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Campo Grande teve o fevereiro mais chuvoso em 24 anos

Dados do Inmet mostraram que, desde 2002, quando começaram os registros pluviométricos na Capital, nunca choveu tanto na cidade como neste ano

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O mês de fevereiro deste ano terminou com um acumulado de 265 milímetros de chuva. Este volume é recorde para o período de toda a série histórica disponibilizada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que começou em 2002.

De acordo com dados do Inmet levantados pelo Correio do Estado, o valor superou até o registrado em 2010, quando o acumulado do segundo mês do ano chegou a 256,6 mm, a segunda maior marca desde que se tem registro dos dados pelo Inmet.

Matéria do Correio do Estado mostrou que, segundo a meteorologista do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS), Valesca Fernandes, o maior acúmulo de chuvas deste ano em relação aos anos anteriores se dá porque este ano houve a formação de “zonas de convergências de umidade, que contribui com toda chuva”.

PRÓXIMOS MESES

Após o recorde de chuvas, o Cemtec-MS prevê que os próximos três meses tenha um padrão de irregularidade das chuvas em Mato Grosso do Sul. “A tendência predominante para o trimestre é de que os acumulados totais fiquem abaixo da média histórica na maior parte do território estadual”, diz nota do centro.

Segundo o Cemtec-MS, sob condições normais, a precipitação para o trimestre varia entre 200 mm a 400 mm na maior parte do Estado, elevando-se para 400 mm a 500 mm nas regiões sul, sudeste e sudoeste, conforme a climatologia de referência (1981-2010), que representa o volume de chuva esperado para o período com base na média histórica de 30 anos.

Já em relação à temperatura, o Cemtec-MS traz que, “de acordo com o modelo da Copernicus, a tendência climática para o trimestre indica temperaturas do ar próxima ou ligeiramente acima da média histórica. Dessa forma, a previsão aponta para um trimestre com condições mais quentes que o normal em Mato Grosso do Sul”.

Levando em consideração os dados históricos de 30 anos, as temperaturas médias no Estado costuma variar entre 22ºC e 26°C. Já na região extremo sul, as temperaturas variam entre 20ºC e 22°C no trimestre.

“A análise do conjunto de modelos climáticos indica um cenário de atenção para Mato Grosso do Sul, caracterizado pela irregularidade na distribuição das chuvas e pela expectativa de volumes abaixo da média histórica. Esse deficit hídrico, somado a temperaturas ligeiramente acima do normal, favorece a ocorrência de períodos mais quentes – especialmente em dias de baixa nebulosidade”, alerta o Cemtec-MS.

FENÔMENOS CLIMÁTICOS

Atualmente o clima está sob influência do fenômeno La Niña, que é caracterizado pelo resfriamento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e que na Região Centro-Oeste costuma favorecer chuvas mais regulares e volumosas.

No entanto, esse fenômeno deve deixar de atuar em abril, o que pode novamente favorecer o retorno das secas.

Conforme a meteorologista do Cemtec-MS, há previsão de que a partir do segundo semestre deste ano haja o retorno do El Niño, fenômeno responsável pelo aumento considerável das temperaturas em Mato Grosso do Sul.

“Sobre o El Niño, ele tem um impacto indireto aqui no Estado [em relação às chuvas]. Porém, quando ele atua aqui no Estado, impacta na temperatura, favorecendo a ocorrência de ondas de calor e temperaturas acima da média. Há uma previsão do possível desenvolvimento do El Niño no trimestre de julho, agosto e setembro”, afirmou Valesca no mês passado.

Em relatório do Cemtec-MS, a meteorologista já alerta que, com a vinda desse fenômeno, pode ser intensificado a ocorrência de ondas de calor no segundo semestre deste ano.

“Ressalta-se, contudo, que já existem indícios de uma intensificação gradual para o El Niño a partir do segundo semestre de 2026, o que poderá favorecer novos episódios de ondas de calor no Estado”, alerta o Cemtec-MS.

*Saiba

A 12 dias do fim do mês, fevereiro deste ano já tinha um acumulado superior aos últimos três anos em Campo Grande, como mostrou o Correio do Estado. Até o dia 16 de fevereiro o acumulado era de 172,6 milímetros. 

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tragédia

Colisão entre carro e caminhão mata homem de 56 anos na BR-060

Este é o segundo acidente registrado no trecho Campo Grande-Sidrolândia em 30 horas

14/10/2026 08h50

Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro Especializado de Polícia Integrada (Depac-Cepol), onde o caso foi registrado

Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro Especializado de Polícia Integrada (Depac-Cepol), onde o caso foi registrado ARQUIVO/CORREIO DO ESTADO

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Alexandre Motta do Prado, de 56 anos, faleceu em acidente entre carro e caminhão, na madrugada desta quarta-feira (14), por volta das 1h da madrugada, no KM-370 da BR-060, entre Campo Grande e Sidrolândia.

Este é o segundo acidente registrado neste trecho em menos de 30 horas.

O motorista do caminhão baú Mercedes Benz seguia sentido Campo Grande-Sidrolândia e o condutor do carro Honda HRV, vítima fatal, trafegava no sentido contrário, Sidrolândia-Campo Grande.

Conforme apurado pela reportagem, o carro desviou para a esquerda, invadiu a pista contrária, acertou o caminhão, capotou e foi parar em um barranco, no matagal às margens da rodovia.

O motorista do carro foi arremessado para fora do veículo e seu corpo foi encontrado a 6 metros do carro capotado. Teve fraturas internas e externas e dilaceração do ombro esquerdo. Ele faleceu na hora.

