Cidades

MILÍCIA ARMADA

"De picolezeiro a governador"

O autor dessa frase, Jamil Name Filho, que se orgulhava de ter praticado "a maior matança da história de MS", senta-se a partir de hoje no banco dos réus; ele será julgado pelo Tribunal do Júri pelo assassinato do jovem Matheus Xavier, em 2019

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Aguardado como um dos maiores julgamentos de Mato Grosso do Sul, tem início hoje, às 8h, o júri popular que sentenciará se Jamil Name Filho foi o mandante do atentado que resultou na morte de Matheus Coutinho Xavier, de 19 anos, por engano. O rapaz era filho do ex-policial militar Paulo Teixeira Xavier, que seria o alvo dos tiros.

No dia 9 de abril de 2019, o estudante de Direito foi morto quando deixava a garagem da casa onde morava em uma caminhonete S10, que pertencia ao pai dele, o verdadeiro alvo da família Name. Na ação, dois homens se aproximaram em um veículo e já desceram atirando, por volta de 18h.

Matheus foi atingido pelo menos sete vezes por um fuzil, conforme apontado pela perícia. 

Jamil Name Filho não teria planejado a execução sozinho. O policial civil aposentado Vladenilson Daniel Olmedo e o ex-guarda-municipal Marcelo Rios, os outros dois réus do julgamento, teriam sido ordenados a contratar os pistoleiros para realizar o crime. José Moreira Freires e Juanil Miranda Lima ficaram a cargo da execução. 

O crime da tentativa de execução de Paulo Teixeira, que vitimou o filho dele, foi o estopim para que o ex-policial militar e outras testemunhas dos diversos atentados pelos quais os Name são acusados fossem à Justiça para denunciar os mandatários Jamil Name e Jamilzinho.

Em entrevista ao Correio do Estado, o ex-policial militar Paulo Roberto Teixeira Xavier, pai da vítima, deixou claro que não teme o grupo. “Depois que mataram o meu filho, não tenho medo de mais nada”.

“Quem tem do lado a Justiça e Deus não tem que ter medo. Depois que a família Name foi presa, em 2019, o Estado, que eles queriam que ficasse na pobreza, melhorou e as boas empresas começaram a investir em Mato Grosso do Sul”, declarou Paulo Teixeira.

Questionado em entrevista sobre o julgamento que se inicia hoje, ele afirmou que acredita que o réu será condenado pelo crime e ainda informou que tem o conhecimento de outras testemunhas de outros casos que ainda não foram solucionados.

“Eu espero que muitas pessoas, parentes de outras vítimas de homicídio, que estão aguardando essas condenações comecem a falar sobre os crimes cometidos por eles”, disse.

Segundo ele, “ninguém tinha coragem de denunciar os crimes. O Vladenilson [um dos réus no julgamento] sabia quem eram os parentes das vítimas e ele ia à casa das pessoas intimidá-las, dizendo para ficarem quietas”. 

Sobre o tempo de prisão que Jamil Name Filho e os demais réus devem pegar, Paulo afirma que gostaria que o júri determinasse pena máxima.
“Foram 40 anos de crimes cometidos, quero que eles sejam condenados com a pena máxima, para morrerem na cadeia, não tenho motivos mais para me esconder”, finalizou.

Crédito: divulgação/PF

JULGAMENTO

Acusado de chefiar a organização criminosa que teria orquestrado diversos homicídios, Jamil Name Filho é réu em seu primeiro julgamento popular, marcado para ocorrer a partir de hoje, no Tribunal do Júri de Campo Grande.

Além dele, mais dois réus são acusados do assassinato do estudante Matheus Coutinho Xavier, o policial civil aposentado Vladenilson Daniel Olmedo e o ex-guarda-municipal Marcelo Rios.
Conforme a agenda do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), o julgamento pode se estender por até quatro dias.

Segundo o Tribunal de Justiça, o corpo de jurados será formado por sete pessoas, as quais terão os nomes sorteados logo no início do julgamento. Serão convocadas 25 pessoas entre as que se inscreveram para júri.

O juiz responsável pelo julgamento, Aluizio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, sorteará os nomes dos jurados e tanto a defesa quanto a acusação podem recusar três nomes cada um. 

Formado o conselho de sentença, composto pelos sete jurados, ele será encaminhado ao plenário, para dar início ao julgamento.

