Cidades

DESRESPEITO

Cemitério tem túmulos violados e restos mortais desaparecem no RS

Cemitério tem túmulos violados e restos mortais desaparecem no RS

g1

03/01/2014 - 03h00
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Uma situação incomoda moradores do município e funcionários de um dos maiores cemitérios de Passo Fundo, na Região Norte do Rio Grande do Sul, há cerca de dois meses. No período, sepulturas foram violadas e até restos mortais desapareceram, além de materiais dos túmulos como mármore e esculturas.

O cercado que protege o terreno que tem mais de 10 mil sepulturas foi cortado no Cemitério Municipal da Petrópolis. Os moradores da cidade também reclamam que o número de vigilantes diminuiu. "É um mistério. Onde se viu fazer isso com as pessoas que já morreram?", questiona o motorista Lairson Camargo.

A Prefeitura de Passo Fundo diz que vai reforçar a segurança. "Temos que abraçar esse cemitério, esses túmulos abandonados e fazer uma restauração", acrescenta o coordenador de serviços gerais Nharam Vieira de Carvalho.

O funcionário do cemitério Edgar Pacheco admite que é complicado trabalhar no local, principalmente à noite. "De dia a gente está sempre aqui, esse vandalismo é feito de noite. A gente faz possível, os guardas também, só que a noite a guarita fica lá em cima, e o problema é aqui embaixo, então não tem como cuidar", conta.

O cemitério fica em uma área pouco movimentada no município e, segundo a administração, seria frequentado por usuários de drogas e vândalos. "A maioria das famílias não sabe o que está acontecendo. Quando vem ver o ente querido, acaba se deparando com essa situação", ressalta o aposentado Sérgio de Almeida.

Mesmo com medo, a cabeleireira Severiana Camargo não deixa de ir ao cemitério para tentar arrumar e preservar as sepulturas dos familiares. "É uma falta de respeito. Tem gente que não tem o que fazer e vem quebrar os túmulos. O cemitério está abandonado, praticamente", diz.

Eleições 2026

MS registra média de 27,3 mil faltosos a mais no 2º turno desde 2014

Levanto realizado pelo Correio do Estado considera apenas eleições gerais

08/10/2026 17h30

Eleitores em Campo Grande durante votação no último domingo (4)

Eleitores em Campo Grande durante votação no último domingo (4) Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado

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Em média, 27,3 mil eleitores deixam de votar entre o 1° e 2° turno das eleições gerais em Mato Grosso do Sul desde 2014, é o que apontam as estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

Conforme a Justiça Eleitoral, 483,2 mil eleitores não comparecerem às urnas no primeiro turno neste ano, números que colocam o estado como o mais faltante entre as 27 unidades da federação no último domingo (4). 

Apesar da média rasoável, os dados da Justiça eleitoral mostram que o índice de pessoas ausentes no segundo turno têm sido cada vez menor ao longo dos anos no Estado. Na disputa entre Dilma e Aécio (2014), 47,2 mil eleitores não votaram no segundo turno, vencido de forma acirrada pela ex-presidente petista. 

Quatro anos mais tarde, cerca de 29,3 mil eleitores não votaram no segundo turno entre Fernando Haddad (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro, ao passo que em 2022, apenas 5,3 mil não votaram.  

  • 2014 - 1° turno 373.371 ausentes / 2° turno 420.597 ausentes - 47.226 ausentes
  • 2018 - 1° turno 398.404 ausentes / 2° turno 427.761 ausentes - 29.357 ausentes
  • 2022 - 1° turno 440.788 ausentes / 2° turno 446.100 ausentes - 5.312 ausentes 

Somando exatos 2.024.430 eleitores aptos a votar neste ano em MS, o Estado registrou o comparecimento de somente 1.541.220 deste total, o que representa a porcentagem de 23,87% de abstenções na"festa da democracia".

Ou seja, com quase meio milhão de faltosos (483.210 que deixaram de votar em MS), além de estar no topo das abstenções Mato Grosso do Sul ficou ainda dois pontos percentuais acima da média nacional de abstenções que figurou em 21,08%.

Posso votar?

Conforme a Justiça eleitoral, quem não votou no 1º turno das Eleições Gerais de 2026 "pode e deve" votar no 2º turno, uma vez cada turno é considerado como uma eleição independente.

O não comparecimento à primeira etapa da votação, portanto, não impede a participação na segunda. Para votar, a eleitora e o eleitor precisam estar em situação regular com a Justiça Eleitoral, ou seja, o título eleitoral não pode estar cancelado nem suspenso. 

Mais de 158,7 milhões de eleitores estavam aptos a votar nas mais de 517 mil seções eleitorais. No 1º turno, 125,2 milhões de pessoas compareceram às urnas, o equivalente a quase 79% do eleitorado.

