Cidades

Mato Grosso do Sul

Em seis anos, número de casos de estupro contra crianças quase triplicou

De acordo com dados da Sejusp, registros desse tipo de crime no Estado saíram de 479 em 2017 para 1.303 no ano passado

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Nos últimos seis anos, o número de casos de estupro contra crianças vem crescendo em Mato Grosso do Sul. O registro, que era de 479 casos em 2017, quase triplicou de lá para cá, chegando ao ano passado com 1.303 crianças vítimas de estupro.

De acordo com levantamento da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), nos primeiros cinco meses deste ano, 374 ocorrências envolvendo abuso sexual contra menores foram registradas. Isso significa que a cada dois dias cinco crianças foram estupradas em MS.

Enquanto isso, os dados de 2018 até o ano passado demonstram que, em média, 1.216 casos são registrados anualmente em todo o território sul-mato-grossense.

Segundo Pablo Gabriel Farias da Silva, titular adjunto da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), o aumento no número de casos de estupro de vulnerável em MS pode estar atrelado à procura da população em denunciar mais esse tipo.

“Realmente, houve um aumento no número de registros de estupro de vulnerável. Acredito que aconteceu uma exposição maior, na mídia, desse tipo de crime, e isso fez com que as pessoas procurassem mais a delegacia para denunciarem os casos”, disse o delegado.

Um dos motivos para o ano passado ter um crescimento no número de casos desde 2019 (1.303 ante 1.336) pode ser a repercussão do caso Sophia, que ocorreu em janeiro de 2023. Até então, ano após ano, os registros vinham se mantendo na média das 1.216 ocorrências.

“No começo de 2023, tivemos casos de grande repercussão, que foram bem divulgados pela imprensa. Junto a isso, foi divulgada a importância de denunciar, o que pode ter ocasionado esse aumento”, explica.
Conforme dados da Sejusp informados pelo boletim do Observatório da Mulher de Campo Grande, no ano passado, a Capital registrou 734 crimes de estupro. Desses, 382 vítimas eram crianças e 189 eram adolescentes, ou seja, 77% dos casos envolviam vítimas menores de 18 anos.

ORIENTAÇÕES

Segundo a psicóloga Gabriela Cayres, que é especialista no amparo às crianças vítimas de abuso sexual e que atende no Lar Infatil Lygia Hans, é importante que as vítimas que tenham passado por esse tipo de trauma tenham um acolhimento e acompanhamento psicológico.

“Desde o primeiro contato, tentamos fazer um vínculo com a criança, para oferecer afeto e minimizar as dores dos traumas ocorridos, sejam eles por negligência, sejam por abuso. Realizamos rodas de conversa, escuta ativa, encaminhamento para terapia individual e validação de sentimentos”, explica.

A psicóloga também alerta sobre os sinais de que uma criança pode estar sendo violada. “Automutilação, comportamento introspectivo, irritabilidade, insônia, baixa autoestima, diurese excessiva, principalmente à noite, e pesadelos constantes são alguns dos sinais”, esclarece.

De acordo com Gabriela, é essencial que os pais estejam atentos e não deixem seus filhos aos cuidados de qualquer pessoa. “Os abusos, em sua grande maioria, ocorrem por pessoas da família. Ensinar a criança a se proteger e entender que seu corpo é precioso é fundamental,” enfatiza.

Uma das instituições em Campo Grande que fazem atendimentos voltados para proteção e amparo às crianças e aos adolescentes é o Lar Infantil Lygia Hans, localizado na Rua Cioanorte, nº 91, no Jardim Tarumã.

Fundada em 28 de outubro de 2000, a entidade, que é vinculada à comunidade Adventista do Sétimo Dia, oferece acolhimento para crianças e adolescentes seguindo as legislações e as orientações técnicas para o serviço de acolhimento.

A instituição trabalha na modalidade casa-lar (abrigo institucional) e tem como propósito, além do acolhimento, a reintegração familiar da vítima, podendo dar apoio ao processo de adoção em conformidade com o Estatuto da Criança e do Adolescente. Em 2023, a entidade atendeu cerca de 25 crianças; neste ano, até o momento, foram acolhidas 16.

MAIO LARANJA

Este mês traz uma importante campanha de conscientização e combate ao abuso e à exploração sexual infantil. A iniciativa Maio Laranja busca dar visibilidade a um tema delicado e urgente e que afeta milhares de crianças e adolescentes em todo o Brasil.

