Cidades

violência

Caso Sophia completa 2 meses e não há avanços na proteção de crianças

Audiência de instrução e julgamento de Stephanie de Jesus da Silva e Christian Leitheim, mãe e padrasto, responsáveis pela morte da menina, deve acontecer no dia 17 de abril

Continue lendo...

O caso de Sophia de Jesus Ocampo completa dois meses neste domingo, sem que mudanças no combate à violência contra a criança de fato tenham trazido resultados em Mato Grosso do Sul. Na prática, pouco se avançou na prevenção contra crimes bárbaros como o cometido contra a menina de apenas 2 anos. 

Por trás dos erros sistêmicos do sistema de saúde, da Justiça e do Conselho Tutelar, as medidas anunciadas até o momento ainda esbarram na burocracia, com os esforços concentrados no pós-violência, o que, de forma imediata, não é suficiente para evitar que crianças e adolescentes continuem sendo as maiores vítimas de violência sexual em Mato Grosso do Sul.

Ao Correio do Estado, Janice Andrade, advogada que representa o pai de Sophia, Jean Carlos Ocampo, e seu marido, Igor de Andrade, destacou que diversas mães e pais ainda relatam despreparo no atendimento oferecido nas delegacias e inaptidão para lidar com as crianças vítimas de violência.

“O atendimento na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente [DEPCA] é péssimo na escuta especializada das crianças e vítimas menores de idade, não há profissionais capacitados para isso. Temos relatos de mães que passaram mais de cinco horas sem que o boletim de ocorrência fosse lavrado”, afirmou Janice. 

A advogada destacou, ainda, que muitos erros são cometidos na elaboração dos boletins de ocorrência, redigidos, em sua maioria, de forma errada. “O despreparo do sistema continua, e não vejo nenhuma mudança na rede de proteção da criança e do adolescente nos últimos dois meses”, salientou. 

O CASO

Sophia de Jesus Ocampo, de 2 anos, chegou morta à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Coronel Antonino, em Campo Grande, no dia 26 de janeiro, após ser espancada pelo padrasto, Christian Campoçano Leitheim, de 25 anos, e pela mãe, Stephanie de Jesus da Silva. 

A criança já havia passado, em dois anos e sete meses de vida, por pelo menos 30 atendimentos nas unidades de saúde. O laudo necroscópico indicou que a pequena Sophia morreu por um traumatismo na coluna causado por agressão física. 

A criança apresentava, ainda, sinais de estupro, crime comprovado após análise feita pelo Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol). 

Conforme Janice Andrade, a audiência de instrução e julgamento de Stephanie de Jesus da Silva e Christian Leitheim deve acontecer no dia 17 de abril. 

INVESTIGAÇÃO

A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) de Campo Grande continua conduzindo a investigação para apurar as falhas cometidas no caso de Sophia. 

Em apenas dois anos de vida, a menina passou por 30 atendimentos nas UPAs, onde nenhum profissional identificou que a criança sofria violência.

No início deste mês, quando o primeiro prazo de 15 dias para a conclusão da investigação venceu, o Correio do Estado questionou a Sesau sobre o andamento da apuração. 

À época, a secretaria informou que a investigação ainda estava na fase inicial, quando os investigados e outros envolvidos no caso ainda seriam ouvidos. Ainda de acordo com a Sesau, o procedimento investigatório poderia ser estendido por mais três meses. 

A reportagem fez novo contato com a secretaria nesta sexta-feira e foi informada que o processo de sindicância segue em trâmite e em sigilo, em razão de seu conteúdo e objeto de apuração. Não foram informados prazos para a conclusão do processo de investigação na Sesau. 

O Correio do Estado também acionou a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e a Polícia Civil, questionando quantos atendimentos a crianças haviam sido realizados durante os plantões da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), serviço que começou a ser disponibilizado na unidade no início deste mês. Não houve resposta até o fechamento desta edição.

