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Chuvas fazem camalotes entupirem corixos utilizados para locomoção

Comunidades no Alto Pantanal ficam sem acesso e viagens até a cidade de Corumbá chegam a demorar nove horas; atendimento médico também foi prejudicado nessas regiões mais distantes

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Quem depende diariamente da navegação pelo Rio Paraguai e por alguns córregos que se conectam com essa via fluvial tem enfrentado como obstáculos os camalotes, que estão entupindo vários canais.

O acúmulo de camalotes tem sido constante em diferentes regiões do Alto Pantanal, que fica na região da Serra do Amolar, e em áreas mais ao sul. 

A complicação causa demora para pessoas conseguirem transitar entre propriedades, viajar para Corumbá e, até mesmo, buscar ajuda médica.

A situação nessas áreas passou a ser comum a partir de janeiro deste ano, quando as chuvas tornaram-se mais constantes no Pantanal. Antes da estiagem mais severa, entre 2019 e 2022, algumas áreas do bioma chegaram a ter ilhas formadas por camalotes. 

Estudo publicado em 2016 pelo geólogo Mario Luis Assine e pelo geógrafo Eder Renato Merino, por exemplo, identificou um lago de 1 mil km² escondido sob as plantas aquáticas. Isso foi na planície do Rio Negro, região do Pantanal.

Desde 2020, essa condição de plantas aquáticas inundando corixos (cursos d’água de fluxo estacional, com calha definida – leito abandonado de rio –, geralmente com mata ciliar, de acordo com a Embrapa Pantanal) e outras áreas não era observada pelos pantaneiros e por quem navega no Rio Paraguai e tributários. 

O entupimento de canais e rios começou a ser vivenciado em fevereiro. No fim do mês passado, cerca de 5 km de camalotes fecharam ou dificultaram a navegação pelo Rio Negrinho, que liga o acesso do Rio Taquari para quem segue para Corumbá. Nessa região, por ser planície, esse tipo de ocorrência acaba sendo mais comum.

Porém, os camalotes estão espalhando-se por diferentes regiões do Pantanal e mesmo em regiões mais altas já ocorre o bloqueio de corixos. Na região do Porto São Pedro, no Rio Paraguai, há ilhas de plantas aquáticas gerando dificuldades para quem precisa navegar. 

Um peão de fazenda que se machucou nessa região, no dia 21 de março, enfrentou dificuldades para chegar ao porto e obter resgate do Corpo de Bombeiros de Corumbá.

Além da chuva, que impediu a navegação, a viagem demorou em torno de nove horas para ser feita a partir de uma rabeta, que é um tipo de embarcação mais simples. 

Ilson da Silva, 57 anos, e a esposa, Noremir Campos Rondon, só conseguiram acessar o Porto Geral de Corumbá dois dias depois, por volta das 11h do dia 23.

Ilson sofreu um deslocamento de clavícula quando tentava laçar gado na fazenda onde trabalha. Precisou ficar com uma tipoia parte desse período em que ficou em deslocamento, além de aguentar a dor da lesão. Agora, está internado em observação na Santa Casa de Corumbá.

Conforme a esposa, Noremir, a situação dos corixos fechados com camalotes afeta dezenas de pessoas. Só onde ela mora, são seis trabalhadores, mas o trecho dá acesso para mais de seis propriedades. 

“O corixo Mata-Cachorro acabou, tapou de camalote. Na fazenda onde trabalhamos tem seis pessoas, mas tem mais gente que fica mais perto do Porto [Ipiranga]. Todo mundo depende desse corixo. Fazenda Ipiranga, Fazenda São Miguel, Fazenda São Camilo, Fazenda Belém, Fazenda Treze, Fazenda São Venceslau, tudo depende desse caminho”, contou.

Alyson Gomes da Silva vive no Aterro do Binega, uma área na região da Barra do São Lourenço, com outras 20 pessoas. Para conseguir buscar iscas vivas, uma das suas atividades de trabalho, o entupimento com camalotes tem gerado desafios.