A campanha Maio Laranja é um período dedicado à conscientização e à ação, visando proteger os direitos e a integridade das crianças e dos adolescentes. A iniciativa destaca a importância da denúncia e do enfrentamento desse tipo de violência, utilizando a flor gérbera como símbolo, representando a fragilidade e a vulnerabilidade dos pequenos diante desse cenário.

No dia 18 de maio de 1973, um trágico acontecimento em Vitória (ES) deu origem à campanha. Na data, Araceli, uma criança de apenas oito anos, foi vítima de sequestro, abuso sexual, drogas e assassinato. 

O caso mobilizou a sociedade brasileira e resultou na criação do Dia Nacional de Combate ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, oficializado pela Lei Federal nº 9.970/2000.

Saiba

Para denunciar casos de abuso e exploração sexual contra crianças, há canais como o Disque 100 (Disque Direitos Humanos), o Conselho Tutelar e o número 190 de emergência policial.

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Meio ambiente

ArcelorMittal é a principal compradora de siderúrgica suspeita de poluir o Pantanal

Relatórios mostram que a multinacional comprou 45,5 mil toneladas de ferro-gusa da Simasul enquanto a empresa operava com licença provisória em Aquidauana (MS).

28/10/2026 06h50

Simasul produz ferro-gusa em Aquidauana

Simasul produz ferro-gusa em Aquidauana Divulgação

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A europeia ArcelorMittal, segunda maior produtora de aço do mundo, é a maior compradora de ferro-gusa da Simasul, siderúrgica localizada em Aquidauana que opera sem a licença devida em um de seus fornos, com potencial risco de poluir a região, situada no bioma Pantanal.

Conforme relatórios de comercialização aos quais o Correio do Estado teve acesso, a gigante mundial do aço comprou nada menos que 45,5 mil toneladas de ferro-gusa da empresa sul-mato-grossense no período de março a julho deste ano.

O período em que a gigante do aço comprou o produto da empresa é justamente o mesmo em que a Simasul operava com licença provisória concedida pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), desde março deste ano, e não há qualquer indício de que pretende conseguir a licença definitiva, também chamada de Licença de Operação.

A cadeia da mineração e da siderurgia tem sido alvo de cobranças e exigências maiores por parte do governo e de ambientalistas, devido ao risco ambiental, o que levou todas as empresas do setor a implementarem políticas de governança voltadas ao social e à sustentabilidade, prática conhecida mundialmente pela sigla ESG.

Em reportagem publicada no dia 13 de outubro, o Correio do Estado mostrou que a Simasul poderia estar poluindo o Pantanal com o aval do Imasul. Um dos fornos da siderúrgica, o AF1, não tem licença de operação. Ele conta apenas com uma licença provisória para comissionamento (manutenção rápida ou pequenos ajustes para a obtenção de uma licença definitiva).

Além do risco de poluição do ar, a atividade da empresa também é danosa aos cursos d’água da região. A Simasul é alvo de uma investigação criminal conduzida pela Polícia Civil e de um inquérito civil aberto pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) por sua atividade potencialmente poluidora, entre outros motivos.

A engrenagem documental que sustenta essa operação irregular se fundamenta em uma sobreposição de licenças concedidas pelo órgão ambiental do Estado. Formalmente, a Simasul Siderurgia Ltda., instalada no Bairro Exposição, em Aquidauana, tem licença de operação para apenas um de seus fornos. O documento (LO nº 001697, de 2023) autoriza exclusivamente o funcionamento do alto-forno 2, com capacidade máxima de 300 toneladas diárias de ferro-gusa, e veda expressamente a operação conjunta com o alto-forno 1.

No entanto, para expandir sua infraestrutura industrial para até 600 toneladas diárias, a empresa obteve uma licença de instalação no início deste ano. O documento autoriza a montagem física dos equipamentos, mas proíbe terminantemente o início da atividade comercial sem a emissão prévia de uma nova licença operacional.

Com apenas 300 toneladas por dia, a Simasul não teria capacidade para atender à demanda da ArcelorMittal.

