Cidades

MS-040

Com apenas 8 anos, rodovia será refeita e vai consumir até meio bilhão de reais

Além de refazer o pavimento, projeto prevê implantação de acostamentos, terceira faixa, passagens subterrâneas para fauna e instalação de telas laterais

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Em uso há apenas oito anos, os 210 quilômetros da MS-040, que ligam Campo Grande a Santa Rita do Pardo, serão praticamente reconstruídos. A previsão do governo do Estado é desembolsar pelo menos R$ 415 milhões. 

Porém, como nove em cada dez contratos com o poder público têm os tradicionais aditivos depois do início das obras, que geralmente acrescem 25% ao valor inicial, o desembolso deverá chegar a meio bilhão de reais para recuperar uma rodovia que, na teoria, ainda é nova. 

Conforme a assessoria da Agesul, somente na elaboração dos projetos que preparam as cinco licitações estão sendo gastos R$ 2,4 milhões. O restante, 412,5 milhões de reais, estão previstos para refazer o asfalto, que em alguns trechos esfarelou já nos primeiros meses de uso, e melhorar as condições de tráfego na rodovia, que foi construída sem acostamento. 

Em 2014, a construção dos 210 quilômetros consumiu R$ 275 milhões, conforme informações oficiais do governo do Estado à época. Ou seja, agora, para recuperar a estrada, o gasto, em valores atualizados, será praticamente o mesmo daquele feito para abrir uma estrada completamente nova. 

No final de 2014, quando o dólar estava cotado a R$ 2,65, o poder público investiu em torno de 103 milhões de dólares. Agora, caso as estimativas do Estado se concretizem, serão necessários 83 milhões de dólares, de acordo com as projeções mais otimistas. Porém, se os tradicionais aditivos forem acionados, serão gastos até 100 milhões de dólares.

No trecho inicial, próximo a Campo Grande, e nos quilômetros finais, antes de Santa Rita do Pardo, o asfalto ainda está em boas condições, conforme constatou a equipe do Correio do Estado ao percorrer a rodovia nesta semana. Porém, na parte central, que compreende quase a metade do percurso, o pavimento recebeu dezenas de milhares de remendos ao longo de pouco mais de oito anos.

Engenheiros ouvidos pelo Correio do Estado não têm dúvidas de que parte da obra foi mal feita, pois o asfalto de qualquer rodovia tem de suportar pelo menos dez anos sem apresentar defeitos crônicos. Eventuais reparos são até normais, mas o caso da MS-040 é inadmissível, avaliam os técnicos que atuam no setor mas preferem não se identificar. 

Oito anos depois de liberado, asfalto da MS-040 tem dezenas de milhares de remendos em parte dos 210 quilômetros (Marcelo Victor)

INTERVEÇÕES AMPLAS

Além da má qualidade de parte do pavimento, a estrada foi construída sem acostamento. A Agesul não deixa claro se agora será implantada esta faixa de escape ao longo de todo o percurso ou apenas em alguns trechos, mas parte do dinheiro será para isso. 

“Além da restauração do pavimento, está incluso na elaboração do projeto, melhoria da drenagem e passagens de fauna, adequação da capacidade de tráfego e melhoria da segurança viária, com serviços como implementação de terceiras faixas, acostamentos, interseções e acessos, além da delimitação da faixa de domínio com a reconstrução de cercas convencionais e específicas para conduzir a fauna para os locais apropriados para travessia”, diz nota da Agesul sobre as mudanças que estão previstas.

A MS-040 é conhecida como “rodovia das antas”, pois sete pessoas já morreram em acidentes desde 2015 com animais desta espécie, sendo duas delas somente em maio. Desde o começo do ano foram pelo menos 15 acidentes. Em pouco mais de oito anos, ao menos 209 antas morreram atropeladas nessa estrada, de acordo com Patricia Medici, coordenadora da ONG Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (Incab)

Em estudo concluído ainda em 2017, o Instituto sugere a abertura de mais 11 passagens subterrâneas para os animais silvestres (já exitem 39 pontes, bueiros e passagens de rebanhos bovinos) e instalação de pelo menos cem quilômetros de telas laterais nos locais mais críticos para conduzir os animais a cruzarem por baixo da pista. 

Mas, enquanto estas intervenções não chegam, 22 radares começaram a ser instalados na última semana para forçarem motoristas e reduzir a velocidade em 11 locais com maior incidência de acidentes. A previsão da Agesul é de que sejam ativados antes do final de junho.