“Aqui, geralmente afeta [a presença de camalotes] porque a boca que dá acesso fica entupida. Chega muito camalote que roda o Rio Paraguai e para no acesso de saída aqui de casa. Tem um riozinho que fica fechado. A gente fica sem o acesso para fazer a rotina de pegar isca. E quem precisa desentupir é a gente”, relatou.

Nessa área, há a construção de uma escola municipal, porém, com as dificuldades de acesso e as longas distâncias entre o local e Corumbá, a obra está paralisada. 

Outro pantaneiro que relatou a dificuldade gerada pelos camalotes é o condutor de turismo Wilson Malheiros, 36 anos. Ele vive na Comunidade do Amolar, próximo do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense. 

“Muitos corixos acumularam camalote, a maioria nessa região, para falar a verdade. Tem também betumes [ou baceiro, que é uma vegetação flutuante formada por diversas plantas aquáticas]. São barcos pequenos, com motor 40, marajó, que costumam navegar nesses locais”, disse Wilson.

Por conta do trabalho como condutor de turismo e de pesquisadores, por meio Instituto Homem Pantaneiro (IHP), Wilson apontou que os corixos fechados atualmente estão nos riozinhos da Penha, do Olho Grande, Corixo do Felipe, Corixo do Tarumã e Corixo do Magalhães. 

“Esses locais servem de acesso para turistas, por exemplo. É o caminho usado para tentar o avistamento de onças-pintadas”, contou. Moradores da Barra do São Lourenço também acessam essas regiões para coleta de iscas.

Conforme Wilson, o desentupimento desses locais só acontece efetivamente quando ocorre uma grande enchente do Rio Paraguai. Nessa condição, a força da água acaba empurrando a vegetação aquática. 

A reportagem procurou o governo do Estado para verificar se existe algum tipo de ação para desentupir essas áreas, mas não há nenhuma atividade programada. Em geral, esse trabalho de limpar esses canais é feito por quem utiliza a navegação local.

O acumulado de chuva na Bacia do Alto Paraguai é de 228 mm nos últimos 28 dias, de 271 mm no Alto Cuiabá e de 170 mm para o São Lourenço, ambas regiões que afetam o Rio Paraguai na região da Serra do Amolar e curso do rio abaixo, sentido Corumbá. Os dados são do dia 23 de março, do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM).

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campo grande

Marcha para Jesus reúne milhares de fiéis e organização barra campanha política

Evento começou debaixo de chuva, mas precipatações deram uma trégua e público aumentou; politicos que levaram bandeiras foram orientados a guardá-las

26/08/2026 17h00

Público acompanhou Marcha até o Parque das Nações, onde mais fiéis aguardavam

Público acompanhou Marcha até o Parque das Nações, onde mais fiéis aguardavam Foto: Paulo Ribas

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A tradicional Marcha para Jesus reuniu milhares de fieis na tarde desta quarta-feira (26), em Campo Grande. O evento começou com chuva, mas as precipitações deram uma trégua e o público aumentou ao longo da tarde. Políticos que tantaram usar o evento para campanha foram barrados pela organização.

A organização, Polícia Militar e Guarda Municipal não deram estimativa oficial do número de participantes, que passou da casa do milhar.

O evento começou às 13h, ainda sob chuva, na Praça do Rádio Clube, onde houve a concentração e show com a banda nacional Get Worship e outras três regionais. Com capas e guarda-chuvas, cerca de 400 pessoas acompanharam o início da Marcha.

O organizador do evento, presidente do Conselho Municipal de Pastores de Campo Grande (Consepacg), Apóstolo Gladiston Amorim, disse que a expectativa era reunir, ao todo, cerca de 40 mil pessoas, contando as que participaram da concentração, da marcha, e as que esperavam no Parque das Nações Indígenas, onde será o encerramento e que, segundo ele, é onde há a maior concentração de público.

No entanto, com a instabilidade do tempo, a expectativa de participação foi reduzida. "Com a mudança no tempo, provavelmente vai diminuir esse número, mas isso não é problema, não dá para saber", disse.

O evento reuniu ainda alguns políticos, como a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), na abertura, e o governador Eduardo Riedel (PP), no encerramento, além de alguns candidatos a deputados estaduais e federais.

