Cidades

CONSTRUÇÃO CIVIL

Empreendimentos terão de promover ao menos 2 consultas populares

Decreto de Adriane Lopes manda submeter qualquer projeto urbano a audiências públicas; medida pode burocratizar setor

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A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), publicou decreto neste mês que regulamenta a realização de audiências públicas para debater o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) e o Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) dos empreendimentos a serem lançados dentro do perímetro urbano de Campo Grande. 

O decreto editado pela prefeita no dia 1º de março deve normatizar um tema que foi judicializado depois que moradores de bairros de classe média, como Chácara Cachoeira e Vilas Boas, voltaram-se contra o lançamento de empreendimentos verticais.

Nos bastidores, o Correio do Estado apurou que o setor da construção civil não recebeu bem o decreto, que obriga a realização de audiências públicas para a aprovação de todos os estudos de impactos de vizinhança de um empreendimento.

Na prática, tal exigência pode burocratizar o lançamento de edifícios, supermercados, centros comerciais e de qualquer atividade que gere impacto significativo nos bairros. 

O decreto de Adriane Lopes regulamenta exigências já previstas no Plano Diretor, aprovado e sancionado em 2018. Tal normatização não ocorria desde a administração de Marquinhos Trad (PSD). 

O problema se agravou depois que moradores de bairros de classe média se voltaram contra novos empreendimentos em sua vizinhança.

Tais reações são inéditas em Campo Grande, pois, anteriormente, elas eram bem-vindas em bairros mais afastados, centrais, humildes ou de classe média, pois os empreendimentos sempre foram tratados como fatores que poderiam valorizar um bairro. 

65
empreendimentos em risco de suspensão

Ação civil pública ajuizada no ano passado pela ONG Auditar Brasil, ligada ao ex-vereador e ativista ambiental Marcelo Bluma, quer suspender 65 empreendimentos em Campo Grande, a maioria deles edifícios residenciais verticais, além de um shopping nas Moreninhas.

O decreto

O Decreto nº 15.846 estabelece que, “para efeitos de licenciamento urbanístico, deverá ser objeto de audiência pública, previamente à decisão final sobre a expedição da Guia de Diretrizes Urbanísticas (GDU), os empreendimentos e/ou atividades que estiverem sujeitos à apresentação de Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) e seu respectivo Relatório de Impacto de Vizinhança (RIV)”. 

O decreto ainda prevê que, “para efeitos do licenciamento ambiental, deverá ser objeto de audiência pública, previamente à decisão final sobre a expedição da licença ambiental, os empreendimentos e/ou atividades que estiverem sujeitos à apresentação de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e seu respectivo Relatório de Impacto Ambiental (Rima)”.

Os documentos dos empreendimentos deverão estar disponíveis 25 dias antes das consultas, e contribuições e sugestões poderão ser dadas no período de 15 dias após a convocação das audiências públicas. 

A audiência pública será dirigida pela Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb), se for para EIV, ou pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semadur), se for para EIA/Rima.

O empreendedor vai secretariar a sessão. O decreto não faz menção a nenhum caráter deliberativo das audiências públicas. 

Polêmica

A regulamentação das audiências ocorre em meio a uma disputa judicial travada com a organização não governamental (ONG) Auditar Brasil, liderada pelo ex-vereador, advogado, engenheiro e ativista ambiental Marcelo Bluma, ligado ao PV. Em uma das ações, a ONG conseguiu paralisar os empreendimentos da construção civil na cidade. 

Alegando a não realização de audiências públicas para debater os EIVs de 65 projetos, Bluma pediu à Justiça para que todos fossem paralisados até que as consultas sejam realizadas. 

Caso o Judiciário atenda ao pedido do ex-vereador, mais de 15 mil unidades habitacionais, muitas delas já prontas e comercializadas, poderão ser embargadas ou ter suas obras suspensas.

A ONG autora da ação, a Auditar Brasil, funciona na Rua Bela Cintra, no Bairro Tiradentes, no endereço da sede do Partido Verde, historicamente comandado por Marcelo Bluma. A cruzada de Bluma contra a construção civil em Campo Grande teve início depois que a incorporadora Plaenge decidiu lançar um residencial vertical de 94 unidades a poucas quadras de sua casa, no Bairro Chácara Cachoeira.

Por causa deste projeto, Bluma, apoiado por vizinhos, ingressou com outra ação civil pública, em que obteve liminar favorável, para suspender a Guia de Diretrizes Urbanísticas (GDU) do empreendimento, documento que autoriza a incorporadora a dar início à construção do edifício. 

O grupo resiste à verticalização do bairro e, pelo teor da ação civil pública, fez a disputa escalar ainda mais, pedindo a paralisação de 65 projetos em Campo Grande.

