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Confronto com a PM deixa suspeito morto e agrava onda de violência em MS

Intervenção da Força Tática ocorreu menos de 24 horas após a execução de um jovem de 19 anos; Estado registra aumento na frequência de mortes decorrentes de ações policiais em 2026.

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Poucas horas após o homicídio que vitimou um jovem de 19 anos em Nova Andradina, uma nova ocorrência violenta voltou a mobilizar as forças de segurança do município na tarde desta quarta-feira (8).

Um homem identificado como Leandro morreu durante uma intervenção policial realizada por equipes da Força Tática da Polícia Militar, na Rua Luiz Carlos Ortega Júnior, no Bairro Argemiro Ortega. 

Conforme as primeiras informações, os policiais realizavam diligências na região quando tentaram abordar o suspeito.

Ainda segundo as informações preliminares, Leandro teria reagido à ação policial e atirado contra os militares, dando início a uma troca de tiros. Durante o confronto, ele foi baleado e morreu antes da chegada do socorro. 

A área foi isolada para o trabalho da perícia e mobilizou equipes da Força Tática, do 8º Batalhão da Polícia Militar, da Polícia Civil, da Polícia Científica e investigadores da Seção de Investigações Gerais (SIG). O comandante do 8º BPM, tenente-coronel Françoso, acompanhou a ocorrência.

O corpo será encaminhado ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol), onde passará por exames necroscópicos. 

Até o momento, a Polícia Militar não divulgou detalhes oficiais sobre a dinâmica da intervenção. Como ocorre em casos de morte decorrente de ação policial, a ocorrência será investigada pela Polícia Civil, que deverá apurar todas as circunstâncias do confronto, juntamente com a perícia técnica. 

Horas antes, jovem foi executado

A intervenção policial ocorreu menos de 24 horas após o assassinato de Fabrício Flor de Oliveira, de 19 anos, morto a tiros na tarde de terça-feira (7), enquanto estava sentado na calçada ao lado do avô, na Avenida Eulenir de Oliveira Lima, no Bairro Durval Andrade Filho.

Segundo a investigação, dois homens chegaram em uma motocicleta e efetuaram diversos disparos contra o jovem. Fabrício foi socorrido em estado gravíssimo ao Hospital Regional de Nova Andradina, mas não resistiu aos ferimentos. Os autores fugiram e ainda são procurados pela polícia. 

O homicídio foi o segundo registrado em menos de uma semana no município. No último sábado (4), Brendow Kaique Souza da Silva, de 18 anos, também foi executado a tiros dentro da própria residência, no Bairro Ulisses Pinheiro.

As investigações apontam que os crimes podem estar relacionados à disputa por território entre facções criminosas que atuam na região.

Letalidade cresce em Mato Grosso do Sul

Com a morte registrada nesta quarta-feira, Mato Grosso do Sul chega a 75 mortes decorrentes de intervenção policial em 2026, conforme levantamento realizado pelo Correio do Estado com base em registros oficiais e acompanhamento dos casos ao longo do ano.

O número revela um aumento na frequência dessas ocorrências. Enquanto em 2023 uma pessoa morria em confronto com forças de segurança, em média, a cada 67 horas, neste ano o intervalo caiu para aproximadamente 60 horas, indicando uma maior letalidade nas intervenções policiais.

O avanço da violência também tem atingido os próprios agentes de segurança. Em junho deste ano, o soldado da Polícia Militar Marcelo Pimenta da Silva, de 32 anos, morreu durante uma ocorrência em Corumbá, encerrando um período de cinco anos sem registros de policiais mortos em serviço em Mato Grosso do Sul.

Antes desse caso, o último policial morto em serviço no Estado havia sido registrado em 2020.

Levantamento histórico da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostra que, entre 2013 e 2023, 434 pessoas morreram em decorrência de intervenções policiais em Mato Grosso do Sul.

No mesmo período ampliado, entre 2016 e 2026, três policiais perderam a vida durante o serviço, evidenciando que os confrontos armados representam riscos tanto para os suspeitos envolvidos nas ocorrências quanto para os próprios profissionais das forças de segurança.

Os indicadores reforçam um cenário de intensificação dos confrontos entre forças de segurança e integrantes de organizações criminosas, especialmente em ocorrências relacionadas ao tráfico de drogas, homicídios e disputas entre facções.

