A Vigilância Sanitária Municipal esteve mais uma vez em uma clínica de estética que terminou interditada por ter produtos irregulares, vencidos e fora do prazo de validade, em Campo Grande.
A ordem de verificação do estabelecimento partiu após uma denúncia feita ao Ministério da Saúde (SUS), que informava que o local comercializava produtos proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além de itens com validade vencida utilizados em procedimentos estéticos.
A fiscalização ocorreu em parceria com a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo (Decon), na manhã desta sexta-feira (28), na clínica All in Stetic Laser, localizada na Rua Fraiburgo, no bairro Vila Cidade Morena.
Em conversa com o Correio do Estado, o delegado Wilton Vilas Boas contou que a Vigilância Sanitária já havia comparecido ao estabelecimento outras duas vezes, mas somente durante o “pente-fino” localizaram os produtos irregulares.
Assim que os fiscais chegaram ao estabelecimento, conforme consta no boletim de ocorrência, foram atendidos pela recepcionista, que mostrou o espaço e informou que, em uma das salas, uma paciente estava sendo atendida a portas trancadas.
Como o local passaria por fiscalização, uma das funcionárias abriu a sala, enquanto a outra, que estava com a mochila cheia de produtos irregulares, inicialmente se identificou como paciente - depois confessou que era funcionária.
Devido ao nervosismo, a equipe perguntou o que ela carregava na mochila e, como não soube responder, os fiscais verificaram o conteúdo. Dentro dela, foram encontrados medicamentos, incluindo alguns de uso proibido pela Anvisa, que são:
- Biometil (utilizado nos glúteos), com validade vencida;
- Ácido hialurônico no frasco da Sofiderm;
- Frascos de toxina botulínica Xeomin (preenchedor labial);
- hialuronidase liofilizada vencida;
- um frasco com pílulas não identificadas e outros medicamentos de uso restrito;
- seringas e utensílios de uso hospitalar.
Entre os medicamentos, o ácido Attive Care, com receita em nome de uma pessoa ligada à clínica, também estava com a validade vencida.
A equipe verificou o conteúdo e não permitiu que ela deixasse o local. As três mulheres foram presas em flagrante e vão responder por crime contra as relações de consumo.
Serviço prestado sem profissional habilitado
Também eram realizados procedimentos proibidos devido à falta de equipamentos necessários e de profissionais habilitados para essa função.
Entre os serviços comercializados irregularmente, segundo o delegado, estava a soroterapia, popularmente conhecida como “soro da beleza”, que consiste em uma aplicação intravenosa de produtos específicos.
Entre as irregularidades encontradas estão:
- ampolas com medicamentos abertos;
- parcialmente utilizados;
- fora da embalagem original.
Segundo o delegado, a proprietária da clínica, que não teve o nome divulgado, não estava no local no momento da vistoria. Vilas Boas informou que ela deve ser intimada, passará por interrogatório e também será indiciada pelo mesmo crime que as funcionárias.
Licenças do estabelecimento
A reportagem entrou em contato com a assessoria da Prefeitura para saber a situação do alvará de funcionamento e sanitário da clínica, bem como para quais procedimentos ela está autorizada a oferecer. Até o fechamento da matéria, não houve resposta. Assim que houver manifestação, o conteúdo será atualizado.
Canetas emagrecedoras proibidas
No dia 20 de novembro, a Anvisa publicou uma resolução proibindo o uso de canetas emagrecedoras que não possuem autorização no país.
A determinação proibiu a fabricação, distribuição, importação e comercialização dos seguintes medicamentos:
- T.G. 5 (RE 4030)
- Lipoless (RE 3676)
- Lipoless Éticos (RE 4641)
- Tirzazep Royal Pharmaceuticals (RE 4641)
- T.G. Indufar (RE 4641)
Apreensão
Em Mato Grosso do Sul, a apreensão mais recente de canetas emagrecedoras contrabandeadas envolveu um caminhão dos Correios, no qual foram encontrados inclusive entorpecentes.
Os medicamentos que estimulam a ação da GLP-1, no país, só podem ser usados mediante receita médica, que fica retida na farmácia.
Venda online
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) identificou falsos anúncios, em redes sociais e na internet, sobre a venda de medicamentos agonistas GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras, incluindo o Mounjaro (tirzepatida).
Em nota, a agência alertou que os falsos anúncios atraem pacientes oferecendo medicamentos mais baratos ou mesmo de forma gratuita, via governo federal, mas após a realização de cadastro.
“Atenção: os anúncios são falsos. A Anvisa não comercializa qualquer medicamento ou serve de intermediária para a sua venda. Os anúncios simulam, inclusive, o site oficial da agência. O domínio gov.anvisa.org não pertence à agência”, informou.
No comunicado, a entidade destaca ainda que pacientes só devem comprar medicamentos por meio de farmácias e drogarias regularizadas.
“Se você encontrar publicações desse tipo, denuncie! E não clique em links relacionados”.
** Com Agência Brasil


Secretário de Infraestrutura e Logística, Guilherme Alcântara; prefeito de Rio Negro, Henrique Ezoe. Foto: Divulgação/Governo de MS
Carreta chegou a ficar pendurada entre o asfalto e a água. Foto: Idest

