Cidades

Sob Investigação

Condomínio de luxo em Campo Grande tem "festival de irregularidades"

Empreendimento é alvo de investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, que apresentou relatório em que lista série de problemas do local

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A criação do condomínio de luxo Soul Corpal Living Resort, em Campo Grande, na região da saída para Três Lagoas, está recheada de irregularidades, segundo relatório apresentado em março deste ano ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

A incorporadora responsável pelo loteamento desrespeitou questões ambientais e urbanísticas, fez obras antes do registro no cartório de imóveis e invadiu área da linha férrea Malha Oeste, mesmo sabendo que havia impedimentos legais. 

Já a instalação do empreendimento chegou a ser embargada, e a Procuradoria-Geral do Município (PGM) recomendou a anulação de sua criação.

Estas constatações fazem parte de relatório solicitado pelo MPMS à engenheira ambiental Pyetra Lima, para verificar os procedimentos relacionados ao licenciamento ambiental da área, que teve o processo de loteamento iniciado em 2023, com os pedidos formais da Incorporadora Corpal à prefeitura. Em agosto de 2024, foi emitida a licença prévia e, em junho do ano passado, a licença de instalação. 

Nesse período, a empresa começou a realizar obras sem a devida autorização ou desrespeitando autorizações concedidas. Em uma das vistorias, em agosto de 2025, realizada pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades), foi constatado que havia sido realizado estaqueamento, raspagem do terreno e abertura das vias no local, além da abertura de um acesso à área pela faixa de domínio da ferrovia. 

Como estava sem a devida autorização da Prefeitura de Campo Grande, a Semades solicitou o embargo imediato do empreendimento.

Também em agosto do ano passado, uma denúncia anônima afirmou que a abertura das vias, a implantação da infraestrutura e a demarcação de lotes estavam sendo realizadas sem o registro do projeto em cartório. 

No mês seguinte, a empresa se defendeu, alegando que não estava “executando obras de infraestrutura, limitando-se à limpeza periódica da área e à demarcação das vias que serão realizadas no loteamento, para controle de vegetação.” 

Também pediu a suspensão do termo de embargo, afirmando que as atividades realizadas na área eram meramente preparatórias. 

TERRENO DA UNIÃO

Outra irregularidade foi com a faixa de domínio da linha férrea da Malha Oeste. O documento GDU
nº 24/2022 determinou que o arruamento do empreendimento deveria ser executado às margens da ferrovia, respeitando-se o limite de 15 metros de cada lado.

Porém, a incorporadora, mesmo sabendo que a ocupação da área poderia configurar crime e não poderia ser desapropriada, fez modificações na faixa de domínio. 

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) informou que não poderia ser desapropriada e que qualquer autorização só poderia ser concedida pela Rumo, concessionária que administra a Malha Oeste, ou pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Essa ocupação irregular de área de concessão da Malha Oeste resultou em um boletim de ocorrência por furto, feito em fevereiro deste ano pela Rumo.

A empresa constatou a ocupação, construção de passagem em nível irregular e a retirada sem autorização de trilhos em 1,6 quilômetro da linha férrea.

ANULAÇÃO

Além desses problemas, a PGM solicitou, também no ano passado, à Semades a anulação imediata do ato de do loteamento, “por apresentar vícios formais e materiais”.

Apontou “inobservância das exigências legais para aprovação de loteamentos; ausência de anuência prévia de órgãos competentes; não atendimento às diretrizes da GDU nº 24/2022”.

PRESERVAÇÃO

Na área ambiental foi constatado que no terreno do condomínio existem Área de Preservação Permanente (APP) e presença de espécies protegidas e que haveria a necessidade de supressão vegetal significativa, condicionada à compensação ambiental, ainda pendente de integral cumprimento, com o relatório citando que “foram identificadas inconsistências quanto à delimitação de APP.”

A análise de imagens de satélite indicou a ocorrência de supressão de vegetação anterior ao licenciamento, bem como o início de intervenções no local, evidenciando a necessidade de verificação quanto à regularidade dessas ações.

