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MATO GROSSO DO SUL

Chuva chega ao pantanal e adia risco de queimadas

Volumes registrados em áreas pantaneiras ultrapassam 20mm e previsão indica mais instabilidades até domingo

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A volta da chuva ao Pantanal de Mato Grosso do Sul trouxe alívio temporário para uma região que, nos últimos anos, tem enfrentado períodos prolongados de estiagem e incêndios florestais severos. Dados meteorológicos registrados nesta sexta-feira (12) apontam precipitações em diferentes áreas pantaneiras, cenário que deve se manter ao longo do fim de semana e contribuir para reduzir o risco imediato de queimadas.

Entre os maiores acumulados registrados estão 20 milímetros na região da Serra do Amolar, em Corumbá, 17 milímetros na Fazenda Barranco Alto, em Aquidauana, e 21 milímetros na Fazenda Morro Alegre, em Corguinho. Em Porto Murtinho, município localizado na porção sul do Pantanal, foram contabilizados 11,2 milímetros apenas nesta sexta-feira, elevando para mais de 17 milímetros o volume acumulado nos últimos dias.

Também houve registro de chuva em Jardim (15,4 mm), Miranda (1,4 mm), Corumbá (2,2 mm na área urbana e 2,8 mm na região de Iumirim) e Campos Elísios (2,6 mm).

Na Capital, os maiores volumes ocorreram na região sul. Conforme medições pluviométricas, bairros como Anhanduizinho, Moreninhas, Aero Rancho e áreas próximas à saída para São Paulo concentraram cerca de 52 milímetros de chuva. Dados compilados pelo meteorologista Natálio Abraão apontaram ainda acumulados de 46,8 milímetros no Bairro Universitário, 29,8 milímetros no Carandá Bosque e 22,8 milímetros no Jardim Panamá.

Outros municípios também registraram precipitações significativas ao longo da tarde e noite, como Dois Irmãos do Buriti (32,2 mm), Bonito (28,8 mm), Cassilândia/Aporé (11 mm), Dourados (11,6 mm), Bela Vista (3,6 mm), Mundo Novo (3,1 mm, após registrar 54,8 mm no dia anterior) e Corumbá (1,6 mm durante a madrugada).

Clima

A tendência é que as instabilidades persistam nos próximos dias. Segundo a previsão meteorológica, Mato Grosso do Sul seguirá com sol entre nuvens, mas com condições favoráveis à ocorrência de pancadas de chuva e tempestades isoladas. Há risco pontual de raios, rajadas de vento e eventual queda de granizo, especialmente entre sábado (13) e domingo (14), quando a atmosfera ficará mais instável.

Os acumulados podem superar 40 milímetros em 24 horas, principalmente nas regiões centro-sul, sul, sudeste e leste do Estado. A formação e o aprofundamento de um ciclone extratropical na Região Sul do país, associados à atuação de cavados atmosféricos e ao intenso transporte de calor e umidade, favorecem a formação das áreas de chuva sobre Mato Grosso do Sul.

Nas cidades que integram a borda do Pantanal, a previsão mantém o cenário de instabilidade. Em Corumbá, as temperaturas variam entre 18°C e 34°C neste sábado, com pancadas de chuva e trovoadas isoladas ao longo do dia. Em Porto Murtinho, os termômetros devem oscilar entre 17°C e 25°C, enquanto Aquidauana terá mínima de 19°C e máxima de 27°C. Jardim, por sua vez, deve registrar temperaturas entre 16°C e 25°C.

A presença das chuvas aumenta a umidade do solo e da vegetação, condição considerada fundamental para reduzir a propagação de focos de incêndio. Embora ainda seja cedo para descartar riscos durante a estação seca, os volumes observados nesta semana representam um reforço importante para o Pantanal justamente no período em que historicamente começam a surgir as preocupações com as queimadas.

Junho de 2024 foi marcado por seca histórica 

No mesmo período do ano passado, o Pantanal vivia uma realidade oposta à observada neste fim de semana. Em vez de chuva, a preocupação era com a estiagem extrema, que favoreceu uma explosão no número de queimadas e levou o bioma a registrar uma das piores crises ambientais de sua história recente.

Levantamento divulgado pelo SOS Pantanal em junho de 2024 apontava aumento superior a 1.000% nos focos de incêndio em comparação com o mesmo período de 2023.

Dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (LASA/UFRJ) mostravam que mais de 332 mil hectares já haviam sido consumidos pelo fogo apenas nos primeiros meses daquele ano, área superior aos 239 mil hectares queimados em igual período de 2020, até então considerado o pior ano da série histórica.

A estiagem também atingia os recursos hídricos da região. Em maio de 2024, a régua de Ladário, utilizada para monitorar o nível do Rio Paraguai desde 1900, registrou a menor cheia da série histórica.

