Cidades

PAÍS

Bahia fornece banheiro químico e 600 kg de carne por dia ao MST

Bahia fornece banheiro químico e 600 kg de carne por dia ao MST

FOLHA ONLINE

15/04/2011 - 20h34
Continue lendo...

Para recepcionar quase 3.000 integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), que estão acampados desde segunda-feira na Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária da Bahia, em Salvador, o governo baiano instalou banheiros químicos, chuveiros, toldos e fornece 600 kg de carne por dia para o grupo.

Não é a primeira vez que o governo de Jaques Wagner (PT) prepara uma recepção para o MST. No ano passado, foram instalados banheiros químicos e um tanque de água. Em 2009, o governo baiano causou polêmica ao gastar R$ 161,3 mil em aluguel de ônibus para transportar integrantes do MST de volta ao interior baiano após a invasão do prédio da mesma pasta.

As medidas foram criticadas pela oposição. Para o vice-presidente estadual do DEM, Heraldo Rocha, o governo petista está "paparicando" o movimento em vez de gastar dinheiro em outras áreas prioritárias, como a saúde pública.

Segundo o governo baiano, a medida é legal e serve para dar apoio logístico aos manifestantes e evitar a depredação do patrimônio público.

Os manifestantes acampados em Salvador cobram uma audiência com Wagner, além de uma série de reivindicações, como a criação de mais assentamentos e a melhoria dos que já existem. O governo baiano formou uma comissão para negociar com o grupo.

A ação faz parte da jornada de protestos e invasões chamada "Abril Vermelho", promovida anualmente para lembrar o massacre de Eldorado do Carajás, no Pará, em 1996. Neste ano, o MST já invadiu 40 fazendas na Bahia.

CAMPO GRANDE

Semed defende escola e denúncias envolvendo merenda viram 'guerra de versões'

Para a Pasta da Educação da Capital, registros de "casos isolados" de crianças com "indisposição gástrica em dias distintos" não teriam associação com a alimentação escolar

13/09/2026 17h30

Para os pais há uma sobrecarga no time de merendeiras e Semed diz que escola integral só possui duas profissionais na cozinha, escaladas conforme turno e demanda

Para os pais há uma sobrecarga no time de merendeiras e Semed diz que escola integral só possui duas profissionais na cozinha, escaladas conforme turno e demanda Marcelo Victor/Correio do Estado

Continue Lendo...

Após novas reclamações de crianças sobre o aspecto da merenda, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) de Campo Grande saiu em defesa da escola municipal integral de Campo Grande contra as denúncias feitas por pais e responsáveis, o que faz com que os casos de supostas intoxicações causadas por alimentação escolar indevida tornem-se uma "guerra de versões" na Capital. 

Há cerca de uma semana voltaram a pipocar denúncias contra a Escola Municipal Hilda de Souza Ferreira, com pais indicando que seus filhos voltaram a passar mal, reclamaram da merenda, citando até mesmo existência de um suposto 'quadrado da disciplina' que aconteceria em sala de aula, após a Semed afirmar em um primeiro momento que a alimentação escolar na Rede Municipal (Reme) segue protocolos rigorosos de recebimento, armazenamento, preparo e distribuição, com acompanhamento técnico permanente.

Questionada sobre os novos casos citados na primeira semana de setembro, a Pasta reforçou através da Superintendência de Alimentação Escolar (Suale) que averiguou todas as denúncias relacionadas à alimentação oferecida na unidade e saiu em defesa da Escola Municipal Hilda de Souza Ferreira.

Após novos relatos de pais alegando que seus filhos vomitaram em casa após comerem, por exemplo, frutas impróprias para o consumo na merenda escolar, a Pasta da Educação de Campo Grande afirma que os registros apurados seriam referente a "casos isolados" de crianças que apresentaram "indisposição gástrica em dias distintos". 

"Sem evidências de relação entre as ocorrências ou de associação com a alimentação escolar. Dessa forma, os episódios não caracterizam um problema recorrente ou específico da cozinha da unidade ou mesmo da alimentação ofertada", complementa a Semed em nota. 

Guerra de versões

Com medo de sofrer mais represálias, as mães e pais que preferem não se identificar descrevem alguns ocorridos com seus filhos segundo o que escutam das próprias crianças. Eles reclamam que a escola tem sido "mascarada" para receber as visitas da Semed, já que as intercorrências voltam a acontecer com o passar dos dias. 

Para os pais e responsáveis há uma sobrecarga inclusive no time de merendeiras, já que a unidade estaria com colaboradores em falta. 

Conforme a Semed, essa unidade que oferece ensino integral em Campo Grande atualmente conta somente com duas merendeiras responsáveis pelo preparo e pela distribuição, que obviamente seriam organizadas em escalas conforme os turnos e demandas da escola, não havendo portanto mais do que uma profissional por período.  