O espaço segue aberto para manifestação da Sejusp e da Polícia Civil. 

Em entrevista ao Correio do Estado no dia 11 de março, o titular da Sejusp, Antônio Carlos Videira, relatou que, desde o caso de Sophia, muitas denúncias passaram a vir de profissionais de saúde que atendem crianças nos postos e até de professoras, que percebiam comportamento atípico em seus alunos.

“E nós estamos fomentando cada vez mais as Salas Lilás, para ter um ambiente propício para a vítima ser atendida e relatar o fato. Mas não é somente isso: o que a gente precisa é não revitimizar a pessoa ou a criança. Por isso estamos fazendo uma recapacitação de oitivas especializadas”, disse Videira. 

Assine o Correio do Estado

Alerta para empresários

Golpistas usam nome de secretário para abordar empresas de Campo Grande

Mensagens falsas citam contratos públicos, CNPJs e matrículas funcionais para ganhar credibilidade e tentar obter contatos do setor financeiro

16/10/2026 13h31

Foto: Divulgação / Prefeitura de Campo Grande

Continue Lendo...

Empresas de Campo Grande estão sendo alvo de mensagens falsas pelo WhatsApp que usam o nome do secretário municipal de Fazenda, Isaac José de Araújo, para simular contatos oficiais sobre contratos administrativos e dados financeiros. O alerta foi divulgado nesta sexta-feira (16) pela Prefeitura, após a identificação de abordagens que utilizam informações de empresas e contratos públicos para transmitir credibilidade.

Segundo a Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz), os golpistas citam nomes de construtoras, números de Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e identificações de contratos administrativos. As mensagens também fazem referência a matrículas funcionais e solicitam os contatos dos responsáveis pelo setor financeiro das empresas.

A estratégia é usar dados que parecem oficiais para convencer os destinatários de que a conversa é legítima. A partir dessa abordagem, os criminosos tentam estabelecer contato com pessoas que podem ter acesso a informações financeiras ou administrativas.

A administração municipal afirma que o secretário e os órgãos públicos não utilizam o WhatsApp para solicitar transferências bancárias, pagamentos, senhas ou documentos. A orientação é não fornecer dados pessoais, bancários ou informações internas da empresa sem confirmar a legitimidade do pedido.

A Prefeitura recomenda que qualquer solicitação atribuída à Sefaz seja verificada diretamente pelos canais oficiais do município. Mensagens suspeitas devem ser desconsideradas, especialmente quando envolvem pedidos de informações financeiras ou contatos de funcionários responsáveis por pagamentos e contratos.

Empresários e prestadores de serviço que receberem abordagens desse tipo devem evitar responder ou fornecer dados até confirmar a identidade do solicitante com a administração municipal

DESÁGIO

Gigante da celulose reduz em 18% investimento para recuperar rodovia

Gigante da celulose vai investir R$ 5,33 milhões na construção de duas pontes e britagem de 35 km da MS-316, na região leste do Estado

16/10/2026 12h36

Acordo para doação das pontes e das 20 mil toneladas de pedra brita foi assinado nesta quinta-feira (15) e custo será menor que o estimado

Acordo para doação das pontes e das 20 mil toneladas de pedra brita foi assinado nesta quinta-feira (15) e custo será menor que o estimado

Continue Lendo...

Três meses depois da estimar investimento de R$ 6,49 milhões na recuperação de 35 quilômetros da MS-316 e na construção de duas pontes de concreto na mesma rodovia, a Arauco Celulose formalizou nesta quinta-feira (15) o acordo com a Agesul e anunciou gasto quase 18% menor, de R$ 5,33 milhões, do que o inicialmente previsto.

Extrato do contrato foi publicado no diário oficial do Governo do Estado nesta sexta-feira prevendo 
melhorias entre os quilômetros 133 e 168 da rodovia. A parceria prevê que a multinacional chilena forneça a brita para as obras, construa duas pontes e realizar os estudos ambientais necessários para fazer as obras.