Ao mesmo tempo, os casos reacendem o debate sobre o uso da força, a proteção dos agentes de segurança e a necessidade de investigação rigorosa de todas as mortes decorrentes de intervenção policial.

em todo o país

Trabalhadores dos Correios estão em greve por tempo indeterminado

Paralisação teve início às 22h de quinta-feira (10)

11/09/2026 21h00

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

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Os trabalhadores dos Correios paralisaram as atividades por tempo indeterminado em todo o país. A greve teve início às 22h dessa quinta-feira (10). Segundo a Federação dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos e das Empresas de Comunicações (Findect), o movimento paredista foi deflagrado após as negociações da campanha salarial deste ano terminarem sem acordo.

A decisão das assembleias dos trabalhadores ocorreu depois de sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST). No Acre, a categoria deve decidir hoje sobre a greve.

Segundo a federação, a categoria buscou uma solução negociada, mas a empresa manteve sua posição em um tema considerado fundamental pelos trabalhadores. Um dos principais pontos do impasse é o plano de saúde, para os trabalhadores, aposentados e suas famílias.

“A direção dos Correios insiste em alterar sua condição de mantenedora do plano, proposta que preocupa a categoria pelos riscos que pode trazer ao custeio e à garantia da assistência médica”, disse.

A Findect informou ainda que segue acompanhando o movimento e que aguarda uma resposta da direção dos Correios e do governo federal que atenda às reivindicações dos trabalhadores.

“A categoria exige uma proposta que preserve direitos, proteja o plano de saúde e respeite quem mantém a empresa funcionando diariamente em todo o Brasil”.

A reportagem da Agência Brasil pediu um posicionamento da direção dos Correios sobre a greve, mas ainda não teve resposta.

Justiça

Fachin dá 24h para Mendonça levantar sigilo de todo caso Master

Ele atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República

11/09/2026 19h00

Presidente do STF, Edson Fachin

Presidente do STF, Edson Fachin Foto: Paulo Ribas

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O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 24 horas para que o ministro André Mendonça retire o sigilo de todos os documentos relacionados à Operação Compliance Zero, que apura corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias ligadas ao antigo Banco Master. 

Fachin atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), para quem a divulgação de apenas parte do material passa uma "ideia equivocada” de que a transparência do caso pode estar comprometida. 

A divulgação de todo o material já havia sido requerida na noite de quinta-feira (9) por Fachin. Mendonça atendeu ao pedido horas depois, divulgando 15 procedimentos de investigação derivados da Compliance Zero. 

Relator do caso no Supremo, Mendonça manteve, contudo, o sigilo sobre algumas linhas de investigação, o que motivou a PGR a pedir acesso à integralidade dos documentos. 

Pela decisão de Fachin desta sexta-feira (11), todos os documentos devem ser disponibilizados, “ressalvadas exclusivamente as diligências em andamento ou a serem realizadas, para os quais se pudesse antever possíveis prejuízos à sua efetividade”, escreveu o presidente do Supremo. 

A ordem de Fachin para a retirada do sigilo sobre a investigação ocorre na esteira de uma crise institucional sem precedentes no Supremo, com a divulgação recíproca de relatórios comprometedores e pedidos de investigação mútuos protagonizados pelos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. 

Fachin determinou a remessa de todo o material para os gabinetes dos demais ministros, para que possam analisar os documentos e provas antes de julgar, na próxima terça-feira (15), outro pedido da PGR, dessa vez para que um relatório da PF ligando Vorcaro a Moraes seja anulado. 

Neste relatório, cujo sigilo foi levantado por Mendonça, constam dezenas de mensagens que a PF diz terem sido enviadas por Vorcaro a Moraes. Nelas, o ex-banqueiro demonstra ter relação de proximidade com o ministro. 

Mendonça pediu ao plenário que decida sobre investigar ou não Moraes. A PGR, contudo, alega que o ministro já avançou irregularmente nas investigações, sem a autorização do plenário, o que tornaria nulo o material. 

Sigilo

Entre as apurações mantidas sob sigilo por Mendonça está a que diz respeito ao suposto repasse de R$ 61 milhões para financiar a produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo a PF, há suspeita de que o dinheiro tenha sido entregue por Daniel Vorcaro, dono do Master, a pedido do senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ). 

Outra investigação mantida sob segredo de Justiça envolve o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o advogado Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master. 

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