Entre as obras que poderão ser suspensas ou embargadas estão edifícios já concluídos da construtora Northern Capital, cujo nome de fantasia é Jooy, no Bairro Mata do Jacinto – todos os apartamentos foram vendidos no residencial Jooy Style.

Em outro residencial da mesma construtora, o Jooy Wonder, na Vila Planalto, as obras estão 68% prontas, quase todas as unidades foram comercializadas e todas as torres já estão em pé. Ao lado delas, um outro residencial, que integra o projeto Reviva Campo Grande, que tem como objetivo revitalizar o centro da cidade, também poderá ter suas obras embargadas.

As 792 unidades do Reviva Campo Grande levantadas pela Cesari Construtora já estão sendo comercializadas, e o canteiro de obras já foi todo mobilizado.

 

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Infraestrutura

Desabamento interrompe tráfego, força desvios e gera prejuízos no escoamento da produção

Atoleiros e buracos travam escoamento e elevam custos de frete no Estado

25/08/2026 07h55

Foto: Reprodução

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Quatro caminhões saíram para buscar milho e levaram dois dias tentando completar o trajeto. Não chegaram. Numa outra noite, uma carreta atravessou na areia solta e travou a passagem de todo mundo. O cenário é em um trecho da MS-213, também conhecida como Estrada de Sete Placas, que corta a área produtiva de Sonora, no extremo-norte de Mato Grosso do Sul.

A reportagem teve acesso a 14 mensagens de áudio e dois vídeos gravados na semana passada por produtores rurais e transportadores que usam a via. As identidades são preservadas a pedido das fontes. O que os relatos descrevem é uma estrada que não funciona em nenhuma estação do ano.

“O pessoal lá, na época da chuva, não passa porque é atoleiro, e agora na época da seca também. Não é produção simples, pouca coisa, não. É muita soja, é muito gado, é muito eucalipto, é cana, é um volume absurdo de produção”, conta uma fonte.

Outro produtor resume a rotina em uma frase que se repete nos áudios: “Seca é pó, chuva é barro, e assim vai a luta por dia”.

CARRETAS TRAVADAS

Um transportador relata a situação dos quatro caminhões parados: “Carreta da [empresa] não subiu. Eu estou com quatro caminhões há dois dias na estrada para chegarem e não chegaram. Tem que abandonar, não tem como”.

Um dos vídeos, gravado à noite, mostra carretas travadas em um trecho de areia. “A carreta deu ‘pau’ aqui, não sobe”, diz quem filma. “Trancou tudo, atravessou”.

Há também relato de acidente. Segundo uma das mensagens, um carro derrapou na terra fofa ao tentar ultrapassar uma carreta atolada e bateu na lateral do veículo, com danos no retrovisor, no para-choque e no para-lama.

VOLTAR DA ESCOLA

A queixa mais recorrente nos áudios, porém, não é sobre a lavoura. É sobre as crianças que moram nas fazendas da região e dependem do transporte escolar rural.

“O que me dá dó é das crianças que ficam aí, quatro horas para ir, quatro horas para voltar, numa estrada de chão, num ônibus ruim, sem arcondicionado, sem nada”, revela uma fonte.

Em outra mensagem, um morador levanta a hipótese de uma emergência médica no trecho, onde há possibilidade de um veículo comum trafegar em determinados pontos: “Se vê um doente aí, vai ter que botar nas costas ou numa rede”.

MANUTENÇÃO

As mensagens descrevem uma rotina de conservação improvisada e custeada pelos usuários da estrada. Em um dos áudios, um produtor conta ter enviado um caminhão-pipa para molhar o trecho e tentar compactar a poeira.

“Mandamos o [caminhão-]pipa lá para molhar um pouco, para compactar um pouco, para ver se melhorava um pouco lá, mas está difícil”, conta uma fonte.

Em outro, aparece a ideia de o sindicato rural depositar em juízo o Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário de Mato Grosso do Sul (Fundersul) para contratar diretamente uma empresa de manutenção. 
A avaliação embutida no relato é de que os produtores pagam o fundo destinado a estradas e, ao mesmo tempo, tiram do bolso para manter a via que usam.

OBRA PREVISTA

A MS-213 tem 205,6 quilômetros, segundo o Sistema Rodoviário Estadual publicado pela Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul). O trecho entre Porto Badeco e a BR-163, de 92 km, é pavimentado.

O restante, 113,6 quilômetros, entre a BR-163 e o entroncamento com a MS-407, está classificado como implantado: leito natural, sem pavimento. É esse pedaço que atravessa a área produtiva de Sonora.

No dia 22 de junho, o Diário Oficial do Estado (DOE) publicou aviso de licitação para a implantação e pavimentação de 20,02 quilômetros desse trecho, com valor máximo de R$ 78,071 milhões. As propostas foram abertas no dia 9 de julho, porém, até agora não houve anúncio do vencedor do certame.