Quem não participou dessa primeira etapa de votação ainda poderá exercer o direito ao voto no 2º turno, que será realizado em todo o país para o cargo de presidente da República e em seis estados e no Distrito Federal para governador.

A disputa para o governo ocorrerá nos estados do Acre (AC), Amazonas (AM), Espírito Santo (ES), Rio de Janeiro (RJ), Rio Grande do Norte (RN), Tocantins (TO) e no Distrito Federal (DF). Nesses locais, os eleitores voltarão às urnas para escolher entre os dois candidatos mais votados no 1º turno.   

Para a Justiça Eleitoral, cada turno é uma etapa independente do processo de votação para a escolha de candidatos a determinados cargos eletivos.

O 2º turno ocorre quando nenhum candidato alcança a maioria absoluta dos votos válidos no 1º turno. O voto é obrigatório para brasileiras e brasileiros alfabetizados a partir dos 18 anos e até os 70 anos. Para jovens de 16 e 17 anos, pessoas analfabetas e maiores de 70 anos, o voto é facultativo.  

Prazos para justificar 

A justificativa é necessária para cada turno em que a eleitora ou o eleitor deixar de votar. Dessa forma, quem não compareceu ao 1º turno e também não puder votar no 2º deverá apresentar uma justificativa para cada ausência, respeitando os respectivos prazos.

O procedimento pode ser feito pelo aplicativo e-Título, pelo Autoatendimento Eleitoral – Título Net ou presencialmente, em qualquer cartório eleitoral, de acordo com os seguintes prazos: 

1º turno: até 3 de dezembro de 2026, para quem não votou em 4 de outubro; e 

2º turno: até 8 de janeiro de 2027, para quem não votar em 25 de outubro. 

Megaempreendimento

Megafábrica de celulose em MS chega a 81% das obras e prevê operação em 2027

Com investimento de US$ 4,6 bilhões, fábrica da Arauco em Inocência está no pico das obras e tem previsão de iniciar as operações no último trimestre de 2027.

08/10/2026 17h03

Vista aérea das obras da megafábrica da Arauco, em Inocência, que já alcançaram 81% de execução.

Vista aérea das obras da megafábrica da Arauco, em Inocência, que já alcançaram 81% de execução. Foto: Divulgação/Arauco.

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A construção da megafábrica de celulose da Arauco, em Inocência, município localizado no leste de Mato Grosso do Sul, alcançou 81% de execução e entrou em uma das etapas mais intensas de implantação. Com investimento estimado em US$ 4,6 bilhões, equivalente a cerca de R$ 25 bilhões, o empreendimento está entre os maiores projetos industriais privados em construção no Brasil.

A informação foi confirmada pela Arauco ao Correio do Estado. Segundo a companhia, os trabalhos seguem dentro do planejamento estabelecido, e a previsão de entrada em operação da unidade permanece para o último trimestre de 2027, entre outubro e dezembro.

Neste momento, a construção atravessa o chamado pico das obras, período de maior intensidade das atividades no canteiro, com foco na montagem eletromecânica dos equipamentos e das estruturas que vão compor a unidade industrial.

A etapa envolve a instalação e a integração de sistemas mecânicos e elétricos fundamentais para o funcionamento da fábrica, incluindo equipamentos utilizados nas diferentes fases do processo de produção da celulose.

Quando estiver em funcionamento, a unidade terá capacidade para produzir aproximadamente 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano, volume que colocará o empreendimento entre os maiores do setor em escala mundial.

Obras avançam e cronograma é mantido

O índice de 81% representa um novo marco na implantação do Projeto Sucuriú, nome dado ao complexo industrial da multinacional chilena em Mato Grosso do Sul.

Em maio deste ano, a construção da megafábrica havia alcançado 58% de execução física. Desde então, o empreendimento avançou 23 pontos percentuais, chegando aos atuais 81% de conclusão das obras.

Apesar do ritmo acelerado, a companhia não anunciou antecipação da entrada em operação e mantém a previsão para o último trimestre de 2027.

Informações divulgadas pelo diretor de Sustentabilidade e Relações Institucionais da Arauco, Theófilo Militão, durante o 58º Congresso e Exposição Internacional de Celulose e Papel, realizado em São Paulo, indicam que o projeto está seis pontos percentuais à frente do cronograma originalmente estabelecido.

A diferença funciona como uma margem de segurança para o cumprimento do calendário, especialmente diante da complexidade das próximas etapas da construção.

Mesmo após o início das operações, a produção não deverá atingir imediatamente a capacidade máxima. A expectativa apresentada pela companhia é de que a fábrica alcance sua capacidade plena ao longo de 2028, após o período de ajustes e estabilização do processo industrial.

Vista aérea das obras da megafábrica da Arauco, em Inocência, que já alcançaram 81% de execução. Estruturas industriais e equipamentos da fábrica de celulose da Arauco durante a fase de construção em Inocência. Foto: Divulgação/Arauco.

