Cidades

CORPOS ENCONTRADOS

Homem e mulher morrem após queda de avião em Campo Grande

"Aeronave está toda retorcida... realmente virou uma caixinha de fósforo", diz 2° tenente médico do Corpo de Bombeiros sobre acidente aéreo na região do aeroporto Santa Maria

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Vítimas do acidente aéreo registrado na manhã desta sexta-feira (03), os tripulantes do avião bimotor que caiu nas imediações do aeroporto Santa Maria em Campo Grande foram identificados como um homem e uma mulher, cujos corpos foram localizados no local. 

Esse trabalho de identificação foi realizado inicialmente por equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Mato Grosso do Sul, que precisaram inclusive adentrar em área de mata em busca dos destroços e do paradeiro das vítimas deste acidente aéreo.

In loco, a equipe do Correio do Estado apurou que pelo menos cinco viaturas do CBMMS estiveram presentes. Além desses bombeiros, foram mobilizados agentes das polícias Militar, Civil e Científica.

Conforme repassado pelos agentes, que empregaram até mesmo o uso de drones para facilitar a localização exata do local da queda, ainda não há identificação exata de quem seriam as vítimas, sendo possível alegar inicialmente tratar-se de um corpo feminino e um masculino. 

A aeronave em questão que caiu na manhã de hoje (03) em Campo Grande, como bem abordado pelo Correio do Estado, seria da Amapil, empresa que têm suas atividades voltadas para táxi aéreo e presta inclusive serviço de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Aérea, e que possui em sua frota uma série de aviões bimotores. 

Ainda conforme passado inicialmente pelo proprietário da pista privada, a aeronave que teria caído trata-se de um avião Seneca. Em sua frota a Amapil traz justamente um Embraer 810D, um bimotor que têm capacidade de pousar nas mais diversas superfícies, como grama, asfalto ou até mesmo na terra. 

André Luiz Jacques, que possui patente de 2° tenente médico, repassou que o Corpo de Bombeiros foi acionado por volta de 07h e disse que não foi possível de imediato identificar qualquer sinal de acidente, como cortinas de fumaça, fogo ou qualquer outro indicativo. 

Porém, ele faz questão de ressaltar que, assim que o local de queda do acidente aéreo foi encontrado, os sinais indicavam que as vítimas em questão já não seriam salvas com vida, ficando evidente o óbito de ambos. 

"Fizemos buscas aí e acabamos encontrando a aeronave, pelo que a gente viu ali com duas vítimas. Me parece uma do sexo feminino, outra do masculino, mas a situação é bem crítica. Só de a gente olhar, a gente vê que é uma situação meio incompatível com a vida mesmo", diz André Luiz Jacques. 

O segundo tenente ainda confirma que o avião teria ficado completamente destruído, o que dificulta inclusive saber de quais partes especificamente tratam-se os escombros. 

"A aeronave está toda retorcida, as peças a gente não consegue nem saber do que que é exatamente. Mas realmente virou uma caixinha de fósforo, digamos assim", conclui.

Entenda

Logo nas primeiras horas desta sexta-feira (03), dia esse que amanheceu debaixo de forte neblina em Campo Grande, equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas para atender ocorrência de queda de aeronave registrada nas proximidades do Aeroporto Santa Maria.

Espaço esse que está longe de ter a movimentação de aeronaves e o fluxo de passageiros que recebe, por exemplo o próprio Aeroporto Internacional de Campo Grande, esse ponto na Capital já serve de "auxílio" e desde 2012 o Santa Maria deixou de ser um simples aeródromo para integrar a categoria da "prateleira de cima". 

In loco, a equipe do Correio do Estado constatou que a queda aconteceu em uma área privada. No local, o proprietário da pista privada Aero Rural, Eder Corrêa, confirmou que ouviu o primeiro indicativo de possível queda de aeronave entre 06h30 e 06h45 de hoje (03). 