Ainda assim, a Semed reforça que a cozinha escolar e os procedimentos de recebimento, armazenamento, preparo e distribuição dos alimentos "são acompanhados semanalmente pelas nutricionistas da Suale, que prestam orientação técnica à equipe e verificam as condições higiênico-sanitárias e operacionais do serviço".

Isso porque os responsáveis pelos alunos da E.M Hilda de Souza alegam ainda ter dificuldade ao buscarem respostas e explicações junto à direção e coordenação do colégio, sem ter o conhecimento de como estão as questões de higiene no local, e temem por não terem retorno do corpo gestor sobre, por exemplo, como poderia estar a situação até mesmo da caixa d'água da escola, o que poderia estar causando as indisposições nos estudantes.

"A Semed e a Suale permanecem atentas às manifestações da comunidade escolar e mantêm o acompanhamento contínuo das unidades, adotando as providências necessárias sempre que alguma situação nos é comunicada", conclui a Semed em nota. 

 

Assine o Correio do Estado

        

INVESTIGAÇÃO | MPMS

Esquema da Santa Casa tinha servidores públicos para saques milionários

Funcionários públicos de pastas como Planurb e Agems movimentavam volumes incompatíveis com sua renda formal, diretamente envolvidos em tramóia que desviou cerca de R$5 milhões

13/09/2026 17h00

Santa Casa afirmou que atendimentos à população seguem normalmente.

Santa Casa afirmou que atendimentos à população seguem normalmente. Paulo Ribas/Correio do Estado

Continue Lendo...

Apontados por suposto envolvimento no "esquema da Santa Casa", em que seis pessoas da alta cúpula estão presas por suspeita do desvio de cerca de R$5 milhões, servidores públicos de pastas estaduais e municipais são listados na tramóia por fazerem saques incompatíveis com suas rendas formais que acumulam quantias milionárias.

Ainda nas primeiras horas de sexta-feira (11) foi deflagrada a Operação Antidotum, pelas equipes dos grupos Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), para cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).

Vale lembrar que, após o resultado da audiência de custódia realizada na manhã de ontem (12), a Justiça manteve presa a cúpula da Santa Casa pelo suposto desvio de R$ 4,9 milhões, o que envolve nomes como: 

  1. da presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima;
  2. do diretor administrativo, Alessandro Dias Junqueira;
  3. do diretor-adjunto de Finanças, Paulo Guilherme Gutierrez Mariosa;
  4. do ex-diretor de Finanças, Rinaldo Hakme Romano;

Para além das "chefias" que comandavam a caneta do maior hospital do Mato Grosso do Sul, seguem presos ainda a funcionária responsável pelo setor de prontuários, Monique Gregório de Oliveira, e o empresário Maurício Benites.

Porém, conforme consta nos autos do processo que trata da investigação criminal sobre a Santa Casa e supostos desvios de dinheiro feitos através de contratações fraudulentas, as suspeitas indicam que esse esquema criminoso contava com "teias" que se estendiam por diversas pastas, de âmbito estadual e municipal, bem como o emprego de servidores públicos para saques incompatíveis com suas devidas remunerações. 

Entenda o esquema

Dando "nome aos bois", Alir Terra é inicialmente apontada por manter funcionários em posições estratégicas de diretores e funcionários, que auxiliavam e sustentavam a contratação fraudulenta de empresas. 

Além de um processo "estruturado sem estudo técnico, termo de referência, análise de viabilidade ou demonstração de vantajosidade", também teria ficado comprovado que a execução desses acordos aconteceu em um volume muito inferior ao contratado, sendo feitos pagamentos "sem correspondência com os serviços efetivamente prestados".

Segundo consta nos autos do processo, a relação entre Alir e Paulo Duarto da Cruz, não seria meramente institucional, e ambos manteriam sociedade profissional com atuação conjunta em escritório de advocacia, compartilhando estrutura instalada em imóvel pertencente à presidente da Santa Casa. 

A primeira contratação teria ocorrido em agosto de 2023, com as empresas em nome do sócio inseridas progressivamente para atuar em etapas da operação do plano de saúde, o que incluía, por exemplo: 

  •  assessoria jurídica, 
  •  telemedicina,
  •  atendimento, 
  •  cobrança, 
  •  emissão de boletos, 
  •  comercialização de planos, 
  •  administração de beneficiários, 
  •  entrevistas qualificadas, e mais. 

