Cidades

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Defensoria Pública de MS registra 3,5 mil atendimentos de pensão no primeiro quadrimestre de 2023

Na sexta-feira (19), será realizada uma ação especial de atendimento na Praça Ary Coelho

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Nos primeiros quatro meses deste ano a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul já registrou 23 mil atendimentos por meio do Núcleo da Família (Nufam). Destes, 3,5 mil envolvem alimentos, ou seja, 15% de toda a demanda do núcleo se concentra em pedidos de pensões alimentícias a crianças.

O coordenador do Nufam, defensor público Carlos Bariani, revela que a quantidade se divide entre iniciais que pedem pensão, prisão, revisional, dentre outros, e atendimentos de ações que já estão em andamento.

“A pensão alimentícia deve ser paga por quem não reside com a criança, seja o pai ou a mãe. Quando esse alimentante se recusa a pagar ou atrasa o pagamento, a mãe pode solicitar a execução de alimentos, ou seja, entrar com uma ação. 

Normalmente a mãe procura a Defensoria e são ajuizados dois processos: um pedindo a prisão, com a cobrança dos três últimos meses, e havendo meses anteriores, uma segunda ação cobrando a penhora dos bens. E, nesses dois casos, temos grande dificuldade”, explica o coordenador. 

Alta demanda

O aumento expressivo pelo atendimento nessa área tem sido observado desde 2020 na Defensoria Pública de MS, com a implicações econômicas e sociais causadas pela pandemia da covid-19, e que se arrastam até os dias de hoje a milhares de famílias, em especial, mulheres que exercem sozinhas a responsabilidade de uma ou mais crianças. 

Em 2022, a maioria dos atendimentos em todo Estado se concentrou na área da Família. Somente na Capital foram 36.660 atendimentos; destes, 6.096 relacionadas à pensão alimentícia. O que significou uma leve queda se comparado a 2021, quando Campo Grande registrou 7.923 atendimentos de pensão alimentícia. Um ano antes, 2019, a Capital contabilizou 2.669 atendimentos sobre a questão.

Prisão - A prisão por não pagamento da pensão alimentícia ocorre quando o pai não tem patrimônio. Essa prisão pode ser decretada por até três meses, em regime fechado, e pode ser renovada se houver outros casos de inadimplência. Ou seja, a prisão civil não quita a dívida e mãe pode solicitar uma nova prisão. 

“É uma preocupação que temos, na Defensoria Pública de MS, pois a tendência é que os números deste ano superem os registrados no ano passado, pois a procura tem sido grande e temos observado o quanto a prisão dos devedores não tem resolvido a questão. O maior dano civil que essa pessoa que não paga pode sofrer, por exemplo, é a prisão, mas isso não elimina a dívida e não tem resolvido o problema”, pontua o coordenador.

Se você precisa de atendimento do Nufam acesse a nossa plataforma virtual ou vá até a unidade que está localizada na Rua Artur Jorge, 779, em frente ao Belmar Fidalgo.

Nesta sexta-feira (19), será realizada uma ação de atendimento durante todo o dia na Praça Ary Coelho, localizada na Rua 14 de Julho - Centro.

Investigação

MPF instaura inquérito para apurar impactos da mineração em Porto Esperança

A procuradora deu prazo de 15 dias para a mineradora se manifestar

25/08/2026 13h30

rodolfo césar

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A procuradora da República Damaris Rossi Baggio de Alencar instaurou inquérito civil, no último dia 18 de agosto, para apurar as denúncias de contaminação ambiental da atividade de mineração no distrito de Porto Esperança, no Pantanal de Corumbá, acatando pedido formulado pelo advogado da comunidade Matheus da Silva Viana.

O transporte ininterrupto de minério por mais de 300 carretas, das jazidas do Maciço do Urucum para o Porto Gregório Curvo, situado ao lado da comunidade ribeirinha do distrito, tem sido alvo de ações judiciais por mais de 50% das famílias que residem no local. O terminal é operado pela LHG Mining, que usa a BR-262 e uma estrada de acesso para movimentar a produção.

Em sua decisão, a procuradora cita que a gravidade dos impactos ambientais e sociais gerados pela atividade “é corroborada por denúncias públicas de descumprimento de medidas mitigadoras básicas por parte das mineradoras”. Ela determinou a realização de perícias ambientais e de saúde e vistorias técnicas na calha do Rio Paraguai e na comunidade.

Também pediu investigação dos danos socioambientais, urbanísticos e à saúde coletiva, apurar a potencial de contaminação do Rio Paraguai e da rede de abastecimento de água local e verificar a responsabilidade civil por danos morais e materiais coletivos, além de medidas necessárias para controle de emissões poluentes e reparação integral da saúde e do meio ambiente.

