Cidades

Brasil-Bolívia

Com um flagra por dia, transporte irregular facilita entrada de ilegais

Média diária de veículos flagrados pela fiscalização mostra a facilidade da migração ilegal na fronteira

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Uma operação conjunta entre a Polícia Federal (PF), Receita Federal, Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) perto de Corumbá contribui para revelar um problema crônico na região fronteiriça: a consistência do transporte irregular de passageiros, que vem gerando uma infração por dia em média e também resultou na apreensão de 30 veículos flagrados com viajantes. 

Esse tipo de transporte é o principal meio usado também para envolver a migração ilegal no País, em especial de cidadãos bolivianos com destino a São Paulo. 

Esses casos envolvem problemas administrativos e criminais que facilitam a imigração ilegal no Brasil, o transporte de drogas, o contrabando e o descaminho.

Na ocorrência mais recente, o flagrante aconteceu na terça-feira e o ônibus estava saindo de Corumbá com destino a São Paulo. 

A grande maioria dos passageiros era de bolivianos que não estavam com documentação regular para a viagem, com entrada no Brasil informada por meio do posto da PF instalado na fronteira.

O crime registrado pela Polícia Federal nesse caso recente foi de promoção de migração ilegal e dois motoristas vão responder a inquérito, enquanto os passageiros foram liberados e orientados a retornar para a Bolívia.

Todo estrangeiro que vai se deslocar além da faixa de 150 quilômetros distante da região fronteiriça precisa, obrigatoriamente, informar sua saída da Bolívia e dar a entrada no Brasil por meio dos postos de migração, instalados na fronteira entre Corumbá e Puerto Quijarro.

Apesar da fiscalização que ocorreu nesta semana, perto do Posto Esdras, onde ficam unidades da Receita Federal, PF, Mapa e Polícia Militar, é comum encontrar ônibus parado próximo a esse trecho da rodovia Ramão Gomes, uma extensão da BR-262 que leva ao país vizinho.

Esses veículos costumam ficar estacionados próximo a carros e caminhões e o fluxo de passageiros chega a ser constante.

Para aumentar a efetividade na fiscalização desse tipo de transporte irregular é preciso um trabalho conjunto de autoridades. 
Casos que envolvem crimes podem ter a atuação direta da Polícia Federal, mas algumas situações com esses veículos possuem apenas problemas administrativos.

Sem o devido órgão público para fiscalizar as diferentes especificações de regramento civil e criminal, os veículos e quem organiza as viagens acabam conseguindo burlar as ações fiscalizatórias.

Cabe à ANTT a principal frente para combater o transporte irregular de passageiros em ônibus que tentam fazer viagens interestaduais.

A agência não possui unidade física em Corumbá, mas informou, por meio de nota, que montou uma programação regular de fiscalização tanto para a fronteira, como em outras regiões de Mato Grosso do Sul.

“A ANTT informa que foram lavrados 132 autos de infração contra transportadores irregulares na região de Corumbá, o que resultou em 30 apreensões de veículos. A Agência destaca que possui programação regular de fiscalização em todo o estado de Mato Grosso do Sul, com ações periódicas e operações integradas com outros órgãos públicos”, informou por meio de nota da assessoria de imprensa.

Como a agência tem em sua jurisdição a Superintendência de Fiscalização de Serviços de Transporte Rodoviário de Cargas e Passageiros, ela realiza o monitoramento e a aplicação de multas.

Os valores podem variam entre R$ 550 a R$ 10,5 mil para o transporte irregular de cargas. A penalização no transporte ilegal de passageiros tem valor de R$ 7.428,32 e apreensão do veículo por 72 horas.

A autarquia ainda pontuou que em suas fiscalizações não faz distinção sobre a nacionalidade de passageiros, por isso é preciso que nessas ações também aja o envolvimento da Polícia Federal para identificar casos de promoção ilegal de migração no País. 

“Em situações que envolvam possíveis irregularidades relacionadas à identificação de passageiros, especialmente em operações conjuntas, os casos são encaminhados à Polícia Federal para os procedimentos cabíveis”, identificou a agência.

Campo Grande

Alvo de denúncias por 'abandono', terreno da pedreira antiga aparece limpo

O terreno pertencia ao grupo El Kadri e estava à venda desde 2023

19/06/2026 18h30

Terreno de 27 mil metros quadrados é alvo de denúncias por sujeira e risco à saúde

Terreno de 27 mil metros quadrados é alvo de denúncias por sujeira e risco à saúde FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Alvo de denúncias e ações por abandono há mais de 50 anos, o terreno da Pedreira do São Francisco, localizado no quadrilátero das ruas ruas Pernambuco, Pedro Celestino, Amazonas e a Travessa Elias Nasser apareceu limpo nesta semana. 

O Correio do Estado esteve no local nesta sexta-feira (19) e constatou que a área do terreno que continua com vegetação é apenas no entorno, funcionando como "muros" em volta do terreno. A área central foi totalmente limpa.  

Terreno de 27 mil metros quadrados é alvo de denúncias por sujeira e risco à saúdeFoto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

Segundo apurado pela reportagem, a limpeza da área teria acontecido porque o terreno de 27 mil metros quadrados teria sido vendido a uma empresa com sede em São Paulo. A antiga pedreira pertencia ao grupo El Kadri Participações e Investimentos Mobiliários Ltda. e estava a venda desde 2023. 

Em maio de 2025, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) ingressou com ação civil pública contra a família El Kadri por causa do abandono do terreno. 

