Cidades

CRIME ORGANIZADO

Crime dá auxílio irrestrito, enquanto
família de policial depende de doações

Viúva de investigador executado deve receber pensão em até 4 meses

RAFAEL RIBEIRO

16/03/2018 - 18h49
Continue lendo...

Ônibus para familiares e amigos, velório e enterro completo pagos, em cemitério particular, com comida farta. A despedida de Kleber da Silva Rodrigues, conhecido como Klebinho, integrante da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), morto em confronto armado com policiais civis em Ponta Porã, no dia 10, é um contraste considerável com a situação da família do policial civil Wescley Dias Vasconcelos, 37 anos, executado na mesma cidade do interior de Mato Grosso do Sul dia 6 de março.

O Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso do Sul (Sinpol/MS) iniciou campanha de doação entre filiados e não-filiados do órgão para arrecadação de dinheiro para a mudança da mulher do investigador e o filho dele, de 5 anos. Eles voltarão para Brasília (DF), terra natal de Wescley. A ajuda solicitada é também para oferecer algum apoio aos dois para se manterem enquanto não ganham a pensão do policial.

Segundo o presidente do sindicato, Giancarlo Miranda, a burocracia atrasa o início do pagamento da pensão em até quatro meses, o que complica a situação da família do policial no período.  

A demora do trâmite é por conta do processo. A família, com apoio do Sinpol, pede a pensão à Polícia Civil, que repassa o pedido à Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), responsável por encaminhar a papelada à Agência de Previdência do Mato Grosso do Sul (Ageprev-MS), que só inicia o pagamento após autorização do Executivo.

"A gente pede há tempos que o governo do Estado crie um fundo de indenização para pagamento imediato aos policiais vitimados pela violência", disse Miranda. Segundo o sindicalista, Mato Grosso do Sul não paga indenização à categoria, diferente de estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, que estabelecem seguro a seus agentes de segurança, desde que o óbito ocorra em horário de trabalho ou por ação criminosa, como execução ou latrocínio (morte em assalto).

A reportagem procurou a Sejusp para verificar qual era o andamento do processo de pagamento de pensão do investigador, mas a pasta divulgou que detalhes serão divulgados na segunda-feira (19).

'PARTIDO'

Burocracia de um lado, privilégio do outro. Os parentes de Klebinho tiveram ônibus, ganharam verba imediata e funeral integralmente pago pela facção criminosa.

Inquéritos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo e Polícia Civil daquele estado apontam que casos como o de Klebinho, um membro de destaque do PCC, a organização criminosa financia todos os custos. Um dos relatórios das autoridades revelou que são mantidos até jazigos em cemitérios particulares de luxo de cidades específicas, como Ponta Porã.

"Você tem uma oferta grande de benefícios aos 'batizados'", disse o jornalista Bruno Paes Manso, pesquisador do Núcleo de Estudos sobre a Violência (NEV) da Universidade de São Paulo (USP), uma das referências em estudos sobre a facção crimninosa.

Segundo Manso, o modelo de negócio que possibilitou a expansão do 'Partido', como é chamada a facção entre os seus filiados, foi justamente os benefícios a seus integrantes. "Com o pagamento de uma mensalidade, se tem acesso a vários serviços. Há conhecimento de que quando preso, os membros ganham advogados, as famílias cestas básicas, ajuda de custo nas viagens para visitas", disse.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública evidenciam como o modelo de gestão atraiu a massa criminosa. Em 2001, quando o PCC iniciou as primeiras rebeliões de vulto nos presídios paulistas, eram cerca de 200 filiados. Hoje, quando controlam quase que a totalidade do fluxo do tráfico de drogas do Brasil, estima-se algo em torno de 1.800 membros, sete vezes mais.

"Aliando-se ao PCC abre-se uma oferta grande de benefícios empresariais ao traficante, contatos, meios de produção e transporte, armas, empréstimos para assaltos", disse Manso.

Professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo, ex-subsecretário Nacional de Segurança Pública e pesquisador dos métodos de atuação do crime organizado, Guaracy Mingardi disse que em estados como Mato Grosso do Sul a oferta financeira do PCC se tornou vantajosa.