Para executar e manter essas contratações, Alir Lima contava com auxílio da nomeada para administrar a Operadora Santa Casa Saúde, Beatriz Lemes da Silva, investigada esse que teria formalizado contratos com as empresas em nome de Paulo Duarte, viabilizando pagamentos e retendo do Conselho Fiscal os contratos originários, notas fiscais, relatórios de execução, memórias de cálculo e demais documentos necessários à fiscalização. 

Nesse esquema, somente em 2025, as empresas em nome de Paulo, sócio de Alir, somaram R$9.617.738,49 em repasses recebidos, exercício em que a operadora acumulou R$3.555.901,12 de resultado negativo.

Entre os alvos da investigação aparecem ainda a RedValue Tecnologia, que mesmo diante de recomendação expressa do Conselho Fiscal para suspensão do contrato e com a presidente da Santa Casa formalmente cientificada das irregularidades, Alir teria mantido a relação com a empresa comandada por Maurício Aparecido Benites. 

"No contrato celebrado com a REDVALUE TECNOLOGIA, o Conselho Fiscal da Santa Casa constatou que os pagamentos realizados não correspondiam à produção efetivamente comprovada. Diante da discrepância, seu Presidente encaminhou, nos dias 20 de março e 10 de abril de 2025, ofícios à Supervisora do Serviço de Arquivo Médico e Estatística, MONIQUE GREGÓRIO DE OLIVEIRA, responsável pelo setor em que os serviços de digitalização eram executados e controlados", cita trecho dos autos do processo. 

Sendo questionada sobre informações objetivas dos procedimentos de medição, conferência e fiscalização do contrato. Monique não teria respondido às requisições, omitindo justamente os dados necessários para confrontar a quantidade de páginas digitalizadas com os valores pagos à Redvalue, omissão essa que, segundo o Ministério Público Estadual (MPMS) impediu que o órgão fiscalizador tivesse acesso aos registros produzidos no setor diretamente responsável pela execução material do serviço.

"Não se tratou de informação periférica. Foram sonegados os elementos que permitiriam aferir a quantidade efetivamente digitalizada, os períodos de execução, os lotes processados e a correspondência entre o serviço prestado e as notas fiscais pagas", complementa trecho do documento.

Como bem ilustra a investigação, outras empresas seriam supostamente consultadas no processo de cotação, porém, cadastros empresariais esses que seriam do próprio Maurício, evidenciando assim o vínculo que levanta fortes indícios de simulação de concorrência para legitimar a contratação previamente direcionada. 

Além da beneficiada RedValue, teriam sido consultadas também a Ex Be Finance & Tecnology e a Infortech Informática Ltda., todas possuindo ligação com Maurício, que apresenta-se como fundador e CEO de uma e dirigente na outra. 

Funcionários públicos

Montado o esquema interno para direcionar as concorrências, e estabelecidas as "alianças" que seriam as beneficiadas através desse suposto desvio de recursos, e para além dos "arranjos" entre a cúpula do esquema criminoso e seus respectivos "capangas" que serviam para ocultar os rastros e dificultar as fiscalizações, até mesmo funcionários públicos serviam para movimentar quantias. 

Com as contas das empresas servindo de "passagem", apenas para apenas receber as quantias posteriormente retiradas em espécie ou transferidas para empresas e pessoas físicas, esse núcleo comandado por Maurício evidenciava uma dinâmica típica de pulverização e desvio de verbas. 

Segundo o MPMS, a exemplo de pagamentos feitos em 15 de maio e 25 de junho, o dinheiro público não permanecia na conta da empresa para financiar o objeto contratual, sendo imediatamente convertido em espécie e dispersado entre pessoas previamente vinculadas ao grupo, seguindo padrões de valores previamente estabelecidos. 

Além de empregados das empresas de Maurício, que tinham remunerações mensais de R$2,4 mil mas chegavam a realizar 16 saques, entre julho de 2024 e maio de 2025, que somavam R$675.999,98, os funcionários públicos também eram empregados para saques que totalizaram quantias milionárias. 

Tatiana Rodrigues de Souza seria uma dessas funcionárias públicas, servidora lotada na Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul (Agems). 

Remunerada mensalmente com R$11.504,66, ela teria realizado oito saques em espécie entre julho de 2024 e maio de 2025, somando uma quantia de mais de meio milhão (R$575.380,00). Como consta nos autos, sem relação com sua renda formal, o volume a colocaria "diretamente no circuito de conversão dos recursos em numerário".

Logo após a operação, na sexta-feira, a Santa Casa informou que estava colaborando com as autoridades e aguardava acesso aos autos para conhecer oficialmente o conteúdo das acusações .Na ocasião, a instituição também afirmou que os atendimentos à população seguiram normalmente.

Um dia depois, a nova nota reforçou a continuidade dos serviços e acrescentou a manifestação de solidariedade do Conselho de Administração aos integrantes da diretoria.

 

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).