, em Coronel Sapucaia, município localizado a quase 400 quilômetros da Capital.

Conforme relatos, ambas as mortes foram resultados de um mesmo quadro clínico, em que os moradores relataram episódios de "vômitos, diarreia e cefaleia imediatamente após pulverização em lavouras vizinhas". 

Com todos esses sintomas compatíveis com um diagnóstico de intoxicação aguda por agrotóxicos, vale lembrar que ainda em abril de 2025 houve o registro de uma morte na Terra Indígena Guassuty, em Aral Moreira-MS. 

Nesse caso, diante da falta de oferta de água potável, a vítima em questão ingeriu a bebida que estaria armazenada em galão de agrotóxico, o que ainda é considerado uma "prática comum". 

Poder público

Coordenado pelo MPI, o chamado Gabinete de Crise Guarani Kaiowá elaborou relatório recente que aponta para uma "rotina de contaminação" em 51 territórios indígenas. 

Conforme os números, mais de sessenta por cento (60,8%) das áreas registram moradores apresentando sintomas de intoxicação, com crianças e gestantes sendo as principais vítimas. 

Denúncias apontam que agrotóxicos são usados contra as comunidades em pelo menos cinco territórios distintos, nesse caso intencionalmente como arma química. Pelo menos 64,7% das áreas recebem agrotóxicos diretamente no solo, enquanto a pulverização aérea é diagnosticada em 27,5% do território.

Quanto ao plano de trabalho, as frentes de ação devem se organizar entre: 

  1. Capacitação em Vigilância Popular em Saúde
  2. Planos de Supressão da Exposição

Na capacitação, que terá o investimento de 795 mil reais, o foco estará no treinamento dos povos originários por profissionais da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI/MS) e gestores do Sistema Único de Saúde (SUS). 

O intuito seria justamente oferecer a expertise para que eles reconheçam os sinais de intoxicação ainda em um estágio precoce, estabelecendo além disso o chamado Nexo Epidemiológico (ou NTEP - Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário), metodologia do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que usa dados estatísticos para mapear quais doenças tendem a ser mais frequentes em determinados setores econômicos.

Já para os Planos de Supressão da Exposição serão voltados R$451.880, para desenvolver estratégias em pelo menos três territórios críticos, objetivando a redução ou eliminação do contato com agrotóxicos. 

"As ações incluem diagnóstico de rotas de exposição, pulverização aérea/terrestre, contaminação de águas e solo, mapeamento de áreas vulneráveis e definição de medidas emergenciais e estruturantes", cita nota enviada pela assessoria do chefe do MPI.

Cabe frisar que ainda é necessário um mapeamento final da situação, que por sua vez é feito através de seminários participativos com lideranças. Ainda assim, três áreas já aparecem como candidatas naturais graças à gravidade dos casos locais, sendo: 

  • Tekoha Jopara (Coronel Sapucaia/MS)| local dos dois óbitos de bebês.
  • TI Guassuty (Aral Moreira/MS)| do falecimento por ingestão acidental, onde há galões de agrotóxicos próximos a poços d’água.
  • TI Guyraroká (Caarapó/MS)| que têm Medida Cautelar nº 458-19 da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que obriga o Estado brasileiro a mitigar riscos de pulverização.

Caberá ao Ministério a tarefa do suporte financeiro e da fiscalização administrativa, enquanto a Fiocruz, por sua vez, ficará encarregada pela execução das metas técnicas. 

Esse termo autoriza ainda a "sub descentralização" para fundações de apoio (Lei nº 8.958/94), ou seja, permitindo o repasse de recursos a instituições parceiras por parte da Fiocruz, sem precisar de novos instrumentos junto ao Ministério dos Povos Indígenas, garantindo uma execução agilizada. 

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samu

Bebê nasce em ambulância à beira de rodovia no interior de MS

Faltavam ainda 25 quilômetros para a chegada ao hospital, mas a mãe de 35 anos entrou em trabalho de parto e a equipe interrompeu a viagem

18/07/2026 17h28

Equipe do Samu parou às margens da BR-262, próximo a Aquidauana, para realizar o parto de uma menina indígena

Equipe do Samu parou às margens da BR-262, próximo a Aquidauana, para realizar o parto de uma menina indígena

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Integrantes de uma equipe do Samu que atua em Aquidauana, cidade a 130 quilômetros a oeste de Campo Grande, tiveram de parar no meio do caminho, às margens da BR-262, para realizar o parto de emergência na manhã deste sábado (18).