A obra corresponde a 17,7% da extensão sem asfalto. Outros 93,18 quilômetros seguem sem contrato de pavimentação.

Nos áudios, os produtores fazem essa mesma conta: “Lá tem mais de 120 km só da principal. Daí tem as vicinais que tem mais 60 km. […] Fazer 20 km de asfalto não vai resolver, a estrada não é 20 km”.

Um deles sustenta ainda que a obra não vai alcançar os pontos mais críticos do percurso, afirmação que a reportagem não pôde confirmar por não ter tido acesso ao projeto executivo, que define os limites exatos do trecho a ser pavimentado.

Antes da obra, o Estado contratou o projeto em janeiro deste ano. O DOE publicou a contratação da empresa Oliveira, Rae & Cia Engenharia, por R$ 856.590,85, para elaborar o estudo de viabilidade, os projetos básico e executivo e o licenciamento ambiental do trecho. 

Em junho, ao anunciar um pacote de investimentos para o município, o governo do Estado informou que a ordem de serviço da pavimentação deveria ser assinada em julho, mas o certame ainda segue em aberto. 

Tragédia em Kitnet

Homem é encontrado morto e carbonizado após incêndio em kitnet em MS

Bombeiros encontraram a vítima no interior do imóvel após enfrentarem dificuldades para entrar; objetos bloqueavam a porta pelo lado de dentro.

24/08/2026 20h09

Equipes atuam no local onde homem foi encontrado morto e com sinais de carbonização após incêndio em kitnet.

Equipes atuam no local onde homem foi encontrado morto e com sinais de carbonização após incêndio em kitnet. Foto: Corpo de Bombeiros.

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Um homem foi encontrado morto e com sinais de carbonização após um incêndio atingir, na tarde desta segunda-feira (24), uma kitnet no Bairro Santa Terezinha, região sul de Três Lagoas. O caso mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar. As circunstâncias do incêndio e da morte serão investigadas pela Polícia Civil.

As primeiras informações apontam que uma moradora chegou ao local e percebeu indícios de que uma das kitnets estava em chamas. Diante da situação, o 5º Grupamento de Bombeiros Militar foi acionado para combater o fogo.

A Polícia Militar também foi chamada e enviou uma equipe ao endereço para acompanhar a ocorrência e prestar apoio ao trabalho dos bombeiros.

Porta estava bloqueada por dentro

Ao chegarem ao imóvel, os militares encontraram um obstáculo para acessar a residência. Objetos haviam sido colocados atrás da porta pelo lado de dentro, formando uma espécie de barricada e dificultando a abertura da entrada.

Depois de conseguirem romper o bloqueio e entrar na kitnet, os bombeiros encontraram um homem já sem vida. O corpo apresentava sinais de carbonização.

Equipes atuam no local onde homem foi encontrado morto e com sinais de carbonização após incêndio em kitnet.Porta da kitnet ficou danificada durante o atendimento à ocorrência; objetos colocados pelo lado de dentro dificultaram a entrada dos bombeiros. Foto: Corpo de Bombeiros.

O incêndio provocou danos severos no interior do imóvel. Após controlar e extinguir as chamas, a equipe realizou os procedimentos de segurança e preservação da área para permitir os trabalhos das autoridades responsáveis pela investigação.

Equipes atuam no local onde homem foi encontrado morto e com sinais de carbonização após incêndio em kitnet.Fachada da kitnet atingida pelo incêndio que terminou com um homem encontrado morto no interior do imóvel. Foto: Corpo de Bombeiros.

A existência da barricada é uma das circunstâncias que deverá ser esclarecida durante a apuração. Até o momento, as informações disponíveis não permitem determinar por que os objetos estavam posicionados atrás da porta nem estabelecer qualquer relação entre o bloqueio, o incêndio e a morte.

Documento é encontrado no imóvel

Durante o atendimento da ocorrência, foi localizado dentro da kitnet um documento em nome de Luciano Cristiano dos Santos. Apesar disso, a identidade do homem encontrado morto ainda depende de confirmação oficial pelas autoridades competentes. A vítima aparentava ter cerca de 50 anos.

Segundo relatos de testemunhas, o morador da kitnet trabalhava em uma vidraçaria situada nas proximidades da residência.

A Polícia Civil foi acionada e deverá investigar tanto as circunstâncias da morte quanto a origem do incêndio. A perícia também deverá auxiliar na reconstrução do que aconteceu dentro do imóvel.

Até o momento, não há confirmação sobre o ponto de início nem sobre a causa das chamas. Também não foi esclarecido se o homem morreu em consequência direta do incêndio ou se havia outra circunstância relacionada à morte. Essas respostas dependerão dos exames periciais e do avanço da investigação.

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