Cidades

AUDITORIA

Conselho denuncia suposta irregularidade na Saúde da Capital

Entre as anomalias identificadas pela entidade estaria o "sumiço" de R$ 30 milhões e a abertura de uma nova conta sem oficialização por parte da Sesau

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O Conselho Municipal de Saúde (CMS) solicitou auditoria extraordinária a diversos órgãos de controle após identificar duas supostas irregularidades nas contas da Saúde de Campo Grande.

Segundo ofício enviado pela entidade, a solicitação gira em torno de duas anormalidades encontradas. Primeiro, entre agosto e outubro de 2024, o conselho identificou que uma quantia de quase R$ 30 milhões havia sido retirada da conta do Fundo Municipal de Saúde, que estava na casa dos R$ 35 milhões e “despencou” para R$ 9 milhões durante período de 60 dias.

No documento, o conselho reforça que oscilações financeiras similares a esta já aconteceram em anos anteriores, porém, estavam sempre seguidas de compensações feitas nos meses subsequentes, o que não teria sido feito desta vez, refletindo na dificuldade operacional da Saúde este ano, principalmente para pagar corretamente os fornecedores.

“Cumpre registrar que esse intervalo coincide com relatos de fornecedores da Secretaria Municipal de Saúde, que, desde outubro de 2024, informaram a este conselho enfrentar dificuldades recorrentes para receber pagamentos, por vezes recebendo apenas parcialmente valores devidos”, destaca o conselho, que acrescenta ser um dos motivos para que uma avaliação minuciosa seja realizada.

A outra suposta irregularidade apontada no ofício é a abertura de uma nova conta sem oficialização ou anúncio público por parte do Executivo. De acordo com o CMS, esta ação aconteceu logo após a queda brusca citada anteriormente, que não teria sido “acompanhada de qualquer ato administrativo formal apresentado” ao conselho.

“A conta do Banco do Brasil nº 74446 praticamente deixou de receber novos créditos, ao passo que os repasses federais voltaram a ingressar na conta da Caixa Econômica Federal nº 6624092, o que reforça a necessidade de apuração técnica sobre a movimentação das contas de custeio”, detalha.

Vale destacar que, à época das duas ações suspeitas, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) era comandada por Rosana Leite de Melo, que foi exonerada do cargo em setembro deste ano.

Agora, a Pasta é chefiada por um comitê gestor da Saúde, formado por seis pessoas, do qual a coordenadora é Ivoni Kanaan Nabhan Pelegrinelli, ex-secretária de Iguatemi.

Neste momento, a solicitação está nas mãos do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), do Tribunal de Contas da União (TCU), do Ministério Público de Contas (MPC) e do Ministério da Saúde, que ainda não responderam o conselho acerca da realização de uma auditoria.

EXTRATOS

Um dos maiores pontos de reclamação do CMS no ofício é a ausência de retorno da Sesau para enviar os extratos dos anos anteriores, o que dificulta a transparência dos dados.

“Desde novembro de 2024, este Conselho tem solicitado à Secretaria Municipal de Saúde, sem êxito, o envio dos extratos bancários e das conciliações das contas de custeio, documentos essenciais ao exercício do controle social, conforme determina o art. nº 36 da LC nº 141/2012. A ausência desses documentos por período superior a um ano impede a verificação da regularidade das movimentações financeiras e limita gravemente a transparência da gestão”, afirma.

Em conversa com o Correio do Estado, Jader Vasconcelos, coordenador do CMS, afirmou que, logo depois do envio do ofício aos órgãos de controle, a Pasta encaminhou os extratos do ano passado, além de ter prometido enviar os extratos de 2023 até amanhã.

Sobre a análise dessas contas, Jader diz que deve durar algumas semanas, visto que são 79 no total.

O coordenador diz que esta não é a primeira vez que a entidade solicita auditoria no Fundo Municipal de Saúde. Em julho, a entidade também enviou o pedido aos órgãos de controle, justamente pela falta de transparência e agilidade para envio dos extratos, mas foi recusado pelo Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (Denasus) e o Tribunal de Contas, sob alegação de falta de materialidade.

Diante disso, com base na Lei de Acesso à Informação, que determina o prazo de 20 a 30 dias para a resposta, o conselho acionou o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que também não retornou. Agora, Jader espera que a história seja diferente, com a adesão dos órgãos de controle acerca da auditoria.

“A gente espera que, dessa vez, o Tribunal de Contas e o Denasus observem algum tipo de materialidade no nosso pedido. Esse pedido não é de agora, ele é de novembro do ano passado, é bom salientar isso para não entenderem que foi uma rigidez muito grande do Conselho”, reforça o coordenador.

*SAIBA

A Saúde conta com um terço do orçamento do Município: R$ 2,1 bilhões para este ano, dos R$ 6,87 bilhões previstos; e R$ 2,25 bilhões para 2026, dos R$ 6,97 bilhões previstos. Os dados são da Lei Orçamentária Anual (LOA).

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CAMPO GRANDE

Conselho suspeita de suplementações de R$156 milhões e reprova contas da Sesau

Órgão justifica reprovação do balanço orçamentário por falta de "informações essenciais", como extratos bancários, para conferência completa da execução financeira da saúde

22/05/2026 09h33

Conselho Municipal de Saúde frisa que tal reprovação foi uma deliberação de total natureza técnica,

Conselho Municipal de Saúde frisa que tal reprovação foi uma deliberação de total natureza técnica, "não política". Marcelo Victor/Correio do Estado

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Através de edição extra do Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande), foi publicada ontem (21) que as contas da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) referente ao exercício de 2024 foram reprovadas pelo Conselho, que levanta suspeita sobre suplementações que giram em torno de R$156 milhões. 

