O Pantanal de Mato Grosso do Sul, mais especificamente a região de Corumbá, é uma das seis áreas florestais que mais apresentam riscos de incêndios em razão dos efeitos do super-El Niño neste semestre. A previsão indica períodos longos sem chuva e baixa umidade, cenário que facilita o surgimento de focos de incêndio no Estado.
Conforme previsões de especialistas, o El Niño deve atingir patamares muito intensos e prejudicar diversos setores do País este ano, especialmente no último trimestre. Por isso, desde os primeiros meses deste ano, a União tem se encontrado com autoridades ambientais e representantes dos governos estaduais e municipais para debater soluções e ações diante da chegada do fenômeno.
Segundo levantamento do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o período crítico do El Niño na Região Centro-Oeste acontece entre julho e outubro, com atraso nas chuvas e fortes ondas de calor.
Diante disso, três cenários pessimistas podem ser favorecidos em Mato Grosso do Sul: possível escassez hídrica; elevação da demanda por irrigação e comprometimento de pastagem; e propagação de incêndios florestais. O último é o que mais preocupa as autoridades do governo federal.
Tanto que, das seis áreas que foram listadas como as que devem correr mais risco de serem afetadas pelo El Niño, o Pantanal sul-mato-grossense é uma delas. Em coletiva de imprensa na semana passada, o ministro João Paulo Capobianco, do MMA, disse que a situação atual ainda não preocupa, mas que o governo está preparado caso “algo saia do trilho”.
“Nós estamos monitorando e faremos todo o empenho caso algo aconteça. No momento, o quadro não é tão grave ainda como foi em 2024. Mas, estamos monitorando a situação e, apesar do El Niño ser mais grave, ele ainda está chegando. Vamos repetir o esforço do ano de 2024 no Pantanal, com certeza de acordo com a evolução do quadro”, disse.
Vale lembrar que 2024 foi um dos piores anos relacionados aos incêndios florestais no bioma. Para efeito de comparação, entre junho e outubro daquele ano, mais de 13,3 mil focos de incêndio foram registrados no Pantanal, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o que levou o governo federal a enviar um efetivo militar especial para ajudar a controlar a situação.
“Em 2024, nós tivemos um ano bastante rigoroso no Pantanal. Normalmente, os incêndios no Pantanal iniciam a partir de agosto, e nós tivemos uma antecipação naquele ano. Desenvolvemos ali uma estratégia, muito bem-sucedida na minha opinião, com a implantação de uma base operacional do Ibama em Corumbá, que teve um papel muito relevante”, relembra o ministro.
Atualmente, brigadas do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), órgão especializado ligado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), já estão instaladas em Corumbá para prevenir e mitigar os incêndios na área.
SEIS MESES DE ATENÇÃO
Em junho, o governo de MS decretou estado de emergência ambiental diante da previsão do super-El Niño atingir Mato Grosso do Sul favorecendo a ocorrência de focos de incêndio. A previsão é de que o decreto dure por 180 dias, valendo para os 79 municípios sul-mato-grossenses.
Na própria publicação que garante o decreto, o governo estadual disse que a intensificação do El Niño “favorece a formação de material combustível altamente suscetível à ignição e à rápida propagação do fogo, ampliando o risco de incêndios florestais em diversas áreas do Estado, especialmente no Bioma Pantanal”.
BASE DO SUS
Também em razão o El Niño de alta intensidade que se aproxima, o governo federal anunciou que Campo Grande vai receber a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS) a partir de novembro, programa que atua em eventos que demandam apoio especializado para responder a situações emergenciais que afetam a saúde da população.
Durante a apresentação da ministra Miriam Belchior, da Casa Civil, foi divulgado que a Capital foi uma das cidades selecionadas para receber a FN-SUS, que é acionada pelos governos estaduais ou municipais em casos de desastres naturais e necessidade de maior assistência à população.
Neste caso, partiu do próprio Ministério da Saúde colocar um posto em Campo Grande, antes mesmo do El Niño chegar.
“Nós estamos criando em Mato Grosso do Sul para ter pontos melhor distribuídos para agilizar esse atendimento e fazer um processo de educação permanente e estruturação das capacidades locais de pronta resposta, tanto dos estados quanto dos municípios”, disse a ministra.
Além de Campo Grande, apenas Brasília vai contar com o programa na Região Centro-Oeste.
A FN-SUS foi criada como resposta ao temporal na Região Serrana do Rio de Janeiro, em 2011, conhecido como o maior desastre natural por deslizamentos da história do Brasil. Na ocasião, o evento deixou 918 mortos, cerca de 100 desaparecidos e mais de 35 mil desabrigados.
O Correio do Estado entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) para saber mais detalhes sobre a implementação do programa e por quanto tempo a FN-SUS deve ficar em Campo Grande. Porém, a Pasta disse que ainda não foi comunicada sobre a vinda do programa ao município.