"Diferente de outros estados, em Mato Grosso do Sul era benéfico uma aliança com o PCC, afinal suas regras disciplinaram as relações nos presídios, como o fim do estupro, por exemplo, além dos benefícios às famílias e as justificativas e aprovações prévias para os assassinatos. Acabou a pistolagem", disse.

ORGANIZAÇÃO

Para Mingardi, os estados devem agir por conta própria, trocando informações e planejando atuação conjunta para atacar a facção. "Há muito que o governo federal abandonou a inteligência na fronteira. Os estados têm que unir com o que tem, trocar informações sobre essas rotas do Paraguai, seus desdobramentos, os controladores, integrantes. Inteligência de quem é de rua, sente de perto o problema", disse.

"(O PCC) não é tão organizado quanto se pensam. Não há uma estrutura empresarial de alto rendimento. Mas muito amadorismo. Muitos dos beneficíos são somente para as lideranças e o modelo é pouco democrático, com os integrantes da base muitas vezes esquecidos, apesar do alto faturamento", concoluiu Manso.

Campo Grande

Patinetes invadem vagas de pessoas com deficiência em Campo Grande

Equipamentos entraram em uso na última terça-feira e um dos pontos de instalação, no Belmar Fidalgo, ocupa área exclusiva

08/07/2026 11h40

Patinetes instalados em um local inapropriado, tem dificultado o estacionamento de carros

Patinetes instalados em um local inapropriado, tem dificultado o estacionamento de carros Paulo Ribas

Continue Lendo...

Na manhã da última terça-feira (7), começou a circulação de patinetes elétricos na Capital e conforme a publicação do Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande) do dia 22 de junho, os patinetes inicialmente estão em período experimental de 90 dias. 

Contudo, apesar da iniciativa parecer boa, já trouxe algumas dores de cabeça para os moradores de Campo Grande. 

Em uma das instalações localizada no Parque Belmar Fidalgo, os patinetes foram postos em frente à uma vaga de estacionamento destinada para Pessoas com Deficiência (PCDs) e pessoas 60+. 

Dessa forma, com os patinetes instalados em um local inapropriado, fica dificultado o estacionamento de carros e uso da vaga pelo público destinado, uma vez que acaba atingindo os patinetes na hora de abrir a porta do veículo e o cadeirante não consegue descer no local.

Patinetes instalados em um local inapropriado, tem dificultado o estacionamento de carrosPatinetes postos no Belmar Fidalgo - Foto: Paulo Ribas / Correio do Estado

A instalação feita no Belmar Fidalgo causa divergência com as próprias especificações que a própria prefeitura propôs, visto que em site oficial diz o seguinte: “a devolução dos equipamentos precisa ocorrer nos pontos indicados no aplicativo, sem obstrução de calçadas, faixas de pedestres, rampas de acessibilidade ou acessos veiculares.” 

A prefeita Adriane Lopes (PP) informou, durante agenda pública na manhã de hoje, que os patinetes têm locais adequados para serem instalados e que iria verificar com a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) o motivo da instalação em local inadequado.

"A gente respeita muito a legislação e os espaços das pessoas com deficiência", afirmou Adriane.

O Correio do Estado entrou em contato com a Agetran, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

A LEI 

Conforme a publicação do Diogrande de 22 de junho, a lei que prevê a instalação dos patinetes elétricos passará por um período de teste que irá durar 90 dias. 

Durante esse momento experimental a empresa que irá realizar o teste, também ficará responsável pela manutenção e cuidado dos equipamentos. 

UTILIZAÇÃO 

Para utilizar o patinete será necessário a instalação de um aplicativo específico, indicado pelo contratante. 

Inicialmente os valores irão começar em R$ 0,99 centavos para desbloquear o aplicativo e custará cerca de R$ 0,39 centavos por minuto. O aplicativo também oferece pacotes de minutos e plano de assinatura mensal para usuários frequentes.

