Cidades

Operação Ultima Ratio

Venda de sentença: OAB vai apurar envolvimento de advogados

Em nota, o OAB/ MS relata que o Tribunal de Ética aguardará a coleta de informações sobre os profissionais citados para entender as investigações

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A Operação Ultima Ratio, realizada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira, não atingiu apenas a alta cúpula do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), mas também todos os setores de justiça do estado.

Preocupados com a repercussão da operação, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/MS) criou uma comissão para acompanhar de perto as investigações.

Em nota, o presidente da OAB/MS, Bitto Pereira, determinou que a comissão seja composta pelos conselheiros estaduais Ana Maria Medeiros, como presidente, Bruno Azambuja e Gustavo Gottardi, como membros, que acompanham as investigações em andamento pelo Superior Tribunal de Justiça .

Para apuração do caso, o Tribunal de Ética da OAB/MS aguardará a coleta de informações sobre os profissionais citados para a investigação devida. A entidade reafirma seu compromisso com a transparência, ética e combate à corrupção, sempre em estrita obediência aos princípios da legalidade, contraditório e ampla defesa.


Operação 

A Operação na manhã de hoje (24), afastou o conselheiro Osmar Domingues Jeronymo do TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado). Atualmente ele é corregedor-geral da Corte Fiscal. Além dele, Danillo Moya Jeronymo, sobrinho do conselheiro, que é servidor no TJMS, também foi afastado de suas funções.  

De acordo com as investigações, há indícios de envolvimento de advogados e filhos de desembargadores nas vendas de decisões judiciais, lavagem de dinheiro, organização criminosa, extorsão e falsificação de escrituras públicas no Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul.


Desembargadores afastados 

Durante a operação na manhã desta quinta-feira (24), foram afastados pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ) cinco desembargadores, um juiz de primeira instância, um procurador do Ministério Público Estadual (MPE) e um conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE).

A reportagem do Correio do Estado esteve no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) para acompanhar os trabalhos da Polícia Federal. Foi apurado que os policiais "visitaram" os gabinetes dos  cinco desembargadores e mesas de dois assessores.

A equipe flagrou os agentes retirando um cofre do prédio do órgão. O item era tão pesado que teve que ser transportado utilizando uma cadeira de escritório com rodinhas, e precisou de três agentes para ser colocado na viatura policial. Veja o vídeo:
Em um outro momento, os agentes saíram do prédio com uma "bolsa gigante", cheia de documentos e outros itens, que aparentava estar pesada, visto que foi carregada por dois agentes.

Além do TJMS, a Polícia Federal tem mais de 200 agentes ditribuídos em 40 equipes cumprindo mandados de busca e apreensão em casas, no fórum e em escritórios de advocacia, localizados em Campo Grande, Brasília, São Paulo e Cuiabá.

O Correio do Estado entrou em contato com o Tribunal de Justiça e com o Ministério Público em busca de mais informações, mas não teve retorno até o momento de publicação do material.

Alta cúpula  

Os 5 magistrados da alta cúpula do Judiciário foram afastados de suas atividades por 180 dias. Eles terão que usar tornozeleira eletrônica e estão proibidos de acessar as dependências dos órgãos públicos e de manter contato com outras pessoas investigadas.

Informações preliminares apontam que os desembargadores afastados foram: Marcos Brito; Vladimir Abreu; Sérgio Martins (presidente do TJ), Sideni Pimentel e Alexandre Aguiar Bastos.

Operação
A ação teve o apoio da Receita Federal e é um desdobramento da Operação Mineração de Ouro, deflagrada em 2021, na qual foram apreendidos materiais com indícios da prática dos referidos crimes.

 

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El Niño

Apesar das chuvas acima da média, Bombeiros monitoram cenário de incêndios em MS

A influência do El Niño deve exigir ações preventivas, devido às previsões de calor intenso

26/10/2026 09h51

Sede do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS)

Sede do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado

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O nível dos rios e a previsão de temperaturas acima da média histórica preocupam o Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul para a próxima temporada de incêndios florestais, entre novembro deste ano e janeiro de 2027. Segundo a corporação, neste ano foram registrados 166 eventos de fogo na região pantaneira, com mais de 124,4 mil hectares de área queimada.

Na avaliação do Estado, a combinação entre a influência do El Niño e as medidas de preparação e prevenção contribuiu para que fossem registrados poucos casos de grandes incêndios florestais, mantendo os indicadores dentro da normalidade.

Segundo o subdiretor da Diretoria de Proteção Ambiental (DPA) do Corpo de Bombeiros, major Eduardo Teixeira, o El Niño contribuiu para a ocorrência de chuvas acima da média neste ano, distribuídas ao longo dos meses, o que ajudou a amenizar a preocupação com os incêndios florestais.

Para 2027, no entanto, a preocupação é maior em relação ao nível dos rios, que se aproxima de mínimas históricas. A depender do volume e da distribuição das chuvas nos próximos meses, a temporada de incêndios florestais pode começar mais cedo. 

