O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) acredita que a tendência de que a disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja a mais acirrada da história das eleições brasileiras pode ser crucial para diminuir a abstenção vista no primeiro turno. Na data, quando quase um a cada quatro sul-mato-grossenses faltaram, ocorreu a maior taxa de abstenção entre os estados brasileiros e o recorde estadual em eleições presidenciais.
No dia 4 deste mês, mais de 2 milhões de eleitores estavam aptos a votar em Mato Grosso do Sul. Porém, 23,87% do eleitorado estadual se ausentou do direito ao voto, gerando a maior abstenção em todo o território nacional nesse pleito.
Para efeito de comparação, o segundo colocado neste posto foi o estado do Rio de Janeiro, que registrou 23,32%, seguido ainda por Minas Gerais, que fechou a eleição com 22,81%. No cenário nacional, 33,4 milhões não compareceram, o que corresponde a 21,08% do eleitorado total.
Ainda, em comparação com as eleições presidenciais anteriores, a deste ano também teve a maior abstenção da história. Mesmo em 2022, 2018 e 2014, a taxa de abstenção foi abaixo dos 23,87% de três semanas atrás.
Ao comparar com eleições municipais, os 23,87% registrado neste ano ainda fica atrás do primeiro turno de 2024 e 2020, quando 23,89% (485.583 eleitores) e 25,12% (485.443), respectivamente, preferiram não tomar partido nos prefeitos de suas cidades.
Vale destacar que, desta vez, o dia do primeiro turno foi marcado por chuvas em diversos municípios sul-mato-grossenses, o que dificultou a locomoção da população e pode ter contribuído para a abstenção recorde.
Tanto que, em Campo Grande, maior colégio eleitoral do Estado, a chuva forte que atingiu desde as primeiras horas provocou alagamentos em diferentes pontos da cidade e deixou moradores sem energia elétrica. Para o TRE-MS, esse foi o principal motivo para a abstenção recorde.
“A grande dificuldade foram as condições climáticas. Registrou-se chuva forte em quase todo território do Estado, com mais de 20 cidades com falta de energia. Municípios com população considerável, como Nova Andradina e Ponta Porã, ficaram grande parte sem energia elétrica quase todo o dia, só tendo sucesso na votação graças ao fato de as urnas eletrônicas terem baterias internas”, aponta o TRE-MS, em nota.
Agora, com a previsão climática indicando volume de chuva mais controlada durante o segundo turno, o órgão acredita que neste domingo a taxa deverá ser menor.
Além disso, há o fato da disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula ser uma das mais apertadas da história, o que também deve contribuir para uma diminuição no número de faltosos.
“Não é possível antecipar com precisão qual será o porcentual de abstenção no segundo turno, contudo, como a previsão é de que não ocorram chuvas tão fortes, o esperado é um índice menor. Fora isso, não há como desconsiderar que se está diante de uma eleição acirrada, e em casos como esses é comum que os adversários passem a buscar os eleitores faltosos”, disse.
Por ter ficado atrás do candidato liberal por 1,87% (cerca de 2,2 milhões de votos), o petista adotou o convencimento sobre os faltosos como uma das principais estratégias para conseguir uma virada inédita, o que, segundo as pesquisas mais recentes, tem surtido efeito durante a campanha, visto que ambos estão basicamente empatados nos votos válidos. Diante disso, o TRE-MS reafirma que cada voto importa.
“Destaca-se que o eleitor que não compareceu no primeiro turno pode comparecer normalmente no segundo, desde que esteja com a situação eleitoral regular. Não é necessário justificar a ausência anterior para votar agora. Cada voto faz parte da construção do resultado de uma eleição. Por isso, a participação individual importa. Mesmo que uma pessoa acredite que seu voto não fará diferença, é importante lembrar que o resultado é formado pela soma das escolhas de cada eleitor”, disse.
