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Campo Grande e duas cidades têm risco extremo para a Covid

Governo orienta lockdown, mas secretário diz que municípios têm autonomia para decidir

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Três municípios de Mato Grosso do Sul estão em grau de risco extremo devido à Covid-19: Campo Grande, Aquidauana e Miranda.  

Segundo relatório situacional do Programa de Saúde e Segurana da Economia (Prosseguir), com grau de risco dos 79 municípios do Estado, foi divulgado nesta sexta-feira (31).

Campo Grande se manteve com risco extremo, enquanto Aquidauana, que na última análise estava em grau alto, e Miranda, que constava como médio, tiveram piora na situação e passaram para a faixa de maior risco.

De acordo com o secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, a situação já é grave na Capital, mas é mais preocupante no interior.

“É mais grave porque pega a comunidade mais vulnerável, que é a comunidade indígena”, disse.

O Prosseguir classifica os municípios em faixas de cores de acordo com o grau de risco, que varia de baixo a extremo, e apresenta recomendações de medidas a serem tomadas no combate a disseminação e aos impactos do coronavírus.

Para as cidades do grau extremo, de cor preta, a recomendação é restrição mais rígida, com o chamado lockdown.

Secretário de Governo, Eduardo Riedel, afirmou que o mapa dá um indicativo muito claro das ações que devem ser tomadas e que governo apenas apresenta recomendações em cima do que a área técnica diz, mas a autonomia de decisões é dos municípios.  

“O risco de colapso do sistema de saúde é real, com mais de 90% dos leitos ocupados. Nós temos que diminuir a pressão sobre o sistema de saúde, e só tem uma maneira de isso acontecer, que é aumentar o distanciamento social, o isolamento, evitar aglomerações, gostemos ou não, mas é até hoje o que foi identificado, não aqui no Mato Grosso do Sul, mas no mundo inteiro, como uma saída e uma solução para se evitar um número maior de perdas”, disse.

Campo Grande já estava em bandeira preta no primeiro relatório, quando foi recomendado lockdown. No entanto, prefeito decretou fechamento de atividades não essenciais apenas no fim de semana e flexibilizou a medida a partir de amanhã, com reabertura do comércio em geral.

Riedel afirma que o Estado está trabalhando conjuntamente com os três muicípios em maior grau de risco, para viabilizar o que for possível, principalmente em relação a estrutura de saúde e orientações, mas voltou a afirmar que a autonomia na tomada de decisões é dos prefeitos.  

“Nós podemos discutir, convergir, divergir e é natural que isso aconteça, mas nós sempre respeitamos dois fatores primordiais em todo esse processo. Primeiro, ouvir a ciência e deliberar com programas e sugestões em cima do que a área técnica nos diz, o que a voz da ciência nos diz. E segundo, respeitar a autonomia do municípios. Temos que ter esse posicionamento para não virar uma grande discussão politica, uma discussão de quem tem ou não razão”, disse.

Classificação

Com relação ao primeiro mapa situacional, 38 municípios mantiveram o grau de risco, 37 melhoraram e quatro pioraram. 

Para gerar a classificação, o programa avalia indicadores municipais relacionados à disponibilidade de leitos de UTI, quantidade de Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s), busca por contatos de casos confirmados, redução da mortalidade por Covid-19, disponibilidade de testes, incidência na população indígena, redução de casos entre profissionais da saúde, redução de novos casos, fronteira ou divisa com estado que tenha aumento de casos e necessidade de expansão de leitos.

Confira a classificação:

Grau tolerável 

  • Glória de Dourados
  • Inocência

Grau médio - 40 municípios

  • Água Clara
  • Anaurilândia
  • Antônio João
  • Aparecida do Taboado
  • Bataguassu
  • Batayporã
  • Bonito
  • Brasilândia
  • Caarapó
  • Caracol
  • Cassilândia
  • Coronel Sapucaia
  • Deodápolis
  • Douradina
  • Dourados
  • Fátima do Sul
  • Figueirão
  • Guia Lopes da Laguna
  • Itaporã
  • Ivinhema
  • Jateí
  • Laguna Carapã
  • Mundo Novo
  • Nova Andradina
  • Novo Horizonte do Sul
  • Paraíso das Águas
  • Paranaíba
  • Paranhos
  • Pedro Gomes
  • Ribas do Rio Pardo
  • Rio Brilhante
  • Rochedo
  • Santa Rita do Pardo
  • Selvíria
  • Tacuru
  • Taquarussu
  • Três Lagoas
  • Vicentina