PROJETOS

A Agesul dividiu a rodovia em cinco trechos (especificados abaixo) e a previsão é de que as obras comecem pelo lote quatro, onde o asfalto está em piores condições e onde os acidentes envolvendo antas também são constantes. “A expectativa é de que os trâmites do processo licitatório iniciem em 30 de junho, com publicação do edital em agosto”, informa a Agesul.

Lote 1: 43,20 km - no trecho que vai do acesso à Colônia Yamato ao Córrego Santa Terezinha. Valor estimado: R$ 81,3 milhões

Lote 2: 51 km - no trecho que vai do acesso à Colônia Yamato ao limite dos municípios de Campo Grande e Ribas do Rio Pardo. Valor estimado: R$ R$ 103,2 milhões

Lote 3: 28,70 km - no trecho que vai do Córrego Santa Terezinha ao entroncamento com a MS-340. Valor estimado: R$ 56 milhões

Lote 4: 44 km - no trecho que vai do entroncamento com a MS-375 ao limite municipal de Ribas do Rio Pardo e Santa Rita do Pardo. Valor estimado: R$ 85,9 milhões.

Lote 5: 44,10 km - no trecho que vai do entroncamento com a MS-340 até o início do trecho urbano de Santa Rita do Pardo. Valor estimado: R$ 86,1 milhões.

"Rodovia das antas", a MS-040 torna-se mais perigosa ao entardecer e de madrugada, quando os animais vão em busca de alimento  (Marcelo Victor)

PRIVATIZAÇÃO

A MS-040 serve como rota alternativa às rodovias federais 163  e 267 para chegar à divisa com São Paulo, passando por Batagassu. Além de se livrarem do pedágio, de R$ 7,80 por eixo na BR-163, caminhoneiros optam pela rodovia estadual porque encurta a distância em cerca de 30 quilômetros entre Campo Grande e o estado vizinho. 

A relicitação da parte sul da BR-163, que já está em andamento, prevê a inclusão da BR-267, entre Nova Alvorada do Sul e Bataguassu, no mesmo lote de concessão. Conforme o projeto inicial, serão mais três praças de pedágio ao longo destes 247 quilômetros da BR-267.

E, quando isso se concretizar, o movimento na 040 vai aumentar ainda mais. Mas, integrantes do próprio governo estadual já deixaram claro que a MS-040 também será concedida à iniciativa privada depois que estiver “reconstruída”. 

Ou seja, o investimento público de quase meio bilhão de reais vai preparar a rodovia para que uma empresa fique responsável pela manutenção em troca da cobrança de pedágio. 

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DENÚNCIA

MP investiga suposta farra das diárias na Câmara de Dourados

Vereadores participam de uma única sessão semanal e custam R$ 29,1 mil por mês aos cofres públicos municipais somente com salários e indenizações

24/10/2026 12h40

Desde agosto de 2023 a Câmara de Dourados funciona em uma sala alugada no Shopping Avenida Center

Desde agosto de 2023 a Câmara de Dourados funciona em uma sala alugada no Shopping Avenida Center

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Após receber denúncias do farmacêutico bioquímico Racib Panage Harb, que já foi candidato a vereador três vezes e candidato a prefeito de Dourados nas duas últimas eleições, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul instaurou procedimento administrativo para apurar possíveis fraudes no pagamento de diárias e indenizações pagas a parte dos 21 vereadores do município, o segundo mais populoso de Mato Grosso do Sul.

Conforme publicação do diário oficial de segunda-feira (26), o promotor Luiz Eduardo Pinheiro quer "apurar a legalidade, a transparência, a rastreabilidade e a regularidade material dos gastos públicos havidos com a cota para o exercício da atividade parlamentar (CEAP), diárias de viagem e suprimentos de fundos referentes ao exercício de 2025, eventual ocorrência de dano ao erário, decorrente de fatos relacionados, e medidas de compliance interno”. As denúncias foram apresentadas por Racib ao MPMS no dia 2 de março. 

Dados já anexados à investigação revelam que o vereador Sérgio Nogueira, por exemplo, recebeu R$ 58.991,00 no ano passado somente em diárias. Em viagens dentro do Estado, o valor definido pela Câmara é de R$ 950,00. Se a viagem for para outro estado, sobe para R$ 1,3 mil. Então supondo que o valor tenha sido repassado para viagens internas, ele ficou 62 dias fora de Dourados no ano passado.