"Escutei um barulho, no nosso conhecimento percebemos que parecia aeronave que iria retornar à nossa base ou a algum outro local, e aí depois uma explosão com a queda e tudo. Saí correndo, tentei, de qualquer forma sair pra ver se tinha alguma fumaça para tentar ajudar alguma coisa, e nada, não tem fumaça, nem fogo. Mas houve aquela sensação de queda e acabei de confirmar que foi realmente um avião da Amapil", afirma. 

 

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EDUCAÇÃO MUNICIPAL

Prefeitura de Campo Grande sanciona reajuste de 5,4% para professores

Correção referente ao piso nacional de 2026 será paga em três parcelas; primeira fatia, de 2%, tem efeito retroativo a setembro, e reajuste integral só chega em janeiro de 2027

25/09/2026 19h00

Professores da rede municipal de Campo Grande terão reajuste de 5,4% dividido em três parcelas.

Professores da rede municipal de Campo Grande terão reajuste de 5,4% dividido em três parcelas. Foto: Prefeitura de Campo Grande.

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A Prefeitura de Campo Grande sancionou nesta sexta-feira (25), tornando oficialmente lei, o reajuste de 5,4% nos salários dos professores e demais profissionais do quadro permanente do magistério municipal. O percentual, referente à atualização do Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério de 2026, será incorporado de forma escalonada e só estará integralmente na folha de pagamento a partir de janeiro de 2027.

A primeira parcela corresponde a 2% e terá efeitos financeiros retroativos a 1º de setembro deste ano. Outros 1,4% serão incorporados em dezembro, enquanto os 2% restantes passarão a valer em 1º de janeiro de 2027.

Com o cronograma, os vencimentos chegarão a dezembro com atualização acumulada de 3,4% em relação aos valores pagos em agosto. A conclusão do reajuste ocorrerá no início do próximo ano, quando será incorporada a última parcela e alcançado o percentual total de 5,4%.

O reajuste sancionado nesta sexta-feira é resultado de uma negociação entre a Prefeitura e os profissionais da educação que se estendeu por meses.

Durante as discussões, a categoria cobrou o cumprimento da atualização de 5,4% do piso e chegou a discutir propostas para a incorporação do percentual aos salários. O acordo final estabeleceu o pagamento escalonado em três parcelas e foi aprovado em assembleia pelos profissionais da educação.

A medida altera a tabela de vencimentos dos profissionais do quadro permanente do magistério municipal e é resultado de uma negociação entre a administração municipal e o Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP).

A proposta foi submetida aos trabalhadores durante Assembleia Geral Extraordinária da entidade e, segundo a Prefeitura, recebeu aprovação de quase a totalidade dos participantes.

O presidente da ACP, Giovano Bronzoni, afirmou que o parcelamento foi a alternativa considerada mais adequada pela categoria neste momento. Segundo ele, o acordo foi aprovado por quase unanimidade durante Assembleia Geral da entidade.

Professores da rede municipal de Campo Grande terão reajuste de 5,4% dividido em três parcelas.Prefeita Adriane Lopes sancionou nesta sexta-feira (25) a lei que oficializa o reajuste de 5,4% para o magistério municipal. Foto: Divulgação Prefeitura de Campo Grande.

Reajuste em três etapas

Na prática, a atualização salarial ficará dividida entre 2026 e 2027. A primeira parcela, embora a lei tenha sido sancionada nesta sexta-feira, terá efeitos financeiros desde o começo de setembro.

O cronograma estabelecido prevê:

  • Setembro de 2026: 2%;

  • Dezembro de 2026: mais 1,4%, chegando a 3,4%;

  • Janeiro de 2027: mais 2%, completando os 5,4%.

A prefeita Adriane Lopes afirmou que o acordo representa um avanço nas negociações com o magistério e reforçou que a educação permanece entre as prioridades da administração municipal.