Conforme o documento, a deliberação número 1038 do Conselho Municipal de Saúde (CMS) reprova o chamado Balanço Geral Anual do Fundo Municipal de Saúde (FMS) da Sesau do exercício de 2024.

Conselho Municipal de Saúde frisa que tal reprovação foi uma deliberação de total natureza técnica, "não política".Reprodução/Diogrande

Em nota, o órgão justifica que esse balanço orçamentário foi reprovado porque "faltaram informações essenciais para a conferência completa da execução financeira da saúde", entre os quais elencam a falta: 

  • cronograma de desembolso;
  • conciliações; 
  • extratos bancários.

Como bem esclarece ao Correio do Estado o Coordenador da Mesa Diretora do Conselho Municipal de Saúde, Jader Vasconcelos, as reprovações de contas neste caso da Sesau até podem acontecer, e assim já houve no passado, porém não seria a "via de regra". 

"O balanço financeiro pode ser: 'aprovado', 'aprovado com ressalva' ou 'reprovado'. No caso deste ano, especificamente, houve reprovação. Na maioria das vezes ou é aprovado ou com ressalva, realmente... não é algo tão comum de acontecer, mas pode", comenta ele.

Suplementações milionárias

Além disso, porém, o Conselho Municipal levanta a suspeita sobre suplementações de cerca de R$156 milhões, que teriam sido voltadas para despesas de exercícios anteriores. 

Segundo o CMS, esse tema, inclusive, está sob investigação do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (Denasus). 

Em complemento, o Conselho Municipal de Saúde frisa que tal reprovação foi uma deliberação de total natureza técnica, "não política". Confira a nota na íntegra.

"O Conselho reprovou o balanço orçamentário de 2024 porque faltaram informações essenciais para a conferência completa da execução financeira da saúde, como extratos bancários, conciliações e cronograma de desembolso.

Além disso, houve preocupação com suplementações de cerca de R$156 milhões para despesas de exercícios anteriores, tema este que inclusive está sob investigação do TCU e DENASUS, sem que os esclarecimentos apresentados fossem suficientes para dar segurança técnica ao Conselho. Foi uma decisão de natureza técnica, não política.

Vale lembrar que, ainda em dezembro de 2025, este mesmo Conselho já havia detectado "anomalias" e solicitado auditorias aos órgãos de controle, após identificar duas principais anormalidades nas contas da Saúde de Campo Grande. 

Primeiro foi identificado que uma quantia de quase R$30 milhões havia sido retirada da conta do Fundo Municipal de Saúde, que estava na casa dos R$35 milhões e “despencou” para R$9 milhões durante o período de 60 dias.

A outra suposta irregularidade apontada em ofício seria a abertura de uma nova conta sem oficialização ou anúncio público por parte do Executivo, ação essa que, segundo o CMS, aconteceu logo após a queda brusca citada acima, que não teria sido “acompanhada de qualquer ato administrativo formal apresentado” ao conselho.

 

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CAMPO GRANDE

Governo do Estado compra área de 10 hectares para ampliar pista no aeroporto da Capital

O Estado adquiriu uma área de 10,6203 hectares por mais de R$ 3 milhões. O investimento total previsto para a reforma e ampliação do Aeródromo Estância Santa Maria é de R$ 45,8 milhões

22/05/2026 08h45

Aeródromo Estância Santa Maria

Aeródromo Estância Santa Maria Divulgação: Governo do Estado de Mato Grosso do Sul

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No Diário Oficial desta sexta-feira (22), o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul publicou o extrato de aquisição de um imóvel por desapropriação amigável e tem como finalidade usá-lo para extensão da pista do Aeródromo Estância Santa Maria, em Campo Grande.

A propriedade, denominada Estância São Francisco- Gleba B, pertencia a Maia, Albuquerque e Cia Ltda e foi transferida para o Governo do Estado, através da Secretaria de Administração, pelo valor de R$ 3.186.090. O espaço possui uma área de 10,6203 hectares e perímetro de 1.361,51 metros.  

Em setembro de 2025, o Governo Estadual, por meio da Secretaria de Infraestrutura e Logística (Seilog), lançou licitação para restaurar e ampliar o aeródromo, além de anunciar que investiria R$ 45,8 milhões. O objetivo é modernizar e ampliar a estrutura, que hoje funciona como um dos principais pontos de apoio da aviação regional.

Atualmente, o aeródromo conta com uma pista de pouso e decolagem de 1.500 metros de comprimento por 30 de largura, homologada para operações diurnas e noturnas sob regras de voo visual. O sistema de balizamento noturno já permite movimentações após o pôr do sol, mas a obra promete elevar o patamar da estrutura.

O projeto prevê a ampliação da pista para 2.000 metros, o que vai possibilitar a operação de aeronaves de maior porte, além da expansão da taxiway e do pátio de aeronaves. Também está prevista a instalação do sistema PAPI (Precision Approach Path Indicator) usado como apoio no procedimento de aproximação e pousos, reforçando a segurança operacional no aeródromo.

A modernização não se limita ao setor operacional. O pacote inclui ainda a construção de uma guarita de acesso para reforçar a segurança e um receptivo de passageiros em frente ao pátio, com instalações mais adequadas para o embarque e desembarque. A estimativa é de que os atuais 7 mil movimentos aéreos anuais ultrapassem a marca de 9 mil após a conclusão das obras.

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