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Dono de Ferrari de R$ 2,6 milhões usa brecha legal e reduz IPVA em R$ 26 mil

Ele registrou o esportivo como frotista e alíquota caiu de 3% para 2%, mas mesmo assim recebeu boleto no valor de R$ 52 mil

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Para reduzir o valor do IPVA em pouco mais de R$ 26 mil, o proprietário do carro mais caro registrado em Mato Grosso do Sul, uma Ferrari avaliada em R$ 2.620.021,00, utilizou uma brecha legal e registrou o esportivo em nome de uma empresa que tem pelo menos outros 30 veículos tributáveis. Assim, ele paga imposto como frotista e a alíquota cai de 3% para 2% sobre o valor venal do carro. 

Sem o benefício fiscal, o dono da Ferrari Portofino, de 2018, seria obrigado a pagar R$ 78.600,63 de imposto, sem considerar a possibilidade de ele conseguir desconto de 15% se pagar à vista. Mas, como é frotista, terá de pagar “apenas” R$ 52.403,04. 

Caso faça o pagamento à vista, o valor cai em R$ 7,86 mil e fica em R$ 44.542,58. Essa brecha legal para conseguir o benefício fiscal existe desde 2015 o poder público não tem como impedir isso, a não se que modifique a legislação. 

E somente por conta desta manobra é que o dono do esportivo fabricado em 2018 na Itália não recebeu o maior boleto de cobrança de imposto para um único veículo. Em 2024, o título de “campeão do IPVA” coube ao proprietário de um Porsche 911 GT3 Manual, cujo valor venal foi estipulado em R$ 2.059.705.00.

O ano de fabricação deste esportivo não foi informado pela Secretaria de Estado de Fazenda, mas o boleto foi emitido no valor de R$ 61.791,15. Se pagar à vista antes do fim do mês, o imposto cai para R$ 52.522,47. 

Mas, se o “pobre” proprietário do esportivo não tiver dinheiro, ele tem a opção de pagar em cinco parcelas, mas aí perde o direito ao desconto de 15%. Se fizer isso, terá de fazer cinco pagamentos no valor de R$ 12,35 mil cada. 

Os nomes dos proprietários e as cidades nas quais estão registrados esses carrões não foram informados, mas metade daquilo que pagam, se é que vão pagar, ficará com as prefeituras. O restante vai para os cofres do governo estadual.

O Porsche e a Ferrari são somente dois dos 880.446 veículos dos quais a administração estadual está cobrando IPVA neste ano. Juntos, estes boletos totalizam R$ 1.201.733.955,12. Mas Rodrigo Uerara, auditor fiscal e coordenador do IPVA, deixa claro que uma parcela dos proprietários não vai pagar. 

Mesmo assim, ele se mostra otimista. “A expectativa  de arrecadação é de cerca de R$ 1,16 bilhão de reais. Mas lembrando que fica metade para o Estado e metade para o município onde o ocorreu o emplacamento do veículo”, lembra. 

Mas apesar dessa estimativa otimista de receita, a própria secretaria de Fazenda revela que a inadimplência no pagamento do imposto está na casa dos 10%.  Sendo assim a arrecadação deve ficar em torno de R$ 80 milhões abaixo daquilo que o coordenar espera. Mesmo assim, ficaria acima da marca de um bilhão de reais. 

Rodrigo lembra que quem não pagar o imposto não pode transferir e nem licenciar o veículo, correndo risco de apreensão caso passe por uma blitz de trânsito. E os dados do Detran mostram que a inadimplência no que se refere a licenciamento está em patamares assustadores. 

Embora o IPVA não incida sobre toda a frota, o Detran revelou nesta semana que metade dos cerca de 1,8 milhão de veículos teve algum atraso no pagamento da taxa de licenciamento nos últimos cinco anos, totalizando um débito de R$ 416,8 milhões só com licencimento. Esse montante não levam em consideração os débitos com IPVA e multas de trânsito.  

E para tentar recuperar parte deste dinheiro, desde a última segunda-feira (8), 205,2 mil cobranças começaram a ser enviadas para uma parcela destes proprietários. Mas, somente aqueles que têm três ou até cinco anos de atraso vai receber a cobrança. 

