Cidades

TEMPO

Com influência do La Niña, chuvas em MS ficam acima da média em fevereiro

Bonito e Ponta Porã estão entre as cidades onde as fortes chuvas deixaram estragos

Continue lendo...

O fenômeno La Ninã ainda está exercendo força sobre Mato Grosso do Sul, e fez as chuvas de fevereiro ficarem acima da média esperada para o mês, sendo superior aos níveis registrados no mesmo período do ano passado. 

De acordo com informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o La Ninã deve influenciar o tempo em MS até esse mês, quando o tempo chuvoso se mantém pelo menos nas primeiras semanas de março. 

Ao Correio do Estado, a meteorologista do Instituto, Andrea Ramos, explica que a frequência das chuvas em MS é característica do verão, mas com a La Ninã e um esquema de baixa pressão fez com a quantidade fosse potencializada. 

“Isso [grande quantidade de chuva] é reflexo da estação e, em fevereiro, ainda está com a La Niña e o começo de março também tende a ser chuvoso, característica própria do verão”, explica a meteorologia. 

Ainda segundo os dados do Inmet, Ponta Porã foi uma das cidades onde mais choveu no interior de MS. Por lá, eram esperados 235,2 mm de chuva, mas a precipitação foi de 495,2 mm. 

Conforme as medições do Inmet, no dia 16 de fevereiro, o acumulado de 24 horas atingiu a marca de 127 mm e, no dia 17, a precipitação foi de 141,2.

Devido à grande quantidade de chuvas em pouco tempo e os estragos feitos por ela, ontem, a Assembleia Legislativa de MS reconheceu o estado de calamidade na cidade, o que já tinha sido decretado pela prefeitura no dia 17.

Outra cidade atingida pela grande quantidade de chuva foi Três Lagoas, onde se esperava apenas 144 mm, mas choveu mais que o dobro, com a precipitação atingindo a marca de 426mm no acumulado do mês. 

Assim como em todo o restante do estado, Campo Grande também marcou níveis acima do esperado para chuva, com precipitação acumulada em 242,2, chovendo 46% acima da média. 

A grande quantidade deixa um contraste bem marcado com o fevereiro do ano passado, quando o acumulado do mês ficou em 73,2 mm. 

Por fim, a meteorologista informa que para março as chuvas devem continuar. Em Campo Grande,a precipitação esperada é de 151 mm para o mês todo. 

ESTADO DE EMERGÊNCIA

Além de Ponta Porã e Ivinhema, a prefeitura de Bonito também decretou estado de emergência em decorrência das chuvas. A grande quantidade de precipitação ficou concentrada na sexta-feira passada (24). 

De acordo com o prefeito da cidade, Josmail Rodrigues, neste dia a chuva deve ter atingido 180 mm dentro de seis horas, deixando um rastro de destruição pelo caminho, com pontes e rodovias interditadas. 

Como já mostrado pelo Correio do Estado, a chuva também trouxe consequências para o transporte de alunos, agricultura e também para as atrações turísticas

O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PSDB), junto com os secretários Eduardo Rocha, da Casa Civil, Hélio Peluffo Filho, de Infraestrutura e Logística (Selog), e Jaime Verruck, do Meio Ambiente Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, sobrevoaram ontem as regiões de Bonito afetadas pelas chuvas.

Mato Grosso do Sul

Brasil precisa liderar combate ao crime na fronteira, diz especialista em PCC

Lincoln Gakiya, promotor que investiga a organização há mais de 20 anos, defende protagonismo do País nas ações contra o crime para evitar que autoridades continuem "enxugando gelo" ao atuar nas fronteiras com Bolívia e Paraguai em MS

10/08/2026 05h00

Promotor de Justiça de São Paulo, Lincoln Gackiya

Promotor de Justiça de São Paulo, Lincoln Gackiya Divulgação

Continue Lendo...

O promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo, Lincoln Gakiya, é uma das autoridades que mais conhecem a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa que nasceu nos presídios paulistas e hoje domina o crime em diversos Estados brasileiros, como Mato Grosso do Sul, por exemplo, e atua nas regiões de fronteira e mantém ramificações em outros países.

Promotor da cidade de Presidente Prudente (SP), município paulista a poucos quilômetros da divisa com Mato Grosso do Sul, Gakya conhece como poucos a maneira como a organização se estrutura nas fronteiras do Brasil com Bolívia e Paraguai, em MS, e tem a receita para reduzir o poder desses grupos criminosos: cooperação entre as forças de segurança nacionais por meio de uma ação coordenada, liderada por uma agência antimáfia, e cooperação também com os países de fronteira, sendo que, neste caso, o Brasil deve assumir o protagonismo no combate ao crime.

Em entrevista exclusiva ao Correio do Estado, durante o Congresso Internacional de Jornalismo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Gakiya disse que é essencial que o Brasil lidere o combate ao crime na região de fronteira.

“Se o Brasil, como maior nação da América do Sul, não liderar essas tratativas, continuaremos apenas ‘enxugando gelo’ e o problema aumentará nos próximos anos”, alertou o promotor, que investiga o PCC há mais de duas décadas e vive sob proteção permanente da polícia por causa das ameaças que recebe da organização criminosa.