Grau alto 

  • Alcinópolis
  • Amambai
  • Anastácio
  • Angélica
  • Aral Moreira
  • Bandeirantes
  • Bela Vista
  • Bodoquena
  • Camapuã
  • Chapadão do Sul
  • Corguinho
  • Corumbá
  • Costa Rica
  • Coxim
  • Dois Irmãos do Buriti
  • Eldorado
  • Iguatemi
  • Itaquiraí
  • Japorã
  • Jardim
  • Juti
  • Ladário
  • Maracaju
  • Naviraí
  • Nioaque
  • Nova Alvorada do Sul
  • Ponta Porã
  • Porto Murtinho
  • Rio Negro
  • Rio Verde de Mato Grosso
  • São Gabriel do Oeste
  • Sete Quedas
  • Sidrolândia
  • Sonora
  • Terenos

Grau extremo

  • Aquidauna
  • Campo Grande
  • Miranda

MATO GROSSO DO SUL

El Niño traz preocupação sobre incêndios no Pantanal em 2026

Fenômeno promete trazer chuvas mais irregulares até abril e um retorno no segundo semestre, com temperaturas acima da média e as ondas de calor

05/02/2026 08h46

Mato Grosso do Sul indica que já têm preparado as chamadas ações de combate aos incêndios, através do Corpo de Bombeiros, tanto por terra quanto também com o uso de aeronaves. 

Mato Grosso do Sul indica que já têm preparado as chamadas ações de combate aos incêndios, através do Corpo de Bombeiros, tanto por terra quanto também com o uso de aeronaves.  Divulgação/Secom/BrunoRezende

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Fenômeno característico por esquentar as águas superficiais do oceano Pacífico Equatorial, o El Niño já traz preocupações para uma maior incidência de incêndios no Pantanal em Mato Grosso do Sul. 

Além da maior planície alagável, esse fenômeno climático deve atingir também outros biomas com uma maior possibilidade de ocorrências de incêndios, como no Cerrado e na Mata Atlântica. 

Mato Grosso do Sul indica que já têm preparado as chamadas ações de combate aos incêndios, através do Corpo de Bombeiros, tanto por terra quanto também com o uso de aeronaves. Reprodução/Inmet

Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mostram que o território nacional sentiu a influência do fenômeno nos anos de  2023/2024, 2015/2016, 1997/1998 e 2009/2010, o que já fez com que o País atingisse uma última década ainda mais quente que a anterior. Confira: 

Agora, conforme análise feita através do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec), em 2026 essa sensação de temperaturas mais quentes deve durar, inclusive, durante também o inverno local. 

Com uma previsão de chuvas mais irregulares, a meteorologista do Cemtec, Valesca Fernandes, aponta que a situação tende a se agravar nos próximos meses, o que acende um alerta inclusive para os municípios que já registraram um fevereiro com chuvas acima da média. 

Conforme a meteorologista do Cemtec, o El Niño, ainda para o trimestre que se estende até o mês de abril, trará condições mais neutras para Mato Grosso do Sul, o que não deve durar muito. 

"Porém, no segundo semestre, há um indício de retorno do fenômeno e que pode favorecer a ocorrência de temperaturas acima da média e as ondas de calor. "Essa situação casa exatamente durante o período seco, que seria quando a gente tem umidade muito baixa. As condições das altas temperaturas, ondas de calor, baixo valor de umidade relativa do ar, todo esse cenário pode intensificar o aumento para a ocorrência de incêndios florestais", cita Vanessa em nota. 

Ação em resposta

Por outro lado, o Governo do Estado do Mato Grosso do Sul indica que já têm preparado as chamadas ações de combate aos incêndios, feitas através do Corpo de Bombeiros tanto por terra quanto também pelo uso de aeronaves. 

Em 2025, por exemplo, foram detectados por satélite aproximadamente 924 eventos de fogo, com o combate direto em 88 desses e um total de 1.105 ações. Foram quase 1,3 mil militares mobilizados e pelo menos 60 viaturas empregadas nas 4.391 ocorrências registradas, boa parte em perímetro urbano e periurbano. 

 

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ALERTA

Enchente no Rio Aquidauana pode ser a maior em oito anos

Com mais de 400 milímetros em Corguinho e 100 milímetros em Aquidauana, municípios entram em alerta sob risco de rio transbordar até amanhã

05/02/2026 08h40

Divulgação

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Com Mato Grosso do Sul sob alerta de chuvas intensas até sexta-feira, o Rio Aquidauana está próximo de registrar o maior nível de água desde 2018 e colocar mais de 100 mil pessoas sob risco de estragos e consequências maiores, como perda de imóveis e bens, assim como aconteceu há oito anos.

Na manhã de ontem, os municípios de Aquidauana e Corguinho declararam estado de emergência diante das chuvas que estão atingindo a região neste mês. Com o alto volume de precipitação, o limite do Rio Aquidauana está próximo transbordar, o que acarretaria grandes consequências para a população.

“Neste momento, nós temos que nos unir, unir força para que, havendo o alagamento, que é algo que nós não conseguimos impedir, são as forças da natureza, mas que, juntamente com toda a equipe que eu citei, nós possamos fazer com que as coisas aconteçam dentro de uma normalidade possível”, disse o prefeito de Aquidauana, Mauro do Atlântico.