Os réus estão sendo acusados pelo crime de homicídio qualificado por motivação torpe, sem chance de defesa à vítima, e porte ilegal de arma.

SEGURANÇA NO JÚRI

O juiz Aluízio Pereira dos Santos reservou cinco dias de hotel para os sete jurados que acompanharão o julgamento. Conforme o despacho do magistrado, a ação é necessária porque existe a possibilidade de o julgamento se estender além dos quatro dias previstos.

Além da reserva de hotel, ficou determinado que a Polícia Militar fará a segurança dos jurados tanto nos deslocamentos quanto no hotel. 

No dia 7 de junho, a defesa de Jamil Name Filho protocolou pedido para tentar suspender o julgamento e sugeriu que ele ocorresse em Dourados ou Três Lagoas. 

O argumento principal é de que os jurados de Campo Grande não teriam isenção suficiente para julgar o réu, já que estariam sendo influenciados pelas informações que a mídia da Capital divulgou sobre os acusados.
Porém, o juiz entendeu que o Fórum de Campo Grande tem estrutura física e de segurança melhor do que os fóruns das cidades do interior.

Além disso, ressalta o juiz, o Batalhão de Choque da PM e o Serviço de Inteligência do Depen e da polícia estadual já haviam definido um esquema de segurança para garantir a integridade física de todos os envolvidos no júri.

Disputa por fazenda teria motivado atentado

Durante a entrevista para o Correio do Estado, o pai da vítima, Paulo Teixeira, que era o verdadeiro alvo da execução que matou Matheus Coutinho Xavier, falou sobre o envolvimento dele com a família Name, com a qual tinha desentendimentos que o levaram a se tornar um alvo a ser executado no ano de 2019.

Algumas informações mencionadas por Paulo Xavier na entrevista também foram citadas em depoimento do ex-policial militar sobre a morte do filho à Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco e Resgate a Assaltos e Sequestros (Garras), no dia 30 de outubro de 2019.

De acordo com o ex-policial militar, ouve uma disputa entre a empresa da família Name e o advogado paulista Antônio Augusto de Souza Coelho, pelas fazendas Figueira, no município de Jardim, e da Invernadinha, localizada em Campo Grande.

A Fazenda Figueira havia sido comprada por Jamil Name Filho em negociação com o advogado Antônio Augusto, dono das terras, e como parte do pagamento foi entregue uma fazenda chamada Invernadinha.
Conforme informado por Paulo Teixeira, a negociação não prosseguiu e, por isso, Jamil e o filho queriam recomprar a Fazenda Invernadinha e cobrar alguns milhões a serem pagos pelo advogado.

Na época, Xavier não soube dizer aos policiais do Garras em que condições o advogado Augusto se tornou proprietário da Fazenda Figueira. 

“Contudo, posteriormente, soube que ele [Antônio Augusto] deu um golpe milionário na associação [do reverendo Moon, a quem representava, que havia adquirido as terras no fim dos anos 1990], visto que, com uma procuração, efetuou a venda de várias propriedades da associação, fato que culminou na revogação da procuração que ele possuía”, consta no depoimento de Paulo Roberto Xavier ao Garras.

Augusto, por sua vez, disse aos Name que vendeu a Fazenda Invernadinha a outra pessoa e que não a venderia para os Name por conta de alguns milhões que os Name deviam a ele.

“Ou seja, ambos diziam que tinham dinheiro [dezenas de milhões] a receber um do outro”, disse Paulo Teixeira.

Por ser próximo do advogado Antônio Augusto, Paulo Teixeira foi procurado pelos Name, segundo o ex-policial militar, para informar a localização do advogado para a família.

“Em 2017, eu estava aposentado da polícia, estava há dois anos estudando, e os Name queriam que eu falasse onde estava o Antônio Augusto, porque eles queriam matar a esposa e o filho dele. Não disse nada a eles, e eles acharam que eu estava do lado do Augusto”, declarou Paulo.

Por esse motivo, os Name acreditaram que Xavier havia se aliado ao advogado, “traindo” os negócios da família, o que teria motivado o atentado.

“A maior matança da história de MS, de picolezeiro a governador”

A frase “A maior matança da história de MS, de picolezeiro a governador” não está sendo colocada em faixas pelas ruas da cidade à toa. Ela foi retirada de uma transcrição de conversas realizadas pelo WhatsApp, que estavam anexadas em um despacho, e seria de um diálogo de Jamil Name Filho com uma interlocutora. Nele, Jamilzinho, que se diz chefe do grupo de extermínio, demostra a periculosidade que é atribuída à milícia organizada.

