Cidades

DESDOBRAMENTOS

Em coma há 47 dias, menina incendiada em vingança teve braço e perna amputados

Criança de 11 anos foi atacada em oito de dezembro, junto da irmã de três, pelo ex-parceiro de sua mãe, que foi morto ontem (24) em confronto com a polícia

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Enquanto a mais nova das crianças espancadas e incendiadas dentro de casa já se recupera junto à família, cerca de 47 dias após o crime,  a  irmã mais velha segue em coma na Santa Casa de Campo Grande e teve braço direito total e perna amputados, além de perder dedos da outra mão.     

Em coletiva na Delegacia Geral de Polícia Civil, na manhã desta quinta-feira (25), a delegada responsável pela investigação, Bárbara Fachetti Ribeiro, detalhou o crime cometido pelo ex-namorado da mãe dessas crianças. 

Titular na delegacia de Sidrolândia, ela detalha que a ocorrência começou com a denúncia da casa incendiada, com as duas crianças encaminhadas para Santa Casa de Campo Grande. Devido à gravidade dos ferimentos, os investigadores foram até o hospital e, conseguidas essas informações pela equipe médica, tiveram início as diligências. 

Conforme repassado pela delegada, a equipe médica apontava para o espancamento das crianças, que apresentavam desde traumatismo craniano até cortes de 20 centímetros na cabeça, com massa encefálica para o lado de fora. 

"Apuramos que havia ali um crime, então corremos atrás, conversamos com a mãe que começou a relatar que desconfiava que o ex-companheiro teria causado o incêndio. Através de perícia constataram que o incêndio havia sido criminoso", cita Bárbara Fachetti. 

Coletados informações com testemunhas, a equipe policial compilou as características do suspeito e cerca de quatro horas depois foi realizada sua prisão em flagrante. A delegada cita que na ocasião não houve a alteração para prisão preventiva, decretada a custódia e o indivíduo liberado após receber as medidas cautelares. 

Vale lembrar que esse sujeito, identificado pelas autoridades como L.C.K, foi morto em confronto com a polícia ainda na quarta-feira (24). Nas palavras da delegada, a todo momento ele já revelava uma personalidade extremamente doentia e controladora.

Equipes da Polícia Civil de Sidrolândia, com apoio operacional do GARRAS, cumpriam determinação judicial quando o rapaz desobedeceu ordem e atentou contra os policiais com uma arma de fogo. Após a ameaça neutralizada, o indivíduo chegou a receber socorro e foi encaminhado ao hospital, porém não resistiu. 

L.C.K era acusado de tentativa de homicídio contra as duas crianças; estupro e lesão corporal grave, além do incêndio doloso. "Na hora em que você vai fazer uma abordagem dessa pode acontecer [morte em conflito]. Não é o desejado, mas de acordo com o perfil da pessoa abordada, na verbalização essa pessoa armada e foi repelida a ameaça", apontou o delegado 

Crime em vingança

Como detalhado pela titular, o relacionamento entre o casal já começou com pequenas ameaças e ciúmes da parte dele. Controlador, ele proferia xingamentos contra a mulher e regrava desde o horário de trabalho até as amizades que sua então mulher possuía. 

Ainda que os sinais de violência e disfuncionalidade fossem evidentes, com L.C.K inclusive "hackeando" as redes sociais e usando email próprio para controlar a vida da mulher, a mãe das crianças reatava e terminava o relacionamento e só optou por um fim definitivo após encontrar pornografia infantil no celular do então parceiro. 

Mesmo separados, por três vezes o indivíduo invadiu a casa pulando um terreno baldio vizinho. Em uma dessas ocasiões, sem as crianças em casa, ele inclusive matou o cachorro da família pisando nele e desovando o corpo em um pé de goiabeira próximo da residência. 

"Áudios nos autos de quando foi preso em flagrante pela posse de arma de fogo, ele assume que não tem nada a perder e que iria acabar com a vida dela como ela acabou com a dele. Em outra ocasião, com amigas em casa jantando, entrou após uso de substâncias entorpecentes e álcool, xingou a mulher em frente as amigas e disse que era para ela se cuidar, porque ele atiraria contra ela e contra as amigas", indica a delegada. 

Já perto da data do crime, a mãe das crianças tomava tereré com um colega na calçada de casa, momento em que o autor dos crimes passou num primeiro momento de carro pela rua, e voltou em seguida para arremessar o veículo contra os dois. 

Relembre 

Em dezembro, a Delegacia de Polícia Civil de Sidrolândia recebeu informações de incêndio em residência, que causou lesões graves a duas crianças. O Corpo de Bombeiros prestou os primeiros socorros, levando as vítimas à Santa Casa em Campo Grande, onde foram constatadas queimaduras de 3º e 4º grau, além de traumatismo craniano. 