Os profissionais foram acionada por volta das 09:30 para socorrer uma gestante de 35 anos que estava em trabalho de parto na aldeia indígena terena Imbiruçu, localizada próximo a Taunay, distrito de Aquidauana.
Segundo as informações publicadas pelo site a A Princezinhanews, a mulher estava na 38ª semana de gestação e durante o trajeto até o hospital, o trabalho de parto evoluiu rapidamente.

Conforme os profissionais que participaram o atendimento, com o rompimento da bolsa amniótica e o aumento da intensidade das contrações, a equipe constatou que não seria possível chegar ao hospital de Aquidauana com segurança.

Por conta disso, pararam a ambulância às margens da BR-262, aproximadamente 25 quilômetros de Aquidauana e, e seguindo todos os protocolos de atendimento pré-hospitalar, realizaram o parto dentro da ambulância. 

E, de acordo com a equipe, a menina nasceu saudável e em bom estado geral. Antes da retomada da viagem, a recém-nascida recebeu os primeiros cuidados necessários, incluindo aquecimento, avaliação clínica inicial, clampeamento do cordão umbilical e monitoramento constante da mãe e da bebê.

Após a estabilização, mãe e filha foram encaminhadas em ao Hospital Regional de Aquidauana, onde permaneceram sob os cuidados da equipe médica para continuidade da assistência.

O SAMU

O SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi criado no Brasil em 2003 e implementado nacionalmente em 2004. Atualmente, o serviço está em cerca de 4.200 municípios, operando com uma frota de cerca de 4.300 veículos entre Unidades de Suporte Básico (USB), Unidades de Suporte Avançado (USA), motolâncias e helicópteros 

POLUIÇÃO NO RIO PARDO

Tomada por plantas, usina libera água extra em plena estiagem

Vertimento para despachar macrófitas flutuantes na hidrelétrica do Mimoso ocorreu nesta sexta-feira (17), já que 18% do lago de 1,5 mil hectares estava encoberto

18/07/2026 16h40

Assim como no ano passado, lago da Usina do Mimoso, em Ribas do Rio Pardo, voltou a ser encoberto por plantas aquáticas

Assim como no ano passado, lago da Usina do Mimoso, em Ribas do Rio Pardo, voltou a ser encoberto por plantas aquáticas

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Por conta da rápida proliferação de plantas aquáticas no lago da Usina Hidrelétrica Assis Chateaubriand, mais conhecida como Usina do Mimoso, em Ribas do Bio Pardo, a empresa Elera Renováveis, controladora da usina, fez liberação extra de água nesta sexta-feira (17), em pleno período de estiagem, para se livrar de uma parte destas plantas invasoras.

De acordo com a empresa, em torno de 18% do lago de 1,5 mil hectares estava encoberto pelas invasoras. O percentual, segundo a empresa, está abaixo do máximo permitido pela legislação ambiental, que é de até 25% do espelho d’água. Neste percentual, porém, não estão incluídas as plantas aquáticas fixas, que também se alastraram descontroladamente desde o começo do ano passado.

A primeira vez que a usina despachou água extra do Rio Pardo para se livrar da vegetação foi no final de outubro do ano passado, depois do início do período chuvoso e quando não havia mais tanta necessidade de represamento de água para geração de energia.

E, a própria empresa reconhece que o vertimento feito nesta sexta-feira, dia em que as fortes rajadas de vento ajudaram acumular as plantas próximo do vertedouro, ocorreu em um período longe do ideal.

“Vale destacar que o período seco, iniciado em abril, contribui para que as macrófitas se proliferem. A baixa vazão dos rios durante os meses de estiagem também tornam as condições menos propícias para vertimento”, disse a empresa por meio de nota.

Sob controle da Elera até 2029, o lago da hidrelétrica foi criado em 1971, há 55 anos, e desde o início da estiagem do ano passado é que começou a proliferação desenfreada das plantas.