Se estes pagarem, os cofres estaduais vão engordar em pelo menos R$ 173 milhões, já que a taxa anual por veículo é de R$ 281,47. A data limite para o acerto de contas é 29 de fevereiro e o Detran admite o parcelamento em até 12 vezes, inclusive no cartão de crédito. Depois disso, os devedores serão inscritos na dívida ativa e a cobrança será feita por via judicial. 

boom da celulose

Macrófitas forçam usina a usar mergulhadores para manter operação

Excesso de plantas aquáticas no lago do Mimoso, em Ribas do Rio Parto, provoca entupimento das grades próximas das turbinas, prejudicando a geração de energia

15/08/2026 12h03

Dependendo da direção dos ventos, o lago da hidrelétrica do Mimoso fica completamente encoberto por plantas aquáticas flutuantes

Dependendo da direção dos ventos, o lago da hidrelétrica do Mimoso fica completamente encoberto por plantas aquáticas flutuantes

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Por conta da proliferação descontrolada de plantas aquáticas flutuantes no lago da hidrelétrica do Mimoso, em Ribas do Rio Pardo, a Elera Renováveis, empresa que controla a usina, está sendo forçada a contratar até mergulhadores para manter a usina em funcionamento. Estes mergulhadores retiram a vegetação que fica presa nas grades próximas à entrada da água nas turbinas que geram energia.

Nesta sexta-feira (14), segundo a empresa, 12,8% do lago de 1,5 mil hectares estava encoberto pela vegetação, o que está abaixo dos 25% tolerados pela legislação. Em meados de julho, no dia 17, este percentual estava em 18%. 

O índice somente recupou por conta dos constantes vertimentos extras de água para despachar as planas rio abaixo em pleno período de estiagem. “Sempre que as condições climáticas permitem, o vertimento é realizado para reduzir a quantidade de plantas aquáticas, conforme aprovação do órgão ambiental”, informou a Elera.

Estes vertimentos, segundo a empresa, são feitos sempre que o vento e a quantidade de água no Rio Pardo são favoráveis. “O último vertimento está acontecendo desde o final de julho, de forma controlada e com monitoramentos ambientais recorrentes”, informou a concessionária após ser questionada pelo Correio do Estado.

O fenômeno das plantas aquáticas, conforme Elera, se intensificou a partir do começo de 2025. E, apesar de um relatório do Imasul atribuir a responsabilidade por esta proliferação ao excesso de poluentes despejados pela fábrica de celulose da Suzano, a controladora da hidrelétrica diz estar assumindo sozinha o aumento dos custos operacionais decorrentes do fenômeno.

Indagada se havia algum tipo de acordo ou tentativa de acordo com a Suzano para dividir os prejuízos provocados por esta vegetação flutuante, a empresa se limitou a informar que “não tem acordo firmado com a Suzano envolvendo a operação da usina. A Elera cumpre as condicionantes ambientais e, quando identificada a concentração elevada de macrófitas, a empresa providencia a remoção mediante autorização do órgão ambiental”. 

Apesar de destacar que usina e sua barragem estão seguras, a Elera admite uma série de transtornos e gastos que antes não existiam. “O acúmulo de macrófitas flutuantes tem demandado iniciativas adicionais na operação da usina, como a contratação de mergulhadores para limpeza de grades e compra de equipamentos para tentar mitigar os problemas ocasionados pelas plantas aquáticas”.

E os prejuízos não param por aí. “Essas intervenções podem exigir, inclusive, interrupções temporárias da geração para a realização das atividades de limpeza, além de demandarem recursos adicionas”, informa a empresa que até 2029 tem a concessão para operar a usina do Mimoso, ativada em 1971, 

Os primeiros vertimentos ocorreram no final de outubro do ano passado e desde então fazem parte da rotina da usina. Mas o problema da proliferação das plantas é mais perceptível nesta época de estiagem, já que a menor vazão do Rio Pardo acaba resultado em um acúmulo mais intenso de nutrientes dos quais estas plantas se alimentam.

Segundo a Elera, “a presença das macrófitas, principalmente as fixas, é natural em sistemas aquáticos e pode trazer benefícios ao ecossistema, como abrigo e alimentação para fauna aquática. O que se observa atualmente, a partir do início de 2025, na UHE Assis Chateaubriand, é o acúmulo significativo de espécies flutuantes”.

O principal nutriente destas plantas flutuantes, segundo relatório do Imasul que veio a público no começo de agosto, é o fósforo. Este, por sua vez, é despejado no Rio Pardo em grande quantidade em meio aos 206 milhões de litros diários de esgoto da fábrica de celulose que entrou em operação em julho de 2024. Maior do mundo em série única, ela tem capacidade para produzir 2,55 milhões de toneladas de celulose por ano.

Esse volume  de rejeitos equivale a praticamente todo o esgoto coletado dos mais de 900 mil habitantes de Campo Grande conectados à rede da Águas Guariroba. Se esses rejeitos fossem transportados em carretas bi-trem com capacidade para 50 mil litros cada, diariamente seriam necessárias 4,1 mil viagens. Se fossem os tradicionais e antigos auto-fossa, o número de viagens chegaria ao dobro.

A Suzano garante que cumpre a legislação estadual e federal no que se refere à filtragem destes rejeitos. Porém, o relatório do Imasul revela que antes do despejo deste esgoto são 90 partículas de fósforo por miligrama de água no Rio Pardo. Depois disso, são até 3.037, o que põe o lago do Mimoso no pior grau de poluição possível na escala de classificação da qualidade de águas de rios utilizada pelo Imasul.

