O desaparecimento do caseiro Antônio Pereira, de 72 anos, terminou de forma trágica em uma área de preservação permanente às margens da MS-080, entre Campo Grande e Rochedo.
Após cinco dias de buscas, o idoso foi encontrado morto dentro de um saco de estopa, conhecido como "big bag", em meio a um brejo no Assentamento Conquista. A perícia constatou que a vítima sofreu diversas lesões na cabeça provocadas por um objeto contundente, evidenciando a violência empregada no homicídio.
O corpo foi localizado na manhã de quarta-feira (24), depois que moradores da região decidiram intensificar as buscas pelo trabalhador rural, desaparecido desde a última sexta-feira (19).
Segundo o boletim de ocorrência, uma vizinha percorria a propriedade quando encontrou o saco abandonado em uma área de mata. Ao perceber o forte odor vindo do local, acionou imediatamente a Polícia Militar.
As primeiras equipes que chegaram ao assentamento isolaram a área para o trabalho da Perícia Criminal e da Polícia Civil. Durante os exames iniciais, os peritos verificaram que Antônio apresentava múltiplos ferimentos na região da cabeça e descartaram morte por causas naturais.
Os exames também indicaram fratura craniana provocada por um objeto contundente. Durante o percurso até o local onde o corpo foi encontrado, os policiais localizaram uma foice.
Apesar da suspeita inicial, a perícia concluiu que o instrumento não possuía características compatíveis com os ferimentos identificados na vítima, afastando a possibilidade de ter sido utilizado no assassinato.
Desaparecimento despertou preocupação
A ausência de Antônio começou a chamar a atenção do proprietário da chácara onde ele trabalhava. Segundo relatos, o caseiro deixou de responder mensagens e não foi mais visto na propriedade, o que levou o dono do imóvel a comunicar o desaparecimento às autoridades.
Na residência da vítima foram encontrados documentos pessoais e uma mochila, reforçando a suspeita de que o idoso não teria deixado o local por vontade própria.
Moradores afirmaram que Antônio vivia havia anos na propriedade, utilizada para atividades de pecuária leiteira e agricultura, onde dividia o espaço com outro funcionário.
Principal suspeito desapareceu
Durante as investigações, policiais identificaram que um peão identificado apenas como Santos foi a última pessoa a manter contato com o caseiro antes do desaparecimento.
Conforme depoimentos colhidos pela polícia, no dia seguinte ao desaparecimento da vítima, Santos pediu carona até Campo Grande. No entanto, durante o trajeto, desistiu da viagem e informou que aguardaria outra carona às margens da rodovia, sem revelar seu destino.
O comportamento levantou suspeitas e fez com que ele passasse a ser considerado um dos principais investigados pela Polícia Civil.
Prisões
As investigações avançaram nas horas seguintes à localização do corpo e resultaram na prisão em flagrante de dois homens, de 50 e 55 anos, apontados como envolvidos no crime.
Até o momento, a Polícia Civil não divulgou detalhes sobre a participação de cada um deles nem informou a motivação do homicídio. O homem identificado como Santos também foi apontado como suspeito durante as investigações e chegou a ser procurado pelas autoridades.
O caso foi registrado inicialmente como homicídio simples e destruição, subtração e ocultação de cadáver. A Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) conduz as investigações para esclarecer a dinâmica do assassinato, identificar a motivação e confirmar a participação de todos os envolvidos.
Além da DHPP, participaram da ocorrência equipes da Polícia Militar, Grupo de Operações e Investigações (GOI), Corpo de Bombeiros, Perícia Criminal e da Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac-Cepol).
Após a conclusão dos trabalhos periciais, o corpo de Antônio Pereira foi encaminhado para os procedimentos funerários.