Conforme as investigações, há indícios de que pelo menos quatro assassinatos envolvem o nome da família Name.

De acordo com a investigação da Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco e Resgate a Assaltos e Sequestros (Garras), o método de atuação do grupo miliciano em relação à morte de Matheus Xavier é muito semelhante ao utilizado em outros casos, como o do coronel aposentado da Polícia Militar Ilson Martins de Figueiredo, de 62 anos, executado em junho de 2018; Orlando da Silva Fernandes, o Bomba, de 41 anos, ex-segurança do traficante paraguaio Jorge Rafaat, que foi morto com mais de 40 tiros de fuzil; e o empresário Marcel Costa Hernandes Colombo, o Playboy da Mansão. 

Todas essas pessoas foram mortas com muitos tiros de fuzil por uma dupla de carro enquanto saíam de casa ou estavam no trânsito ou em lugares públicos.

Todas essas mortes também estão ligadas à família Name e até hoje não foram julgadas. Um dos réus do julgamento de hoje, o ex-guarda-municipal Marcelo Rios, que supostamente participava da milícia armada, teve a sua casa revistada no dia 19 de maio de 2019 por policiais civis do Garras e militares do Batalhão de Choque, onde foi apreendido um arsenal de armas.

O bunker tinha seis fuzis, um revólver, 17 pistolas e duas espingardas, que estavam em poder do ex-guarda-municipal.

OPERAÇÃO OMERTÀ

O último homicídio, do estudante de 19 anos Matheus Xavier, no dia 9 de abril de 2019, desencadeou a “ruína” do grupo. Depois desse assassinato, que teria sido por engano, a investigação policial levou à deflagração da Operação Omertà, com apoio do Grupo de Atuação Especial na Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). A ação, que também contou com o Batalhão de Choque e Polícia Federal, ocorreu no dia 27 de setembro de 2019.

Na época, foram emitidos 13 mandados de prisão preventiva, 10 de prisão temporária e 21 de busca e apreensão, tendo como foco desarticular organização criminosa voltada à prática dos crimes de milícia armada, porte ilegal de arma de fogo de uso proibido, homicídio, corrupção ativa e passiva, entre outros. 

Entre as prisões decretadas estava a de Jamil Name e a de Jamil Name Filho, que desde então cumpre pena.
Pai e filho inicialmente foram detidos e encaminhados para o Presídio Federal de Campo Grande, porém, de acordo com a inteligência da polícia, após informações de que os Name tramavam a morte do delegado Fábio Peró, do Garras, a família Name, Márcio Cavalcante da Silva e Vladenilson Daniel Olmedo foram transferidos para o Presídio Federal de Mossoró (RN).

No dia 17 de março de 2020, informações obtidas pela Justiça enquanto os Name estavam presos no Rio Grande do Norte levaram à 2ª fase da Operação Omertà.

O Departamento Penitenciário Nacional (Depen) comunicou ao Gaeco a apreensão de um pedaço de papel higiênico no interior de uma cela em Mossoró, no qual havia a descrição de um próximo atentado contra autoridades de Mato Grosso do Sul, entre as quais um promotor de Justiça do grupo e um delegado do Garras.

Os mandados foram cumpridos nas cidades de Campo Grande, Sidrolândia, Aquidauana, Rio Verde e Rio Negro, em Mato Grosso do Sul, bem como na cidade de João Pessoa, na Paraíba.
Após quase dois anos preso, em junho de 2021, Jamil Name morreu aos 82 anos, em decorrência da Covid-19.

Seis meses após a morte do pai, a Justiça condenou, pela primeira vez, Jamil Name Filho a cumprir quatro anos e seis meses de prisão, acusado de ser proprietário de um arsenal de 26 armas apreendidas durante a investigação para esclarecer a morte de Matheus.

Ele também foi condenado a 12 anos e oito meses de prisão, no fim de junho de 2022, por tomar a casa de um casal em razão de um empréstimo de R$ 80 mil.

A terceira condenação saiu em julho de 2022 e determinou mais seis anos de cadeia. A Justiça aceitou a denúncia de organização criminosa porque ele tinha a seu serviço um pequeno batalhão de pistoleiros para executar uma série de crimes. Somadas, as penas chegam a 23 anos de prisão. 

