Cidades

julgamento

Conversas de Major Carvalho expuseram como funcionava rede de tráfico de drogas

Julgamento do Pablo Escobar Brasileiro e outros 30 acusados chegou ao terceiro dia na Bélgica

Continue lendo...

No terceiro dia de julgamento do ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul Sergio Roberto de Carvalho na Bélgica, o Ministério Público Federal daquele país mostrou como foi possível descobrir detalhes sobre o último carregamento de cocaína enviado do Brasil para a Europa pertencente a organização criminosa. A interceptação de mensagens entre o ex-policial foi fundamental para isso acontecer.

Segundo o Ministério Público Federal da Bélgica, foi graças a mensagens obtidas através da criptografia do serviço de mensagens EncroChat que os investigadores conseguiram reconstruir integralmente o último carregamento de cocaína da organização.

Matéria de sites belgas apontam que a magistrada federal Marianne Capelle analisou hora a hora  das mensagens trocadas pelos suspeitos, entre eles o ex-major Carvalho, no período entre o final de março de 2020 e o começo de abril do mesmo ano. 

“Sergio Roberto de Carvalho, o fornecedor da cocaína, envia então fotos dos contêineres onde a cocaína está escondida, bem como fotos dos números dos contêineres e dos lacres, e inclui uma lista detalhada dos contêineres que de fato contêm cocaína e dos demais que contêm apenas minério de manganês”, revelou o Ministério Público da Bélgica ontem, no julgamento.

Essas informações teria sido mandadas para celular de membros da organização criminosa gerida por Flor Bressers, tratado com um dos cabeças da quadrilha. 

A remessa chegou neste período das mensagens trocadas ao Porto de Roterdã, na Holanda, onde foi interceptada pela alfândega e pela polícia do país.

Ainda segundo apurou o Minitério Público Federal, foi identificado por meio dessas mensagens, “uma considerável inquietação dentro da organização criminosa quando os contêineres inicialmente não foram liberados pela alfândega e ameaçaram passar por uma inspeção minuciosa”.

A carga foi finalmente liberada em 14 de abril de 2020. Porém, a alfândega holandesa já havia descoberto e substituído a cocaína, e decidiu vigiar os contêineres para prender os responsáveis pela coleta.

No dia seguinte a organização transferiu dois contêineres para um armazém em Best, município holandês. A polícia de lá invadiu o local e prendeu cinco suspeitos naquela ocasião.

O carregamento interceptado era de 3,2 toneladas de cocaína. Porém, ainda segundo as mensagens, a rede que tinha major Carvalho como um dos cabeças, contrabandeou pelo menos 45 toneladas de cocaína por meio de portos europeus em um período de seis meses.

As investigações também descobriram que a empresa de tratamento de água Kriva Rochem, da Bélgica, estava envolvida no contrabando de cocaína a partir do Brasil.

JULGAMENTO

O julgamento começou em 15 de setembro de 2025 e tem quase um ano em andamento, com inúmeras paralisações durante este período e foi retomado na última segunda-feira (7).

São mais de 30 acusados, entre ex-major da PM de MS. O local onde os acusados ficam durante o júri, uma espécie de cabine de vidro, também é questionada pelos advogados. 

MAJOR CARVALHO

O ex-major Carvalho foi preso na Hungria em 2023, com um passaporte mexicano falso e era procurado pelas polícias do Brasil e pela Europa. Atualmente ele está detido na Bélgica.

Conhecido como “Pablo Escobar brasileiro”, a Polícia Federal (PF) estima que Major Carvalho tenha movimentado R$ 2,25 bilhões entre os anos de 2018 e 2020, com exportações de cocaína à Europa. 
 
O ex-major ingressou na Polícia Militar de Mato Grosso do Sul no fim da década de 1980 como comandante do Batalhão Militar de Amambai, área de fronteira do Estado com o Paraguai.  

Na década de 1990, Carvalho já estava envolvido com atos ilícitos, como o contrabando de pneus. Anos depois, o ex-major foi pego contrabandeando uísque.

No Brasil, o Porto de Paranaguá (PR) era o preferido da quadrilha de Carvalho para as remessas de drogas ao Velho Continente.

Operação Nexum

Crime bancava viagens a destinos badalados do Brasil; "Fio do Bigode" exibia luxo nas redes

Alvo da Operação Nexum, Victor Fio do Bigode acumulava registros de viagens para Fernando de Noronha, Arraial do Cabo e Balneário Camboriú

09/09/2026 18h25

Rapaz visitava destinos famosos no país

Rapaz visitava destinos famosos no país Reprodução/Redes Sociais

Continue Lendo...

Viagens para destinos badalados do litoral brasileiro, cruzeiros, hotéis e uma rotina de luxo eram exibidos por Victor Baptista Borges Neto, conhecido como “Fio do Bigode”, nas redes sociais. Preso nesta quarta-feira (9) pela Polícia Federal, ele é investigado por participação em uma organização criminosa suspeita de comercializar eletrônicos trazidos irregularmente do Paraguai e cobrar dívidas com ameaças.

Com mais de 35 mil seguidores no Instagram, Victor mantém no perfil registros de viagens para Fernando de Noronha (PE), Arraial do Cabo (RJ) e Balneário Camboriú (SC), além de publicações de passagens por Maceió (AL), Natal (RN) e viagens de cruzeiro.

A ostentação nas redes sociais contrasta com a atividade que, segundo a investigação da PF, era utilizada pelo grupo para movimentar dinheiro. Os investigados anunciavam eletrônicos pelas redes sociais e faziam as vendas de maneira informal, com pagamento parcelado. A cobrança dos clientes, conforme a corporação, era feita mediante ameaças.