Enquanto isso, o vereador Janio Colman Miguel recebeu apenas R$ 337,00.  Por outro lado, ele aparece em quarto lugar entre aqueles que mais receberam verbas indenizatórias, que também estão na mira da investigação da promotoria. A Câmara pagou R$ 104.908,33 para Janio Miguel em um ano.

O primeiro colocado neste quesito foi o vereador  Rubens Gomes Prates, que faturou R$ 115.330,75 ao longo de 2025. Em último lugar ficou o vereador petista Elias Ishy de Mattos, R$ 47.722,80.

Eleita deputada federal no dia 4 de outubro com a promessa de “acabar com essa zona na política”, a vereadora Isa Marcondes recebeu R$ 88.631,91 em verbas indenizatórias e R$ 46.849,00 a título de diárias, ficando entre os dez que mais custaram aos cofres públicos no ano passado. 

Além das diárias e das verbas indenizatórias, os vereadores ainda recebem o salário fixo de R$ 17.837,32, o que garante renda bruta superior a R$ 226 mil por ano.

Somando salários, diárias, verbas indenizatórias e de suprimentos, os 21 vereadores consumiram quase R$ 7,33 milhões no ano passado, o que equivale a uma média de R$ 350 mil por parlamentar, o equivalenta a quase 18 salários mínimos por mês, ou R$ 29,1 mil. 

Embora seja um valor invejável para a grande maioria dos trabalhadores, os vereadores não chegam a ser marajás. Porém, se for levado em consideração que participam de uma única sessão semanal, já podem ser classificados como tal. 

MAIS PRAZO

A promotoria solicitou que a presidência da câmara repassasse, além dos valores, “comprovantes individualizados de despesas que originaram os pedidos de ressarcimento, incluindo notas fiscais, recibos, extratos bancários e demais documentos que demonstrem a efetiva realização dos gastos”. Mas, a Casa pediu mais prazo sob a alegação de que estes documentos estavam sendo digitalizados ainda.


Um dos principais alvos das denúncias de Racib, que na eleição passada recebeu 2.455 votos na disputa pela prefeitura, é presidente da Câmara, Liandra Ana Brambilla. Conforme os documentos anexados à investigação do MP, no ano passado ela recebeu quase R$ 112 mil em diárias e reembolsos.

No mês passado, Racib apresentou denúncias pedindo seu afastamento do cargo sob o argumento de que sua prestação de contas relativa a abril de 2025 ela emitiu nota, às 13h26 do dia 3 de abril, em uma churrascaria de Dourados, no valor de R$ 60,13. A despesa, segundo Racib, seria normal, se ela não tivesse solicitado, no mesmo período, diária de R$ 674, em Campo Grande, para o período de 2 a 3 de abril, com finalidade de agenda no gabinete do deputado Neno Razuk.

“Fica evidente a utilização das diárias e da verba de indenização no mesmo período, o que caracteriza irregularidades”, alertou.

]Depois, citou ainda a prestação de contas emitida no dia 5 de junho, às 13:27h, de outro estabelecimento de Dourados, no valor de R$ 109,76, para almoço. Mas, no mesmo período teria recebeu da Câmara o valor de R$ 1.011,00 para agenda na Assomassul, em Campo Grande, nos dias 5 e 6 de junho. 

“Aqui ficou claro que houve o mesmo fato gerador (Irregular). Ou seja, o agente público viajou a trabalho e recebeu diárias do órgão público para cobrir seus gastos com pousada e alimentação, ela não poderia utilizar a verba indenizatória para ressarcir as mesmíssimas notas fiscais do restaurante que se refere a alimentação, ficando claro que foi indenizada duas vezes pelo mesmo gasto, gerando dano ao erário. Aqui não podemos ser levianos de dizer que existe um enriquecimento ilícito mas no mínimo um dano ao erário. Se é de um real, 100 ou mil ou milhões, o dano existe. Fica evidente a prática irregular que a verba indenizatória permite em casos como esses”, denunciou.

Na época, Liandra da Saúde, como é conhecida, afirmou que as denúncias tinham viés político, já que foram feitas às vésperas da eleição da mesa diretora da Casa, que ocorreu no dia 2 de outubro e a reconduziu para o biênio 2027-2028. 