À época, especialistas alertavam que os rios da Bacia do Paraguai estavam próximos dos níveis mínimos já observados, situação que ameaçava o abastecimento de água, a navegação, a pesca, o turismo e o escoamento da produção mineral e agrícola.

Diante desse cenário, os volumes de chuva registrados nesta semana em municípios pantaneiros como Corumbá, Porto Murtinho e Aquidauana representam um alívio temporário para o bioma. Embora não sejam suficientes para reverter os efeitos acumulados da seca, as precipitações elevam a umidade da vegetação e ajudam a retardar o surgimento de grandes incêndios florestais no início do período seco.

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julgamento

Conversas de Major Carvalho expuseram como funcionava rede de tráfico de drogas

Julgamento do Pablo Escobar Brasileiro e outros 30 acusados chegou ao terceiro dia na Bélgica

09/09/2026 18h52

Ex-major da PM de MS, Sérgio Roberto de Carvalho

Ex-major da PM de MS, Sérgio Roberto de Carvalho Foto: VRT News

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No terceiro dia de julgamento do ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul Sergio Roberto de Carvalho na Bélgica, o Ministério Público Federal daquele país mostrou como foi possível descobrir detalhes sobre o último carregamento de cocaína enviado do Brasil para a Europa pertencente a organização criminosa. A interceptação de mensagens entre o ex-policial foi fundamental para isso acontecer.

Segundo o Ministério Público Federal da Bélgica, foi graças a mensagens obtidas através da criptografia do serviço de mensagens EncroChat que os investigadores conseguiram reconstruir integralmente o último carregamento de cocaína da organização.

Matéria de sites belgas apontam que a magistrada federal Marianne Capelle analisou hora a hora  das mensagens trocadas pelos suspeitos, entre eles o ex-major Carvalho, no período entre o final de março de 2020 e o começo de abril do mesmo ano. 

“Sergio Roberto de Carvalho, o fornecedor da cocaína, envia então fotos dos contêineres onde a cocaína está escondida, bem como fotos dos números dos contêineres e dos lacres, e inclui uma lista detalhada dos contêineres que de fato contêm cocaína e dos demais que contêm apenas minério de manganês”, revelou o Ministério Público da Bélgica ontem, no julgamento.

Essas informações teria sido mandadas para celular de membros da organização criminosa gerida por Flor Bressers, tratado com um dos cabeças da quadrilha. 

A remessa chegou neste período das mensagens trocadas ao Porto de Roterdã, na Holanda, onde foi interceptada pela alfândega e pela polícia do país.

Ainda segundo apurou o Minitério Público Federal, foi identificado por meio dessas mensagens, “uma considerável inquietação dentro da organização criminosa quando os contêineres inicialmente não foram liberados pela alfândega e ameaçaram passar por uma inspeção minuciosa”.

A carga foi finalmente liberada em 14 de abril de 2020. Porém, a alfândega holandesa já havia descoberto e substituído a cocaína, e decidiu vigiar os contêineres para prender os responsáveis pela coleta.

No dia seguinte a organização transferiu dois contêineres para um armazém em Best, município holandês. A polícia de lá invadiu o local e prendeu cinco suspeitos naquela ocasião.

O carregamento interceptado era de 3,2 toneladas de cocaína. Porém, ainda segundo as mensagens, a rede que tinha major Carvalho como um dos cabeças, contrabandeou pelo menos 45 toneladas de cocaína por meio de portos europeus em um período de seis meses.

As investigações também descobriram que a empresa de tratamento de água Kriva Rochem, da Bélgica, estava envolvida no contrabando de cocaína a partir do Brasil.

JULGAMENTO

O julgamento começou em 15 de setembro de 2025 e tem quase um ano em andamento, com inúmeras paralisações durante este período e foi retomado na última segunda-feira (7).

São mais de 30 acusados, entre ex-major da PM de MS. O local onde os acusados ficam durante o júri, uma espécie de cabine de vidro, também é questionada pelos advogados. 

MAJOR CARVALHO

O ex-major Carvalho foi preso na Hungria em 2023, com um passaporte mexicano falso e era procurado pelas polícias do Brasil e pela Europa. Atualmente ele está detido na Bélgica.

Conhecido como “Pablo Escobar brasileiro”, a Polícia Federal (PF) estima que Major Carvalho tenha movimentado R$ 2,25 bilhões entre os anos de 2018 e 2020, com exportações de cocaína à Europa. 
 
O ex-major ingressou na Polícia Militar de Mato Grosso do Sul no fim da década de 1980 como comandante do Batalhão Militar de Amambai, área de fronteira do Estado com o Paraguai.  

Na década de 1990, Carvalho já estava envolvido com atos ilícitos, como o contrabando de pneus. Anos depois, o ex-major foi pego contrabandeando uísque.