Victor era conhecido pelo modelo de venda chamado “fio do bigode”, expressão usada para se referir ao comércio feito sem cartão ou cheque. No perfil, ele anunciava produtos de alto padrão e oferecia crediário próprio, com pagamentos semanais ou quinzenais.

Além das viagens, o investigado também publicava conteúdos relacionados à própria atividade comercial. Em uma das postagens, chegou a brincar com uma abordagem policial ocorrida em 2025, transformando as imagens em uma espécie de anúncio fictício sobre uma suposta prisão.

Operação

A prisão de Victor ocorreu na manhã desta quarta-feira (9), durante a Operação Nexum, deflagrada pela Polícia Federal em Campo Grande. O Correio do Estado publicou os primeiros detalhes da ação ainda no início da manhã.

Ao todo, são cumpridos 12 mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva, expedidos pela 5ª Vara Federal de Campo Grande. A maioria dos alvos está na região do Jardim Los Angeles, conforme informou a PF ao Correio do Estado.

Durante as buscas, os policiais apreenderam geladeiras, videogames, caixas de som, celulares e televisores. A investigação aponta que o grupo atuava havia pelo menos um ano e, inicialmente, a PF identificou atuação somente em Campo Grande.

Além do descaminho de mercadorias eletrônicas, há indícios de empréstimos informais, extorsão, tráfico de drogas, posse e porte irregular de armas de fogo e lavagem de capitais.

A Justiça Federal determinou ainda o bloqueio de ativos financeiros e a indisponibilidade de imóveis ligados aos investigados, até o limite de R$ 10 milhões. Quatro veículos foram sequestrados e três empresas apontadas na investigação tiveram as atividades suspensas.

Mais de 50 policiais federais participam da operação, que conta com apoio da Receita Federal nos locais de depósito e comercialização das mercadorias.

 

denúncia aceita

Ex-diretor de presídio vira réu por receber propina de facção para facilitar crimes

Policiais penais eram pagos por criminosos para liberarem entrada de drogas, celulares e para beneficiar detentos do Presídio Estadual de Dourados

09/09/2026 18h15

Policiais penais recebiam propinas de internos da Penitenciária de Dourados

Policiais penais recebiam propinas de internos da Penitenciária de Dourados Foto: Dourados News

Continue Lendo...

O juiz Marcel Goulart Vieira, da 2ª Vara Criminal de Dourados, aceitou denúncia contra o ex-diretor da Peninteciária Estadual de Dourados (PED) e mais 10 pessoas por envolvimento em crimes cometidos dentro do estabelecimento prisional, dentre eles tráfico de drogas, corrupção de servidores públicos e um homicídio.

Ao aceitar a denúncia, o magistrado afirmou que estão presentes prova da materialidade do crime, bem como indícios suficientes da autoria. Assim, todos viraram réus pelos crimes de pelos crimes de corrupção ativa e passiva, favorecimento real, fraude em licitações e advocacia administrativa.

Conforme reportagem do Correio do Estado, a quadrilha foi desmantelada durante a Operação Sátrapa, deflagrada em fevereiro de 2025 pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco/MS), com o objetivo de apurar os crimes cometidos dentro do presídio.

As investigações tiveram início em 2024, após a polícia receber informações de que um policial penal estaria ingressando no Presídio Estadual de Dourados com droga e celulares.

Ele chegou a ser preso em flagrante em julho do mesmo ano, transportando cerca de 1,5kg de entorpecentes para o interior da unidade prisional. Durante a operação, o diretor foi afastado do cargo e passou a ser monitorado com tornozeleira eletrônica.

Ele é acusado de liderar o esquema que foi criado dentro do presídio, onde havia o pagamento, por parte dos custodiados, para o favorecimento de crimes, como entrada de drogas, celulares e armas, além de beneficiamento a alguns presos em troca de propina.

Além do diretor, outros servidores também estariam envolvidos em ao menos um homicídio, cometido dentro do presídio, a mando de um interno que afirmava ser líder de uma facção criminosa e que atualmente cumpre pena no sistema federal.

A esposa do apontado como mandante, que é advogada, também foi denunciada e virou réu. O juiz determinou que a denúncia seja comunicada a Ordem dos Advogados do Brasil seccional de Mato Grosso do Sul (OAB/MS).

Na denúncia, o Ministério Público Estadual também pediu o afastamento das funções e da perda de acesso aos sistemas de informação dos acusados, mas o juiz não acolheu os pedidos.

"Isso porque, conquanto os supostos delitos tenham sido praticados durante o exercício da função pública, verifica-se que os fatos datam do ano de 2024, não havendo notícias contemporâneas nos autos de que os acusados estariam abusando de suas funções ou utilizando- se indevidamente dos sistemas mencionados pelo MPE, razão pela qual deixo, por ora, de determinar a suspensão", disse o magistrado ao receber a denúncia.

O processo segue em fase de prazo para manifestação da defesa dos acusados.

Foram denunciados:

  • Aline Guerrato Foroni - advogada
  • Aluizio Boteiro Chastel Villazante - policial penal
  • Eduardo de Jesus de Oliveira, vulgo Cachoeirinha - detento
  • Eduardo Trigueiro dos Santos Silva - policial penal
  • Gislaine de Souza Fonseca Schveiger - policial penal
  • Herberte Gonçalves Mareco, vulgo PM aposentado - detento
  • Luciano da Silva Cunha, vulgo Pescoço de Frango - detento
  • Luis Élio Gonçalves Filho, vulgo Cabeça de Porco ou Gordão - detento
  • Mauro Pereira dos Santos - policial penal
  • Rafael Garcia Ribeiro - policial penal
  • Rangel Schveiger - policial penal e ex-diretor da PED

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).