Gakya lembrou que o PCC fincou bandeira do lado paraguaio da fronteira há pouco mais de 10 anos, depois da morte do traficante Jorge Rafaat, em Pedro Juan Caballero, e escalou representantes para gerenciar o crime nas fronteiras com Paraguai e Bolívia.

É o caso de Sérgio Arruda Quintiliano Neto, o Minotauro, que cumpre pena no sistema penitenciário federal desde 2019 e que era um dos chefões do PCC na região de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero.

A estratégia para combater o crime em Estados fronteiriços como Mato Grosso do Sul, segundo Gakya, consiste em duas frentes: cooperação interna, com integração e coordenação, e cooperação internacional.

“Tratamos de um problema em que a droga passa por Mato Grosso do Sul, vinda do Paraguai, Bolívia ou Peru, para ser distribuída em São Paulo, Rio de Janeiro e exportada para a Europa”, exemplifica o promotor do Gaeco de São Paulo. Segundo ele, Estados como MS e o Paraná, embora não tenham criado o PCC (que é sediado em São Paulo), convivem com a violência gerada pela disputa pelas rotas do tráfico na fronteira. Já há evidências de que Comando Vermelho e PCC têm disputado essas rotas.

Por isso, no âmbito interno, o promotor de Justiça defende a criação de uma Agência Nacional Anticrime. “Defendo a criação de uma Agência Nacional para combater a criminalidade organizada, que reuniria polícias estaduais e federais, Receita, COAF e Ministérios Públicos em um objetivo comum”, detalha.

“Além disso, a cooperação internacional é vital, pois a cocaína consumida e exportada pelo Brasil é produzida apenas na Bolívia, Peru e Colômbia. Se o Brasil, como a maior nação da América do Sul, não liderar essas tratativas, continuaremos apenas ‘enxugando gelo’ e o problema aumentará nos próximos anos”, complementou.

Bolívia

Com Bolívia e Paraguai, o Brasil já tem importantes acordos de cooperação, mas segundo o promotor Lincoln Gakiya, é preciso que a cooperação se aprofunde para tornar o combate às organizações criminosas mais efetivo. 

Recentemente, o governo da Bolívia anunciou a instalação de um escritório permanente da Polícia Federal brasileira no país para combater o narcotráfico e facções como PCC e Comando Vermelho, em meio a uma escalada de violência na fronteira. 

O acordo prevê intercâmbio contínuo de inteligência e o plano “Fronteiras Seguras”, conforme anúncio feito neste mês de julho pelo ministro de governo da Bolívia, Marco Oviedo. 
Entre as ações previstas estão o aumento do efetivo policial e de operações integradas de inteligência. 

Apesar de acordo como este, um dos maiores problemas na Bolívia é enfrentar a facilidade que os criminosos brasileiros têm em se instalar no país vizinho, onde autoridades policiais costumam ter um salário bem inferior ao dos policiais brasileiros. 

Gakiya acredita que não é apenas o salário baixo que prejudica o combate ao crime no País vizinho.

“Eu acho que não é só isso [o salário baixo] que vai medir o valor da questão da corrupção, porque o dinheiro para eles [criminosos] não é problema”, comentou. 

“Mas claro que é um fator facilitador. O problema ali é que a corrupção na Bolívia já está arraigada no Estado, já está dentro das instituições. Isso é muito difícil de tirar", complementou. 

Proibição

Anvisa proíbe seis tipos de sal fabricados clandestinamente

De acordo com a agência, os produtos eram fabricados por empresa desconhecida

09/08/2026 22h00

Divulgação: Anvisa

Continue Lendo...

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão e proibiu a venda, distribuição, fabricação, importação, propaganda e uso de todos os produtos da marca Quanqton: "Quanqton Ocean Salts", "Sal integral Quanqton", "Sal Perfeito, New Quantic", "Endurance" e "Sal Marinho Integral". O Estadão não conseguiu localizar os responsáveis pelas marcas.

De acordo com a agência, os produtos eram fabricados por empresa desconhecida, de forma clandestina e, portanto, não têm regularização sanitária.

Além de plataformas de e-commerce, os produtos eram vendidos por meio de um site próprio, onde eram veiculadas propagandas com falsas alegações, como as de que o produto seria um "sal marinho integral com concentração elevada de magnésio", desenvolvido para "atletas que precisam de reposição mineral real durante e após o esforço físico intenso".

Entre as promessas associadas ao produto estavam ainda evitar "cãibra e fadiga muscular", "reposição mineral durante treinos longos e provas", "prevenção de cãibras e fadiga muscular", "hidratação celular real - não só água, mas eletrólitos que o corpo absorve", "recuperação mais rápida após esforço intenso" e "equilíbrio do sistema nervoso e muscular".

No site, também havia alegações de que os produtos seriam superiores ao sal de cozinha comum, que passa por um processo de refinamento. Vale lembrar, porém, que, embora o refinamento retire parte dos minerais naturalmente presentes no sal bruto, isso não significa uma perda nutricional relevante.

O sal de cozinha é composto principalmente por cloreto de sódio e, no Brasil, é iodado - ou seja, recebe iodo, nutriente essencial para a produção dos hormônios da tireoide e importante para o desenvolvimento neurológico.

A reportagem tentou localizar os responsáveis pela marca, mas não há informações de contato disponíveis no site onde os produtos são oficialmente vendidos.
 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).