No Brasil, o Porto de Paranaguá (PR) era o preferido da quadrilha de Carvalho para as remessas de drogas ao Velho Continente.

denúncia aceita

Ex-diretor de presídio vira réu por receber propina de facção para facilitar crimes na cadeia

Policiais penais eram pagos por criminosos para liberarem entrada de drogas, celulares e para beneficiar detentos do Presídio Estadual de Dourados

09/09/2026 18h41

Policiais penais recebiam propinas de internos da Penitenciária de Dourados

Policiais penais recebiam propinas de internos da Penitenciária de Dourados Foto: Dourados News

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O juiz Marcel Goulart Vieira, da 2ª Vara Criminal de Dourados, aceitou denúncia contra o ex-diretor da Peninteciária Estadual de Dourados (PED), Rangel Schveiger, e mais 10 pessoas, entre servidores, detentos e uma advogada, por envolvimento em crimes cometidos dentro do estabelecimento prisional, dentre eles tráfico de drogas, corrupção de servidores públicos e um homicídio.

Ao aceitar a denúncia, o magistrado afirmou que estão presentes prova da materialidade do crime, bem como indícios suficientes da autoria. Assim, todos viraram réus pelos crimes de pelos crimes de corrupção ativa e passiva, favorecimento real, fraude em licitações e advocacia administrativa.

Segundo a denúncia, o ex-diretor, outros policiais penais e a advogada desenvolveram uma verdadeira organização criminosa dentro da PED, mediante recebimento de valores pagos por presos e seus familiares para facilitarem a prárica de crimes de tráfico de drogas e porte de arma, além de permitir a entrada de aparelhos celulares na unidade.

Schveiger utilizava das prerrogativas do cargo para comercilizar celulares dentro do presídio e também tinha relação financeira e comercial comum interno que ficava na cantina.

Ainda conforme a denúncia, foi verificado um esquema para pagamento e facilidades dentro da PED e da Gameleira II visando garantir benefícios a um detento apontado como liderança da facção criminosa Comando Vermelho (CV), além de outros internos indicados por ele.

As investigações apontaram que em uma das negociações, foi pago R$ 9 mil para um policial permitir o ingressso de um celular na unidade e R$ 300 mil a outro, para que um preso tivesse exclusividade na venda de droga e portasse uma pistola .9 mm dentro da penintenciária.

Na denúncia, o Ministério Público Estadual também pediu o afastamento das funções e da perda de acesso aos sistemas de informação dos acusados, mas o juiz não acolheu os pedidos.

"Isso porque, conquanto os supostos delitos tenham sido praticados durante o exercício da função pública, verifica-se que os fatos datam do ano de 2024, não havendo notícias contemporâneas nos autos de que os acusados estariam abusando de suas funções ou utilizando- se indevidamente dos sistemas mencionados pelo MPE, razão pela qual deixo, por ora, de determinar a suspensão", disse o magistrado ao receber a denúncia.

O processo segue em fase de prazo para manifestação da defesa dos acusados.

Foram denunciados:

  • Aline Guerrato Foroni - advogada
  • Aluizio Boteiro Chastel Villazante - policial penal
  • Eduardo de Jesus de Oliveira, vulgo Cachoeirinha - detento
  • Eduardo Trigueiro dos Santos Silva - policial penal
  • Gislaine de Souza Fonseca Schveiger - policial penal
  • Herberte Gonçalves Mareco, vulgo PM aposentado - detento
  • Luciano da Silva Cunha, vulgo Pescoço de Frango - detento
  • Luis Élio Gonçalves Filho, vulgo Cabeça de Porco ou Gordão - detento
  • Mauro Pereira dos Santos - policial penal
  • Rafael Garcia Ribeiro - policial penal
  • Rangel Schveiger - policial penal e ex-diretor da PED

Operação Sátrapa

Conforme reportagem do Correio do Estado, a quadrilha foi desmantelada durante a Operação Sátrapa, deflagrada em fevereiro de 2025 pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco/MS), com o objetivo de apurar os crimes cometidos dentro do presídio.

As investigações tiveram início em 2024, após a polícia receber informações de que um policial penal estaria ingressando no Presídio Estadual de Dourados com droga e celulares.

Ele chegou a ser preso em flagrante em julho do mesmo ano, transportando cerca de 1,5kg de entorpecentes para o interior da unidade prisional. Durante a operação, o diretor foi afastado do cargo e passou a ser monitorado com tornozeleira eletrônica.

Além do diretor, outros servidores também estariam envolvidos em ao menos um homicídio, cometido dentro do presídio, a mando de um interno que afirmava ser líder de uma facção criminosa e que atualmente cumpre pena no sistema federal.

A esposa do apontado como mandante, que é advogada, também foi denunciada e virou réu. O juiz determinou que a denúncia seja comunicada a Ordem dos Advogados do Brasil seccional de Mato Grosso do Sul (OAB/MS).

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