Infraestrutura

Ampliação da rede de esgoto na Capital tem efeito na saúde pública e no meio ambiente

Ampliação da cobertura de esgoto em Campo Grande reduz fossas, melhora a saúde pública, protege o meio ambiente e garante água tratada com qualidade cristalina nas estações de última geração

26/08/2026 13h00

Em Campo Grande, obras de ampliação da rede de esgoto não param; objetivo é a universalização da rede com obras mais complexas

Em Campo Grande, obras de ampliação da rede de esgoto não param; objetivo é a universalização da rede com obras mais complexas Divulgação

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A busca por soluções práticas para resolver dilemas urbanos complexos é um dos grandes motes no aniversário de Campo Grande. Se a gestão de uma capital exige estratégias robustas de planejamento, muitas das melhorias mais perceptíveis no cotidiano das famílias ocorrem de forma discreta, sob o asfalto, por meio da expansão do esgotamento sanitário.

O saneamento básico em Campo Grande exemplifica como uma intervenção estrutural simplificada na ponta do consumo consegue desencadear impactos profundos na saúde pública, na economia doméstica e no desenvolvimento ordenado da capital de Mato Grosso do Sul.

Gabriel Buim, diretor-presidente da concessionária Águas Guariroba, aponta que o serviço de abastecimento de água potável já está universalizado na capital. Ele detalha que, em termos de saneamento básico, o município já alcançou um nível de atendimento expressivo. “Infraestrutura de esgoto, a gente tem hoje 94% de cobertura de esgoto. A gente está chegando a 90% de atendimento da população, que é um marco muito significativo”, detalha. Atualmente, o município contabiliza cerca de 420 mil ligações de água ativas e 380 mil ligações de esgoto.

Para alcançar o patamar definitivo de universalização, o planejamento da concessionária prevê a execução de mais 40 mil novas conexões de esgoto até 2028. Esse avanço final exigirá obras maiores e mais complexas. Buim explica o planejamento para essa reta final. “Nos próximos anos, a gente quer chegar a 98% de cobertura, com as obras mais complexas”.

Em Campo Grande, obras de ampliação da rede de esgoto não param; objetivo é a universalização da rede com obras mais complexas Diretor-presidente da Águas Guariroba, Gabriel Buim (Foto: Marcelo Victor)

Ele acrescenta que, enquanto no período recente as intervenções eram pontuais nas ruas dos bairros, o foco nos próximos anos se volta para projetos de grande porte. “Atualmente, estamos fazendo um trabalho pontual, porém, significativo, em vários bairros de Campo Grande. Mas no ano que vem, vamos fazer intervenções em lugares como a Avenida Ernesto Geisel, perto do Jardim Seminário”, explica. “Então, a gente vai começar a chegar agora nas obras de grande porte, que são esses interceptores, os coletores para dar escala no crescimento da cidade”.

Entre os projetos previstos estão intervenções na Avenida Ernesto Geisel e a ampliação de um coletor de 1.000 milímetros voltado para a região do Seminário.

Adesão

Do ponto de vista prático do morador, a adesão à rede de esgoto funciona sob uma lógica de extrema simplicidade. A concessionária realiza a instalação da tubulação pública e deixa o ramal de ligação pronto e disponível na calçada do imóvel.

Buim destaca que o processo interno para o cliente é direto. “É só ele ligar. Geralmente, as casas mais novas de Campo Grande que não tinham acesso a esgoto, o morador deixava a fossa na frente da casa. Depois que a rede passa na via, é só tubulação e ligar”.

Essa facilidade de transição ajuda a explicar o alto índice de adesão na cidade, que varia entre 97% e 98% assim que a infraestrutura passa a estar disponível na rua.

O impacto financeiro dessa mudança é sentido de forma imediata pelas famílias de menor renda. Gabriel Buim exemplifica essa realidade com base em atendimentos realizados no Bairro Cristo Redentor, na periferia da capital, onde os moradores sofriam com os gastos constantes para manter as antigas fossas funcionando. Ele exemplifica um caso em que o morador apelou pela chegada da rede sob a justificativa de economia imediata. “Ele me dizia que não aguentava mais pagar R$ 300 a cada duas semanas para limpar a fossa da casa dele”.