A secretária municipal de Administração e Inovação, Andrea Alves Ferreira, destacou que a proposta foi construída de forma conjunta entre diferentes setores da Prefeitura e representantes da categoria.

Já o secretário municipal de Educação, Lucas Henrique Bittencourt, ressaltou que o cronograma de pagamento foi definido a partir das negociações com os profissionais da educação, buscando adequar a atualização salarial às condições de execução do município.

Piso do magistério

Os 5,4% correspondem ao percentual de atualização do Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério considerado pela legislação sancionada pelo município para 2026.

Apesar de a correção estar relacionada ao piso deste ano, a incorporação integral aos vencimentos dos profissionais da rede municipal ficará para 2027 por causa do parcelamento negociado.

Com a sanção, a nova tabela passa a disciplinar os vencimentos dos integrantes do quadro permanente do magistério, respeitando as três etapas estabelecidas no acordo entre Prefeitura e categoria.

Infiltração na polícia

Policiais da Denar traficaram 20% de apreensão recorde de cocaína em MS, diz Gaeco

Investigação aponta que ex-chefe e agentes da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) desviaram 120 kg de cocaína de apreensão histórica em MS, comercializando a fração por até R$ 18 mil o quilo

25/09/2026 18h50

Delegado Hoffmann D'Ávila apresenta carga recorde de cocaína em maio de 2024; 20% desta apreensão foi desviada, diz Gaeco

Delegado Hoffmann D'Ávila apresenta carga recorde de cocaína em maio de 2024; 20% desta apreensão foi desviada, diz Gaeco Marcelo Victor

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A investigação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) no bojo da Operação Infiltrados, desencadeada na quinta-feira (24), aponta o desvio de parte da carga de cocaína apreendida no município de Bela Vista em maio de 2024. A apreensão de 643 quilos de cocaína foi a maior já registrada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. 

A representação do GAECO à Justiça afirma que “há indicativos de que os policiais apreenderam mais droga) de 643 kg (seiscentos e quarenta e três quilos) de cocaína ocorrida no Município de Bela Vista. As equipes do Gaeco identificaram um desvio, pelos policiais, de 120 kg da droga apreendida para a organização criminosa. 

Segundo o Ministério Público, a venda dessa fração da droga, comercializada entre R$ 15 mil e R$ 18 mil o quilo, gerou rendimento de “ao menos R$ 2 milhões” aos envolvidos na transação, incluindo os agentes públicos.

Apreensão recorde

Em 21 de maio de 2024, uma ação da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (DENAR) no município de Bela Vista (MS) resultou na descoberta de um entreposto de drogas e caminhões de calcário equipados com fundos falsos, culminando na época na prisão em flagrante de três pessoas. 

A ocorrência, oficializada sob o Boletim de Ocorrência nº 89/2024/DENAR com o registro de 643 quilos de cocaína, foi apresentada à sociedade como um feito sem precedentes na repressão ao narcotráfico em Mato Grosso do Sul. 

Na época, a imprensa noticiou a apreensão como um “recorde histórico”, ressaltando a magnitude do carregamento avaliado no mercado em cerca de R$ 50 milhões conforme avaliação da época.

Os áudios de WhatsApp interceptados pelo Gaeco, contudo, indicavam que os agentes da Denar receberam a informação de que no local havia mais de 1 tonelada de cocaína, volume que não foi confirmado após a apreensão. 

O combinado entre os compradores da droga e a equipe da Denar envolvida no esquema era de um repasse de 30% do total se o peso passsasse de 1 tonelada e de 20%, se fosse inferior. 

As negociações entre agentes e intermediários do tráfico

As interceptações telemáticas anexadas ao processo registram a pactuação de percentuais de desvio. Em áudios atribuídos a Lucas da Silva dos Santos, o LK, o investigado, apontado como comprador da droga desviada, relata o contato com equipes de policiais: 

“Então, mané, foi igual que eu te falei, a minha equipe lá não vai, os caras querem pagar 20%, aí a equipe do Neguinho quer pagar 30%”. Sobre a recusa da proposta, o interlocutor afirma: “o chefe da equipe lá falou que ia pagar 30%, ele falou com o Delegado geral lá, e o Delegado geral não quer. Falou que não vira não”, consta na representação do Gaeco. 