O vencedor deste domingo terá que ter, pelo menos, 50% dos votos válidos mais um voto para ser declarado eleito. Até o momento, a eleição mais apertada da história brasileira aconteceu em 2022, quando Lula fechou com 50,90% (60.345.999 votos) contra Jair Bolsonaro (PL), que conquistou aproximadamente 2,1 milhões de votos a menos.
DADOS
De acordo com o TRE-MS, o eleitorado do Estado soma 2.024.884 pessoas aptas a votar espalhadas pelos 79 municípios de Mato Grosso do Sul. Campo Grande é o responsável pela maior parte desse eleitorado, com 640.427 pessoas, o que corresponde a 31,6% do total de eleitores, seguido por Dourados (8,2%) e Três Lagoas (4,3%).
As mulheres são maioria, representando 52,8% (1.069.380) do eleitorado sul-mato-grossense, contra 47,2% (955.504) de homens. Por faixa etária, os adultos de 35 anos a 44 anos lideram a proporção, com 19,8% (401.457). Mesmo que não sejam obrigadas, as pessoas com 70 anos ou mais representam quase 10% do eleitorado, com 202.096 aptos.
Com 8.415 eleitores, a Escola Padre Tomaz Ghirardelli, localizada no Dom Antônio Barbosa, concentra o maior número de votantes em Campo Grande. A escola está localizada na 53ª zona eleitoral, que contempla 26 seções.
Os demais locais com maior número de votantes no Estado são o Centro Universitário da Grande Dourados (Unigran), com 7.893 eleitores, além da Escola Estadual Teotônio Vilela, situada no Núcleo Habitacional Teotônio Vilela, com 7.885 eleitores.
A Capital conta com 2.242 urnas eletrônicas, uma para cada seção eleitoral. Em todo o Estado, são 7.106 urnas. A Justiça Eleitoral conta com 908 urnas de contingência, ou seja, equipamentos de reserva, disponíveis para eventuais substituições durante a votação.
ORIENTAÇÕES
A preparação do eleitor para ir votar tem que começar antes de sair de casa, com a conferência do local de votação. O endereço e a seção eleitoral podem ser consultados pelo aplicativo e-Título ou pelo portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A verificação antecipada ajuda a evitar que o eleitor se dirija ao lugar errado.
Cabe pontuar que não houve alterações nos locais de votação do Estado entre o primeiro e o segundo turno das eleições, sendo mantidas apenas as mudanças registradas antes do primeiro turno, que permanecem válidas para o segundo.
“A orientação dos tribunais eleitorais é que os eleitores se organizem com antecedência para chegar ao local de votação. Não ocorreu a alteração de nenhum local de votação em Mato Grosso do Sul, de tal sorte que os eleitores já têm plena consciência de onde devem comparecer. Os eleitores escolherão apenas o presidente da República, o que gera uma perspectiva de uma votação rápida”, comunica o órgão.
Também é necessário separar um documento oficial com foto. São aceitos carteira de identidade (RG), Carteira Nacional de Habilitação (CNH), passaporte, carteira de trabalho física, certificado de reservista e carteira de categoria profissional reconhecida por lei. Não é obrigatório apresentar o título eleitoral impresso, desde que a identidade seja comprovada.
Quem pretende utilizar o e-Título como identificação deverá conferir se o aplicativo apresenta sua fotografia. Caso esteja sem foto, será preciso mostrar outro documento oficial com a imagem. Certidões de nascimento e de casamento não são aceitas como prova de identidade para votar.
Ao chegar à seção, o eleitor deverá apresentar o documento aos mesários e seguir os procedimentos de identificação. Quem tem biometria cadastrada passará pela conferência das impressões digitais. Se o reconhecimento não funcionar, a equipe fará a verificação dos dados conforme os procedimentos da Justiça Eleitoral.
A ausência de cadastro biométrico não impede o voto. Segundo o TSE, quem estiver com o título regular poderá votar mediante a apresentação de documento oficial com foto. Antes de seguir para a cabine, o eleitor deverá deixar o celular no local indicado pelos mesários, mesmo que tenha utilizado o aparelho para apresentar o e-Título.


