Cidades

Campo Grande

Patrimônio de delegado que traficava cocaína salta de R$ 100 mil para milhões em 2 anos

Ex-chefe da Denar preso pelo Gaeco construiu acumulou carros zero, e construiu mansão no Alphaville, com elevador de R$ 89 mil e gastos milionários enquanto liderava na delegacia, esquema de repasse de drogas para outros traficantes

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No fim de 2023, o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, 56 anos, declarou à Receita Federal um patrimônio líquido de pouco menos de R$ 100 mil. Em 2025, a mesma declaração registrava bens de R$ 1,226 milhão, dois carros zero-quilômetro e uma casa em construção no condomínio Alphaville 1, em Campo Grande, cujo acabamento sozinho, segundo uma planilha guardada pelo próprio delegado, custaria R$ 1,649 milhão.

A evolução patrimonial é um dos pilares do pedido de prisão do Gaeco contra o ex-chefe da Denar, preso na Operação Infiltrados, em Campo Grande, na quinta-feira (24) sob acusação de comandar um esquema de desvio de drogas apreendidas. Os dados vieram da quebra dos sigilos bancário e fiscal.

“No final de 2023, com vários anos de carreira como Delegado de Polícia, o patrimônio de Hoffman era de R$ 100.000,00”, resumem os promotores. Nos anos anteriores, o saldo era negativo: dívidas superavam bens em 2020 e 2021. A virada, segundo a peça, coincide com o período em que o grupo passou a desviar cargas maiores de cocaína, a apreensão de 643 quilos em Bela Vista, chefiada por Hoffman em maio de 2024, é o episódio central da investigação.

Mansão do delegado Hoffmann, preso por desvio de cocaína em Mato Grosso do SulMansão do delegado Hoffmann levantada no Alphaville, em Campo Grande

No OneDrive, nuvem de arquivos da Microsoft, vinculado ao e-mail do delegado, o Gaeco localizou o arquivo “PAGAMENTOS OBRA ATUALIZADO.xlsx”. O documento lista, item a item, o que estava sendo gasto na casa no Alphaville 1: R$ 300 mil em madeiras, R$ 214,5 mil em revestimentos, R$ 170 mil em automação, R$ 190 mil em eletrodomésticos da marca Elettromec, R$ 89 mil no elevador, R$ 81 mil em ar-condicionado, R$ 21,5 mil na churrasqueira. 

O total é R$ 1,6 milhão, dos quais R$ 1,2 milhão já estavam pagos quando a planilha foi atualizada, em 2025.

O terreno foi registrado em 2024 por R$ 400 mil, “com grande parte pago em dinheiro vivo”, segundo a peça. O imóvel foi um dos 38 endereços de busca e apreensão cumpridos na quarta-feira.

Dinheiro em espécie

Os extratos do delegado mostram 32 depósitos em dinheiro entre outubro de 2021 e junho de 2025, somando R$ 328,5 mil. Em 11 de março de 2024, uma entrada de R$ 276 mil em espécie no caixa de uma agência bancária. No mesmo dia, um “saque com cartão para pagamentos” de R$ 265 mil. A conta da esposa recebeu outros 80 depósitos em dinheiro, de R$ 108 mil, no mesmo período.

Para justificar parte do patrimônio, Hoffman declarou no Imposto de Renda de 2025 um empréstimo de R$ 750 mil tomado junto à W Martins Representações e Comércio de Artigos de Mercearia Ltda. O Gaeco lista alguns motivos para não acreditar na operação. Segundo o relatório, a empresa é do ramo alimentício, tem capital social de R$ 20 mil, o dinheiro não aparece entrando na conta do delegado e não há qualquer amortização nas declarações seguintes. Os promotores tratam o contrato como “empréstimo simulado”, usado para dar aparência lícita ao dinheiro. O titular da empresa não é investigado.

