Cidades

Fim do Convênio

Com repasses milionários, Missão Caiuá vai deixar de atender saúde indígena de Dourados

Entidade foi desclassificada pela Secretaria de Saúde Indígena por não atender requisitos

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Responsável por atender milhares de indígenas em Dourados, a entidade filantrópica Missão Evangélica Caiuá, que também é conhecida pelo recebimento de repasses milionários feitos por meio de convênios junto ao Governo Federal, não prestará mais serviços de saúde à população indígena. Conforme a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), a Organização Não Governamental (ONG) não obedece um dos critérios exigidos para a manutenção do acordo.


A Sesai destaca a necessidade de uma pontuação mínima para a prestação do serviço, onde segundo a Missão Caiuá está a exigência da realização de trabalho de pesquisa, atividade a qual a instituição não desempenha, tendo esse sido o motivo da desclassificação.


Em nota divulgada no site da organização evangélica é destacado que não houve desistência por parte da entidade. “Infelizmente, por razões que fogem ao nosso controle, não conseguimos alcançar nota suficiente para nos classificarmos no chamamento público realizado pela Secretaria”, esclarece o informativo que pode ser conferido na íntegra no site.


Ainda de acordo com informações do portal de notícias local, Dourados News, com o fim dos convênios firmados, 4,5 mil profissionais distribuídos em nove Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI's) serão dispensados, onde pelo menos 800 estão em Mato Grosso do Sul, segundo aponta a ONG evangélica.


A vigência do contrato do convênio que está sendo encerrado tem como data final o dia 30 de junho, contudo a organização informou que já solicitou a prorrogação ao Governo Federal até o fim deste ano e aguarda um posicionamento.

REPASSES


Assunto polêmico no Estado e no País, a entidade acumula repasses milionários, feitos com dinheiro público ao longo de suas atividades. De acordo com dados do Portal da Transparência, até metade deste ano a instituição sem fins lucrativos recebeu cerca de R$ 182 milhões, sendo estes repartidos e três partes:

  • R$ 69.277.400,06;
  •  R$ 72.716.059,62;
  •  R$ 40.504.101,18.

No ano passado, conforme dados do Portal de Transparência da instituição, somente para Mato Grosso do Sul foram repassados quase R$ 190 milhões por meio do convênio com a Secretaria Especial de Saúde Indígena.


Como já publicado pelo Correio do Estado em 2023, a Missão Caiuá já embolsou mais de R$ 872 milhões em contratos para cuidar da saúde indígena entre 2019 e 2022, montante que se torna muito maior quando considerado os 95 anos de trabalho desenvolvido.

 

DENÚNCIAS


Em fevereiro do ano passado, o deputado estadual José Orcírio Miranda dos Santos (PT), popularmente conhecido como Zeca do PT, denunciou possível desvio de dinheiro por parte da Organização Não-Governamental (ONG), Missão Evangélica Caiuá.


A instituição foi alvo de denúncias e queixas sobre a má infraestrutura do Hospital e Maternidade Porta da Esperança. A administração da verba é feita pela instituição, que deve direcionar para remédios, internação, insumos e pagamento de profissionais como médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, limpeza e administração.


Entretanto, suspeitas de que o dinheiro fosse mal administrado e desviado foram levantadas, já que o hospital constantemente enfrenta problemas de infraestrutura e escassez de alimentos e materiais de higiene.


Na época, o petista cogitou abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso. Ele havia conseguido seis de oito assinaturas para implantar o inquérito.


Ainda de acordo com o petista, após o possível encerramento de contrato, o Governo Lula buscaria outro sistema que tratasse com seriedade o tratamento médico-odontológico dos povos originários.


“O Governo do Lula começa a trabalhar com a ideia de acabar com o convênio da Missão Cauiá e buscar uma alternativa que democratize e dê seriedade ao tratamento médico-odontológico nas comunidades indígenas com outro sistema”, informou.

No início do ano passado, a organização evangélica também virou assunto nacional após uma denúncia de mau uso do dinheiro em sedes localizadas em outras regiões do país, como os realizados aos povos Yanonami.


A entidade foi a que mais recebeu dinheiro do Programa de Proteção e Recuperação da Saúde Indígena durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022). O valor é 47% maior do que o destinado para a segunda instituição que mais obteve recursos do Governo Federal, o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueiredo, que recebeu R$ 462 milhões.


 

MISSÃO CAIUÁ


Missão Evangélica Caiuá é uma Organização Não-Governamental (ONG), responsável por cuidar e zelar da saúde de indígenas de diversas aldeias do Brasil.

Em Mato Grosso do Sul, a sede da instituição é em Dourados, onde existem 18 mil indígenas das etnias Guarani Kaiowá; Guarani Nhandeva e Terena.

Em todo o Estado, existem 73 mil indígenas de sete etnias: Guarani Kaiwa /Nhandeva, Terena, Kadiweu, Guato, Atikum, Kinikinawa e Ofaies.

A Missão Caiuá gerencia o Hospital e Maternidade Porta da Esperança, que atende 18 mil indígenas.

De acordo com a ONG, a instituição é responsável por administrar o dinheiro da instituição, que é direcionada para remédio, internação, insumos e pagamento de profissionais de profissionais como médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, limpeza e administração.