Ainda ontem, três famílias em Aquidauana foram auxiliadas na realização de mudança preventiva e optaram por ficar em casas de parentes.

“Pedimos para que a população evite encostas de morro, margens de rios e lugares alagadiços. Quando forem oferecidas a oportunidade de mudança de deslocamento do local, que elas possam fazer o mais rápido possível e que também elas possam conduzir com elas seus documentos pessoais, medicamentos de uso contínuo e desligar fontes de energia e de gás da casa”, orientou Claudio Alviço, da Coordenadoria da Defesa Civil do município.

Em Aquidauana, choveu tanto que este campo de futebol ficou inundado - Foto: Divulgação

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Corguinho registrou mais de 400 milímetros de chuva desde o dia 1º, e Aquidauana já ultrapassou a marca de 115 milímetros. Contudo, o que preocupa as autoridades dos municípios são os próximos dias, já que o clima chuvoso não deve dar trégua até amanhã.

No aviso emitido pela entidade meteorológica, há risco de precipitação “entre 30 e 60 mm/h ou 50 e 100 mm/dia” em 45 das 79 cidades sul-mato-grossenses, incluindo a região que engloba o Rio Aquidauana. Até o fechamento desta edição, o nível do rio estava estabilizado em 7,14 metros.

Ao Correio do Estado, o coordenador da Defesa Civil de Corguinho, José Correia Salgado, disse que a tendência é de que o nível do rio continue subindo, já que as chuvas não devem parar nas próximas horas. Tanto que, ontem, o Rio Taboco já transbordou e levou estragos à população de Rio Negro, como invasão de água na MS-080.

“Em todas as regiões do município [Corguinho] nós estamos com problemas, grandes problemas, e a Defesa Civil ainda não conseguiu alcançar todos os lugares. E parece que, pela previsão, vai chover até o fim de semana. Então, é uma preocupação muito grande”, disse à reportagem. 

No fim da tarde, o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) emitiu dois avisos de evento crítico indicando situação de emergência em decorrência da elevação dos níveis dos Rios Taquari e Aquidauana, a partir de números apresentados pelas plataformas de coleta de dados (PCDs) instaladas nos dois municípios.

Segundo leitura da estação hidrometeorológica na manhã de ontem, o nível do Rio Taquari em Coxim alcançou a cota de 501, considerada nível de emergência e de inundação. Com a continuidade das precipitações, já foi identificado o início do processo de invasão das águas em algumas áreas.

“Estamos acompanhando a evolução dos níveis em tempo real. As chuvas persistentes em toda a bacia hidrográfica têm elevado rapidamente as cotas dos rios, o que aumenta o risco de transbordamentos e impactos diretos às áreas mais vulneráveis”, destacou o gerente de Recursos Hídricos do Imasul, Leonardo Sampaio.

Última enchente

Em fevereiro de 2018, temporais em todo o Estado colocaram diversos municípios em estado de emergência.

“Verdadeiro dilúvio caiu sobre Mato Grosso do Sul, deixando estragos em Campo Grande e no interior. Rios e córregos transbordaram e aproximadamente 50 famílias estavam desalojadas até o início da noite anterior”, disse a reportagem do Correio do Estado em 21 de fevereiro daquele ano.

Para se ter uma ideia do volume de água provocado naquela época, o Rio Aquidauana atingiu 10,93 metros, o segundo maior nível em sua história, atrás apenas da enchente recorde de 11,20 metros.

Como reportado pelo Correio do Estado há oito anos, cerca de 153 pessoas ficaram desabrigadas em Aquidauana, o que gerou tanto impacto ao município que as aulas escolares só foram retomadas uma semana depois. Além disso, comerciantes e empresários ficaram dias sem abrir seus estabelecimentos.

“Trinta e duas famílias de ribeirinhos haviam sido resgatadas e levados para abrigos. Eram 85 pessoas ocupando provisoriamente por tempo indeterminado os salões das paróquias das igrejas. Apesar do número expressivo, poucos ficavam durante o dia nestes locais improvisados”, reportou o jornal na época.

Diante do ocorrido, o então governador Reinaldo Azambuja (PSDB) anunciou que R$ 800 mil seriam doados como auxílio emergencial para Aquidauana (R$ 500 mil) e Anastácio (R$ 300 mil). Em 2011, uma enchente de 10,70 metros atingiu a região e também gerou consequências semelhantes.

Rio Aquidauana

O Rio Aquidauana está com o nível bem acima do normal e, na cidade, equipes da Defesa Civil já orientam famílias em áreas de risco - Fotos: Divulgação
 

O Rio Aquidauana nasce na Serra de Maracaju, no município de São Gabriel do Oeste, e conta com uma extensão de 620 quilômetros, abrangendo Anastácio, Aquidauana, Bandeirantes, Camapuã, Campo Grande, Sidrolândia e outras cidades, desaguando no encontro com o Rio Miranda, na região do Pantanal.

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