Armamento é de origem alemã e usado geralmente por tropa de elite dos Estados Unidos em missões de contraterrorismo
O atentado praticado por três criminosos em Ladário, no dia 30 de junho, envolveu o uso de armamento pesado que não é vendido normalmente no Brasil. Nesse ataque, o policial militar Marcelo Pimenta, de 32 anos, acabou falecendo, ao tentar barrar a fuga dos suspeitos durante ronda de equipe do Grupamento Especializado Tático em Apoio Motociclístico (Getam).
O fuzil utilizado pelos investigados e encontrado pela Polícia Militar é de origem alemã, usado por tropa de elite considerada para missões secretas dos Estados Unidos, a Força Delta, que atua em missões de contraterrorismo, resgate de reféns e captura de alvos.
Conforme a Polícia Militar, por ser um armamento de uso restrito e de alto poder de precisão, a apreensão desse fuzil é uma medida importante para combater o crime organizado.
Conforme as apurações, foi identificado que os envolvidos no ataque têm ligação com a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e dispararam os tiros em Ladário em um cenário de disputa entre pessoas com ligação com a facção.
“É um armamento de uso restrito. Por conta disso, a gente redobra a atenção nas abordagens, para que isso seja feito com o máximo de segurança possível. A polícia realiza um treinamento contínuo para justamente ter condições de realizar o enfrentamento diante desse aumento do poder de fogo da criminalidade”, afirmou o comandante do 6º Batalhão da Polícia Militar de Corumbá, tenente-coronel Samuel Castilho.
Esse tipo de armamento encontrado em Corumbá depois da morte do soldado da PM Marcelo Pimenta é utilizado não só nos Estados Unidos.
O fuzil HK417 é um armamento direcionado para uso do Exército da Alemanha, pela unidade secreta do Exército do Reino Unido e pelo Comando de Operações Especiais da França.
No Brasil, unidades de elite da Polícia Federal também usam essa arma, e existem ao menos 200 delas destinadas para operações especiais. Além disso, nesse caso registrado na fronteira, houve a identificação de que o crime organizado também utiliza o armamento.
O fuzil HK417 não é o único tipo de armamento que o grupo de três homens usou para fazer o ataque a um alvo no município de Ladário.
Também foram apreendidos uma carabina M4 calibre 556 com dois carregadores – que pode ser encontrada disponível para a venda para Caçadores, Atiradores e Colecionadores (CACs) –, um revólver calibre 38, duas pistolas 9 mm, bem como 17 munições calibre 762, 4 munições 38, 10 munições 357, 39 munições 5.56 e outras 35 munições 9 mm.
Também foram apreendidos dois distintivos e quase um quilo de haxixe.
Todo esse material bélico foi localizado por conta de operação montada com mais de 100 policiais. Ela foi desencadeada na noite do dia 30 de junho, depois que o trio realizou o ataque a uma casa em Ladário e tentou fugir.
Todo esse armamento estava escondido dentro de sacos, nos fundos de uma casa que fica na Rua Joaquim Murtinho.
Os itens apreendidos foram encaminhados para a Polícia Civil de Corumbá, que enviou o material para passar por perícia técnica. O trabalho investigativo envolve tentar localizar a origem dos armamentos.
APURAÇÕES
No trabalho de rondas e investigação, as forças de segurança identificaram Everton da Silva Viana, de 40 anos, e Rubens Zilio Neto, que tiveram envolvimento direto no atentado. Um terceiro suspeito ainda não foi identificado, mas há averiguações para tentar obter informações sobre ele.
Depois que dois suspeitos foram presos para averiguação, Everton chegou a apontar alguns possíveis locais onde as armas estariam escondidas, mas nas rondas não houve a localização do armamento.
Em uma dessas vistorias, em região de fronteira entre o Brasil e a Bolívia, a Polícia Militar informou que Everton tentou furtar a arma de um PM e houve luta corporal. Por conta da reação, ele acabou alvejado e morreu após ter sido levado ao pronto-socorro de Corumbá, ainda no dia 30 de junho.
Rubens Zilio Neto permanece preso, e a Justiça estadual converteu o flagrante em prisão preventiva. Além disso, ele tinha um mandado de prisão em aberto expedido pela Justiça de Goiás.
Outra pessoa presa nessa operação foi Kalissa das Neves Guadalupe, de 33 anos, que era namorada de Everton da Silva Viana. Todo o armamento localizado pela Polícia Militar estava escondido nos fundos da casa dela. O flagrante contra ela também foi convertido em prisão preventiva durante audiência de custódia.
A Polícia Civil de Corumbá está com inquérito aberto para investigar o caso.
Os crimes relacionados à ocorrência são de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, homicídio simples na forma tentada, tráfico de drogas, integração em organização criminosa e homicídio qualificado, em razão da morte do soldado Marcelo Pimenta da Silva.