No pedido feito pela promotora de Justiça Andreia Cristina Peres da Silva, foi determinado que o proprietário da área desse uma destinação ao local, seja comercial, seja residencial, e também algumas destinações imediatas, como, por exemplo, um Plano de Recuperação de Área Degradada (Prada), requerendo o licenciamento ambiental do local, além do calçamento de todo o entorno do imóvel, execução de rampas de acessibilidade nas calçadas, construção de um muro para cercar todo o terreno e uma medida considerada de extrema urgência: a remoção de todo o lixo existente dentro e ao redor do imóvel, para evitar a proliferação de doenças.

A promotora ainda afirmou que o imóvel foi objeto de extração mineral no século passado e que a atividade de lavra cessou na década de 1970. Ela falou em descaso por parte dos proprietários.

“Entre os problemas relatados, destaca-se o acúmulo de lixo, que se torna foco de doenças, falta de segurança no entorno, já que a ausência de manutenção por parte do proprietário e o crescimento descontrolado da vegetação favorecem o esconderijo de criminosos, facilitando a ocorrência de furtos e delitos na região”, afirma a promotora de Justiça na ação civil pública.

“Constatou-se, ainda, a proliferação de animais peçonhentos, fauna sinantrópica (ratos, pássaros, entre outros), baratas e mosquitos transmissores da dengue, agravando o risco à saúde pública”, relata Andreia Cristina.

Problemas 

Na lista das reclamações mais comuns está o acúmulo de lixo, focos de dengue, infestação de insetos e animais peçonhentos, assaltos, e até mesmo ‘esconderijo’ para usuários de droga. Os acontecimentos já se tornaram parte do dia a dia de moradores e comerciantes do bairro localizado na área central de Campo Grande. 

As calçadas do entorno do terreno estão com rachaduras, raízes de árvores à mostra, um matagal enorme e em alguns trechos, pedaços do concreto já desmoronados. O local, que não tem uma boa iluminação, nem muito movimento, torna-se atrativo para usuários de droga, assaltos e roubos. 

Os problemas causados pelo terreno continuam a acontecer, e preocupam cada vez mais as pessoas que frequentam a região. Denúncias e reclamações são pautas corriqueiras dessa situação, porém ao longo da história do bairro, a situação segue sem providências efetivas. 

Por causa da falta de iluminação, o local também servia como ponto de uso de drogas, como relatado ao Correio do Estado por moradores da região. 

INÍCIO DA ESTAÇÃO SECA

Bombeiros de MS empenham 20 militares, 2 aviões e drones para evitar incêndios

Em treinamento, bombeiros usam queima controlada no Parque Estadual Nascentes do Rio Taquari para reduzir a biomassa acumulada

19/06/2026 18h00

Aeronave AirTractor do Governo de MS

Aeronave AirTractor do Governo de MS Foto: Cabo Lima/CBM-MS

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Às vésperas do inverno, estação mais seca do ano, bombeiros de Mato Grosso do Sul se preparam para a temporada de incêndios florestais. 

Corpo de Bombeiros Militar (CBMMS) realizou a queima prescrita - uso planejado e controlado do fogo em vegetação -, nesta semana, no Parque Estadual Nascentes do Rio Taquari.

Aeronave AirTractor do Governo de MSAeronave AirTractor do Governo de MS. Foto: Cabo Lima/CBM-MS

A ação empenhou 20 militares, 2 aeronaves AirTractor, drone com sensor de calor, abafador, soprador e estação meteorológica portátil. Os equipamentos auxiliam na identificação de focos de incêndio e realização de treinamentos específicos para as equipes.

A atividade contou com o apoio do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), Prefeitura Municipal de Costa Rica, Brigada de Incêndio de Alcinópolis e representantes do Núcleo de Estudos do Fogo em Áreas Úmidas da UFMS.

O objetivo é reduzir riscos de grandes incêndios em meses de estiagem (julho, agosto, setembro e outubro), reduzir a biomassa acumulada e diminuir o material combustível disponível. O manejo contribui para a eliminação de espécies exóticas e favorece a regeneração da vegetação nativa.

“A queima foi realizada em área de difícil acesso, a qual servirá como um ponto de controle para possíveis incêndios. Mensuramos as condições adequadas para essa atividade, aferindo a velocidade do vento, a humidade relativa do ar e a temperatura do local. Nesse momento do ano, temos uma temperatura mais amena, com previsão de chuva para os próximos dias, sendo o momento ideal para esse tipo de ação”, destacou o chefe de operações da Diretoria de Proteção Ambiental dos Bombeiros, capitão Pedrozo.

Os incêndios aumentam nesta estação devido à combinação de clima seco, baixa umidade do ar, ventos fortes

QUEIMA PRESCRITA

Queima prescrita é o uso planejado e controlado do fogo em vegetação, para reduzir o acúmulo de material orgânico seco (combustível) e biomassa acumulada.

A atividade também é chamada de queima controlada e Manejo Integrado do Fogo (MIF).

A queima controlada é permitida nas práticas de prevenção e combate aos incêndios. Com isso, uma das formas de evitar incêndios florestais no Pantanal sul-mato-grossense é justamente realizar queimadas em vegetações que serviriam de combustível para o fogo.

A queima prescrita é conduzida de forma lenta e com baixa intensidade, permitindo a fuga da fauna e preservando a estrutura da vegetação.

O fogo é benéfico para o Pantanal sul-mato-grossense, se utilizado da maneira, frequência e na época correta. O fogo por si só não é um problema, mas incêndios florestais sim.

A fauna e flora estão adaptadas com a presença do fogo no Pantanal e Cerrado. Porém, a frequência a qual ocorre se torna um problema quando utilizado da maneira e época errada.

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