Já o condutor do caminhão saiu ileso sem ferimentos. Ele foi submetido ao teste do bafômetro, que deu negativo.

O carro ficou completamente destruído, com rodas para cima, lataria amassada e vídeos quebrados. O caminhão sofreu grandes estragos na parte lateral esquerda dianteira, com rodas danificadas, pneus estourados e lataria arrancada.

Corpo de Bombeiros Militar foi acionado para socorrer a vítima, mas ela faleceu antes da chegada do socorro.

Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil, Polícia Científica e funerária estiveram no local para isolar a área, apurar as causas do acidente, realizar a perícia e retirar o corpo, respectivamente.

O caso foi registrado como “praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor” na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro Especializado de Polícia Integrada (Depac-Cepol).

OUTRO ACIDENTE

Darcy Santos Oliveira, de 48 anos, morreu em acidente entre moto e carreta, na noite de 12 de outubro, por volta das 18 horas, na BR-060, altura da comunidade rural Rancheiro, trecho localizado a 10 quilômetros de Campo Grande.

Conforme apurado pela reportagem, a vítima trafegava em uma motocicleta, saiu do Rancheiro e fez uma conversão para acessar a rodovia, momento em que colidiu contra uma carreta de placas paraguaias, que trafegava na BR-060 sentido Campo Grande-Sidrolândia.

Com o impacto, o motociclista foi arremessado para uma caminhonete que trafegava na pista de sentido contrário, Sidrolândia-Campo Grande.

O homem faleceu na hora e seu corpo ficou sob a caminhonete. O acidente fatal provocou intenso congestionamento de veículos na rodovia, com filas quilométricas e motoristas parados por várias horas.

TRANSPORTE PÚBLICO

Conselho administrativo autoriza venda do Consórcio Guaicurus

O ato de concentração aprova a transferência à Maas Administração e Participações Ltda., empresa criada pelo Grupo HP Mobilidade

14/10/2026 08h45

Intervenção nos ônibus do Consórcio Guaicurus revelou dívida de R$ 48,5 milhões

Intervenção nos ônibus do Consórcio Guaicurus revelou dívida de R$ 48,5 milhões Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a compra das quatro empresas de ônibus do Consórcio Guaicurus, de Campo Grande, pelo Grupo HP Mobilidade, de Goiânia. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União na edição do dia 8 de outubro.

As empresas que compõe o Consórcio Guaicurus são: Viação Cidade Morena, Jaguar Transportes Urbanos, Viação Campo Grande e Viação São Francisco. O ato de concentração tem a Maas Administração e Participações Ltda., como compradora. Ela foi criado pelo Grupo HP Mobilidade para conduzir a compra do Consórcio Guaicurus.

Com a aprovação, o órgão federal encerrou a análise concorrencial sem impôr restrições à transação. A venda, porém, depende do avala da Prefeitura de Campo Grande. Adriane Lopes (PP) já manifestou que o negócio só será concluído se a empresa apresentar propostas concretas para melhorar o serviço, como a renovação da frota, ônibus com ar-condicionado e melhorias nos terminais.

Desde o dia 21 de julho, o Consórcio Guaicurus anunciou que havia chegado a um acordo de compra e venda com a concessionária goianiense HP Mobilidade, que é responsável pelo transporte coletivo de Goiânia. Desde então, a Prefeitura de Campo Grande aguarda uma proposta formal da empresa que aponte os planos de melhorias no transporte público, para decidir se aceita ou não a transação.

O Cade é o órgão responsável por orientar, fiscalizar, prevenir e reprimir abusos do poder econômico no Brasil e que analisa fusões, aquisições entre empresas para evitar monopólios.

Intervenção revela dívidas milionárias

A intervenção administrativa decretada no transporte coletivo urbano de Campo Grande revelou um diagnóstico financeiro preocupante no Consórcio Guaicurus. O levantamento preliminar realizado pela equipe responsável pela intervenção de 180 dias concessionária aponta R$ 48,5 milhões em débitos e obrigações acumuladas que comprometem a estabilidade das operações na Capital sul-mato-grossense.

O relatório é assinado pelo interventor-geral Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira, e pelos outros interventores, Alexandre Souza Moreira (jurídico), Rodolfo Bahiense Fernandes (administrativo-financeiro) e Robson Tadeu Pereira (operacional).

No centro desse passivo financeiro estão os parcelamentos fiscais consolidados perante a Receita Federal e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, que somam R$ 31,29 milhões. Esse montante exige um desembolso mensal constante de R$ 721.486,16 para amortização, gerando um comprometimento anual de cerca de R$ 8,66 milhões do fluxo de caixa operacional.

A lista de dívidas tributárias e regulatórias inclui ainda débitos com outros órgãos federais e municipais. O consórcio registra um saldo devedor de R$ 183,7 mil em parcelamentos de multas ambientais aplicadas pelo Ibama, além de R$ 4,86 milhões referentes a impostos e contribuições sobre a folha de pagamento, como INSS e Imposto de Renda.

Completando a conta de penalidades registradas pelos órgãos de fiscalização, a Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados de Campo Grande (Agereg) aplicou uma multa de R$ 12,24 milhões contra o grupo concessionário. A sanção decorre do descumprimento contratual continuado na manutenção do seguro de responsabilidade civil obrigatório, exigência descumprida por quase dez anos pela administração afastada.

Além disso, o relatório aponta outras dívidas e contingências operacionais, como R$ 5,86 milhões em combustível vencido em junho de 2026, R$ 2,15 milhões com outros fornecedores em aberto, R$ 17,44 milhões em estimativa de processos cíveis e a condenação não transitada em julgado de R$ 30 milhões por dano moral coletivo.

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