A reportagem entrou em contato com a Agetran e com Prefeitura de Campo Grande, para saber se os patinetes seria realocados de lugar, mas até o momento da publicação desta matéria, não houve retorno. 

audiência de custódia

Servidores e empresários envolvidos em esquema de fraude milionária têm prisão mantida

Esquema prometia vagas no SUS em troca de contratos fraudulentos e organização criminosa teria recebido cerca de R$ 27 milhões dos cofres públicos

08/07/2026 11h29

Investigação apontou crimes contra a administração pública

Investigação apontou crimes contra a administração pública Foto: Paulo Ribas

Continue Lendo...

Servidores e empresários presos em operação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por envolvimento em esquema criminoso através de contratos fraudulentos de livros, tiveram a prisão convertida em preventiva em audiências de custódia realizada nesta quarta-feira (8).

Na operação Gutenberg, foram cumpridos 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).

Pela manhã, passaram por audiência de custódia e tiveram as prisões mantidas:

  • Ed Carlo Britto Burgatt
  • Olívia Jafar
  • Felipe Paroschi Jafar
  • Joatan Gomes Peixoto
  • Matheus Oliveira Peixoto
  • Francisco Anizio dos Santos
  • Paulo Rogerio de Melo
  • Douglas Henrique de Melo
  • Gabriel Taquino de Paula

Ainda não passaram pela audiência de custódia Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, Jésica Burgatt e Rossana Jafar, que tiveram a audiência designada para a quinta-feira (9).

Esquema

O esquema desmantelado pelo Gaeco consistia na promessa de vagas em hospitais em troca de contratos fraudulentos de livros paradidáticos. A organização criminosa teria movimentado cerca de R$ 27 milhões dos cofres públicos.

A investigação aponta a existência de organização criminosa voltada à prática de crimes contra a Administração Pública, mais especificamente crimes em licitação, corrupção ativa, corrupção passiva, além de lavagem de dinheiro e outros delitos correlatos. 

A fraude ocorreu em Campo Grande e teve atuação em diversos municípios do Estado, com núcleos bem definidos, liderada por empresários que atuavam como principais articuladores do esquema criminoso. 

Os investigados se valiam de servidores públicos corrompidos para fraudar e direcionar procedimentos de compras públicas, mediante contratação direta, sem licitação, para a aquisição de livros paradidáticos.

Os valores recebidos dos cofres públicos pela organização criminosa ultrapassam R$ 27 milhões, que eram divididos entre os integrantes, sendo servidores públicos e diversas pessoas físicas e jurídicas com o fim de ocultar e dissimular a sua origem ilícita.

O MPMS constatou ainda, dentre as várias frentes de atuação, que o esquema criminoso se valia da influência de servidores da área da saúde pública para condicionar a autorização de exames, cirurgias e até vagas de leitos em hospitais pela rede estadual à aquisição de livros vendidos pelo grupo.

A organização criminosa seguia operando até os dias atuais com contratos ativos em vários municípios.

Alvos

Um dos presos é Ed Carlos Britto Burgatt, que atua como coordenador estadual de Regulação Assistencial (Core) da Secretaria de Estado de Saúde (SES).

Conforme apurado pelo Correio do Estado, ele seria o mediador do esquema, já que se utilizaria do seu cargo para “oferecer” vantagem na regulação hospitalar para prefeitos.

Em troca das vagas, era solicitado que uma empresa parceira fosse contratada pela administração municipal para “fornecimento de livros paradidáticos”, uma cortina de fumaça para dividir os lucros do contrato assinado.

Essa empresa seria a Gráfica Alvorada, que está ligada diretamente a Olívia e Rossana Jafar, que foram presas nesta operação e teriam assumido o comando da livraria após a morte de Mirched Jafar Júnior em abril de 2021, em razão de complicações da Covid-19. Em tese, elas teriam continuado o esquema que já existia desde antes da pandemia.

Além de Rossana e Olívia Jafar e Ed Carlos Burgatt, há a confirmação de que foram presos Felipe Paroschi Jafar, Joatan Gomes Peixoto, Matheus Oliveira Peixoto, Francisco Anizio dos Santos, Paulo Rogerio de Melo e Jéssica Burgatt, filha do coordenador do Core.

Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido como Júnior Vasconcelos, ex-prefeito de Fátima do Sul e que atualmente ocupa cargo no gabinete do deputado estadual Jamilson Name (PP), também foi alvo da investigação.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).