Em contrapartida, com a chegada da tubulação de coleta, o custo cai sensivelmente. “Uma conta de esgoto de uma residência que consome 10 m³ vai ser R$ 100, R$ 120. Para manter a fossa devidamente limpa, ele estava pagando R$ 300 a cada 15 dias”, compara.

Capacitação

Para acelerar esse processo de ligação interna e ainda gerar oportunidades de emprego locais, a concessionária desenvolveu projetos de capacitação em parceria com o Senai. A empresa envia carretas de treinamento a bairros que estão recebendo rede nova, como o Itamaracá, para treinar moradores locais.

Nesses cursos práticos, os participantes aprendem a fazer a conexão residencial de esgoto e saem certificados. De acordo com o presidente da concessionária, “o morador, no fim do dia, ele também está tendo um ganho ali, porque ele está saindo com diploma, com certificado do Senai para poder trabalhar depois como pedreiro”.

Menos fossas, mais saúde

A substituição de fossas pela rede de esgoto reflete diretamente em um dos maiores gargalos da administração municipal: a saúde pública. Para detalhar essa correlação de forma científica, a Águas Guariroba divulgou um estudo abrangente elaborado em cooperação com o governo do Estado. O levantamento cruzou os dados geográficos da expansão da rede de esgoto com os registros de atestados médicos protocolados no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Buim ressalta a profundidade do levantamento ao apontar que “o estudo pega direto a quantidade de internações relacionadas a doenças de veiculação hídrica. Pega também a assiduidade do trabalhador e quanto de renda vai gerar nos próximos 10 anos após a universalização”. Ao cruzar as informações, a concessionária e o governo obtiveram resultados claros: “Pega tudo de atestado protocolado no INSS e cruza com a cobertura da rede de esgoto. Onde tem esgoto, você vê que tem menos afastamentos por doenças hídricas”. Essas doenças incluem diarreia, leptospirose e dengue.

Controle de pragas urbanas

Outro desdobramento direto da desativação das fossas domésticas e da canalização correta do esgoto é o controle de pragas urbanas. Com a rede pública, a presença de ratos nas moradias diminui consideravelmente, uma vez que “o rato não tem mais o sumidouro e a fossa para entrar. O esgoto é fechadinho, o rato não consegue entrar”.

A substituição das fossas tradicionais também interfere na questão dos escorpiões, um tema que gera preocupações frequentes entre os moradores. “Na fossa tem barata e um monte de sujeira”, explica. 

Estações

Toda a infraestrutura de tubulações subterrâneas requer estações de tratamento robustas e modernas para processar os resíduos coletados. Atualmente, Campo Grande opera com três Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) e planeja a construção de uma quarta unidade, denominada ETE Coqueiro, voltada para atender especificamente à bacia de expansão da região noroeste. Recentemente, a concessionária colocou em operação a ETE Botas para atender a região do Nova Lima.

Contudo, o principal destaque tecnológico e financeiro da Capital estará na completa reformulação da ETE Los Angeles, que se consolidará como “um dos maiores investimentos em saneamento do País”. A obra, estimada em cerca de R$ 400 milhões, adotará a tecnologia de ponta Nereda. Gabriel Buim destaca que “vai ser o maior sistema Nereda do País”, com uma capacidade de tratamento projetada para atingir patamares inovadores.

A tecnologia elevará de forma significativa a qualidade do tratamento da água devolvida à natureza. Hoje, o nível de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) na ETE Los Angeles é de 90 miligramas por litro, mas, com a nova operação, cairá drasticamente. “Com esse novo sistema, vai sair a 10 mg/l. Vai sair água praticamente cristalina”.

HOMICÍDIO

Investigação confirma que garagista foi morto por engano

Vitor Orsini, de 19 anos, foi confundido com o verdadeiro alvo de uma emboscada; autor só descobriu após o crime que havia matado a pessoa errada

26/08/2026 12h30

Vitor Orsini, de 19 anos, foi assassinado dentro da garagem de veículos da família, em Dourados

Vitor Orsini, de 19 anos, foi assassinado dentro da garagem de veículos da família, em Dourados Osvaldo Duarte/Dourados News

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A Polícia Civil confirmou que Vitor Orsini, de 19 anos, foi morto por engano na tarde de 7 de agosto, dentro da garagem de veículos da família, em Dourados. O jovem não era o alvo da execução planejada pelo grupo e teria sido confundido pelos criminosos com outro homem, que era esperado no estabelecimento naquele horário. 

