Cidades

ABANDONO

Dois anos depois do fim, Ki-Frutas vira ponto de viciados e deixa vizinhos com medo

Furtos nas redondezas, mau cheiro vindo de dentro: mercado que já foi chique hoje é cenário do descaso após fechamento

RAFAEL RIBEIRO

31/12/2018 - 18h30
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Dois anos são suficientes para destruir 14? No caso do Ki-Frutas, na esquina das ruas Calarge e Pedro Celestino, mercado que foi tradicional por uma década da classe média campo-grandense, sim.

Exatos 24 meses após o fechamento defintivamente da unidade da Vila Glória, na região central da Capital, o que ficou do espaço inaugurado em 2002, além de lembranças, foi a dor de cabeça causada pela invasão de moradores de rua e viciados em drogas no local.

O Correio do Estado esteve no prédio completamente abandonado no exato dia que marca o segundo aniversário do fechamento de portas do mercado e encontrou sujeira, mau cheiro e muita reclamação dos vizinhos.

Das gôndolas cheias de hortaliças, frutas de primeiro nível e produtos até então de encontro exclusivo por ali, nada restou. Literalmente. Segundo vizinhos, além dos usuários, agentes do mercado negro aproveitaram o abandono para furtar geladeiras e poutros equipamentos que poderiam ser revendidos.

"Não deixaram nem as prateleiras. A gente já viu caminhão, kombi e até van parar e tirar tudo daí de dentro. Assusta, nem sabemos o que está acontecendo", disse a aposentada Filomena Souza, 72 anos, moradora da região.

Situação idêntica à enfrentada pelo comerciante Altair Feirão, 63, que tem uma distribuidora de coco verde em frente ao decadente prédio e que já perdeu as contas das vezes que acionou a Polícia Militar por flagrar a retirada de bens de dentro do local.

"Muitos falam que é acordo com os proprietários, mas a dúvida fica né. Já tiraram mais de R$ 300 mil daí de dentro. Até os balcões", contou.

CRACOLÂNDIA

O maior dos problemas para quem mora e trabalha nos arredores, contudo, são os viciados. Além do mau cheiro causado pelo acúmulo de fezes e urina, cujos rastros já são visíveis para quem passa ao lado do portão de entrada, os hábitos tiveram que ser mudados. Basta anoitecer que os usuários começam a aparecer.

Nascido nao local que já foi a chácara de sua família, Hokama lamenta a situação atual

"Agora é o sol se por e fechamos as portas", disse o comerciante Nelson  Hokama, 68, um dos proprietários de um  bar vizinho do antigo mercado, além de vizinho de parede.

Para Hokama, as dores da situação são ainda maiores. Sua família já era dona do terreno onde está o sacolão, nos anos 1950. Com o tempo, a transofrmação do local em chácara em lote, já nos anos 1980, para depois virar o mercado chique da cidade, no novo milênio, teve o amargo sabor de um presente de Natal desgraçado em 2016.

Grupos se reúnem para usar e distribuir drogas, e muitos cometem delitos para manter o vício. Produtos, fios, lâmpadas, torneiras e vários outros objetos que faziam parte da estrutura do Ki-Frutas foram levados. Diante da escassez acentuada do que furtar, os ladrões invadem outros imóveis e não deixam nada para trás; nem mesmo produtos de limpeza escapam.

Mário Name, 53 anos, gerente de uma empresa de instalação e manutenção de ar condicionado, que fica aos fundos do prédio, na Rua Calarge, teve prejuízo com furto nos últimos dias. Na madrugada do dia 10 de setembro, ladrões invadiram o pátio da empresa por meio da antiga sala de máquinas do mercado, arrombaram dois carros e levaram cerca de R$ 4 mil em duas caixas de ferramentas e escadas.

Em 2013: frutas ao invés de entulho

Como se não bastasse, no último dia 1º o local voltou a ser alvo de ataque. "Como nós já estávamos nos precavendo, furtaram apenas uma máquina de solda que estava na garagem, avaliada em R$ 350", contou ele que, diante da situação caótica, tomou medidas por conta própria. "Eu mesmo entrei no mercado e soldei a porta do fundo da casa de máquinas e, sempre que há suspeita chamamos a polícia", disse.

Em meio ao cenário longe do ideal, ainda há clientes desavisados que vão ao local. Hokama contou que mesmo dois anos se passando há gente que cherga perguntando sobre o que um dia foi o Ki-Fruta. "Alguns só olham e vão embora correndo mesmo", disse, rindo.

AÇÕES

Por meio de nota, a prefeitura informou que equipes do Serviço Especializado em Abordagem Social realizam constantes ações no local para acolhimento dos viciados. Na última visita, ocorrida no dia 27, à tarde, cinco usuários estavam pelo local e os mesmos se recusaram a conversar com os agentes, "demonstrando bastante agressividade."

"Ressaltando que, diariamente, a equipe SEAS realiza busca ativa pelas ruas do município, abordando e oferecendo os serviços da Assistência Social, porém há algumas recusas ao atendimento e acolhimento por parte das pessoas em situação de rua", diz o texto.

Procurado, o Governo do Estado, de responsabilidade Reinaldo Azambuja (PSDB), não retornou a reportagem.

A reportagem não conseguiu localizar os antigos proprietários do mercado, em litígio com os ex-funcionários, para comentar a situação. 