A engenheira ambiental concluiu que, “diante da análise dos processos administrativos e documentos relacionados ao empreendimento Soul Corpal Living Resort, verifica-se que o licenciamento ambiental e a aprovação urbanística do loteamento foram marcados por sucessivas controvérsias técnicas e jurídicas, especialmente no que se refere à compatibilidade do projeto com o Plano de Manejo da APA do Lajeado, à necessidade de outorga onerosa para alteração do uso do solo e à regularidade da ocupação de áreas ambientalmente protegidas”.

Também aponta que, embora tenham sido emitidas licença prévia e licença de instalação, houve divergências entre pareceres técnicos e deliberações da Comissão de Controle Ambiental (CCA), “sendo necessária, inclusive, manifestação jurídica para dirimir conflitos quanto à exigibilidade de documentos e à viabilidade do empreendimento”.

Sob o ponto de vista urbanístico, a engenheira verificou que houve “a existência de questionamentos relevantes quanto à regularidade da aprovação do loteamento”, especialmente em relação ao atendimento às diretrizes estabelecidas na GDU nº 24/2022, à utilização de áreas institucionais e à implantação de acesso por meio de faixa de domínio ferroviária pertencente à União sem a devida autorização dos órgãos competentes.

O documento ressalta que a denúncia da execução de obras sem o devido registro do loteamento no Cartório de Registro de Imóveis resultou no termo de embargo, “cuja situação posterior não foi devidamente esclarecida nos autos”.

Além disso, destaca a necessidade de reavaliação dos atos administrativos praticados em virtude da recomendação da PGM pela anulação do ato de aprovação do loteamento, em razão de vícios formais e materiais. 
 

Pyetra conclui pela existência de indícios de irregularidades ambientais e urbanísticas no empreendimento, “recomendando o aprofundamento da análise técnica e jurídica, bem como a adoção das medidas cabíveis pelos órgãos competentes, a fim de assegurar a conformidade do empreendimento com a legislação vigente e a proteção do meio ambiente”.

Este relatório faz parte das apurações da 42ª Promotoria de Justiça de Campo Grande do MPMS, em notícia de fato sobre supostas irregularidades na aprovação do loteamento de acesso controlado. 

Já o Ministério Público Federal (MPF) apura se a Corpal fez obras no local sem o projeto de interesse de terceiros (TIP), que tem de ser aprovado pela ANTT, e se as intervenções realizadas pela loteadora (arruamento e remoção de trilhos) ocorreram sem o rito processual de desativação e desincorporação, o que configuraria dano ao patrimônio público federal.

CORPAL

Em nota enviada ao Correio do Estado em reportagens anteriores, a incorporadora “reafirma seu compromisso com a legalidade, cumprindo nesse e em todos os seus mais 68 empreendimentos todas as licenças aplicáveis e que suas atividades seguem rigorosamente a legislação vigente em todos os níveis regulatórios”.

* Saiba

Condomínio de luxo Soul Corpal Living Resort, em Campo Grande, tem um dos metros quadrados mais caros, comercializados a R$ 2,5 mil, em média.

Isso significa que um terreno de tamanho mínimo não é vendido por menos de R$ 1 milhão.

 

NOVA FERRAMENTA

Site criado por Movimento contra violência sexual facilita denúncias

Plataforma fornece o passo-a-passo de como acionar o Conselho Tutelar

05/09/2026 13h30

Brasil atingiu, nos últimos anos, um patamar bastante elevado de crimes sexuais envolvendo crianças, adolescentes e o ambiente online

Brasil atingiu, nos últimos anos, um patamar bastante elevado de crimes sexuais envolvendo crianças, adolescentes e o ambiente online Marcelo Victor/Correio do Estado

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Lançado pelo Movimento Violência Sexual Zero, o Mapa Nacional dos Conselhos Tutelares nasce fruto de parceria 
entre o Grupo Mulheres do Brasil, a Childhood Brasil, o Instituto Liberta e a Vibra Energia, como uma plataforma que serve de atalho para os mais de 3,5 mil conselhos tutelares existentes pelo país, contendo informações de contato atualizadas.