Novos detalhes da investigação foram apresentados nesta quarta-feira (26) pelo delegado Lucas Albé, do Setor de Investigações Gerais (SIG) de Dourados. Segundo informações divulgadas pelo portal Dourados News, o próprio autor dos disparos, Denis Barbosa de Melo, de 25 anos, descobriu somente após retornar a Ponta Porã que havia executado a pessoa errada.

A conclusão reforça a linha de investigação revelada anteriormente, de acordo com as informações já apresentadas, uma negociação envolvendo uma Toyota SW4 teria sido utilizada para preparar a emboscada. O verdadeiro alvo deveria comparecer à garagem por volta das 14h, mesmo horário programado para a chegada dos executores.

O homem no entanto, não apareceu. Quando os criminosos chegaram ao estabelecimento, encontraram Vitor próximo aos veículos e efetuaram os disparos contra ele. 

Até o momento, não foram encontrados elementos que indiquem qualquer participação do jovem na disputa que teria motivado o plano de execução.

A Polícia Civil também descartou a versão de que Denis teria saído de Brasília (DF) especificamente para cometer o assassinato. Conforme Albé, o suspeito já estava na região de fronteira havia aproximadamente três ou quatro meses antes do homicídio.

A presença dele na região estaria relacionada ao tráfico de drogas. Segundo a investigação, Denis atuava no transporte de entorpecentes para grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro, realizando fretes para diferentes grupos criminosos.

Apesar desse histórico, a Polícia Civil afirma que ele não era um pistoleiro profissional e que sua participação no plano para matar o verdadeiro alvo teria sido acertada quando ele já estava na região de Ponta Porã.

Ainda conforme o portal Dourados News, a investigação aponta que Denis possuía uma dívida com pessoas da fronteira e teria recebido outro valor para participar da execução. 

Após o assassinato, ele retornou para Ponta Porã. Foi nesse momento, conforme relatado pelo próprio investigado durante interrogatório, que os responsáveis pela contratação comunicaram que o grupo havia matado a pessoa errada.

Denis acabou preso quatro dias depois do crime, na região de Ponta Porã. 

Emboscada

A investigação identificou conversas mantidas na manhã do homicídio relacionadas à venda de uma Toyota SW4 que estava na garagem da família de Vitor.

Cláudio Henrique de Arruda, de 43 anos, empresário e proprietário de uma academia em Ponta Porã, teria demonstrado interesse no veículo e informado que um homem iria até o estabelecimento por volta das 14h para avaliar a caminhonete.

Para a Polícia Civil, a negociação teria sido utilizada como meio de fazer com que o verdadeiro alvo estivesse na garagem justamente no momento da chegada dos executores.

Esse homem teria relação anterior com Cláudio e os dois já haviam sido presos por tráfico de drogas anos atrás.

Cláudio foi preso preventivamente no dia 21 de agosto, durante uma operação que também cumpriu cinco mandados de busca e apreensão na região de fronteira. A extensão da participação dele na preparação e execução do crime ainda é apurada.

As diligências apontam que a execução contou com uma estrutura organizada entre Ponta Porã e Dourados, envolvendo pessoas responsáveis pela contratação, deslocamento, transporte e apoio aos executores.

Jeferson Lopes, de 31 anos, e Marcos Antônio Olmedo Vera, de 23, são apontados como suspeitos de participar da contratação dos executores e de levá-los de Ponta Porã para Dourados em uma BMW. Os dois permanecem foragidos.

Em Dourados, um adolescente de 17 anos teria fornecido uma motocicleta furtada e auxiliado os envolvidos a chegar até a garagem.

Alexsander Gonçalves Borges, de 27 anos, preso no dia 17 de agosto, é apontado como responsável por pilotar a motocicleta utilizada para transportar o autor dos disparos e auxiliar na fuga após o homicídio.

Denis havia sido localizado no dia 11 de agosto, quatro dias após a morte de Vitor, escondido na região de Ponta Porã. O adolescente também foi apreendido por suspeita de participação.

Embora alguns dos investigados tenham histórico ligado a atividades criminosas, a Polícia Civil afirma que, até o momento, não há elementos que demonstrem que uma facção criminosa tenha ordenado ou organizado a execução.

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