Ao apresentar suas denúncias ao MP, o farmacêutico se baseou em uma decisão liminar proferida no dia 5 de fevereiro pelo ministro Flávio Dino, do STF, que determinou, entre outras providências, “a reavaliação das verbas indenizatórias pagas a agentes públicos, a edição e publicação de ato motivado com discriminação rubrica a rubrica e respectivo fundamento legal, bem como a suspensão de verbas não expressamente previstas em lei”.

A presidente da Câmara, porém, garantiu ao MP que todos os pagamentos feitos a vereadores de Dourados obedecem as normas legais e por isso os pagamentos seguem sendo feitos no mesmo ritmo adotado no ano passado. 

saúde

Mais Médicos Especialistas oferece 132 vagas para MS em nova chamada

São 4 vagas imeditas e 128 para cadastro reserva; Inscrições estão abertas até dia 29 de outubro e profissionais especializados irão atuar no SUS

24/10/2026 11h23

Profissionais do Mais Médicos Especialistas ampliam acesso à atenção especializada no SUS

Profissionais do Mais Médicos Especialistas ampliam acesso à atenção especializada no SUS Foto: Divulgação / Ministério da Saúde

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O Ministério da Saúde abriu inscrições para a segunda chamada do 3º ciclo do Projeto Mais Médicos Especialistas (PMM-E). Em Mato Grosso do Sul, são 132 vagas, sendo quatro imediatas e 128 para cadastro reserva.

Conforme o edital, as quatro vagas imeditas são para Três Lagoas, sendo três para aprimoramento em Oncologia Clínica, com foco nos cânceres prevalentes no Sistema Único de Saúde (SUS), e uma para aprimoramento em Rotinas Assistenciais em Medicina Intensiva no SUS.

Já as vagas para formação de cadastro estão distribuídas em 22 munícipios, sendo:

  • Dourados - 43
  • Três Lagoas - 34
  • Costa Rica - 6
  • Coxim - 6
  • Fátima do Sul - 6
  • Ponta Porã - 6
  • Brasilândia - 3
  • Caarapó - 3
  • Rio Brilhante - 3
  • Amambai - 2
  • Cassilândia - 2
  • Naviraí - 2
  • Nova Andradina - 2
  • Sidrolândia - 2
  • Aparecida do Taboado - 1
  • Aquidauana - 1
  • Bonito - 1
  • Corumbá - 1
  • Itaporã - 1
  • Itaquiraí - 1
  • Nova Alvorada do Sul - 1
  • Ribas do Rio Pardo - 1

   

As inscrições podem ser feitas até o dia 29 de outubro, pelo Portal UNA-SUS.

A estratégia busca incentivar a presença de especialistas em regiões historicamente desassistidas, com o objetivo de ampliar o acesso à atenção especializada no SUS e reduzir o tempo de espera por consultas, exames e procedimentos.

De acordo com o Edital nº 25/2026, em todo o Brasil serão 224 vagas de preenchimento imediato e 4.350 para cadastro reserva, distribuídas em 24 cursos de aperfeiçoamento, em áreas como anestesiologia, ginecologia e obstetrícia, cardiologia, urologia, psiquiatria, entre outras especialidades.

Benefícios

Os médicos participantes recebem uma bolsa mensal, e o valor varia de acordo com a vulnerabilidade social do município de atuação, calculado pelo Índice de Vulnerabilidade Social (IVS):

  • R$ 20 mil para municípios de alta ou muito alta vulnerabilidade;
  • R$ 15 mil para os de média vulnerabilidade;
  • R$ 10 mil para os de baixa ou muito baixa vulnerabilidade.

Quem pode participar

Podem participar médicos e médicas, com registro ativo no Conselho Regional de Medicina (CRM) e Registro de Qualificação de Especialista (RQE) ativo.

O RQE deve ter sido obtido por meio de residência médica reconhecida pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) ou de título de especialista reconhecido pela Associação Médica Brasileira (AMB).

Mais Médicos Especialistas

O Projeto Mais Médicos Especialistas foi instituído pela Portaria GM/MS nº 7.177, de 10 de junho de 2025, com objetivo de ampliar o acesso à atenção especializada no SUS, reduzir desigualdades regionais na distribuição de médicos e diminuir o tempo de espera por consultas, exames e procedimentos.

O programa qualifica a formação dos profissionais por meio da prática na rede pública.

Desde a implementação, 2.279 médicos especialistas já ingressaram no PMM-E, e 1.898 continuam ativos, o equivalente a 83,3% do total de profissionais até outubro de 2026.

 

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