As tradicionais barracas às margens da BR-163, no distrito de Anhanduí, ganharam uma proteção legal com a aprovação de um projeto que prevê o tombamento das estruturas como patrimônio cultural de Campo Grande. A medida reconhece a importância histórica, social e econômica do comércio mantido há décadas por famílias da região, mas ainda não define como os estabelecimentos serão afetados pela duplicação da rodovia.
De autoria do vereador André Salineiro, o projeto aprovado nesta terça-feira (11), na Câmara Municipal de Campo Grande, prevê a inscrição das barracas no Livro de Tombo Histórico, Etnográfico e Paisagístico do município. A proposta considera o comércio de produtos como doces caseiros, conservas, pimentas e artesanatos uma expressão da cultura popular e da economia local.
Na prática, o tombamento busca preservar as características essenciais do bem cultural. O texto, porém, deixa claro que a medida não implica transferência de propriedade, desapropriação ou indenização automática. Também prevê que o município possa desenvolver ações de valorização cultural, turística e econômica e oferecer apoio aos trabalhadores locais, conforme a disponibilidade orçamentária.
A preocupação dos comerciantes está ligada principalmente às obras de duplicação da BR-163. As barracas ficam às margens da rodovia e garantem renda para diversas famílias de Anhanduí. Em audiência pública realizada pela Câmara em fevereiro, moradores e comerciantes manifestaram receio de que as estruturas sejam retiradas durante a execução das obras.
Com a aprovação do projeto, a questão agora passa a envolver dois interesses: a necessidade de adequação da rodovia e a preservação de uma atividade reconhecida pelo município como patrimônio cultural.
O tombamento, portanto, representa um reconhecimento formal da importância das barracas, mas não resolve sozinho o impasse. Os próximos passos serão a conclusão do processo legislativo e a definição de como a proteção cultural será aplicada diante das intervenções previstas para a BR-163.