Uma das maiores fábricas de celulose do mundo

O Projeto Sucuriú representa o maior investimento da história da Arauco e marca a implantação da primeira fábrica de celulose da companhia em território brasileiro.

A unidade é projetada para se tornar a maior fábrica de celulose do mundo construída em uma única etapa, com capacidade anual de 3,5 milhões de toneladas.

Vista aérea das obras da megafábrica da Arauco, em Inocência, que já alcançaram 81% de execução. Construção do Projeto Sucuriú, em Inocência, representa investimento de US$ 4,6 bilhões e tem previsão de operação em 2027. Foto: Divulgação/Arauco.

A estrutura industrial está sendo implantada a aproximadamente 50 quilômetros do centro urbano de Inocência e contará com sistemas de automação e tecnologias voltadas à eficiência energética e à redução de resíduos e emissões.

Além da produção de celulose, o projeto prevê a geração de energia elétrica para abastecer as próprias operações industriais, com possibilidade de disponibilizar o excedente ao sistema elétrico.

A energia excedente é aquela produzida pela fábrica que não será utilizada em suas atividades e poderá ser destinada à rede de distribuição de eletricidade. Segundo a Arauco, a estimativa é de até 400 megawatts de potência excedente.

A dimensão do investimento coloca Inocência no centro da expansão da indústria de base florestal de Mato Grosso do Sul, setor que já possui importantes unidades industriais em municípios como Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo.

A instalação da fábrica também deverá ampliar a demanda por serviços, transporte, infraestrutura e mão de obra especializada, com reflexos na economia regional.

Ferrovia integra estrutura do empreendimento

Além do avanço na construção da unidade industrial, a Arauco conquistou mais uma etapa importante para estruturar o transporte da futura produção de celulose.

Na quarta-feira (7), a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) oficializou o registro da empresa como usuária dependente do serviço público de transporte ferroviário de cargas.

A decisão, publicada no Diário Oficial da União (DOU), permitirá que a produção do Projeto Sucuriú seja atendida pela malha ferroviária que conecta Mato Grosso do Sul ao Porto de Santos, em São Paulo, principal complexo portuário do País.

Conforme o documento, a operação contará com um sistema logístico multimodal, com origem em Inocência e destino a um Terminal de Uso Privado (TUP) localizado na região da Alemoa, no Porto de Santos.

O transporte será realizado pelas concessionárias Rumo Malha Norte S.A. e Rumo Malha Paulista S.A., responsáveis pelos trechos ferroviários que integrarão o corredor logístico destinado ao escoamento da produção.

A autorização representa mais um avanço na preparação da infraestrutura necessária ao funcionamento da megafábrica, que terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose anualmente.

Entretanto, o registro concedido pela ANTT não significa que o transporte ferroviário terá início imediato. A medida formaliza a condição da Arauco como usuária dependente do serviço e estabelece o enquadramento administrativo necessário para atender à futura demanda industrial.

O documento também não informa a quantidade de vagões que serão utilizados, o volume anual de cargas transportadas pelos trilhos nem a data prevista para o início efetivo das operações ferroviárias.

A decisão administrativa foi tomada em 17 de setembro, mas passou a vigorar com sua publicação no Diário Oficial da União, em 7 de outubro.

A novidade ocorre justamente no momento em que o Projeto Sucuriú alcança 81% de execução, aproximando a companhia da conclusão das instalações industriais previstas para entrar em operação no último trimestre de 2027.

Histórico de paralisações durante a construção

O avanço das obras ocorre após mobilizações trabalhistas registradas no canteiro do Projeto Sucuriú.

Conforme noticiado pelo Correio do Estado, em setembro deste ano, funcionários da Opus Construtech, uma das empresas contratadas para atuar na construção, realizaram uma paralisação em meio às negociações da data-base da categoria.

O movimento começou em 1º de setembro e chegou ao segundo dia sem anúncio de acordo definitivo. Entre os pontos discutidos estavam reajuste salarial, benefícios e condições de trabalho.

A paralisação envolveu trabalhadores de uma empresa contratada, não significando necessariamente a suspensão de todas as atividades do empreendimento, que conta com diferentes empresas responsáveis pelas frentes de construção.

Na ocasião, não havia confirmação oficial sobre o número total de trabalhadores que aderiram ao movimento.

O episódio se somou a outras mobilizações registradas durante a implantação do projeto, incluindo paralisações em 2025 e fevereiro de 2026.

Apesar desse histórico, a Arauco informou agora que a implantação segue dentro do planejamento estabelecido, com 81% de avanço físico e manutenção da previsão de início das operações no fim de 2027.

Com a construção em fase avançada, o próximo período será decisivo para a conclusão das instalações industriais e a preparação dos sistemas que permitirão colocar em funcionamento uma das maiores unidades de produção de celulose do mundo.

 

 

 

 

 

 

 

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