Compliance

O Correio do Estado procurou a multinacional europeia, com sede em Luxemburgo, que informou: “A ArcelorMittal possui políticas corporativas de Compliance, Ética e Sustentabilidade que estão alinhadas com as melhores práticas de mercado e que incluem processos de avaliação e monitoramento de fornecedores”.

“Nesse sentido, os parceiros comerciais da ArcelorMittal devem atender aos requisitos estabelecidos em seu Código de Conduta para Fornecedores, que contempla aspectos legais, ambientais, sociais e de governança. A Companhia acompanha permanentemente a conformidade de sua cadeia de suprimentos por meio de diversas iniciativas de monitoramento, incluindo a auditoria de fornecedores em questões ambientais”, afirmou a gigante mundial do aço.

A resposta da empresa sobre o caso da Simasul não foi específica, mas a ArcelorMittal enviou a seguinte declaração: “Nos casos em que a ArcelorMittal apura que um parceiro de negócios pode não estar atendendo aos requisitos estabelecidos por seu Programa de Compliance, Ética e Sustentabilidade, a Companhia adota medidas imediatas de verificação e resposta”.

Outro lado

O Correio do Estado procurou a Simasul, que informou não ter recebido qualquer intimação, denúncia ou procedimento recente via Ministério Público.

“Quanto à denúncia, apócrifa e anônima, junto à Polícia Civil, mais especificamente ao DECAT, esclarece-se que a Simasul está contribuindo com as investigações, inclusive aguardando o resultado da perícia realizada. Com o resultado, todas as medidas serão tomadas para responsabilizar os responsáveis por essas acusações”, informou.

Sobre a ausência de licença, a empresa diz que se trata de uma “afirmação falsa”. “A siderúrgica se encontra com licenças válidas e vigentes junto ao Imasul, sem qualquer irregularidade”. A empresa não detalhou se as licenças vigentes são operacionais ou provisórias.
 

Educação

Inep divulga local de provas do Enem 2026; saiba como conferir

Cartão de Confirmação de Inscrição está na Página do Participante

27/10/2026 22h00

Prova do Enem

Prova do Enem

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Os participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 já podem conferir os locais onde farão as prova nos domingos 8 e 15 de novembro.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) disponibilizou, nesta terça-feira (27), o Cartão de Confirmação de Inscrição do Enem com a informação.

Consulta

Para acessar o documento, basta o inscrito acessar a Página do Participante. É preciso usar a senha da plataforma Gov.br.

Além da informação sobre os locais de prova, o Cartão de Confirmação traz o número de inscrição, a data e o horário. Caso o inscrito tenha direito a atendimento especializado ou ao tratamento pelo nome social autorizado pelo Inep, os dados também estarão registrados.

O Inep avisa que não é obrigatório levar o Cartão de Confirmação de Inscrição nos dias de aplicação do Enem, mas recomenda levá-lo para evitar erros.

Dois dias de provas

As provas serão aplicadas em dois domingos de novembro, nos dias 8 e 15, no turno da tarde, nas 27 unidades da federação.

De acordo com o edital desta edição, o primeiro dia do Enem terá duração de cinco horas e 30 minutos. Neste dia, os candidatos farão a redação e os exames de linguagens (língua portuguesa, literatura, língua estrangeira, artes, educação física e tecnologias da informação), códigos e suas tecnologias e ciências humanas (história, geografia, filosofia e sociologia) e suas tecnologias.

No segundo dia, os estudantes farão provas de ciências da natureza e suas tecnologias (biologia, química e física) e matemática. Os participantes terão cinco horas para fazer as provas. São 45 questões em cada área do conhecimento.

Saiba tudo sobre o exame no Guia do Enem, disponibilizado pelo Ministério da Educação (MEC).

Enem 2026

Nesta edição, o Ministério da Educação (MEC) registrou mais de 5 milhões de inscrições.

O Enem é considerado a principal forma de entrada na educação superior no Brasil, por meio de programas federais como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

As instituições de ensino públicas e privadas usam os resultados das provas para selecionar os estudantes.

Os resultados individuais do exame também podem ser aproveitados em processos seletivos de instituições de ensino de Portugal que tenham convênio com o Inep.

Desde a edição de 2025, o Enem também voltou a certificar a conclusão do ensino médio para os candidatos a partir dos 18 anos.

Pela primeira vez, o Enem também terá como objetivo avaliar o domínio das competências e habilidades esperadas no fim do ensino médio, integrando o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

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