Calor e chuvas intensas

Por outro lado, a previsão do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS) indica chuvas com acumulados acima da média histórica no próximo trimestre. Esse cenário deve contribuir para manter a umidade do solo e reduzir a probabilidade de fogo na maior parte do Estado. Ao mesmo tempo, são esperadas temperaturas acima da média e maior probabilidade de ondas de calor, além de tempestades com chuvas intensas, vendavais, raios e queda de granizo.

A meteorologista e coordenadora do Cemtec, Valesca Fernandes, explicou que os efeitos do El Niño sobre os incêndios florestais variam conforme as características de cada evento climático. “A análise integrada dos dados meteorológicos e do histórico climático demonstra que a ocorrência de incêndios florestais e o impacto do El Niño em Mato Grosso do Sul não seguem uma resposta linear ou padronizada, uma vez que cada evento do fenômeno possui características distintas”, afirmou.

Mesmo com a previsão de chuva, o Corpo de Bombeiros manterá equipes avançadas em campo e nas bases diante da perspectiva de temperaturas elevadas e da possibilidade de antecipação da temporada de incêndios em 2027. O prognóstico sobre incêndios é do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

De volta

Tiago Vargas é reintegrado a Polícia Civil após 6 anos afastado

Ex-policial civil foi demitido do cargo após chamar Reinaldo Azambuja de "corrupto"

26/10/2026 09h31

Com tornozeleira eletrônica, Tiago Vargas se tornou sucateiro após ser demitido da Polícia Civil e derrotado nas urnas em 2024

Com tornozeleira eletrônica, Tiago Vargas se tornou sucateiro após ser demitido da Polícia Civil e derrotado nas urnas em 2024 Reprodução/Instagram

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Tiago Henrique Vargas foi reintegrado e está de volta ao cargo de Agente de Polícia Judiciária, função Investigador de Polícia Judiciária, da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.

A decisão foi publicada nesta segunda-feira (26) na página 134 do Diário Oficial Eletrônico (DOE-MS) e assinada pelo governador de MS, Eduardo Riedel (PP).

Ele havia sido demitido em 16 de julho de 2020 e ficou seis anos afastado do cargo após “peitar” o então governador do Estado, Reinaldo Azambuja, xingando-lhe de "canalha e corrupto".

Em 2020, Tiago publicou um vídeo em suas redes sociais reclamando de uma blitz, realizada no período da manhã, pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MS). No vídeo, ele xinga e ataca Azambuja.

"Reinaldo Azambuja, você não tem vergonha na cara, um dos piores bandidos do estado é você, você deveria estar preso, seu corrupto, seu canalha, e não mandando a nossa polícia fazer blitz aqui na cidade de Campo Grande às nove horas da manhã. Quem faz blitz nove horas da manhã, governador do estado, não quer pegar vagabundo, meu irmão", disse Tiago no vídeo.

Na época, o Ministério Público (MPMS), por meio da 14ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, pediu que ele fosse condenado pelos crimes de injúria e difamação. As penas somadas poderiam alcançar até dois anos de detenção.

Além da condenação, a 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul determinou que Tiago Vargas pagasse indenização de R$ 40 mil por ter usado as redes sociais para ofender Azambuja.

Confira o trecho redigido em Diário Oficial em que confirma o retorno do ex-vereador:

Com tornozeleira eletrônica, Tiago Vargas se tornou sucateiro após ser demitido da Polícia Civil e derrotado nas urnas em 2024

Nas redes sociais, Vargas agradeceu a Deus pelo retorno a Polícia Civil.

“Estava aqui trabalhando aqui na reciclagem e recebi a informação de que saiu a publicação para a gente voltar para a Polícia Civil. Emoção né cara. Só posso agradecer a Deus. Mais de seis anos esperando por isso. Minha mãe morreu e não pode ver isso. Obrigado gente. Deus é bom o tempo todo”, disse, emocionado.

Tiago Vargas foi policial civil de 2014 a 2020. Ele foi expulso da corporação após chamar o ex-governador Reinaldo Azambuja de corrupto.

Foi vereador de Campo Grande de 2021 a 2024. Tentou a reeleição para vereador em 2024 pelo Partido Progressistas (PP), mas, com 6.202 votos, foi derrotado nas urnas.

Em seguida, foi nomeado por Adriane Lopes, em 2 de janeiro de 2025, como assessor especial na Secretaria Especial de Articulação Regional. 

Em 13 de abril de 2026, Vargas passou a cumprir prisão domiciliar, sob monitoramento por tornozeleira eletrônica.

Em 14 de abril, assumiu sua nova profissão nas redes socais: sucateiro. A partir de então, começou a compartilhar sua rotina profissional, mostrando o trabalho de separação e coleta de materiais recicláveis aos seus seguidores.

Em 21 de outubro, Tiago contou que suas redes sociais ficaram suspensas de abril a outubro e que não conseguia comunicar com seu público.

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