Damaris Alencar mencionou outros procedimentos em curso na esfera judicial, como a investigação que apura possíveis irregularidades no licenciamento ambiental nas atividades de lacra e escoamento da LHG, reforçado a gravidade das denúncias e a exposição dos ribeirinhos aos níveis intoleráveis de ruídos e poluição por poeira mineral que se espalha por uma região frágil.

A procuradora deu prazo de 15 dias para a mineradora LHG se manifesta aos fatos denunciados e solicitou relatórios epidemiológicos e estatísticas de atendimentos por agravos respiratórios e dermatológicos, a partir de dezembro de 2025, à secretaria de saúde de Corumbá.


Fiscalização inoperante


Em sua denúncia e pedido de abertura de inquérito civil ao MPF, o advogado Matheus Viana expõe com fortes argumentos e provas em imagens de depoimentos a vulnerabilidade extrema da centenária comunidade de Porto Esperança e a grave ameaça aos seus direitos fundamentais e iminente ao patrimônio ambiental. 
Relata a “agressão insuportável” aos ribeirinhos pela degradação ambiental e social, que residem a poucos metros da estrada de terra que tirou a região do implacável isolamento, citando que o povoado “é um ecossistema social e cultural cuja existência está fortemente ligada ao Pantanal e ao Rio Paraguai, de onde tiram seu sustento por meio da pesca artesanal”. 

“Essa rica herança – argumenta -, que deveria ser protegida, encontra-se hoje sob ataque severo e contínuo, perpetrado pela intensificação irresponsável das atividades mineradoras na região, como notórios impactos sobre bens da União”.

Cita relatos da comunidade sobre aumento alarmante de asma, bronquite, rinite alérgica, sinusite, irritações oculares, sangramentos nasais, dermatites, além de estresse crônico e insônia, afetando crianças e idosos, devido a espessa e toxica camada de poeira de minério que cobre s comunidade.

“Um ambiente insalubre, inóspito e desprovido de qualquer salubridade ou tranquilidade”, prossegue, citando os impactos na vegetação e o carreamento do pó mineral para os cursos de água, que desaguam no rio Paraguai.

O advogado também questiona as licenças pontuais (“que driblam uma avaliação estratégica conjunta de impactos no bioma”) e a ausência e fragilidade da fiscalização, de responsabilidade do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de MS).

No Brasil

TikTok é multado em R$ 153,7 mi por falhas em dados de adolescentes

Plataforma terá de excluir perfis que não indicarem representantes

25/08/2026 13h15

Foto: Rodrigo Pozzebom/ Agência Brasil

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A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) aplicou multas que somam R$ 153,7 milhões à ByteDance Brasil Tecnologia, responsável pela plataforma TikTok no país, por infrações ligadas a perfis de crianças e adolescentes. A sanção está publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira (25). 

Além da multa, a autoridade determinou a eliminação dos dados pessoais de adolescentes entre 13 e 18 anos cadastrados na plataforma cuja indicação de representante legal não ocorra em até 60 dias úteis. 

A empresa foi penalizada por irregularidades relacionadas ao tratamento de dados pessoais de adolescentes e por descumprimento de princípios previstos na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). As multas foram aplicadas por infrações ao Artigo 7º da lei, que trata das hipóteses legais para o tratamento de dados pessoais, e aos princípios da segurança e da responsabilização e prestação de contas, previstos no Artigo 6º da norma.

A maior parte da penalidade corresponde a duas multas de R$ 63,1 milhões cada. Uma terceira multa, de R$ 27,4 milhões, completa o valor total de R$ 153,8 milhões.

De acordo com a ANPD, a empresa poderá obter redução de 25% no valor da multa caso renuncie ao direito de recorrer da decisão em primeira instância e pague o valor dentro do prazo previsto. Nessa hipótese, o montante a ser recolhido cairia para R$ 115,3 milhões.

Relatório técnico

Após o término desse prazo, a ByteDance Brasil terá cinco dias úteis para apresentar à ANPD relatório técnico comprovando o cumprimento da determinação. O documento deverá conter registros de auditoria dos sistemas e declaração formal assinada pelo encarregado pelo tratamento de dados pessoais da empresa.

A autoridade informou ainda que poderá exigir auditoria externa independente caso considere insuficientes as comprovações apresentadas para atestar a exclusão definitiva dos dados.

Multa diária e recurso

O despacho estabelece também multa diária de R$ 137 mil em caso de descumprimento das obrigações relacionadas à exclusão dos dados, à apresentação do relatório técnico ou à comunicação aos terceiros que receberam informações dos adolescentes afetados.

A ByteDance Brasil foi intimada a cumprir as sanções e terá prazo de 10 dias úteis para apresentar recurso administrativo. Caso opte por não recorrer, poderá manifestar interesse na redução da multa dentro do mesmo período.

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