Coxim

Homem atacado com 10 facadas é internado em estado grave

Apesar da gravidade do caso, a vítima disse não saber quem seria o autor do crime nem a motivação

04/04/2026 16h00

Hospital Regional de Coxim

Hospital Regional de Coxim Foto: Divulgação

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Um homem de 34 anos foi vítima de uma tentativa de homicídio após ser atingido por mais de 10 facadas na manhã deste sábado (4), em Coxim, a 253 quilômetros de Campo Grande. Ele foi socorrido em estado grave e segue internado no Hospital Regional do município.

Segundo informações do boletim de ocorrência, a vítima apresentava ferimentos na cabeça, nas costas e nas mãos, além de duas perfurações profundas no tórax. O resgate foi realizado pelo Corpo de Bombeiros.

Inicialmente, o homem contou à polícia que havia ingerido bebida alcoólica com amigos nas proximidades de um bar. No entanto, posteriormente, mudou a versão e afirmou que foi atacado enquanto dormia na varanda de sua casa, um imóvel que estaria sem energia elétrica.

Apesar da gravidade do caso, a vítima disse não saber quem seria o autor do crime nem a motivação. No endereço indicado, policiais não localizaram sinais de luta ou vestígios de sangue.

O caso foi registrado como tentativa de homicídio e será investigado pela Polícia Civil.

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MATO GROSSO DO SUL

MS dá aula à agentes com Chikungunya 7x mais letal em 2026

Secretaria de Saúde reforça que, até o momento, não há declaração que aponte para epidemia da doença em nível estadual, situação essa que já foi decretada localmente em Dourados

04/04/2026 14h30

Capacitação dos profissionais é uma das estratégias do Governo de Mato Grosso do Sul para lidar com o aumento no número de casos da doença

Capacitação dos profissionais é uma das estratégias do Governo de Mato Grosso do Sul para lidar com o aumento no número de casos da doença Reprodução/GovMS/Bruno-Rezende

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Em cenário de crise graças aos alarmantes números de uma das arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti, a médica infectologista, Dra. Andyane Tetila, ministra na segunda-feira (06) uma web aula aos profissionais que tentam frear a Chikungunya em Mato Grosso do Sul, que aparece sete vezes mais letal neste 2026.

Conforme divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), essa capacitação dos profissionais é uma das estratégias do Governo de Mato Grosso do Sul para lidar com o aumento no número de casos da doença que mostra um impacto significativo principalmente na cidade de Dourados e aldeias do município. 

O Governo do Mato Grosso do Sul reforça que, até o momento, não há uma declaração que aponte para uma epidemia de Chikungunya em nível estadual, situação essa que já foi decretada localmente no município de Dourados. 

Com o tema “Alerta Chikungunya: Atualização do Cenário e Manejo dos Casos”, a web aula fica marcada para às 18h e será transmitida através da plataforma Telessaúde (acesse CLICANDO AQUI), sendo que a sala será aberta 30 minutos antes do evento. 

Importante frisar que essa web aula têm o seguinte público alvo os profissionais das seguintes áreas: 

  1. Atenção Primária à Saúde 
  2. Serviços de urgência e Emergência 
  3. Vigilância epidemiológica 
  4. Demais envolvidos no atendimento e manejo dos casos de Chikungunya

Jéssica Klener é gerente de Doenças Endêmicas da SES e, em nota, frisa que a participação dos profissionais é essencial para fortalecer a resposta da rede de saúde à população. 

"Que os profissionais que estão na linha de frente estejam atualizados sobre o manejo clínico da chikungunya, especialmente neste momento de aumento de casos. A capacitação contribui diretamente para um atendimento mais qualificado, com diagnóstico mais ágil e condutas adequadas, refletindo na redução de complicações e na melhor assistência à população”, cita. 

7x mais letal 

Através do monitoramento das arboviroses em geral, que é feito pelo Ministério da Saúde, os dados mostram que MS atingiu o sétimo óbito por Chikungunya antes do fim do terceiro mês este ano, o que fez com que 2026 fechasse março com a doença sete vezes mais letal, se comparado com o pior ano de toda a série histórica. 

Vetor também da Dengue e Zika, o Aedes aegypti é responsável por transmitir a Chikungunya, que apresenta sintomas que costumam ser avassaladores, e a diferença das demais doenças citadas está no tempo que leva desde o primeiro relato do que os pacientes sentem até a data do óbito, que em boa parte das vezes costuma vitimar a pessoa no intervalo de até três semanas.

cabe explicar que, Mato Grosso do Sul terminou 2025 com o maior número de vítimas por Chikungunya em toda a série histórica, sendo que o ano passado já acumulou, inclusive, o equivalente ao dobro dos óbitos da última década, como bem acompanha o Correio do Estado, 17 mortes no total que marcam o pior índice desde que a doença passou a ser catalogada pela SES. 

Através do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde, por exemplo, é possível notar que a série histórica iniciada em 2015 começa com apenas um registro de óbito naquele ano. Até 2024 a arbovirose iria vitimar um total de apenas oito sul-mato-grossenses.

Com 2016 e 17 passando sem qualquer registro de morte por Chikungunya em Mato Grosso do Sul, a doença só voltou a vitimar um paciente em 2018, ano em que três pessoas morreram em decorrência dessa arbovirose. Porém, nos quatro anos seguintes (de 2019 a 2022) ela voltaria a sumir do radar do sul-mato-grossense.

Essa "explosão" dos casos de Chikungunya em 2025 passou a ser observada já desde o início do ano passado, quando até o começo de março Mato Grosso do Sul já anotava 2.122 casos prováveis. 

 

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