Poucos antes da falência: prateleiras, gôndolas e ,muita cor ao invês do cheiro de fezes e urina

Coxim

Homem atacado com 10 facadas é internado em estado grave

Apesar da gravidade do caso, a vítima disse não saber quem seria o autor do crime nem a motivação

04/04/2026 16h00

Hospital Regional de Coxim

Hospital Regional de Coxim Foto: Divulgação

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Um homem de 34 anos foi vítima de uma tentativa de homicídio após ser atingido por mais de 10 facadas na manhã deste sábado (4), em Coxim, a 253 quilômetros de Campo Grande. Ele foi socorrido em estado grave e segue internado no Hospital Regional do município.

Segundo informações do boletim de ocorrência, a vítima apresentava ferimentos na cabeça, nas costas e nas mãos, além de duas perfurações profundas no tórax. O resgate foi realizado pelo Corpo de Bombeiros.

Inicialmente, o homem contou à polícia que havia ingerido bebida alcoólica com amigos nas proximidades de um bar. No entanto, posteriormente, mudou a versão e afirmou que foi atacado enquanto dormia na varanda de sua casa, um imóvel que estaria sem energia elétrica.

Apesar da gravidade do caso, a vítima disse não saber quem seria o autor do crime nem a motivação. No endereço indicado, policiais não localizaram sinais de luta ou vestígios de sangue.

O caso foi registrado como tentativa de homicídio e será investigado pela Polícia Civil.

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MATO GROSSO DO SUL

MS dá aula à agentes com Chikungunya 7x mais letal em 2026

Secretaria de Saúde reforça que, até o momento, não há declaração que aponte para epidemia da doença em nível estadual, situação essa que já foi decretada localmente em Dourados

04/04/2026 14h30

Capacitação dos profissionais é uma das estratégias do Governo de Mato Grosso do Sul para lidar com o aumento no número de casos da doença

Capacitação dos profissionais é uma das estratégias do Governo de Mato Grosso do Sul para lidar com o aumento no número de casos da doença Reprodução/GovMS/Bruno-Rezende

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Em cenário de crise graças aos alarmantes números de uma das arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti, a médica infectologista, Dra. Andyane Tetila, ministra na segunda-feira (06) uma web aula aos profissionais que tentam frear a Chikungunya em Mato Grosso do Sul, que aparece sete vezes mais letal neste 2026.

Conforme divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), essa capacitação dos profissionais é uma das estratégias do Governo de Mato Grosso do Sul para lidar com o aumento no número de casos da doença que mostra um impacto significativo principalmente na cidade de Dourados e aldeias do município. 

O Governo do Mato Grosso do Sul reforça que, até o momento, não há uma declaração que aponte para uma epidemia de Chikungunya em nível estadual, situação essa que já foi decretada localmente no município de Dourados. 

Com o tema “Alerta Chikungunya: Atualização do Cenário e Manejo dos Casos”, a web aula fica marcada para às 18h e será transmitida através da plataforma Telessaúde (acesse CLICANDO AQUI), sendo que a sala será aberta 30 minutos antes do evento. 

Importante frisar que essa web aula têm o seguinte público alvo os profissionais das seguintes áreas: 

  1. Atenção Primária à Saúde 
  2. Serviços de urgência e Emergência 
  3. Vigilância epidemiológica 
  4. Demais envolvidos no atendimento e manejo dos casos de Chikungunya

Jéssica Klener é gerente de Doenças Endêmicas da SES e, em nota, frisa que a participação dos profissionais é essencial para fortalecer a resposta da rede de saúde à população. 

"Que os profissionais que estão na linha de frente estejam atualizados sobre o manejo clínico da chikungunya, especialmente neste momento de aumento de casos. A capacitação contribui diretamente para um atendimento mais qualificado, com diagnóstico mais ágil e condutas adequadas, refletindo na redução de complicações e na melhor assistência à população”, cita. 

7x mais letal 

Através do monitoramento das arboviroses em geral, que é feito pelo Ministério da Saúde, os dados mostram que MS atingiu o sétimo óbito por Chikungunya antes do fim do terceiro mês este ano, o que fez com que 2026 fechasse março com a doença sete vezes mais letal, se comparado com o pior ano de toda a série histórica. 

Vetor também da Dengue e Zika, o Aedes aegypti é responsável por transmitir a Chikungunya, que apresenta sintomas que costumam ser avassaladores, e a diferença das demais doenças citadas está no tempo que leva desde o primeiro relato do que os pacientes sentem até a data do óbito, que em boa parte das vezes costuma vitimar a pessoa no intervalo de até três semanas.

cabe explicar que, Mato Grosso do Sul terminou 2025 com o maior número de vítimas por Chikungunya em toda a série histórica, sendo que o ano passado já acumulou, inclusive, o equivalente ao dobro dos óbitos da última década, como bem acompanha o Correio do Estado, 17 mortes no total que marcam o pior índice desde que a doença passou a ser catalogada pela SES. 

Através do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde, por exemplo, é possível notar que a série histórica iniciada em 2015 começa com apenas um registro de óbito naquele ano. Até 2024 a arbovirose iria vitimar um total de apenas oito sul-mato-grossenses.

Com 2016 e 17 passando sem qualquer registro de morte por Chikungunya em Mato Grosso do Sul, a doença só voltou a vitimar um paciente em 2018, ano em que três pessoas morreram em decorrência dessa arbovirose. Porém, nos quatro anos seguintes (de 2019 a 2022) ela voltaria a sumir do radar do sul-mato-grossense.

Essa "explosão" dos casos de Chikungunya em 2025 passou a ser observada já desde o início do ano passado, quando até o começo de março Mato Grosso do Sul já anotava 2.122 casos prováveis. 

 

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