Campo Grande conquistou o primeiro lugar no ranking das capitais brasileiras mais baratas para viajar, segundo levantamento atualizado em outubro de 2026 pelo portal especializado Quero Viajar Mais. A capital de Mato Grosso do Sul superou destinos turísticos tradicionais do País ao apresentar uma combinação de preços considerados acessíveis em hospedagem, passagens aéreas, alimentação e passeios.
A Cidade Morena alcançou 43 pontos no Índice do Viajante Inteligente, indicador que compara os custos de uma viagem entre as 27 capitais brasileiras. Quanto menor a pontuação, mais econômico é considerado o destino em relação aos demais participantes da pesquisa.
O resultado coloca Campo Grande abaixo da mediana nacional de custos, estabelecida em 50 pontos, e reforça o potencial da cidade para atrair visitantes interessados em viajar sem comprometer tanto o orçamento.
Na segunda posição aparece João Pessoa, capital da Paraíba, com 45 pontos, seguida por Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, que também registrou 45 pontos.
Embora as duas cidades apresentem a mesma pontuação, ocupam, respectivamente, o segundo e o terceiro lugares na classificação divulgada pelo estudo.
A diferença de apenas dois pontos em relação às duas concorrentes mostra que Campo Grande integra um grupo de capitais com custos de viagem relativamente próximos, mas conseguiu assumir a liderança nacional na edição de outubro.
Na outra ponta do ranking aparece Manaus, no Amazonas, considerada a capital mais cara para viajar, com 66 pontos.
Entre os valores identificados estão diárias de hotéis de R$ 324, passagens aéreas com referência de R$ 573 por trecho, refeições a R$ 32 e passeios turísticos com preço mediano de R$ 40.
Os números não representam preços fixos nem uma estimativa de gasto individual, mas servem como referência para comparar os destinos nacionais.
A posição de destaque chama atenção especialmente porque Campo Grande funciona como uma das principais portas de entrada para dois dos destinos turísticos mais conhecidos de Mato Grosso do Sul: Bonito e o Pantanal.
Quanto custa viajar para Campo Grande?
O levantamento considera diferentes despesas que fazem parte da programação de uma viagem, desde o deslocamento até o destino até os gastos com alimentação, transporte e atividades turísticas.
No caso da hospedagem, o estudo encontrou uma diária mediana de R$ 324 na Capital. O cálculo foi realizado com base em uma amostra de aproximadamente 20 hotéis bem avaliados na plataforma Booking, considerando estabelecimentos com notas iguais ou superiores a oito.
O preço das passagens aéreas também contribuiu para a classificação. Segundo o levantamento, a referência para voos com destino a Campo Grande ficou em R$ 573 por trecho.
Esse valor considera tarifas para viagens nos seis meses seguintes à coleta, a partir de cinco importantes aeroportos de origem do Brasil. Por isso, o preço efetivamente encontrado pelo turista dependerá da cidade de partida, da companhia aérea, da antecedência da compra e da época escolhida.
Na alimentação, o preço mediano de uma refeição do tipo prato feito foi estimado em R$ 32, enquanto uma corrida de táxi de cinco quilômetros ficou em aproximadamente R$ 24.
O estudo também considerou a tarifa do transporte coletivo, de R$ 4,95, e o preço da gasolina comum, estimado em R$ 6,25 por litro.
Já os passeios e ingressos turísticos apresentaram valor mediano de R$ 40, um dos componentes que favoreceram a classificação da cidade.
Apesar do desempenho geral, nem todos os indicadores foram considerados baratos. A cesta básica, utilizada pelo levantamento como uma das referências para o custo da alimentação local, apareceu em R$ 807, valor classificado como elevado na comparação nacional.
Isso significa que a liderança de Campo Grande não decorre de apresentar os menores preços em todas as categorias, mas da combinação dos diferentes custos considerados pela pesquisa.
Capital supera destinos turísticos tradicionais
A posição conquistada por Campo Grande ganha relevância diante da concorrência com capitais que possuem maior projeção no turismo nacional, especialmente cidades do litoral brasileiro.
Na edição de outubro, por exemplo, Salvador, na Bahia, aparece na nona colocação, com 50 pontos. Fortaleza, no Ceará, ocupa a 12ª posição, com 51 pontos.
Embora esses destinos apresentem características turísticas diferentes, a comparação mostra que a Capital sul-mato-grossense conseguiu alcançar uma classificação mais favorável quando considerados os custos reunidos pelo indicador.
O resultado também demonstra que cidades sem praias podem oferecer alternativas competitivas para quem busca viajar, conhecer novas atrações e controlar as despesas.