E é exatamente esta poluição que provoca a proliferação das plantas e está inviabilizando o uso do lago não só para atividades de lazer, como ocorreu durante décadas, mas até para uso pecuário e de irrigação agrícola. 


 
 

Caso Fabiola Marcotti

Cardiologista que alegou suicídio da esposa volta à prisão em Campo Grande

João Jazbik Neto, de 78 anos, teve a prisão preventiva decretada quase três meses após a morte de Fabiola Marcotti, investigada como possível feminicídio.

15/08/2026 10h29

Polícia Científica e equipes da Polícia Civil durante atendimento na chácara onde Fabiola Marcotti foi encontrada morta, em maio, na região da Chácara dos Poderes, em Campo Grande.

Polícia Científica e equipes da Polícia Civil durante atendimento na chácara onde Fabiola Marcotti foi encontrada morta, em maio, na região da Chácara dos Poderes, em Campo Grande. Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Quase três meses após a morte da fisioterapeuta Fabiola Marcotti, de 51 anos, o cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, voltou a ser preso em Campo Grande. Desta vez, a prisão é preventiva e ocorre no âmbito da investigação que apura a morte da esposa como possível feminicídio.

A nova ordem de prisão foi determinada no fim da tarde desta sexta-feira (14) pelo juiz Aluizio Pereira dos Santos, titular da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande.

Fabiola foi encontrada morta em 18 de maio, na chácara onde vivia com o marido, na região da Chácara dos Poderes.

Inicialmente, a versão apresentada era de que a fisioterapeuta teria tirado a própria vida, mas elementos identificados durante a apuração levaram a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) a investigar o caso como possível feminicídio.

João havia sido detido ainda nos primeiros dias da investigação, após a polícia encontrar armas irregulares na propriedade e apontar uma possível tentativa de alteração da cena relacionada aos fatos.

Na ocasião, ele foi autuado por posse irregular de arma de fogo e fraude processual. Dias depois, deixou a prisão e passou a responder em liberdade, monitorado por tornozeleira eletrônica. O cardiologista nega qualquer participação na morte de Fabiola.

Diferentemente daquela primeira prisão, o novo mandado é preventivo e está relacionado à investigação da morte da fisioterapeuta.

Em manifestação divulgada sobre o caso, a defesa, representada pelo advogado José Belga Trad, classificou a prisão como “descabida” e informou que buscará reverter a decisão.

Caso começou com versão de suicídio

Fabiola Marcotti morreu após ser atingida por um disparo na cabeça dentro da propriedade onde morava com o marido, em 18 de maio. Na ocasião, João acionou a polícia e relatou que a esposa teria tirado a própria vida.

Durante os trabalhos realizados no imóvel, entretanto, policiais localizaram armas sem a documentação necessária. O cardiologista acabou preso em flagrante em razão do armamento encontrado na propriedade.

Com o avanço das diligências, o caso ganhou novos contornos. No dia seguinte à morte, a Deam informou ter identificado divergências entre os depoimentos prestados pelo médico, testemunhas e outras pessoas ouvidas durante a investigação.

As investigações apontaram ainda que João teria orientado um caseiro e um ex-funcionário a retirar um armário com armas e munições e levá-lo para outro imóvel da propriedade.

A Polícia Civil entendeu que a movimentação poderia caracterizar fraude processual, e os três acabaram autuados em flagrante.

Outro elemento que levou os investigadores a aprofundarem a apuração foi o resultado preliminar da perícia. Conforme divulgado à época, a lesão encontrada na cabeça de Fabiola não seria compatível com a versão inicialmente apresentada pelo médico.

Diante das inconsistências identificadas durante as diligências e dos elementos periciais preliminares, a morte deixou de ser analisada somente sob a hipótese de suicídio e passou a ser investigada pela Deam como possível feminicídio.

Primeira prisão e liberdade com tornozeleira

Após a morte de Fabiola, João permaneceu preso pelos crimes de posse irregular de arma de fogo e fraude processual. Naquele momento, a prisão não significava que ele estivesse formalmente responsabilizado pela morte da esposa, cuja investigação continuava em andamento.

No dia 23 de maio, cinco dias depois da morte da fisioterapeuta, o cardiologista deixou a prisão após a Justiça conceder habeas corpus solicitado pela defesa. Ele passou a responder em liberdade e ficou submetido ao monitoramento por tornozeleira eletrônica.

Desde então, a Deam continuou investigando as circunstâncias da morte de Fabiola e buscando esclarecer o que ocorreu dentro da residência naquela noite.

Agora, quase três meses depois, o caso entra em uma nova etapa com a expedição da prisão preventiva de João no âmbito da suspeita de feminicídio.

A defesa mantém a posição de que o cardiologista não teve participação na morte da esposa.

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