Alguns chegaram a levar bandeiras e material de campanha, mas foram orientados pela organização a guardarem por não ser local para campanha. Não foi informado quais foram os candidatos advertidos, mas entre eles está Giselle Marques (PT), que concorre a deputada federal.

A prefeita disse a Marcha já é histórica e que neste ano, a chuva foi benção. "Campo Grande recebe não só uma palavra, mas recebe também homens e mulheres que oraram até aqui para que a cidade seja cada dia mais abençoada. Quero louvar a Deus pela vida de cada pessoa que se levantou em oração nesse período, em especial no dia de hoje, onde a marcha acontece mesmo com chuva, mas trazendo bençãos para as famílias da Capital e para a cidade", disse.

O pastor explicou que apesar de ser um movimento do segmento evangélico, a Marcha é aberta ao público em geral.

"Esse é um evento que a gente tem só uma vez por ano, é um evento que acontece não só no Brasil, mas em muitos lugares do mundo, milhares de cidades realizam a Marcha para Jesus, que é uma celebração da nossa fé, é um culto de adoração a Cristo Jesus. Cada igreja, seja evangélica ou católica, nós nos reunimos para cultuar o nosso Senhor, mas uma vez nós saímos da igreja para cultuar em ambiente público em unidade, então esse é um evento de união do corpo de Cristo, para adorar nosso Senhor", acrescentou.

Chuva não desanimou

A massoterapeuta Kelly Martins participou do evento e disse que os cristãos devem mostrar ao mundo a importância de louvar a Deus, além de também ir ao local para prestigiar a sua igreja, a Igreja Evangélica Irmãos Menonitas .

"A chuva não desanimou, tudo o que vem Deius é bem-vindo, se Ele quis assim, a gente tem que glorificar", disse.

A estudante Ana Clara Martins também enfrentou a chuva. Ela, que não conseguiu ir a Marcha para Jesus no ano passado por estar trabalhando, afirmou que sentiu no coração que deveria prestigiar a edição deste ano.

"Esse ano, mesmo com a chuva, eu senti no coração que eu devia estar aqui para louvar a Deus independente do tempo, por tudo o que Ele faz para a gente, não importa se está sol ou está chuva, Ele está sempre do nosso lado cuidando de nós, então nada mais justo do que estar aqui independente do tempo", afirmou.

Por volta das 16h, já sem chuva,  os fieis saíram da Praça do Rádio Clube e iniciaram a marcha, rumo ao Parque das Nações Indígenas, acompanhando trio elétrico, onde havia show e pregação ao longo do caminho. Com a trégua nas chuvas, o público aumentou.

Os fiéis seguiram pela Avenida Afonso Pena e pararam em frente ao Paço Municipal para fazer uma oração pela cidade e pela gestão municipal, continuando a marcha em seguida. 

No Parque das Nações Indígenas, foi montado um palco onde a programação segue até 21h. Estão previstos shows com John Dias e Maria Marçal e outras três regionais, além de uma palavra do Apóstolo Luiz Hermínio.

Público acompanhou Marcha até o Parque das Nações, onde mais fiéis aguardavam Foto: Evento começou com chuva, na Praça do Rádio Clube

Direitos autorais

Justiça barra repertório musical às vésperas do Festival de Inverno de Bonito

Por falta de pagamento de direitos autorais ao Ecad, decisão judicial proíbe músicas protegidas

26/08/2026 16h00

Seu Jorge está entre as principais atrações do evento neste ano

Seu Jorge está entre as principais atrações do evento neste ano Foto: Reprodução

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A Justiça determinou a proibição e a suspensão da execução pública de músicas e fonogramas protegidos por direitos autorais durante o 25º Festival de Inverno de Bonito 2026.

A decisão liminar, expedida pela 2ª Vara da Comarca de Bonito, atende a um pedido incidental de urgência do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad).

Apesar da restrição ao repertório musical, a organização do festival confirmou que a abertura oficial está mantida para as 20h desta quarta-feira (26).