As pontes, com estrutura mista (concreto e aço), serão construídas nos quilômetros 156 (Córrego Grande) e no quilômetro 161 (Córrego Morgado). Inicialmente o valor estava previsto em R$ 2.274.600,00. A responsabilidade pela execução das obras ficará toda com a Arauco, desde a elaboração do projeto até a conclusão das estrutura.

Além disso, o acordo inicial previa o fornecimento de 20 mil toneladas de pedra brita para melhorar as condições de tráfego em 35 quilômetros entre os municípios de Inocência e Aparecida do Taboado, ao custo total R$ 3.515.400,00. Neste caso, a empresa somente fará a doação. A responsabilidade pela distribuição e compactação das pedras, 571 toneladas por quilômetro, será da administração estadual.

A Arauco ainda havia assumido o compromisso de investir R$ 702.200,00 em estudos técnicos, ambientais e de engenharia necessários para subsidiar o processo de licenciamento. Na assinatura do acordo, nem Agesul nem Arauco explicaram a diferença no valor inicialmente previsto. Na época, porém, as empresas prestadoras dos serviços ainda não haviam sido contratadas.

De acordo com o gerente executivo de Logística Inbound da Arauco, Rodrigo Sugske, o projeto reafirma a visão estratégica e de longo prazo da Companhia no Estado. “A reestruturação da MS-316 assegura um fluxo contínuo e seguro para o transporte florestal, além de viabilizar o abastecimento sustentável da nossa futura unidade industrial. Trata-se de uma intervenção que eleva a eficiência das nossas operações, fortalece a malha viária rural do Estado e deixa um legado permanente de mobilidade e competitividade para toda a região”, ressaltou o executivo.

Para Guilherme Alcântara de Carvalho, secretário de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog), a assinatura deste contrato de doação representa um avanço concreto para a infraestrutura do Estado. “Ao somarmos esforços, garantimos uma expressiva economia de recursos públicos e aceleramos melhorias que já estavam na nossa agenda, entregando no dia a dia uma rodovia reestruturada, com capacidade para o escoamento da produção e segurança para todos que circulam pela região", destacou.

As obras de melhoria serão feitas às vésperas da ativação da fábrica de celulose que deve entrar em operação no final do próximo ano. O investimento é da ordem US$ 4,6 bilhões e a fábrica terá capacidade para produção de 3,5 milhões de toneladas de fibra curta de celulose/ano.

A obra ocupa uma área de 3.500 hectares, a 50 quilômetros do centro da cidade de Inocência (MS) e ao lado do Rio Sucuriú. A etapa de terraplanagem começou em 2024 e a previsão de entrada em operação é no final de 2027.

CAMINHÕES

Em meados de agosto a Arauco anunciou a compra de 350 camihões para fazer o transporte de madeira até a fábrica e boa parte destes vai utilizar a rodovia que a própria multinacional vai recuperar.

Aproximadamente 55 conjuntos serão incorporados à frota própria da Arauco, enquanto os demais serão cedidos em regime de comodato a empresas parceiras, que serão responsáveis pela disponibilização dos respectivos cavalos mecânicos.

A frota tem diferentes configurações de suspensão nos implementos, contemplando sistemas de suspensão pneumática e mecânica, o que permitirá avaliar o desempenho de cada tecnologia nas condições operacionais do transporte florestal.

Na época, Rodrigo Sugske Garcia, gerente executivo de Logística Florestal da Arauco, ressaltou que, além de robustez e grande produtividade, os tritrens foram customizados para aumentar a segurança dos motoristas e demais usuários das estradas.

"De modo inédito no setor florestal, os caminhões foram adaptados para atender aos requisitos da Arauco de resistência, durabilidade e segurança. E isso é fundamental para o compromisso que temos com o bem-estar das pessoas", afirmou o gerente.

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).