Em outra gravação referente ao lote de Bela Vista, LK descreve a divisão do material: “Dá 30 quilos pra cada um, mano, mas vai dividir, 120 dividido pra 4, vai dar 30”. Ele declara também: “Se tivesse menos do que uma tonelada de 100, que nem lá tinha 600 e pouco, 643, eles que arredondaram lá pra 650, era 20%”, comentou.

Balcão de negócios e diálogos explícitos com o tráfico

As investigações do Ministério Público escancaram que a delegacia funcionava como um verdadeiro balcão de suprimentos para os traficantes.

Interceptações telemáticas revelam a intimidade entre policiais e operadores do crime como Lucas da Silva dos Santos, o LK, e Edimilson Santos Pereira.

Em uma das investidas em dezembro de 2022, logo após a chegada de 326 kg de cocaína à sede da DENAR, o Edimilson pedia expressamente que LK intercedesse junto aos investigadores Neverson Vieira de Araújo, Nilton Cesar Sales dos Santos e Roberto Palmeira da Silva, o Beto Palmeira:

“Vê se eles não pega dessa que chegou hj (...) Vamos pegar sim”, disse, em mensagem de WhatsApp interceptada pelo Gaeco. 

LK confirmou a transação sem qualquer acanhamento:

“Nos consegue uns 40 até amanhã pra pegar (...) Dá pra nós ganhar um lucrinho entendeu? Girar dinheiro pó, pra depois pagar os caras”. Relatos colhidos pelo GAECO apontam que os policiais da DENAR costumavam cooptar criminosos detidos na própria unidade para fechar acordos escusos: “chega aí, vamo trabalhar”.


Em outras ocasiões, o investigador Douglas Tobias entregava fardos de entorpecentes apreendidos diretamente a LK, agindo sob o aval e autorização do próprio delegado titular Hoffman D Ávila, segundo a representação do Gaeco.

A farra patrimonial e os crimes imputados aos agentes

A evolução patrimonial discrepante dos envolvidos caminhou no mesmo ritmo das cargas desviadas da delegacia. 

No mesmo ano da apreensão de Bela Vista, o delegado Hoffman D Ávila adquiriu um terreno de alto padrão em condomínio fechado por R$ 400.000,00 e realizou repasses financeiros de R$ 75.000,00 para a empresa Ateliê Raro, de propriedade do seu subordinado Douglas Tobias, em manobras identificadas como dissimulação de valores do tráfico.

Por causa da gravidade das condutas, o Gaeco pediu e a Justiça concedeu  a prisão preventiva dos policiais e detalhou o enquadramento penal de cada um no esquema:

  • O delegado Hoffman D Ávila Cândido e Sousa foi enquadrado nos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas, corrupção passiva, peculato, lavagem de capitais e violação de sigilo funcional.
  • O investigador Roberto Palmeira da Silva (Beto Palmeira) responde pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas, peculato e corrupção passiva.
  • O investigador Neverson Vieira de Araújo foi enquadrado por organização criminosa, tráfico de drogas, corrupção passiva e peculato.
  • O investigador Douglas Tobias foi enquadrado nos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e corrupção passiva.
  • Os agentes de segurança encarregados do vazar dados confidenciais dos sistemas oficiais SIGO e Córtex para o bando, como o cabo PM Alison Lemes Bezerra e o policial penal Vitor Ribeiro Venâncio dos Santos, foram enquadrados por organização criminosa, violação de sigilo funcional e favorecimento ao tráfico, respondendo o cabo PM Alison também por lavagem de capitais, segundo o Gaeco. 


 

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