Batizado de Violência Sexual Zero, esse site (que você acessa CLICANDO AQUI) têm, ainda, instruções sobre como formalizar uma denúncia relacionada a esse tipo de crime. Um dos canais sugeridos é o Disque 100, mantido pelo governo federal e que pode ser acionado para solicitar a apuração de situações suspeitas. A ligação é gratuita e o denunciante pode se manter em anonimato. 

Os telefones da Polícia Militar (190) e Polícia Federal Rodoviária (191) são indicados na plataforma para quando se presencia uma violação.

Outra circunstância possível, mencionada pela plataforma, é o abuso sexual infantil cometido com o auxílio da internet e que demanda o envio de denúncia a instituições como a SaferNet (denuncia.org.br). 

O Brasil atingiu, nos últimos anos, um patamar bastante elevado de crimes sexuais envolvendo crianças, adolescentes e o ambiente online.

Em balanço recente da rede internacional InHope, o país subiu da 27ª posição para a 5ª posição, no período de 2022 para 2024, no número de denúncias de páginas de distribuição de conteúdos de abuso sexual infantil. 

Empresas que desejem apoiar a causa e implementar ações e famílias e educadores que busquem materiais para saber conversar sobre o tema com crianças e adolescentes podem encontrar no site dicas de livros, ferramentas, materiais por escrito e visuais e séries de vídeos com essas finalidades. 

O Movimento Violência Sexual Zero também destaca dados estatísticos coletados por instituições de referência, como o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o DataSUS. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), outro da lista, traz um número importante: apenas 8,5% dos casos registrados no país são denunciados.

 

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Supermercado

Causa do colapso onde dois morreram pode nunca ser descoberta

Perícia investiga causas do desabamento de supermercado em construção em Campo Grande

05/09/2026 13h00

Estrutura de supermercado em construção desabou no bairro Aero Rancho, em Campo Grande e perícia investiga as causas do acidente

Estrutura de supermercado em construção desabou no bairro Aero Rancho, em Campo Grande e perícia investiga as causas do acidente Foto: João Pedro Zequini / Correio do Estado

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A causa do desabamento da estrutura de um supermercado em construção, que resultou na morte de dois trabalhadores e deixou outros dois feridos em Campo Grande, ainda não foi esclarecida. O acidente ocorreu na tarde de sexta-feira (4), no bairro Aero Rancho.

Peritos estiveram no local da obra na manhã deste sábado (5), acompanhados por equipes do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul (CREA-MS), para analisar as possíveis causas do colapso.

A reportagem do Correio do Estado conversou com o conselheiro e engenheiro civil do CREA-MS Sidiclei Formagini sobre as hipóteses que podem ter contribuído para o acidente.

“Quando ocorre um colapso, ele pode ter origem em uma falha de projeto, em uma falha de execução ou em uma ação externa que não estava prevista no projeto.”

Segundo Formagini, somente a perícia técnica poderá indicar a provável causa do desabamento, já que diferentes fatores podem ter contribuído para o colapso.

“Quem vai apontar a causa é somente a perícia técnica. Os profissionais poderão analisar todos os detalhes e indicar a provável origem do problema. Às vezes, porém, a causa real nunca é identificada”, declarou o conselheiro do CREA-MS.

Ainda na tarde de sexta-feira (4), o CREA-MS realizou um levantamento preliminar sobre a situação da empresa responsável pela execução da obra e do responsável técnico. De acordo com a avaliação inicial, ambos estão regulares perante o conselho.

A empresa está habilitada legalmente para atuar e apresentou a documentação solicitada, que indica que os profissionais estão regulares perante o órgão.

Para chegar a uma conclusão, os peritos deverão verificar, entre outros aspectos, a intensidade das rajadas de vento no momento do acidente, os sistemas de contraventamento, a fixação das peças, a sequência de montagem e as condições de estabilidade da estrutura.

O supermercado da rede Mister Júnior estava sendo construído com peças de concreto pré-fabricado. Nesse sistema construtivo, os componentes são produzidos previamente em uma fábrica e, depois, transportados para o canteiro de obras, onde são instalados para dar continuidade à construção.

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