Para Mato Grosso do Sul, a classificação representa uma oportunidade de ampliar a visibilidade de Campo Grande como destino turístico, e não apenas como local de passagem para outras regiões do Estado.
A possibilidade de gastar menos com determinados serviços pode ser um atrativo para famílias, casais e grupos que precisam equilibrar o orçamento durante as férias ou feriados prolongados.
Passeios gratuitos ajudam a atrair visitantes
Além dos preços analisados pelo levantamento, Campo Grande reúne atrações culturais, gastronômicas e ambientais que permitem ao visitante conhecer parte da cidade sem necessariamente enfrentar grandes despesas.
Um dos principais exemplos é o Parque das Nações Indígenas, considerado um dos cartões-postais da Capital. Com aproximadamente 119 hectares, o espaço oferece áreas verdes, pistas para caminhada, contato com a natureza e a possibilidade de observar animais como capivaras e diferentes espécies de aves.
Outro destaque é o Bioparque Pantanal, reconhecido como o maior aquário de água doce do mundo e localizado na Avenida Afonso Pena.
A visitação ao empreendimento é gratuita, mas exige agendamento, realizado por meio do site oficial. O atrativo reúne espécies aquáticas e atividades relacionadas à educação ambiental, conservação e conhecimento sobre os ecossistemas.
A gastronomia também integra a experiência turística da cidade. Na Feira Central, um dos espaços tradicionais da Capital, visitantes encontram pratos ligados à influência da imigração japonesa, especialmente o sobá, que se tornou um símbolo da culinária campo-grandense.
Outras opções incluem o Mercado Municipal Antônio Valente, conhecido como Mercadão, além de espaços culturais e áreas públicas de convivência espalhadas pela cidade.
Embora o estudo não tenha calculado o gasto total de um roteiro que combine essas atrações, a existência de atividades gratuitas amplia as possibilidades de programação para turistas com diferentes perfis de consumo.
Campo Grande também é porta de entrada para Bonito e Pantanal
A localização geográfica constitui outro diferencial da Capital. Campo Grande concentra serviços de transporte, hospedagem e alimentação utilizados tanto por quem pretende permanecer na cidade quanto por visitantes que seguem para outros municípios sul-mato-grossenses.
Entre os destinos mais conhecidos estão Bonito, referência nacional em ecoturismo, com rios de águas cristalinas, grutas e atividades de aventura, e o Pantanal, procurado por turistas interessados em observar animais silvestres e conhecer uma das maiores áreas úmidas do planeta.
Nesse contexto, a competitividade dos preços encontrados em Campo Grande pode favorecer viajantes que pretendem dividir a programação entre a Capital e outras regiões do Estado.
Entretanto, os valores dos passeios em Bonito e das experiências turísticas no Pantanal não estão necessariamente contemplados nos custos atribuídos a Campo Grande. Essas despesas precisam ser calculadas separadamente.
O ranking também não mede a qualidade dos serviços turísticos, a satisfação dos visitantes ou o número de turistas recebidos por cada cidade.
Como funciona o ranking?
O Índice do Viajante é elaborado pelo portal Quero Viajar Mais e utiliza informações de diferentes plataformas e instituições para comparar o custo de viajar pelas capitais brasileiras.
A metodologia atual considera nove indicadores, com diferentes pesos na pontuação final.
A hospedagem possui a maior participação, correspondendo a 28% da nota. Em seguida aparecem as passagens aéreas, com 23%, e as atrações e passeios, com 14%.
Também entram no cálculo o preço da cesta básica, refeições, transporte coletivo, combustível, deslocamento entre aeroporto e região central e tarifas de táxi.
Os dados são reunidos a partir de referências como Booking, Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Ticket Restaurante, Civitatis, Agência Nacional do Petróleo (ANP) e informações municipais.
No caso de Campo Grande, oito dos nove indicadores estavam disponíveis na edição de outubro. O preço do transporte entre o aeroporto e o Centro não foi incluído por ausência de dados considerados suficientes, e a metodologia prevê a redistribuição do peso desse componente entre os demais.
A pontuação varia de zero a 100, sendo que 50 representa a mediana de custos das capitais avaliadas. A metodologia também prevê empate técnico entre destinos com diferença inferior a dois pontos.
Apesar da liderança no ranking, o levantamento não significa que qualquer viagem para Campo Grande será necessariamente mais barata do que para outros destinos brasileiros. Os valores podem variar conforme a temporada, o tipo de hospedagem, o roteiro, a antecedência das reservas e os hábitos de consumo de cada visitante.
Ainda assim, a classificação coloca a capital de Mato Grosso do Sul em evidência no cenário nacional e reforça seu potencial como alternativa para turistas que procuram conhecer novos destinos sem gastar tanto.