Em 2025, o delegado ainda comprou um Honda HR-V, financiado, e uma Toyota Hilux registrada em nome da mulher, juntos, mais de R$ 400 mil, e vendeu um Jeep Compass por R$ 150 mil. Seus rendimentos declarados naquele ano foram de cerca de R$ 519 mil.

Outro fluxo chamou a atenção dos investigadores. Em agosto, setembro e outubro de 2025, Hoffman fez três transferências de R$ 25 mil cada para a Ateliê Raro Fabricação e Comércio de Móveis, empresa do investigador Douglas Tobias, seu subordinado na Denar, também preso na operação. 

A mesma empresa recebera, em outubro de 2024, R$ 130 mil do investigador Nelson Ricardo Barros de Oliveira, logo depois de Nelson receber R$ 313 mil em depósitos em dinheiro. Entre a conta pessoal de Douglas e a da empresa, o Gaeco contou cerca de R$ 500 mil em depósitos sem origem identificada desde 2021.

A relação de Hoffman com o grupo, segundo a peça, é antiga. Em setembro de 2021, o investigador Neverson Vieira de Araújo, apontado como o policial que recrutou o traficante LK, fez três Pix ao então chefe, somando R$ 5.900. Em dezembro de 2022, os dois viajaram juntos a Brasília para um encontro nacional de combate ao tráfico, representando a Denar.
 

Operação Jogo Limpo

PF apreende mais de R$ 250 mil e investiga financiamento irregular em campanha de Marcio Fernandes

Ação apura possível prática dos crimes de corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral

25/09/2026 15h15

Polícia Federal apreendeu diversos maços de dinheiro no comitê do deputado Márcio Fernandes

Polícia Federal apreendeu diversos maços de dinheiro no comitê do deputado Márcio Fernandes Fotos: Divulgação / PF

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Em ação realizada no início da tarde desta sexta-feira (25), a Polícia Federal apreendeu diversos maços de dinheiro no comitê de campanha do deputado estadual Márcio Fernandes (PL), localizado no bairro Chácara Cachoeira. A "batida" ocorreu também em seu apartamento, no Royal Park.  

Foram apreendidas dezenas de cédulas com notas de R$ 50 e R$ 100. Neste momento, a polícia ainda contabiliza o montante apreendido, contudo, a estimativa é de que mais de R$ 250 mil tenham sido confiscados.

A polícia cumpriu dois mandados de busca e apreensão, três celulares e um pen drive, além de material de campanha no âmbito da Operação "Jogo Limpo", que investiga a possível prática dos crimes de corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral. 

Em contato com o Correio do Estado, o advogado de defesa de Márcio Fernandes, Assahd Milan disse estar retornando de São Paulo e desconhece o mote das investigações até o momento, contudo, assegurou que o deputado não foi preso. "Não tive acesso aos autos do processo, mas eu asseguro que o deputado não está detido", destacou. 

Polícia Federal apreendeu diversos maços de dinheiro no comitê do deputado Márcio Fernandes Ação ocorreu por volta do meio-dia desta sexta-feira (25) / Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado

De início, a assessoria de imprensa do parlamentar alegou  que apesar do ocorrido, não havia qualquer interconrrência para além da "batida" policial, considerada como "rotina". Além disso, a equipe frisou que a polícia federal também agiu em outros comitês parlamentares espalhados pela Capital.

A ação ocorrida no Bairro Chácara Cachoeira acontece menos de 10 dias do primeiro turno, marcado para o próximo dia 4 de outubro. 

Cabe destacar que os candidatos não podem ser detidos ou presos até 6 de outubro. A prisão nesse período só pode acontecer em caso de flagrante delito.

A proteção está prevista no Código Eleitoral, uma vez que os candidatos não podem ser presos a partir de 15 dias antes da eleição até 48h depois da votação.

Se ocorrer a prisão de um candidato, ele deverá ser imediatamente conduzido à presença de um juiz competente, que irá avaliar a legalidade da detenção. Se constatar ilegalidade, o juiz deverá determinar a soltura imediata, além de poder responsabilizar o autor da prisão.