De acordo com o magistrado Ronaldo Gonçalves Onofre, o município de Bonito e a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS) devem se abster de promover ou viabilizar a execução de obras musicais e lítero-musicais enquanto não comprovarem o licenciamento junto ao Ecad.

A medida também autoriza a presença de fiscais técnicos do Ecad no evento para monitorar o cumprimento da ordem. Caso a regularização seja apresentada nos autos do processo, a proibição é derrubada automaticamente. O juiz manteve ainda uma multa cominatória em caso de descumprimento.

O próprio despacho do juiz esclarece que a decisão não cancela o Festival de Inverno de Bonito 2026. O evento pode prosseguir normalmente com todas as atividades que não envolvam o uso de músicas protegidas e sem autorização.

Na prática, palestras, peças teatrais sem trilha protegida, exposições de artes visuais e a gastronomia operam sem restrições.

A Fundação de Cultura de MS tentou argumentar no processo que estava em negociações administrativas com o órgão de arrecadação, incluindo mediações por meio da Câmara Administrativa de Solução de Conflitos (CASC/PGE-MS).

Apsar das alegações, o juiz Ronaldo Gonçalves Onofre destacou que tais providências revelam intenção de regularização, mas não equivalem ao licenciamento exigido pela legislação autoral. Oficiais de Justiça foram acionados para intimar os envolvidos com urgência devido ao início imediato do festival.

Programação 

A cerimônia oficial está prevista para as 20h, no Palco Sol. Antes, às 18h30, o Balé Municipal de Bonito e a Cia. Juvenil de Bonito apresentam o espetáculo “Luma”.

Depois da abertura, o Corpo de Dança Sesc MS apresenta “Te Amo”, às 20h30. No Palco Lua, DJ Mixxel toca a partir do mesmo horário e, às 21h, entra a Orquestra Jovem Sesc MS.

A programação segue com Karla Coronel, às 21h10, no Palco Sesc Estrela, e com a Cia. Selma Azambuja, que apresenta “Diálogo”, às 21h40, no Palco Sol.

Às 22h, o Grupo Municipal de Porto Murtinho apresenta o Touro Encantado. O show Canta Bonito começa às 22h30 e DJ Fred Canhão fecha a programação do Palco Lua, a partir das 23h30.

Shows principais

 Ferrugem está na programação de quinta-feira (27), com apresentação prevista para as 22h30, no Palco Lua.

Na sexta-feira (28), quem ocupa o mesmo palco e horário é Léo Foguete. A programação do dia também inclui atrações locais e regionais, apresentações de dança, teatro, DJs e atividades espalhadas por diferentes espaços de Bonito.

Seu Jorge é a principal atração musical de sábado (29). O cantor tem show previsto para começar às 22h30, também no Palco Lua.

O festival termina no domingo (30). Entre as atrações previstas para o último dia está a dupla Humberto e Ronaldo, com show das 21h30 às 23h.

Além dos shows, a programação dos cinco dias inclui atividades de gastronomia, artesanato, moda, literatura, cultura geek, dança, circo e artes visuais.

A identidade desta edição usa o udu-de-coroa-azul e o conceito “A Arte que Voa Alto, Pousa em Bonito”.

PROGRAMAÇÃO DE HOJE

  • 15h – Contação de história “Zeca Bigode e Tio Manoel”
  • 16h – Início das atividades do roteiro cultural
  • 17h – Live painting com Anelise Godoy
  • 17h30 – “Os Saltimbancos”, no Palco Sol
  • 17h30 – Cortejo de abertura, com saída da Prefeitura
  • 18h – Abertura do Lounge Geek-Literário e espaços de artesanato
  • 18h30 – Espetáculo “Luma”
  • 20h – Abertura oficial
  • 20h30 – Espetáculo “Te Amo” e DJ Mixxel
  • 21h – Orquestra Jovem Sesc MS
  • 21h10 – Karla Coronel
  • 21h40 – Espetáculo “Diálogo”
  • 22h – Touro Encantado
  • 22h30 – Canta Bonito
  • 23h30 – DJ Fred Canhão

 

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