"A mais velha, que ele ateou fogo diretamente no corpo dela, infelizmente está lutando pela vida, ainda em coma. Teve que amputar o braço total direito, parte da perna direita e dedos da mão esquerda. As investigações continuam sob sigilo", concluiu a delegada, que aguarda resultado de laudo para confirmar ou descartar o caso de estupro. 

Instaurado investigação por abandono de incapaz, a mãe relata que trabalhava no período noturno, e que costumeiramente deixava as filhas com sua irmã, porém na data não conseguiu e deixou as crianças sem supervisão, já que não tinha condições de pagar por alguém para cuidar. 

 

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fenômeno

Eclipse parcial da Lua será visto em Mato Grosso do Sul nesta quinta-feira

Ponto máximo será às 00h31, no horário local, já na madrugada da sexta-feira, e poderá ser observado a olho nu

26/08/2026 18h00

Eclipse será visto a olho nu

Eclipse será visto a olho nu Foto: Álvaro Rezende / Arquivo / Correio do Estado

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Um eclipse parcial da Lua poderá ser visto na noite desta quinta-feira (27) e madrugada de sexta-feira (28) em Mato Grosso do Sul e todo o território brasileiro, a olho nu.

O fenômeno deve começar por volta das 22h30, no horário local, com o ponto máximo duas horas depois, às 00h30.

A astrônoma do Observatório Nacional, Josina Oliveira do Nascimento, disse que é necessário ter paciência para observar o eclipse, pois ao entrar na penumbra, que é a sombra mais clara, não é possível notar qualquer diferença no brilho da Lua.

Por volta do horário previstom de 22h30, é quando a lua começa a entrar na umbra e será possível perceber a diferença.

Ela acrescentou que o estudo dos horários em que os eventos ocorrem se baseia unicamente nas posições do Sol, da Terra e da Lua.

“É isso que define a luminosidade. É a mesma coisa de quando a gente sabe exatamente a hora em que a Lua entrou na Lua cheia, no quarto minguante e no quarto crescente. Cada mês tem um horário diferente. O que a gente precisa para saber disso é a posição do Sol, da Terra e da Lua, porque o que a gente está vendo é consequência desse triângulo”, explicou à Agência Brasil.

Segundo a astrônoma, durante o eclipse, primeiro se vê um pontinho preto, que vai evoluindo até a parte preta ficar em formato de uma “mordidinha”, o que significa que a Lua está entrando cada vez mais na umbra, que é a sombra escura. 

“Quando ela estiver 96,2% tomada, vai começar a sair da umbra e tomar uma tonalidade avermelhada. Logo depois vai sair”.

Ao contrário do eclipse solar, que para observar é preciso usar filtros, equipamentos especiais ou óculos próprios, o eclipse parcial da Lua poderá ser visto a olho nu, e de qualquer lugar. 

“No caso desse eclipse, o Brasil todo vai ver e com a Lua bem alta. A única coisa que vai fazer com que você não veja o eclipse é se chover ou ficar nublado”, apontou.

De acordo com o Observatório Nacional, o eclipse desta quinta-feira “pertence ao Saros 138, um ciclo de aproximadamente 18 anos que governa a recorrência de eclipses com características semelhantes”.

A astrônoma explicou ainda que esse tipo de eclipse ocorre toda vez que a Lua entra na sombra da Terra, formada pela incidência do Sol. 

“Sempre existe a sombra da Terra no espaço, porque o Sol está sempre iluminando a Terra, mas a Lua nem sempre entra nessa sombra. A Lua vai entrar na sombra da Terra e tudo acontece por conta dessa questão da sombra. Todos os corpos que não são pontuais, recebendo uma fonte de iluminação, têm duas sombras. Uma mais clara, que a gente chama de penumbra, e uma mais escura, que é a umbra”, disse à Agência Brasil.

Transmissão

O eclipse parcial poderá ser acompanhado também pela live que o Observatório Nacional vai fazer no seu canal do YouTube a partir das 23h pelo horário de Brasília, em uma nova edição do programa O Céu em sua Casa: observação remota.

Segundo o Observatório, como ocorreu no eclipse solar no começo do mês, todos os veículos de comunicação poderão retransmitir gratuitamente a cobertura, mas precisam avisar antes pelo e-mail [email protected].