Mesmo que a detenção em flagrante delito seja confirmada, o candidato poderá concorrer às eleições, pois a legislação exige condenação por órgão colegiado ou trânsito em julgado (condenação definitiva) para impedir o direito de disputa.

MATO GROSSO DO SUL

Polícia vê aumento de adolescentes cooptados por facções em MS

Indivíduos com menos de 18 anos têm sido "contratados" por organizações criminosas com promessa de pagamento de aluguel e até cesta-básica

25/09/2026 13h13

Adolescentes são empregados para a prática de homicídios, roubos, etc.

Adolescentes são empregados para a prática de homicídios, roubos, etc. Arquivo/Correio do Estado/Bruno Henrique

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Em meio a uma guerra por disputa de território entre facções, a Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras) e Departamento de Polícia Especializada (DPE) apontam que há um número cada vez mais de adolescentes sendo cooptados pelas organizações criminosas em Mato Grosso do Sul.

Na manhã de hoje o diretor do Departamento de Polícia Especializada (DPE), Ivan Barreira, e o delegado do Garras, Roberto Oliveira Guimarães, detalharam a atual situação vivida no estado após ações de combate ao crime organizado na luta entre os integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).

Segundo o diretor do DPE, essa briga entre facções começou no norte de MS, vindo desde Coxim, município distante aproximadamente 257 quilômetros da Capital, descendo por Costa Rica e Três Lagoas até alcançar a região sul do Estado. 

Nesse sentido, as forças de segurança do Estado conduziram uma série de ações nesta última semana que, segundo a Polícia Civil, resultaram em prisões e confrontos, inclusive com registros das chamadas mortes por intervenção legal de agentes do Estado. Entre os trabalhos, a polícia evidencia a participação cada vez maior desses adolescentes em atuações criminosas.

"Menores" no mundo do crime

Segundo o diretor do DPE, boa parte dos adolescentes que são cooptados pelo crime acabam atraídos por promessas financeiras, cita Ivan Barreira. 

"Podemos ver que a maioria desses adolescentes vêm de uma situação financeira mais carente. Os cabeças das facções vendo isso atraem eles", comenta Ivan Barreira, diretor do DPE. 

Entretanto, aqui ele faz questão de traçar uma espécie de paralelo diferenciando o que seria o "modus operandi" do PCC e do CV, sendo o Comando Vermelho o principal responsável, segundo a Polícia Civil do Mato Grosso do Sul, por cooptar adolescentes para o mundo do crime. 

"É uma tendência da facção carioca. Porque se a gente pegar a outra paulista, não tem participação de tanto adolescente, enquanto que na outra é uma tendência crescente a utilização deles aqui no nosso Estado", diz o diretor do DPE. 

Ainda pelas informações das forças de segurança pública, entre essas promessas financeiras que os adolescentes recebem aparecem desde o custeio do aluguel de uma casa até o fornecimento de cestas-básicas e um "emprego" na participação do delito em si. 

Para o delegado do Garras, a participação desses menores de idade em organizações criminosas vai além da busca por uma brecha por parte das facções na legislação, de que esses teriam penas mais brandas, por exemplo. 

"Eles acabam integrando esses grupos de organização criminosa com uma própria forma de se identificar ou se pôr naquele meio social, porque eles expõem muita coisa, a conduta dele com sinais símbolos de facção, com armas de fogo, ostentando jóias... para se prevalecer dentro daquele núcleo, daquele meio social que ele tem", afirma Roberto Oliveira. 

Ainda segundo o delegado, essa "opção de poder" não chega a ser alcançada na proporção pregada pelos cabeças da facções, uma vez que não haveria tamanha estrutura a ser proporcionada pelas facções, o que leva os adolescentes cooptados a serem empregados para a prática de homicídios, roubos, etc. 

"E acaba, infelizmente, sendo preso, um acaba matando o outro, e o negócio não se sustenta", completa o delegado do Garras. 

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