Segundo fazendeiros e proprietários de casas de campo que ocupam suas margens faz décadas, antes disso não havia registro de fenômeno semelhante no lago, historicamente utilizado para esportes aquáticos e pescarias, que atualmente estão praticamente suspensos. 

Além de se livrar das plantas abrindo comportas e fazendo liberação extra de água, a Elera também faz a remoção mecanizada das plantas para evitar que elas tomem mais de 25% do lago.

Mas, desde 28 de outubro do ano passado, “sempre que os níveis de água no rio encontram-se adequados, a empresa realiza vertimentos, tudo dentro de um plano de manejo aprovado pelo órgão ambiental e com monitoramentos específicos”, diz a nota da Elera. 

"Os vertimentos são realizados de forma controlada e em conformidade com a autorização previamente emitida pelo IMASUL. A empresa executa os procedimentos conforme um plano de manejo aprovado pelo órgão ambiental, com monitoramentos específicos. Os vertimentos ocorrem sempre que as condições ambientais são favoráveis. A última data em que ocorreu um vertimento, conforme as condições climáticas permitiram, foi hoje (17 de julho)", informou a empresa.

A proliferação ocorre por conta do excesso de nutrientes, ou poluição, na água parada do Rio Pardo. E, além de serem um problema ambiental, elas geram prejuízos econômicos. "Embora a situação esteja sob controle, o acúmulo de macrófitas flutuantes tem gerado impactos operacionais. Algumas plantas ultrapassam as grades de proteção e alcançam o sistema de captação da usina, exigindo limpezas frequentes nos filtros para garantir o pleno funcionamento das turbinas", informou a empresa em meados do ano passado, depois que começou a invasão.

Embora não exista laudo apontando elo entre a proliferação das plantas e a ativação da fábrica de celulose, instalada alguns quilômetros acima do início do lago da hidrelétrica, a proliferação das plantas começou menos de um ano depois do início das operações, em julho de 2024.

Por dia a indústria despeja em torno de 180 milhões de litros de rejeitos provenientes da produção de celulose. Esse volume equivale a cerca de 80% de todo o esgoto coletado dos 900 mil habitantes da cidade de Campo Grande.

Um laudo anexado a uma ação judicial movida por proprietários rurais contra os controladores da usina e o poder público comprova que por pelo menos três meses este esgoto não estava recebendo o tratamento adequado ao longo do ano passado.

Mas, os técnicos evitam fazer elo direto entre a poluição do lago e o esgoto produzido pela fábrica. A Suzano, proprietária da fábrica, garante que cumpre faz o tratamento dos rejeitos dentro dos parâmetros exigidos pela legislação estadual e federal.

Nesta ação judicial, os peritos também associam o fenômeno à chegada extra de água com excesso de nutrientes em decorrência do rompimento do lago do Nasa Park, em agosto de 2024. A estimativa é de que cerca de 700 milhões de litros de água repleta de nutrientes tenham chegado repentinamente ao lago.

Essa água, que equivale ao volume de cerca de cinco dias de esgoto produzido pela fábrica de celulose, já se decantou ou desceu Rio Pardo a baixo faz meses. Mesmo assim, a proliferação das plantas voltou a ganhar força agora no período de estiagem assim como no ano passado.

Ao todo, o lago da usina tem 37 quilômetros de extensão e tem capacidade para represar 71,6 bilhões de litros de água, conforme previsão feita à época da inauguração da Usina Mimoso, em 1971. Por conta do assoreamento, porém, este volume de água é bem menor atualmente, mas a capacidade de produção de energia permanece a mesma, de 29,5 MW. 

O lago tem 1.540 hectares e, além de ser utilizado para atividades de lazer e pesca, é utilizado para irrigação agrícola. Para efeito de comparação, o Lago do Amor, em Campo Grante, tem ainda em torno de 7 hectares. 

Depois que a água poluída e as plantas aquáticas ultrapassam a represa da hidrelétrica, elas desembocam no lago da hidrelétrica Sérgio Mota, próximo à cidade de Bataguasu. Este lago, por sua vez tem em torno de 225 mil hectares.

Porém, recebe os rejeitos de outras duas fábricas de celulose que já estão em funcionamento em Três Lagoas e de outras duas que devem ativadas nos próximos anos em Inocência e Bataguassu. 


 

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