* Com Agência Brasil

Descumpriu normas

Após morte em MS, AGU pede indenização de R$ 500 milhões ao Discord

Menina de 13 anos teve a morte transmitida ao vivo na plataforma em Naviraí, incentivada por grupo extremista que agia online

26/08/2026 17h30

Lívia foi induzida a tirar a vida em live transmitida no Discord

Lívia foi induzida a tirar a vida em live transmitida no Discord Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

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Após a morte da adolescente Lívia, de 13 anos, em Naviraí, no dia 22 de julho, que foi incentivada e obrigada a tirar a própria vida com transmissão ao vivo no Discord, a Advocacia Geral da União (AGU) entrou com uma ação civil pública na Justiça Federal contra a plataforma, pedindo indenização de R$ 500 milhões por descumprimento de normas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e do Marco Civil da Internet.

Além da multa, também é requerida a aplicação de medidas cautelares para forçar a empresa a se adequar às leis do Brasil.

A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (26) pelo ministro da Pasta, Jorge Messias, em entrevista coletiva.

A rede social já estava impedida de realizar transmissões ao vivo no País há duas semanas, após a morte da sul-mato-grossense.

O ato de sanção partiu da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que investiga o caso.

O ministro afirmou que a ausência da rede de proteção tem levado a situações de ordem criminal envolvendo crianças, adolescentes, mulheres e animais.

“Nós não podemos tolerar que verdadeiras cracolândias digitais sejam criadas em um ambiente virtual brasileiro. E esta ação representa que a tolerância do Estado brasileiro é zero para esse tipo de prática. Todas as empresas que queiram participar do ambiente digital brasileiro são bem-vindas, mas devem cumprir integralmente a legislação brasileira.”

Na ação, a AGU requer que a Justiça obrigue o Discord a aprimorar os instrumentos de supervisão e controle parental, de controle de idade dos usuários, de detecção e remoção de conteúdos nocivos e de comunicação às autoridades.

Em caso de descumprimento, é solicitada aplicação de multa de R$ 500 mil por dia.

Segundo Messias, a ação civil pública foi protocolada devido ao fracasso das negociações junto à empresa.

“Tentamos, por duas semanas, construir um termo de ajustamento de conduta. A empresa, no primeiro momento, demonstrou o interesse de assumir compromissos significativos com o Estado brasileiro, mas, infelizmente, recusou a assinatura do termo no último momento. Portanto, não nos restou outra saída que não a apresentação, o ingresso de uma ação civil pública.”

Caso Lívia

Encontrada morta na manhã de 22 de julho, em Naviraí,  Lívia foi incitada a automutilação e suicídio por grupos extremistas.

No dia 4 de agosto, a Operação Livia foi deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, através da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), em conjunto com o Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senasp/MJSP).

A polícia descobriu que adolescentes e um jovem de 18 anos faziam parte de grupo que utilizava diferentes plataformas para localizar as vítimas, conquistar sua confiança e exercer controle sobre elas. 

Entre as práticas identificadas estão desafios cada vez mais violentos, automutilação, humilhações, exposição degradante e outras formas de violência psicológica, que em casos extremos culminavam na indução ao suicídio.

“Nós podemos falar que existem escravos virtuais. Isso acontece principalmente com as meninas. Então, dentro dessa organização criminosa, eles têm aquelas pessoas que vão captando vítimas, fazem uma engenharia social. Os adolescentes, eles deixam, muitas vezes, suas redes sociais abertas, então, eles começam a procurar pela família, onde estudam e, diante de todas aquelas informações, se passam por outra pessoa”, explicou a delegada Anne Karine Sanches Trevizan Duarte.

No dia da morte de Lívia, o grupo teria ficado cerca de duas horas pressionando a jovem até que ela decidisse cometer o suicídio, que teria sido um “castigo” por não ter cumprido uma tarefa passada pelos administradores do que eles chamavam de “panela”.

A jovem teria que fazer o que eles chamam de “luz”, que seria matar o próprio gato. Com a recusa dela de machucar o animal, os administradores e também expectadores, segundo a delegada, teriam pressionado a jovem a cometer suicídio.

“É como se eles estivessem jogando um videogame, tem que passar de fase. Então, assim, é uma frieza muito grande, é uma violência muito grande, é desconsiderar a vida humana de forma absurda. Eles têm satisfação com esse resultado. Várias pessoas assistindo e incentivando que praticassem a automutilação, em outros casos, a morte mesmo em si”, contou a delegada.

Anne Trevisan ainda afirmou que outros suicídios também são investigados por ligação com esses grupos, mas não quis detalhar o estado onde eles teriam acontecido.

Ainda conforme a delegada, o adolescente infrator de 14 anos apreendido na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, foi quem determinou “todas as coordenadas” que a adolescentes que morreu em Naviraí devia seguir para se suicidar.

* Com Estadão Conteúdo

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